A commissão requeria brevidade, porque D. João I queria partir para

Ceuta, e não me parece provavel que a familia Almada se demorasse então

em França a combater gascões.

Mas é possivel.

O que é provavel é que Alvaro Vaz de Almada, e seu pai, e seu irmão, na

Inglaterra, na França ou mesmo na Allemanha, onde Alvaro Vaz se

encontraria mais tarde com o infante D. Pedro, praticassem, collectiva

ou individualmente, algum feito galante em honra das damas, tomassem

parte em qualquer dos torneios cavalheirescos, que eram n'aquella época

frequentes.

Após o combate entre os tres portuguezes e os tres gascões, houve um

duello entre outro portuguez e um cavalleiro bretão, de appellido La

Haye, na presença de Carlos VI.

«Foram, diz Vulson de la Colombière, por ordem do rei igualmente

honrados, comquanto se diga que La Haye obteve vantagem».

Reiffenberg dá noticia de que D. João I convidára muitos cavalleiros

francezes para um torneio em Lisboa[79].

Era este o requinte da galanteria militar da época. Portanto Alvaro Vaz

ou qualquer dos outros cavalleiros da sua familia bem poderiam ter

praticado semelhantes proezas no estrangeiro, de 1414 a 1415, ou depois

da tomada de Ceuta, quando se viram obrigados a emigrar.

Infelizmente, não posso precisar quaes fossem esses feitos

cavalheirescos praticados por elle ou pelos seus.

Camões, na sequencia do episodio dos _Doze_, refere-se ao duello que o

_Magriço_ teve com um francez, e ao desafio que um outro dos cavalleiros

portuguezes tivera na Allemanha.

O cavalleiro francez morto, no campo, pelo _Magriço_ foi, segundo a

tradição, mr. De Lansay.

O duello do outro portuguez com o allemão:

Outro tambem dos doze em Allemanha

Se lança, e teve um fero desafio

C'um germano enganoso, que com manha

Não devida, o quiz pôr no extremo fio;

bem podia ser vaga recordação de alguma façanha de Alvaro Vaz quando

combateu pelo imperador Sigismundo, embora essa façanha nenhuma relação

tivesse com a lenda dos _Doze_. Mas, no poema, quando Velloso está

n'este lance da narrativa, o mestre de bordo toca o apito, a manobra

começa, as conversações na tolda interrompem-se.

Camões conta que Magriço não recolhera logo depois do torneio:

Mas dizem que comtudo o grão Magriço

Desejoso de vêr as cousas grandes,

Lá se deixou ficar, onde um serviço

Notavel á Condessa fez de Frandes.

E Mariz, nos _Dialogos_, diz que tambem ficaram no estrangeiro, além de

Magriço, mais dous, «fazendo taes obras em armas, que um d'elles

alcançou de el-rei de França o condado de Abranches em França, pelas

obras que em seu serviço fizera», e que este veio depois a morrer em

Alfarrobeira.

Ora não foi o rei de França, mas o de Inglaterra, como já está dito, que

deu o condado de Avranches a Alvaro Vaz de Almada. E, dizendo a lenda

que o torneio dos _Doze_ se realisou em vida do duque de Lancaster, não

podia Alvaro Vaz tomar parte n'elle, por não ser ainda nascido ou por

estar ainda na primeira infancia.

Em conclusão, meu caro snr. Lugan:

Na formação das lendas, a imaginação popular não olha a anachronismos.

Alvaro Vaz foi um cavalleiro famoso por seus feitos d'armas, pelo seu

grande valor; combateu ao serviço de Inglaterra e em Inglaterra foi mais

tarde agraciado: a lenda cavalheiresca dos _Doze_ envolveu-o

portanto nos seus magicos véos, para nos servirmos de uma expressão de

Pinheiro Chagas, sem attender á chronologia. Tambem em torno do infante

D. Pedro se fórma a lenda das _sete partidas_, originada nas suas

viagens. A imaginação popular não podia deixar de envolver no

maravilhoso das tradições nacionaes estes Castor e Pollux do seculo XV,

tão unidos moralmente, tão consubstanciados, na vida e na morte, por um

estreito laço de relação historica.

* * * * *

Seria longo trabalho enumerar as menções e referencias que de Alvaro Vaz

de Almada fazem tanto os escriptores portuguezes, como os

estrangeiros que se têm occupado em estudar a historia do nosso paiz.

D'estes, alguns, Ferdinand Denis á frente, lamentam que tão pouco se

saiba da vida do conde de Avranches. Um d'elles, que é dos que melhor

conhecem a litteratura portugueza, mr. Francisque Michel, chega a

escrever: «_Nous ne savons rien de sa vie_».

Quanto aos escriptores nacionaes, não quero, comtudo, deixar de citar

Gomes Eanes de Azurara, porque escrevia em circumstancias

verdadeiramente embaraçosas para elle. Azurara fôra encarregado por D.

Affonso V de escrever a _Chronica do descobrimento e conquista de

Guiné_. Por D. Affonso V, note-se, por D. Affonso V, que moveu o seu

exercito contra o infante D. Pedro, e que tão severo se mostrou com

todos os que combateram em Alfarrobeira ao lado do infante.

Azurara acabou de escrever a sua _Chronica_ em fevereiro de 1453, isto

é, menos de quatro annos depois do deploravel acontecimento, quando

ainda não estavam de todo apagadas as paixões politicas que lhe deram

origem.

Pois, não obstante estas difficeis circumstancias em que se via

collocado, Azurara, com louvavel hombridade, faz esta referencia a D.

Alvaro Vaz de Almada:

«... batalha da Alfarrobeira, naqual o dicto iffante foe morto e o conde

Dabranxes que era com elle, e toda sua hoste desbaratada, onde, se o meu

entender pera esto abasta, justamente posso dizer, que lealdades dos

homees de todollos segres (seculos) forom nada em comparaçom da sua. E

postoque o serviço nom seja tamanho, quanto ao trabalho, segundo os que

já disse, certamente as circonstancias lhe dam splandor e grandeza sobre

todollos outros, cuja perfeita declaraçom remeto aa estorea geeral

dos feitos do regno»[80].

D. Affonso V leu isto, que foi escripto na sua propria casa--_acabousse

esta obra na livrarya que este Rey dom Affonso fez em Lixboa_--e sentiu,

porventura, passar ainda por diante dos olhos o vulto d'esse cavalleiro

fascinante, que elle quiz por força vêr quando D. Alvaro ia caminho da

Ameeira, e que tamanha influencia exercia no seu juvenil espirito, que

os inimigos do infante D. Pedro, quando o conde de Avranches regressou

de Ceuta pela segunda vez, julgaram conveniente a seus fins levar o rei

para Cintra, de modo a evitar nova entrevista.

Affonso V leu isto, e certamente lhe pesou na alma o remorso de ter

cedido ás perfidas suggestões dos inimigos do infante.

As palavras que Azurara havia escripto, ficaram. O rei não as cancellou.

O espirito de Affonso V fez justiça ao chronista e ao conde,

conservando-as.

* * * * *

Tal era o homem, o heroe.

Elle bastaria por si só a caracterisar uma época, o occaso da

idade-média em Portugal, se, a dous passos de distancia, os

descobrimentos maritimos, promovidos pelo infante D. Henrique, não

tivessem vindo relegar para o segundo plano do vasto quadro da

civilisação universal todos os outros factos, e todos os vultos humanos

que não collaboraram directamente n'essa colossal epopêa das aventuras

maritimas.

Alvaro Vaz de Almada é até certo ponto prejudicado pelo esplendor de

uma época gloriosissima, que marca o inicio dos tempos modernos.

Eramos então tão felizes que sobejavam heroes, heroes de uma raça unica,

inexcedivel, para todos os generos de celebridade. Mas a grandeza do

vulto do conde de Avranches, podendo medir-se pela bitola dos maiores e

melhores cavalleiros do cyclo medieval, tanto se abalisou nas tradições

da Europa cavalheiresca, que não ficou de todo offuscada pelo esplendor

da sua propria época.

Quando quizermos recordar o periodo aureo em que o espirito aventuroso

dos portuguezes investia com as lendas tenebrosas do oceano, para

rasgal-as com a prôa das caravellas descobridoras, e affrontava os

perigos das explorações terrestres por sertões inhospitos, teremos que

figurar na nossa imaginação o vulto do infante D. Henrique, de pé sobre

o promontorio de Sagres, dominando o mar, que se lhe quebrava aos pés

humilde como um leão vencido, e que, no seu eterno refluxo, ia

levar a longinquas plagas o prestigio do nome portuguez.

Mas quando quizermos figurar a agonia extrema da cavallaria portugueza,

quando quizermos procurar a chave de ouro que fechou, n'esta região do

occidente, o periodo do valor militar, das aventuras galantes, da

coragem no soffrimento, da dedicação na amizade, da abnegação na

existencia e da heroicidade na morte, teremos que figurar o conde de

Avranches, brandindo primeiro a lança, floreando depois a espada, no

campo de Alfarrobeira, onde o infante D. Pedro era já cadaver, até que,

extenuado, sentindo exhalar-se o derradeiro alento, cae sobre a terra da

patria, offerecendo aos golpes dos adversarios o corpo que já podia

menos do que a alma, e exclamando ao despedil-a: _Ora vingar, villanagem!_

Se o infante D. Henrique é o traço de união que para todo o sempre,

emquanto se não perder a memoria das grandezas passadas com a existencia

do ultimo homem, nos liga ao Oriente, cujas portas abrimos, cujos mares

devassamos, cujos emporios vencemos, D. Alvaro Vaz de Almada é o vinculo

eterno que nos prende ao Occidente cavalheiresco, ás tradições

aventurosas do brio militar e do militarismo galante que foram, na

Europa da idade-média, a suprema expressão da nobreza da alma humana.

Um, o infante, é a aurora do novo dia que começa a raiar para a

humanidade do seculo XV, aurora resplendente de fulgurações prismaticas,

de arreboes dourados, de rosicler cambiante.

O outro, o conde, é o occaso da idade-média, o sol-pôr de um seculo de

feitos heroicos, de primores e gentilezas de cavalleiros

intemeratos,--occaso opulento de tintas e de sombras grandiosas, em que

a luz briga ainda com as trevas, affirmando na lucta o valor que

certamente havia aprendido com os cavalleiros d'esse tempo.

Estes dous homens, o infante e o conde, são como uma dupla

personificação da sua época, do momento de transição solemne em que a

poesia das espadas, a epopêa das cavallarias errantes, que preparavam a

alma humana para todas as concepções arrojadas e para todos os feitos

destemidos, vai ceder o passo á quilha das caravellas e das naus, que

iam em demanda do Oriente para trazel-o ás portas de Lisboa, estreitando

as relações dos povos, desenvolvendo a navegação e o commercio,

fomentando a industria pela abundancia de capitaes e pela exploração de

novos mercados, pela nobilitação do trabalho, que não tardaria a deixar

de ser um mister de escravos para converter-se n'uma applicação honrosa

da actividade humana.

O infante e o programma, ainda então mal desenrolado, da

transformação economica da Europa culta.

O conde é o livro, prestes a fechar-se, do espirito militar da

idade-média, o ultimo clarão da cavallaria moribunda.

São uma época, estes dous homens. Completam-se um pelo outro.

Ora, no momento em que a cidade do Porto vai prestar uma grande

homenagem collectiva ao infante Descobridor, que n'essa boa terra

nasceu, e fazer resuscitar por alguns dias o periodo mais brilhante da

nossa historia nacional, pareceu-me justo, agora o repito, recordar o

vulto do homem que, ao lado de D. Henrique, synthetisa o seculo XV, a

transição da idade-média para os tempos modernos, na historia de Portugal.

Tendo, meu caro snr. Lugan, de lhe enviar esta carta a tempo de poder

ser publicada por occasião da festa centenaria do infante, fui obrigado

a circumscrever-me a estreitissimos limites, e a passar rapidamente

por acontecimentos que mereciam longa attenção.

Não é um trabalho litterario perfeito o que lhe mando, porque o fazel-o

excederia os meus recursos e não caberia nos poucos dias de que pude

dispôr. É, pois, uma simples carta, escripta ao correr da penna, sem

preoccupações academicas, mas inspirada unicamente no desejo de

corresponder á louvavel resolução do meu bom amigo e de, por minha

parte, render homenagem ás glorias da minha patria.

Lisboa, 2 de fevereiro de 1894.

De V.

amigo muito affeiçoado

_Alberto Pimentel._

[1] Quando se queria elogiar a opulencia de alguem, dizia-se: É como

Janeanez (João Éannes ou Annes).

[2] O snr. Oliveira Martins (_Filhos de D. João I_, pag. 87) confunde

João Vaz de Almada com João Annes, que erradamente suppõe ter sido o

pai de Alvaro Vaz de Almada.

[3] «Tavarez fait remonter les chevaliers de cette race au grand

Janeanez d'Almada, qui occupa les offices les plus importants sous D.

Pedro, puis sous son fils, et auquel ont dû les fortifications dont

ce dernier monarque entoura _Lisbonne_». (_Portugal_, pag. 85).

[4] O valle por onde hoje se estende a Avenida da Liberdade.

[5] João Vaz de Almada teve um filho bastardo, do mesmo nome, que foi

senhor de Pereira.

[6] Fernam Lopes, _Chronica d'el-rei D. João I_, cap. XXXIX.

[7] _Quadro diplomatico_, tom. I, pag. 283; tom. XIV, pag. 155-156.

[8] _Quadro diplomatico_, tom. XIV, pag. 172-173.

[9] _Ibid._, pag. 174.

[10] Esta preferencia explica-se pelo facto de João Vaz de Almada ir

na qualidade de capitão-mór da cidade de Lisboa.

[11] «Rex Johannem Valascum de Almatina vocari fecit, cui dixit: «Cape

signum Sancti Vicentii et, si potes, alteram civitatis partem ingrede,

et si senseris barbaros fugam arripuisse arcemque reliquisse, signum

in summo arcis pone». Ille mandato Regis parens, signum accepit et ad

portam muri qui civitatem in duas partes dividebat, cum multis armatis

eum sequentibus, venit; et quia clausa erat, illos eam ipsam

rescindere monuit; illis vero rescindentibus, duo barbari qui

remanserant, ut rerum exitum expectarent, ad murum accedentes, lingua

castellana quam noverant dixere: «Nolite tantum laboris assumere, nos

enim portam aperiemus et vobis aditum faciemus». Ubi fuit aperta

Johannes Valascus, arcem ingressus, in altiori turre signum

collocavit, etc.» (Matheus de Pisano, _Gesta illustrissimi regis

Johannis de Bello Septensi_, 1460; _Inéditos da Accademia_, tom. I).

Henry Major copiou este episodio. _Discoveries of Prince Henry the

Navigator._ London, 1877. Pag. 35.

[12] _Historia de Portugal_, vol. I, pag. 9.

[13] «E este Ifante (D. Affonso, fiiho do rei D. Duarte) foy ho

primeiro filho herdeiro dos Reys destes Regnos, que se chamou

Principe, porque atee elle, todoloos outros se chamaram Ifantes

primogenitos herdeiros, etc.» (Ruy de Pina, _Chronica do sr. rei D.

Duarte_, vol. I dos _Inéditos_).

[14] O _Nobiliario_ de Damião de Goes (Torre do Tombo, 21-B-26) falla

de ferimentos; outro codice (Torre do Tombo, 21-F-17) diz--pancadas.

[15] O snr. João Teixeira Soares, artigo _Os doze de Inglaterra_,

publicado na _Era nova_, pag. 458.

[16] _Historia serafica_, 1.ª parte, cap. XXIII.

[17] _Descripção de Portugal_, pag. 311.

[18] _Os filhos de D. João I_, pag. 87.

[19] «... esta cerimonia (a investidura de um cavalleiro) dava áquelle

que iniciava um seu companheiro no culto do valor e da lealdade, uma

certa influencia sobre o neophyto, que lhe ficava consagrando sempre

respeito e affeição indissoluvel». (Pinheiro Chagas, _Historia de

Portugal_, vol. II, pag. 147).

[20] Ferdinand Denis, _Portugal_, pag. 84.

[21] Torre do Tombo. Codice 21-F-17.

[22] Fernam Lopes, _Chr. d'el-rei D. João I_, cap. XCV.

[23] ... né au commencement du quinzième siècle...» (Ferdinand Denis,

_Nouvelle biographie universelle_, tom. II, pag. 170). «Alvaro était

né, selon toutes les probabilités, à peu près vers l'époque ou Joam

Ier avait eu ses premiers fils». (Ferdinand Denis, _Portugal_, pag.

86).

[24] Suppomos ser o snr. Pinheiro Chagas a pessoa que, no _Diccionario

popular_, escreveu o artigo relativo a Alvaro Vaz de Almada.

[25] Foi Pedro José de Figueiredo, mas parece que teve collaboradores.

1817.

[26] Artigo _Alvaro Vaz de Almada_, no _Diccionario popular_.

[27] A pedido de Alvaro Vaz, esta carta foi confirmada por outra do

rei D. Duarte, dada em Almeirim a 5 de Janeiro de 1434.

O posto de capitão-mór da armada conservou-se depois nos Almadas

descendentes do agraciado, até ao tempo de el-rei D. Sebastião, que

d'elle fez mercê a D. Fernando de Almada, bisneto de Alvaro Vaz, por

carta passada em Evora a 25 de agosto de 1573.

[28] Ruy de Pina, _Chronica do senhor rei D. Duarte_, cap. XXIV.

[29] _Chronica do senhor rei D. Duarte_, cap. XXV.

[30] _Chronica do senhor rei D. Duarte_, cap. XXVI.

[31] _Chronica do senhor rei D. Duarte_, cap. XXXIV.

[32] Ruy de Pina, _Chronica do senhor rei D. Duarte_, cap. XXXVI.

[33] _Portugal_, pag. 86, nota.

[34] _O infante D. Pedro_, chronica por Gaspar Dias de Landim, cap.

XIV.

[35] Landim, mesmo capitulo.

[36] _Chronica do senhor rei D. Affonso V_, cap. XXXI.

[37] Pina, _Chronica do senhor rei D. Affonso V_, cap. XXXIV.

Era o _Limoeiro_. Este edificio havia sido Casa da Moeda, e depois

palacio _dos infantes_, porque lhes era destinado. (Vêr _Noticias

chronologicas da universidade de Coimbra_, por Francisco Leitão

Ferreira, nas _Memorias da Academia Real de Historia_ relativas ao

anno de 1729, pag. 206). Mas ficou por muito tempo o costume de

designar o palacio pelo seu nome antigo: a _Moeda_.

[38] _Chronica_, cap. XXXVI.

[39] Torre do Tombo--Chancellaria de D. Affonso V, liv. 20, fol. 85 v.

[40] _Chronica_, cap. LXXI.

[41] _Elementos para a historia do municipio de Lisboa_, tom. I, pag.

322.

[42] _Diccionario popular_, artigo _Alvaro Vaz de Almada_.

[43]

Ex Archivis in Turri London

E rotulo Franciae, A.º 23.º

Hen. 6, membrana 2.

Henricus dei gratia Rex Angliae et Franciae et dominus Hiberniae

Archiepiscopis, Episcopis &c. salutem. Magnis efferendi sunt laudibus,

singulari attollendi gloria, qui in Rei publicae salutem dies suos et

vitam ipsam ferventi studio et animo indefesso conferre nituntur; qui

de seipsis pericula faciunt pro aliorum quiete, qui egregiam famam et

nomen immortale, prae coeteris mundanis rebus sitiunt, et foelices se

praedicant dum communem utilitatem eorum operâ et fide adjutari posse

arbitrantur: O foelicissimum genus hominum! sine quibus urbes, moenia,

regna, dominia, mundi Principes, nec mundus ipse, incolumitate gaudere

poterunt: O clarissimi et justi viri! quorum sancta dispositione

virescunt virtutes omnes et florent, pulcherime effrenantur mali,

praemuntur perversi; nemo est certe qui horum ingenuos animos aut

literis contexere aut verbis affari dignâ laude poterit; de quorum

numero insignis et nobilis animi vir et strenuus et splendidissimus

miles DOMINUS ALVARUS DE ALMADAA dicendus et praedicandus est, qui ab

ineunt suâ aetate, dum annos pueritiae excesserat, militiae gloriâ

debaccatus, virtutum praemia et communem omnium salutem anelans, toto

conanime et omni studio in armorum usum so conjecit, et cum aptiores

Rei militares attigerat annos, adolevit strennitas sua cum aetate,

itaq animo excellenti in omnem Rei publicae tuitionem crevit, ut

nichil sibi dulce, acceptum aut desiderabile videbatur, si pro communi

bono non fuerit institutum; adeo sua pro virili bellorum descrimini

insudavit forti animo, et pacis tranquilitati consilio, quod suo jure

praemia debentur suo labori: propterea nos animadvertentes nobilitatem

et animi dicti viri egregiam dispositionem, quae suis gestis adjunctae

magnum efficiuntornamentum, nec non ingentia facta quae non tantum

tempore regni celeberimae memoriae Christianissimi Progenitoris nostri

verum etiam cumulum amoris servitii et meritorum quae nobis regnisq

exhibuit nostris, ipsum in militem ac socium et fratrem de GARTERIA EX

unanimi consensu societatis ejusdem elegimus et realiter investivimus:

eundem etiam Dominum ALVARUM ex nostra habundantiori gratiâ in evidens

testimonium suarum virtutum, in comitem DAVARANS in DUCATU nostro

NORMANDIAE creavimus et praefecimus, ac per presentes creamus et

praeficimus ac de eisdem nomine honore et titulo per cincturam gladii

investientes effectualiter insignivimus. Habenda et tenenda eadem

nomen et honorem Comitis DAVARANS sibi et haeredibus suis masculis de

corpore suo legitime exeuntibus in perpetuum, volentes et

praecipientes pro nobis et haeredibus nostris quod dictus fidelis

noster dominus ALVARUS nomen et honorem Comitis DAVARANS teneat sibi

et haeredibus suis masculis de corpore suo ut praemissum est legitime

exeuntibus in perpetuum, Hiis testibus venerabilibus patribus I:

Cantuar: et I. Eborum archiepis. Tho: Norwicen: W: Sarum, I: Bathon et

Wellen Epis. carissimo avunculo nostro Humfredo Duce Glouc: ac

carissimis consanguineis nostris Iohan. Exon. et Humfredo Buck.

Ducibus et Willõ Marchione Suffolciae. Iohan: Vicecom: de Beaumont, ac

diltis(1) et fidelibus suis Radulpho Cromwell et Radulpho Botiller

militibus, Thess(2) Angl., et Magistro Adam Moleyns custode privati

sigilli et aliis. Dat. per manum nostram apud Westm(3). 4 die Aug.

Per breve de private sigillo et de data praedicta &c.

(1) Dilectis.

(2) Thesaurariis.

(3) Westminster.

[44]

Ex Archivis in Turri London

E rotulo Franciae, A.º 23.º

Hen. 6. membrana 2.

Rex omnibus ad quos &c salutem. Ponimos ante oculos nostros fidem

industriam circumspectionem affectionem laboresq et alia memoriâ

dignissima quae fidelis noster Dominus ALVARUS DE ALMADAA Comes

DAVARANS consiliarius excellentissimi Principis et potentissimi domini

Regis Portugaliae consanguinei nostri et Capitaneus Major in omnibus

regnis suis et dominationibus ac Alcayde major civitatis Ulisbonensis

foelicis memoriae genitori nostro et etiam nobis singulari intentione

impendit: volentes ideo hujusmodi merita sine fructu nequaquam

oblivioni comittese, Ex mero motu nostro concessimus et concedimus per

praesentes eidem ALVARO centum marcas percipiendas annuatim quamdiu

vixerit ad receptam Scaccarii nostri Angliae per manus Thesaurarii et

Camerariorum nostrorum ibidem pro tempore existentium ad Terminos

Paschae et Sancti Michaelis per equales porcõnes. In cujus, etc. Teste

R. apud Westm. 9 die Augusti.

[45] N. B.--O marco inglez valia 13 schellings e 4 pences.

[46] Priv. Sigill. 13 Aug. 23 H. 6. We in good consideration of the

good service grete zele and good love that our trusty and welbeloved

ALVAST DALMAA Knyght of Portugale hath doon and shewed unto us and

oure full noble progenitors have maad(1) and creat(2) him now late(3)

Therle(4) of AVERANCHE and over that(5) we have graunted unto the said

ALVAST a pension of an C marc by yere during his life. We charge you

that ye delivere unto him a cupp of golde of XL marc and C marc

thereinne &c.

(1) Made.

(2) Created.

(3) Now of late; lately.

(4) The earl.

(5) And besides that; and moreover.

[47] O titulo de conde de Avranches, posto que Henque VI o concedesse

hereditario, caducou desde que Carlos VII conseguiu reunir á França o

ducado de Normandia.

Foi pois preciso que Luiz XI o confirmasse na pessoa de D. Fernando de

Almada, filho das segundas nupcias de D. Alvaro Vaz de Almada, porque

a geração do primogenito do primeiro casamento extinguiu-se.

A confirmação realisou-se quando Affonso V esteve em França, e D.

Fernando de Almada o acompanhou.

O titulo, assim renovado, foi reconhecido em Portugal: D. João II

mandou fazer assentamento a D. Fernando de Almada, _conde de

Avranches_, de 102:864 reaes brancos.

Acabou o titulo na pessoa de D. Antão de Almada, que acompanhou a

Africa D. Sebastião, e lá morreu. O filho de D. Antão, que estivera

com o pai em Alcacerquibir, ficou captivo, e só logrou repatriar-se

depois da morte do cardeal D. Henrique. Não se renovou por isso a

concessão do titulo, interrompendo-se tambem a successão do officio de

capitão-mór do reino.

Outro D. Antão de Almada, descendente do _Bom capitão_, foi um dos

quarenta fidalgos de 1640.

A rainha D. Maria I agraciou a familia Vaz de Almada com a concessão

do titulo de conde de Almada, a 13 de maio de 1793.

[48] _Chronica_, cap. LXXXIX.

[49] Que bello desplante cavalheiresco n'este repto de um contra tres!

[50] _The life of Prince Henry of Portugal_, cap. XIII, pag. 229.

[51] _Memorias d'el-rei D. João I_, tom. V, cap. LXV, pag. 342.

[52] Pina, _Chronica_, cap. XCIII.

Um contemporaneo do Infante D. Henrique · 第 4 / 5 段