simultaneamente fácil e apuradíssima, revelando a espontaneidade de uma
fecunda fantasia, traduz e afirma a fina sensibilidade de uma alma
delicadamente temperada, a viveza de um talento exuberante de vigor e de
seiva.
Não pode entrar nos curtos limites de uma simples notícia, a mais
desenvolvida crítica desse trabalho, que tem, na próprio nome do seu
autor, o melhor e o mais seguro título de recomendação para obter do
público a consagração de um largo e legítimo sucesso.
Apenas acrescentaremos que abre o livro um encantador soneto de Luís
Osório--preciosa chave de oiro, na realidade bem merecida por aquele
rico e primoroso escrínio de verdadeiras e puras jóias literárias.»
A Actualidade:--«_Os meus amores_.--Este nome é o de um novo livro da
colecção António Maria Pereira. Pelo título presume-se um volume de
versos; mas não é, o que não quer dizer que nele se não surpreenda
legítima poesia. Trata-se de contos e baladas, originais do Sr.
Trindade Coelho, um dos nossos mais apreciados e brilhantes escritores.
Eis, muito resumidamente, as prendas que distinguem este primoroso
contista:
Estilo correcto, elegante, vivo; descrições ricas de observação e
atraentes tanto pelo colorido como pelo esmerado da forma; despidos de
grandes artifícios os entrechos, mas subjugantes pela muita
naturalidade; o diálogo, em suma, admirável pela singeleza e, sobretudo,
pela propriedade.
Com estes predicados o livro _Os meus amores_, do Sr. Trindade Coelho,
deve incontestavelmente ser de valor. E é. São encantadoras todas as
narrativas que contém. Logo ao abrir depara-se-nos um _Idílio rústico_,
que embriaga e predispõe para a leitura de todo o volume, onde se
encontram quadros soberbos, reproduzidos do natural com um notável poder
de observação e que deixam o espírito suavemente impressionado. Leiam, e
verão que não exageramos na opinião que aí deixamos rapidamente
exposta.
Ao autor o nosso reconhecimento pelo mimo da oferenda.»
Correio da Manhã:--«Registar o aparecimento de um livro bom, linguagem
elevada e singela, desartificioso e artístico, repositório vasto de
observação, vibrado por uma grande impressão pessoal e subjectiva, é
sempre agradável à crónica, neste tempo sobretudo de literatura
gafada, ou de arte ainda literária quase pornográfica.
_Os meus amores_ que amavelmente acaba de nos oferecer Sr. Trindade
Coelho é um livro desses. Colecção primorosa de contos e baladas, em
que no mais despretensioso dos estilos nos conta recordações e idílios e
nos mostra uma galeria rica de tipos e de figuras cuidadosamente
observados e primorosamente expostos.
O último conto _Para a escola_, que dessa bela colecção acabamos de
ler, é encantador de verdade, de singeleza, de arte, e assemelha-se
notavelmente à maneira de Gustavo Droz.
Não é o lugar nem a acasião de fazermos a crítica do livro e a
apreciação deste novo, deste debutante, que ao primeiro assalto parece
estar já senhor da batalha.
É por isso que sinceramente o felicitamos.»
Vanguarda:--«_Os meus amores_.--O nosso colega, o Sr. Trindade Coelho,
que quase só conhecíamos pelos seus libelos acusatórios, acaba de nos
enviar um livro primoroso com este título, no qual a feição carregada e
sombria do agente do ministério público desaparece por completo, para
nos deixar apreciar só o espírito finalmente delicado do homem de
letras conhecedor dos melhores processos de arte e verdadeiramente
sabedor do seu ofício.
Confessamos que nos apraz muito mais admirar este Trindade Coelho, que o
outro que temos visto apertado dentro da negra vestimenta de agente do
ministério público, que parece lhe oblitera às vezes as suas excelentes
faculdades.»
Primeiro de Janeiro:--«_Os meus amores_.--Acabamos de receber o
formosíssimo livro de contos «_Os meus amores_», de Trindade Coelho.
Não é ainda a ocasião de pormos em relevo todas as qualidades
literárias, complexas e brilhantíssimas, que se evidenciam neste
livro, demonstrando um dos talentos mais vivos e assinaláveis entre os
mais ilustres cultores da prosa portuguesa.
Os contos por onde «_Os meus amores_» se repartem não são apenas
maravilhas de linguagem, onde tão somente se destaquem destrezas e
fulgurações do estilo: a acção que os anima constitui uma deliciosa
galeria de quadros, aspectos íntimos e exteriores da vida, colhidos em
flagrante com uma extraordinária subtileza e lucidez de observação e
trasladados a uma forma superiormente artística, onde há firmemente
acentuados todos os caracteres de uma esplêndida organização
literária.
É um livro vibrante e magnífico--adoráveis páginas intensamente ou
delicadamente emocionadas e primorosamente escritas, cuja leitura é um
verdadeiro encanto.
As nossas cordiais felicitações a Trindade Coelho, a quem agradecemos a
gentilíssima oferta do seu livro.»
Folha do Povo:--«_Os meus amores_.--Está publicada em volume uma série
de _contos e baladas_ com que o Sr. Trindade Coelho, o brilhante
colaborador do _Portugal_, vem enriquecer a literatura _contista_
entre nós, hoje tão querida do público, depois que os trabalhos de
Fialho de Almeida deram a esse género literário um valor até então
mesquinho.
A primeira qualidade que notamos logo nos _contos e baladas_ do Sr.
Trindade Coelho é um estilo muito seu, cheio de uma cristalina
naturalidade, _afastando-se completamente dessas excrescências de mau
gosto_, que ultimamente têm abastardado a língua portuguesa,--prova da
superioridade intelectual do escritor de que nos ocupamos--, visto
que não mira a uma falsa glória, conquistada facilmente pelas
excentricidades de estilo, que são hoje uma verdadeira mania entre
alguns escritores da chamada geração moderna.
O Sr. Trindade Coelho escreveu a sua prosa obedecendo à espontaneidade
das suas impressões, ao seu sentir, sem deixar de se revelar um artista,
porque nunca a frase lhe sai banal, nem tão-pouco envolvida em ouropéis
de mau gosto literário.
E no entanto encanta-nos,--prova de que está ali um primoroso
escritor, um espírito delicado, reproduzindo todos os cambiantes da
natureza por uma forma de observação, que não é desta nem daquela
escola. É simplesmente sua, individual.
Notamos mesmo um progresso no livro do Sr. Trindade Coelho; porque as
suas primeiras produções literárias ressentiam-se de uma tal ou qual
preocupação de _efeito_ no modo de construir a frase. Hoje, o
escritor adquire a independência da sua maneira, do seu processo, e
feito a tirar decorre fatalmente dessa independência, visto que os seus
quadros obedecem apenas a uma rigorosa e fiel reprodução do que o
artista observa em volta de si.
Certamente que o público lerá com encanto o novo livro do Sr. Trindade
Coelho, pelo que felicitamos o autor, e--podemos mesmo dizer--a
literatura portuguesa.--_Silva Lisboa_.»
Diário Ilustrado:--«De tempos a tempos chegava-nos do Alentejo um
periódico que não deixávamos nunca de ler pelo fino gosto literário,
pitoresco e moderno, que se revelava em todos os seus artigos,
incluindo os políticos. Esse periódico era redigido por Trindade Coelho,
cujo talento conhecíamos desde Coimbra, e cuja individualidade
literária víamos agora acentuar-se com um vigor de originalidade
verdadeiramente notável.
De quando em quando, Trindade Coelho obsequiava-nos com um artigo para o
_Diário Ilustrado_ e, vindo estabelecer residência em Lisboa, algumas
vezes tivemos a honra de receber nesta redacção a sua visita, sempre
agradabilíssima para nós, porque a sua conversação cintilante
aligeirava as nossas pesadas horas de trabalho.
Pois bem, Trindade Coelho acaba de reunir num volume--que faz parte da
colecção _António Maria Pereira_--os seus deliciosos contos, cheios de
observação, de verdade, de simplicidade artística, que é, a nosso ver,
suprema expressão de beleza neste género de composições literárias.
_Os meus amores_ são um belo livro, em que o estilo se não contorce
atormentado, como em tantos outros, em que os rebuscados esplendores da
forma literária denunciam uma carência absoluta de espontaneidade. Tudo
ali deriva naturalmente, tanto na sequência lógica dos caracteres e dos
episódios, como na contextura fácil, mas colorida, dos períodos.
Numa palavra, _Os meus amores_ são a obra de um artista, de um homem
que sabe do seu ofício, e que tem uma individualidade bem definida por
traços profundos de verdadeira originalidade.»
Voz Pública:--«_Os meus amores_.--Trindade Coelho, inegavelmente um
talento de primeira água, acaba de brindar a literatura portuguesa com
um excelente livro de contos subordinado àquele título e que constitui
o duodécimo volume da elegantíssima _Colecção António Maria Pereira_.
_Contos e baladas_ é o subtítulo do livro, e muitos ao lerem-no
julgarão que se trata de versos; mas não, é em prosa, em prosa
vernácula, correcta e vibrante que estão escritos os belos contos de
que se compõe este livro, digno a todos os respeitos de ser lido.
São todos eles uns contos ligeiros, encantadores pela espontaneidade e
verdade dos seus tipos e das suas situações, lembrando um tudo-nada os
formosos tipos de aldeia, tão magistralmente desenhados pelo malogrado
autor da _Morgadinha dos Canaviais_ e dos _Fidalgos da Casa Mourisca_.
Lemos de um fôlego o magnífico livro, e ninguém que o comece a ler
deixará de o fazer como nós; tão atraente é a forma por que Trindade
Coelho conduz todos os ligeiros contos de que ele se compõe, que sem
querer, sem se sentir mesmo, chega-se ao fim e fica-se como triste
dele ter acabado.
Todos magníficos, dizemos, mas se alguns há que mais nos prendessem,
foram os que se intitulam _Tipos da terra_ uma galeria curiosa de tipos,
e _A mãe_, um conto de natureza, simples e comovente na sua
simplicidade, e notável pela sua originalidade.
Recomendar o livro de Trindade Coelho é prestar um serviço aos nossos
leitores.»
Ordem do Dia:--«_Os meus amores_.--Este é o titulo do 12.^o volume da
colecção António Maria Pereira, inegavelmente a publicação mais
elegante, mais barata e mais interessante do país.
_Os meus amores_ são uma série de contos e baladas, em prosa, devidos à
pena de um moço talentosíssimo, de há muito conhecido nas lides do
jornalismo, Trindade Coelho, mas que ainda não lançara ao mercado um
livro; com este debuta o autor, e é uma estreia auspiciosíssima a sua.
A leitura do volume, longe de fatigar, faz-se com agrado, e nele é
cultivado um género--o de contos, alguns à maneira de Gustave Droz, que
prendem e interessam o leitor em todo o sentido.
Foi gratíssima a impressão que ele nos deixou no espírito e esperamos
que Trindade Coelho continue a brindar o público com as suas belas
produções, porque estamos certos de que quem ler _Os meus amores_ será
com sofreguidão que esperará novo volume do distinto escritor, tal é o
encanto da sua escritura».
O Sorvete, (com o retrato do autor):--«Dr. Trindade Coelho.--Mais uma
prova do seu brilhantíssimo talento! Mais uma vez justificada a alta
competência e finíssimo espírito de escritor distintíssimo!
O novo livro de Trindade Coelho,--_Os meus amores_--contos e
baladas--editada pela casa António Maria Pereira, de Lisboa, é, no
dizer dos entendidos em literatura,--uma verdadeira jóia.»
O Esposendense:--«_Os meus amores_ (contos e baladas) por Trindade
Coelho.--Faz parte este volume da interessantíssima colecção António
Maria Pereira, tão bem aceite do público, pela superior escolha das
obras publicadas e pela modicidade extraordinária dos seus preços.
_Os meus amores_ é um precioso agrupamento de contos, alguns inéditos,
outros já conhecidos, e que Trindade Coelho espalhara com aplauso por
diferentes jornais do país. Decorridos quase todos em plena aldeia
trasmontana, cujos costumes o autor conhece de sobra, pois é natural de
Trás-os-Montes, e foi durante alguns anos, delegado do procurador régio
numa cidade de província--os contos desta colecção tornam-se
sobretudo notáveis pela propriedade e pela fidelidade da acção,
verdadeiros, nítidos, reais, palpitando da cor própria da paisagem,
vivendo da vida natural, íntima e intrínseca, dos personagens e das
coisas.
Entre as nossas obras literárias originais, _Os meus amores_ merecem,
pois, um lugar à parte, não como uma estreia auspiciosa, que o nome de
Trindade Coelho é já demasiado conhecido de todos quantos se interessam
pela literatura nacional, mas como a poderosa afirmação de um prosador
elegante e de um contista distinto, no meio da grande maioria da chata
vulgaridade indígena.
_Os meus amores_ é, em suma, um livro de valor, bem cabido nas mais
escolhidas bibliotecas.»
O Português:--«_Os meus amores_.--Delicioso título de um livro
delicioso.
O livro é uma colecção de graciosos contos, editorada pelo Sr. António
Maria Pereira; e o autor é o nosso colega do _Portugal_, Sr. Trindade
Coelho, que, nos ócios da magistratura, de que é digno representante,
cultiva as letras com desvelado amor.
Em Coimbra, estudante ainda, era já literato apreciado, colaborando,
com aplauso dos mais doutos, em jornais e revistas, que há mais de dez
anos tornaram o seu nome festejado e querido. Hoje, reúne ao seu título
de jornalista a invejável nomeada de contista esmerado, e brinda as
letras portuguesas com um volume, que está tendo a mais justa e
lisonjeira acolhida.
O primeiro conto do livro, _Idílio rústico_, não obstante ser agora
publicado pela primeira vez, cremos nós, é já nosso conhecido, porque
apareceu manuscrito num concurso literário da extinta _Associação
dos jornalistas_, sendo premiado. Depois da consagração de um júri, terá
agora a consagração do público.
Depois do _Idílio rústico_, vem o _Sultão_, um quadro magnífico da vida
campesina, notável de simplicidade e graça; e a _Última dádiva_; e os
_Prelúdios de festa_; e os _Tipos da terra_; e as _Baladas_; e a
_Tragédia rústica_; e a _Mãe_; e os _Arrulhos_; e as _Batalhas
domésticas_: outros tantos primores, que às vezes nos fazem lembrar as
deleitosas e serenas paisagens de Daudet.
Agradecendo ao autor a gentileza da sua oferta, congratulamo-nos por
não haver ainda expirado entre nós a literatura sã, que, ou nos
desperte o sorriso ou nos obrigue a lágrimas, não nos deixa no espírito
a impressão doentia das nevroses literárias...»
Jornal da Manhã, Porto:--«_Os meus amores_.--Mais um volume acaba de ser
publicado da colecção António Maria Pereira, por sem dúvida a mais
elegante, a mais escolhida e a mais económica biblioteca que se publica
em Portugal.
É o primeiro livro de Trindade Coelho, _Os meus amores_, contos e
baladas, em que o talentosíssimo escritor acaba de reunir todos os
seus contos dispersos por vários jornais, e alguns inéditos.
Do primeiro ao último, os contos que compõem _Os meus amores_ são
espécimes no género, porque, além de constituírem uma esplêndida galeria
de quadros íntimos, de retratos, de tipos, são a confirmação de uma
verdade já por nós há muito aceite: que o seu autor tem todos os
requisitos de um escritor de primeira ordem; estilista vibrante,
correcto e sempre elegante.
E se formos a escolher o melhor desses contos, ver-nos-emos em sérios
embaraços, porque são todos por igual deliciosos, constituindo a sua
leitura um verdadeiro encanto; entretanto, se há que mostrar
predilecções por algum deles parece-nos que os melhores serão _A Mãe_
e _Para a escola_, aquele uma delicada e emocionante história arrancada
flagrantemente à natureza, e este saudosas recordações de um passado que
não volta.
A edição, escusado é dizê-lo, é nitidíssima.»
O Tempo:--«_Os meus amores_.--Este livro teria vindo melhor nas noites
invernosas para serões às lareiras crepitantes:--as faíscas de ouro
subindo no tecto, o vento zunindo fora açoitando a chuva, e dentro, no
conforto recolhido, gozar-se o contraste das paisagens alegradas pelo
sol, espelhadas na água rumorosa, com gorjeios e trinados de aves,
paisagens que o Sr. Trindade Coelho sabe encantar com a delícia suave e
subtil de iludidor ameno. Mas não se pode aconselhar o leitor a que se
prive de saboreá-lo desde já, tanto mais que os tempos vão agoireiros
para a arte de manancial, e os que a cultivam têm de separar-se dos
estragadores d'Ela e das cabeças quase vazias que espremem e segregam o
pus nauseabundo do sadismo medíocre.
Estes estão agora entretendo o público arrebanhado para saborear com
prazer as estapafurdices atoleimadas, e que os iguala--o vingador--ao
imbecil que escreveu o _Senhor Dupont_ e aos autores das _Pimentinhas_
e _Berbigões Ardentes_.
Que o livro de glorificadora arte do Sr. Trindade Coelho seja o
perfumador dos excrementícios e apareça em plena luz nas mesas e nas
famílias dos que compravam os outros, é o voto que faz o alinhavador
destas linhas corredias, na certeza de que recomenda à atenção um
artista recolhido que sabe ter força nos traços ténues e meias-tintas
dos seus quadros, que capricha em suavizar idilicamente as dores
vulgares da vida aceite, da materialidade animal, dourando-as com
recantos de natureza chilreante. Que me perdoem insistir na
impertinência: mas, o que no livro mais particulariza o talento de quem
o assina é a compreensão das paisagens, o sabê-las colorir, animar,
pô-las ante os olhos que lêem.
As grandes dores obscuras e sinceras, as brandas afeições, amizades
arreigadas, a placidez do recanto habitado, os amores simples
sustentados por ingénuas crenças e suavizada fé, tudo o que a aldeia tem
de ameno, de atraente, de pitoresco, de consolador, os seus ridículos
mesmo, vestindo atitudes de paródia em teatrinho de curiosos, tudo
reveste bem o Sr. Trindade Coelho, e aligeira com um optimismo de bom
humor, sublinhando aqui e acolá umas notas reais, bem apanhadas, como se
diz, e que refrescam o rosto num aberto sorriso de ventarola. O livro
encanta porque traz todo o aroma da aldeia onde o autor encerrou por
anos a sua nostalgia--a pior de todas: nostalgia de
delegado!--apertando os voos do seu espírito de artista que ama pairar
com a fantasia para o longínquo, para o que se Imagina, para o Distante,
o Inacessível, o Insaciável. Sonhos e fantasias que morreram e se
dispersaram como o fumo e as cinzas das fogueiras a que se aqueceria nas
noites uivantes do Inverno trasmontano; mas que deixaram sementes de
recordação e de saudade donde brotou o livro, escrito decerto nas
horas feriadas do trabalho árido, com a documentação da natureza que
vivifica, com a elaboração pachorrenta de quem não tem pressa e se
compraz na arte libertadora.
Especificar um ou outro conto não é depreciar os não citados, mas dar
preferência pessoal--e talvez pecadora--ao _Idílio rústico_, à _Última
dádiva_, à _Mãe_, às _Batalhas domésticas_, que fecham o livro e deixam
entrever no autor um desejo de animar os personagens tanto como anima a
natureza onde eles sentiram. Há contos nos _Meus amores_ que fazem
lembrar um Cladel menos retumbante e por isso mesmo livram quem lê da
patada épica do que fez _Créte-Rouge_ e _Ompdrailles_.
O Sr. Trindade Coelho é um escritor tão distinto quanto aclarado pelo
jorro de arte que vem de há muito confundindo os convulsionários do
talento; os serenos no desdém; os entusiastas; o que, despindo o
metafórico, quer significar que ele está em posição artística onde
decerto o seu talento e o seu trabalho continuarão a chamar atenção e
respeito.--_M. Caldas Cordeiro_.»
António Maria, (com o retrato do autor, desenho de Rafael
Bordalo):--«_Os meus amores_ por Trindade Coelho.--A livraria
portuguesa tem tido uma enchente, como raramente lhe sucede, na última
quinzena. Depois do êxito do romance de Abel Botelho e do livro de
memórias de Luís Palmeirim, veio o volume de contos de Trindade Coelho,
com a amável denominação de _Os meus amores_.
Aqui o temos, já todo aberto, já todo lido... É originalíssimo,
agradabilíssimo o modo de escrever, de descrever, de dizer, de contar,
que usa o autor deste belo livro,--agradabilíssimo contista,
escritor originalíssimo, cujo nome a bibliografia regista hoje, tão
notavelmente, como o jornalismo de há muito o registara.
A quem o ler, garantimos, sob a palavra de honra do nosso gosto, algumas
horas muito bem passadas, passeadas por aquelas paisagens e recantos
provincianos que ele pinta, tão real e verdadeiramente como se lá se
estivesse; em companhia daqueles tipos que ele retrata, tão
fotográficos, tão nítidos, que é estar a gente a vê-los, a ouvi-los, a
falar-lhes...
--_Os meus amores_, meus amores, que encanto!»
O Tempo:--«_Os meus amores_.--É como Trindade Coelho intitula a
colecção de formosos contos, publicados em volume, editado pela
livraria do Sr. António Maria Pereira.
Há muito tempo que conhecemos e apreciamos o talento de escritor de
Trindade Coelho, desde quando lhe lemos as suas produções literárias
num jornal de Coimbra, e que eram as primícias de trabalhos mais
primorosos, como são hoje os contos a que nos vimos referindo.
O livro de Trindade Coelho é dos raros que se lêem da primeira à última
página sem um momento de cansaço ou de fastio. O espírito do leitor
delicia-se seguindo todas aquelas cenas campesinas, de uma singeleza
tão comovente, e que nos _Meus amores_ são descritas numa forma em
que se revelam todas as qualidades de um distinto e notável escritor.
Só pode apreciar bem o mérito daqueles contos quem souber quanto
cuidado há no labor paciente do artista para conseguir dar ao estilo o
tom de naturalidade e de espontaneidade, que se requer neste género de
pequenas novelas, talvez o mais difícil de todos.
Não nos demoraremos a falar dos _Meus amores_, que contém preciosas
jóias literárias, e ao qual está, sem dúvida, destinado um honroso
lugar na nossa literatura contemporânea.»
Correio Elvense:--«Trindade Coelho.--Este nosso amigo e festejado
escritor publicou agora o seu primeiro livro de contos e baladas que
deu o título: _Os meus amores_, editado pela acreditada livraria de
António Maria Pereira.
Trindade Coelho, que hoje ocupa um proeminente lugar no jornalismo da
capital, fez ainda há pouco algumas das suas melhores armas na imprensa
de Portalegre, onde criou dois jornais, um dos quais ainda vive, que
tiveram vida gloriosa enquanto os animou o trabalho do distinto
estilista.
Não só nos seus escritos passados, mas então, conhecemos o grande valor
que indiscutivelmente possui. Não nos surpreendem pois os seus
triunfos e rejubilamo-nos com eles com a alegria e sinceridade de bons
e sinceros amigos.
Num dos próximos números falaremos da impressão colhida em _Os meus
amores_.»
O Dia:--«_Os meus amores_.--Se fosse no século passado, os fazedores de
proémios, prólogos e conversações preambulares com os pios leitores, à
falta de jornalistas que noticiassem ou criticassem, por certo
aproveitariam a ocasião para sobre o nome do autor glosarem vários
elogios ao livro, visto que aquele se chama Trindade e é ao mesmo tempo
um poeta sincero, um escritor de raça, e um observador atento,
qualidades que se equilibram por tal sorte, que do conjunto nasceu uma
obra formosíssima, animada de verdadeira comoção, sentida nas suas mais
pequenas minúcias, sempre elevada, sempre humana e sempre artista.
A vida e a poesia trasmontana encontram-se a cada passo nesta reunião
de contos, que o Sr. Trindade Coelho dialogou com um cuidado meticuloso,
copiando do natural, e em que os personagens foram surpreendidos nos
seus labores de cada dia ou nas suas íntimas cogitações.
Não temos espaço nem tempo para nos alongarmos na notícia deste livro,
e por isso nos limitamos a recomendá-lo como leitura atraente, como
obra de arte tratada com esmero, embora nem sempre com a mesma igualdade
nem com o mesmo fôlego, como uma grande lição literária aos fazedores
de naturalismo brutal.
Ao autor agradecemos a remessa do seu livro, ficando fazendo votos para
que eles sejam tantos, que afoguem os autos e libelos em cujo meio o
magistrado tem de viver, e donde sai amiudadas vezes para nos provar
que quando se é artista lá de dentro, o contacto dos escrivães não
prejudica a índole do escritor.»