nós disseram que em Abrantes foram deixados certos bens de herança por
um Fernão Rodrigues Rombo; que por morte de um seu filho os houvesse a
egreja de S. João da dita villa, a qual os houve e teve anno e dia sem
os venderem e acabado o dito tempo a pessoas leigas segundo por nós é
ordenado (_sic_). Os quaes bens vai em dois ou tres annos os tem os
clerigos da dita egreja, pela qual razão por bem da nossa ordenação
pertencem a nós e os podemos dar de direito a quem nossa mercê for. E
ora querendo nós fazer graça e mercê ao capitão Alvaro Vaz d'Almada,
Rico Homem do nosso Conselho e Alcaide Mór da cidade de Lisboa, se
assim é, como nos foi dito, e que por a dita razão os ditos bens
pertencem a nós e os podemos de direito dar a quem nossa mercê for,
temos por bem e fazemos-lhe d'elles livre e pura irrevogavel doação
entre os vivos valedoura d'este dia para todo sempre e de todos seus
herdeiros e successores que depois elle vierem, assim ascendentes
(_sic_) como descendentes. E, porem, mandamos aos juizes da dita villa
d'Abrantes e a outros quaes que isto houverem de ver que, presentes os
tedores dos ditos bens e partes, a que isto pertencer, que se acharem
que assim é como nos disseram e que por isso os ditos bens que assim
ficaram á dita egreja pertencem a nós e os podemos de direito dar, que
vista esta carta os façam logo dar e entregar ao dito capitão ou a seu
certo procurador e lh'os deixem ter e haver, lograr, possuir, vender,
dar e doar, trocar e escambar, fazer d'elles e n'elles o que lhe
prouver, como de sua cousa propria e corporal possessão, por quanto
nós lhe fazemos d'elles a dita mercê e doação o mais firmemente que
ser pode, se a nós de direito pertencem e a outrem primeiramente não
são dados, por nossa carta dando appellação e aggravo ás partes nos
casos que o direito outorga, e esta mercê lhe fazemos com tanto que
elle nem seu procurador não faça avença com as partes sem nossa
licença, e se a fizer que perca para nós isto de que lhe assim fazemos
mercê e mais o preço que por isso receber e al não façaes. Dada em
Lisboa 18 de Agosto. El-Rei o mandou por Lopo d'Almeida, cavalleiro de
sua casa, não sendo ahi Diogo Femandes d'Almeida, seu pai, do conselho
do dito Senhor e védor de sua Fazenda, a que isto pertencia. Nuno
Affonso a fez anno de Nosso Senhor Jesus Christo de mil quatrocentos
quarenta e quatro(1).
(1) Torre do Tombo--Chancellaria de D. Affonso V, liv. V, fl. 68.
[54] Devia ser n'este anno, pelas razões expostas pelo visconde de
Santarem no _Quadro elementar_, tom. III, pag. 80, nota, e pelo conde
de Villa Franca, _D. João I e a alliança ingleza_, pag. 201, nota.
[55] _Chronique du bon chevalier Jacques de Lalain, frère et compagnon
de l'ordre de la toison d'or_, por Georges de Chastelain, cap. XXXVIII
a XLII.
[56] Pina, _Chronica_, cap. XCVI.
[57] Pina, _Chronica_, cap. CIV.
[58] Pina, _Chronica_, cap. CX.
[59] _Portugal_, pag. 88.
[60] Pina, _Chronica_, cap. CXVIII.
[61] Pina, _Chronica_, cap. CXX.
[62] Pina, mesmo capitulo.
[63] Combateu pelo infante D. Pedro em Alfarrobeira. Era quinto filho
de Lopo Dias de Azevedo.
[64] Frei Luiz de Sousa, _Historia de S. Domingos_, 1.ª parte, liv.
VI, cap. XV.
[65] Mariz, _Dialogos de varia historia_; Major, _The life of Prince
Henry of Portugal_.
[66] Um codice da Torre do Tombo (21-F-17) confunde este João Vaz de
Almada com o pai, que tinha o mesmo nome. O filho é que foi védor da
fazenda de D. Affonso V, como claramente diz Ruy de Pina. É verdade
que o mesmo codice, suppondo que João Vaz de Almada, pai do conde de
Avranches, era védor em 1451, encarrega-se de evidenciar o equivoco,
noticiando que falleceu em Londres logo depois do casamento de D.
Beatriz, com o conde de Arundel, casamento que se realisou em 1405! A
chronologia dos nobiliarios é uma cousa escurissima.
O pai do conde de Avranches figura com a moradia de 12:000 livras na
casa de D. João I.
O bastardo, além de védor, foi rico-homem e cavalleiro do conselho de
Affonso V.
[67] Diz Duarte Nunes que em Inglaterra se cantavam _romances_
populares em honra de Pedro Vaz de Almada por um feito de armas que
praticára, e que fôra muito louvado dos inglezes. Os ossos de D.
Pedro, que falleceu solteiro, foram trazidos a Portugal por um criado,
que se chamava Rolão Vaz.
[68] Visconde de Castilho, Julio, _Lisboa antiga_, vol. I.
[69] D. Leonor Telles, quando passou do marido para o rei D. Fernando,
ou ainda ia pejada ou pouco antes havia dado á luz este filho
legitimo. O pai, João Lourenço da Cunha, voltou á patria quando D.
Fernando morreu, e pediu ao Mestre de Aviz que reconhecesse Alvaro da
Cunha como herdeiro de todos os seus bens, o que foi concedido.
[70] Descendente, como todos os outros Pessanhas, do nautico genovez
Manoel Pezagno, que o rei D. Diniz chamou ao serviço de Portugal, e
nomeou almirante da sua frota. O appellido Pezagno aportuguezou-se em
Pessanha. E o almirantado ficou na familia.
[71] _Nouvelle biographie universelle_, tom. II, pag. 170.
[72] O primeiro Antão que apparece na familia de Alvaro Vaz de Almada
é um seu neto, segundo filho de D. Fernando de Almada, segundo conde
de Avranches.
[73] Os chronistas portuguezes dizem--João de Montferrat. Froissart,
porém, chama-lhe Guilherme de Montferrant.
[74] «... mas foi desde o tempo de João I que multiplicados laços
uniram estreitamente as duas casas e os dois Estados (Portugal e
Inglaterra). O antigo tratado de commercio e de alliança de 12 de
abril de 1372, que era apenas uma extensão do precedente, foi renovado
a 15 de abril de 1386; ainda no mesmo anno (9 de maio) uma alliança
defensiva foi concluida com o rei Ricardo de Inglaterra, confirmada
solemnemente no anno seguinte (12 de agosto) e reconfirmada ainda a 16
de fevereiro de 1404 por Henrique IV, successor de Ricardo. O
casamento de João com a filha do duque de Lancaster (2 de fevereiro de
1387) sellou ainda estes laços de amizade com a corôa de Inglaterra,
garantiu e assegurou os tratados de diversa natureza que existiam
entre os portuguezes e os inglezes».
Schæfer--_Historia de Portugal_. (Reinado de D. João I).
[75] _Les chroniques de sire Jean Froissart_, tom. III, part. I, cap.
XXXVII.
[76] _Os doze de Inglaterra_, artigo do snr. João Teixeira Soares, na
_Era Nova_, pag. 448.
[77] Snr. Teixeira Soares, artigo citado.
[78] Francisque Michel, _Les portugais en France, les français en
Portugal_, 1882, pag. 9.
[79] _Relations anciennes de la Belgique et du Portugal_, pag. 25.
[80] _Chronica_, cap. V.
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