d’elles esqueletos inteiros ou ossos humanos dispersos. Na opinião
de Rougemont, além d’esta especie que chama _dolmen-tumulo_, haveria
o _dolmen-pia_ ou _tumulo-altar_ cuja mesa com regos e concavidades
serviria para receber o sangue das victimas; o _dolmen-altar_ e o
_dolmen-templo_[121]. Será difficil senão de todo impossivel reduzir
sempre qualquer dolmen a alguma d’estas especies. O auctor da
classificação entende que, para que um dolmen não seja considerado
como sepultura, bastará que dentro n’elle não appareçam ossos humanos,
ou, se apparecerem, que estejam desligados e dispersos. Mas a falta de
ossos humanos debaixo do dolmen, ou acharem-se estes dispersos, como se
fossem de victimas, não é motivo sufficiente para o reduzir a qualquer
das duas ultimas especies, porque em todos os tempos a terra interior
dos dolmens tem sido revolvida por animaes, e por homens a quem incita
o desejo de encontrar thesouros escondidos. Nas antas de Portugal não
consta que se tenham descoberto ossos. É provavel que, exploradas em
maior numero e mais methodicamente, n’algumas se encontrem, como tem
acontecido em Hespanha.
Lubbock, depois de examinar attentamente estatisticas de centenares
de explorações de dolmens e tumulos, conclue não positiva, mas
provavelmente que, na Europa occidental, a posição do cadaver assentado
corresponde á epoca da pedra polida, a cremação á de bronze, e
finalmente a posição horisontal, á de ferro[122]. Já vimos que na
Andaluzia os cadaveres encontrados dentro nos dolmens estavam na
posição horisontal, devendo ter sido submettidos á cremação, se fosse
verdadeira a regra que se pretendeu estabelecer em Inglaterra.
Porque seriam a maior parte dos dolmens da epoca do bronze, feitos de
pedras por afeiçoar e sem vestigios do emprego do cinzel? Não parecerá
improvavel que o homem, possuidor já dos instrumentos de metal,
prescindisse d’elles nas mais importantes das construcções, destinadas
a proteger, a recommendar talvez á veneração da posteridade os restos
mortaes dos seus maiores? Nota-se geralmente nas cousas de culto, ou
relacionadas com o culto, uma decidida propensão da parte do homem para
perpetuar os costumes antigos, ainda quando o progresso da civilisação,
a mudança completa das condições sociaes os torne desnecessarios ou
obsoletos. É commum encontrar nas sepulturas da epoca do bronze armas
de pedra, e objectos de bronze nas da epoca do ferro. Os hebreus e os
romanos, já em tempos historicos, serviam-se ainda das facas de silex
em certas ceremonias. Mas ainda no genero das construcções megalithicas
se demonstra esta mesma lei. Moisés descendo do monte Sinai, e
transmittindo aos hebreus os preceitos attribuidos á Divindade,
recommenda-lhes que, se levantarem algum altar, não seja de pedras
lavradas, porque ficaria polluido aquelle que o cinzel tocasse[123].
Ora, assim como os hebreus, na idade dos metaes, não os empregavam
n’aquelle tempo para edificar os seus altares, assim tambem quaesquer
povos prehistoricos poderiam conservar por certo espaço de tempo o
costume de não tocar as pedras dos dolmens com instrumentos de metal,
continuando a construil-os, como as gerações da idade da pedra,--_more
majorum_.
O altar de Moisés, sem degraus, feito de pedras por afeiçoar, não
tocadas pelo cinzel, faz lembrar naturalmente o dolmen da epoca do
bronze, sem vestigios de instrumentos metallicos. Mas a epoca da
pedra polida e a epoca do bronze exprimem-nos apenas, como as epocas
geologicas, phases successivas da evolução industrial. De modo
nenhum nos dizem, por exemplo, ha quantos seculos se passaram esses
factos prehistoricos. Depois, não tendo sido synchronicas as epocas
prehistoricas entre os varios povos, pouco importa que n’uma ou n’outra
região se tenha conseguido reduzil-as ás epocas historicas, ou antes
tornal-as a todas comparaveis. Vejamos porém se, relativamente á
Peninsula, haverá algum meio de chegar a determinar a antiguidade dos
dolmens, ou ha que tempo terão passado a epoca da pedra polida e a
do bronze. O problema não se póde resolver inteiramente; e, na parte
em que admitte solução, é só por meio das construcções cyclopeas, de
que já nos soccorremos com vantagem para a determinação das epocas
prehistoricas, em que os dolmens foram erigidos.
Os povos pelasgicos, habitantes da Sardenha, e da Etruria associados
aos libycos, invadiram, treze ou quatorze seculos antes de Christo,
o Egypto, e não duvidaram acceitar batalha ao exercito do pharaó.
Patentêa-se claramente que, sem terem chegado a certo grau de
civilisação, não se abalançariam a tal empreza. Mas, tendo sido
derrotados, deixaram entre os despojos, armas e outros objectos que
melhor nos deixam avaliar esse grau de civilisação. Serviam-se de
utensilios de bronze, prata e ouro[124]; e como por outra parte a
destruição de Troia foi mil e duzentos annos antes de Christo, e entre
os objectos encontrados por Schliemann não apparece tambem o ferro,
concluiremos que os povos mediterraneos estavam por aquelle tempo na
epoca do cobre ou do bronze. Ora, se as nuhragas foram construidas na
epoca da pedra polida e na do cobre ou do bronze, os mais antigos dos
dolmens, seriam erigidos na Peninsula antes d’aquella batalha, isto é
anteriormente ao seculo XIII ou XIV. Convém notar que o facto referido
de Moisés succedeu no seculo XVI antes de Christo. Eis aqui pois até
que ponto actualmente se póde resolver o problema da antiguidade dos
dolmens peninsulares; seriam anteriores os mais antigos á batalha dos
povos mediterraneos com os egypcios no tempo de Ramsés II.
Estaría porém a navegação tão adiantada na epoca da pedra polida que
um povo, precursor dos phenicios, podesse dilatar-se do sul ao norte
pelas costas occidentaes da Europa? Dois factos responderão a essa
pergunta. Ha alguns annos desenterrou-se da vasa de um paúl irlandez
um barco prehistorico, feito de um tronco de carvalho, excavado a fogo
e pedra. No fundo tinha uma lamina de cortiça, indicio certo de que
o barco teria ido da Iberia ou do meio-dia da França para a Irlanda,
se não fosse de mais longe[125]. Entre as conchas fosseis achadas na
Laugerie Basse ha algumas que sómente da ilha de Wight poderiam ter
vindo. Ora, na epoca do rangifer já não havia communicação por terra
entre a França e a Inglaterra[126]. Consequentemente n’esses tempos
remotos, anteriores á epoca dos dolmens, já se praticava a navegação no
Atlantico.
Demais, para explicar a colonisação ou civilisação das regiões litoraes
da Europa por um certo povo mais civilisado, não ha necessidade nenhuma
de admittir que este ultimo effeituasse longas derrotas. Custa a
crêr que um povo, sabendo apenas fazer barcos de troncos de arvores,
abertos a fogo e pedra, chegasse, por exemplo, desde o estreito de
Gibraltar até á Irlanda ou á Scandinavia. Porém se lhe suppozermos nas
costas occidentaes da Europa ou nas ilhas mais proximas as estações
intermedias necessarias, a difficuldade ficará consideravelmente
attenuada.
Mais de espaço veremos adiante como, em tempos anteriores á historia,
duas civilisações penetraram na Peninsula, uma pelo Mediterraneo,
caracterisada pelas construcções pelasgicas, outra pelo Atlantico,
representada pelos dolmens. É provavel que os homens, que na epoca da
pedra polida construiram os mais antigos d’estes ultimos monumentos,
fossem da mesma raça d’aquelles que, na mesma epoca, na Scandinavia,
construiram dolmens similhantes. Que milhares de annos terão deccorrido
depois d’estes acontecimentos, ninguem o saberá dizer. O mais que se
póde affirmar é que, doze ou treze seculos antes de Christo, já os
povos mediterraneos estariam na epoca do bronze, e portanto muito para
áquem da epoca da pedra polida, em que seriam construidos os mais
antigos dos dolmens.
Ha poucos annos que os archeologos tem dirigido a attenção para os
signaes esculpidos em certos dolmens. Por isso não se deduziram ainda
da interpretação d’esses signaes as consequencias importantissimas que
promettem. Tractaremos de todos em geral, porque até hoje tambem não
foram ainda comparados de modo que se possam classificar. Aos signaes
dos dolmens ajuntam-se naturalmente os das rochas e os de certas armas
de bronze. Todos analogos, parecem vestigios que da mesma epoca, ou de
epocas prehistoricas pouco distantes, ficariam por varias regiões tanto
do Velho como do Novo Mundo.
«Na Inglaterra septemtrional e na Escocia, diz Lubbock, estes signaes
consistem ordinariamente em depressões concavas ou espiraes, ou em
circulos completos ou incompletos, concentricos, de cujo centro commum
parte um traço que corta a todas as circumferencias e se prolonga
ainda para fóra d’ellas. Estes signaes acham-se perto das _oppidas_ e
fortificações antigas, da mesma sorte que nos menhires e nas pedras dos
dolmens e dos cromlechs...»
«Acharam-se esculpturas similhantes na Irlanda. Além d’isso n’este
paiz, nos grandes tumulos, proximos de Boyne, vêem-se os vestigios de
uma ornamentação mais completa. Por exemplo, a grande pedra á entrada
de New-Grange está coberta de espiraes duplas, e as pedras da camara
central estão tambem ornadas de circulos, espiraes e outros desenhos.
Um dos mais notaveis é aquelle que parece representar uma folha de
feto, á similhança de outros da Bretanha e do supposto templo de Hagar
Kem, na ilha de Malta...»
«Todas estas esculpturas antigas da Gran-Bretanha, menos a folha de
feto, são apenas simples figuras geometricas. Acham-se as mesmas
figuras em Bretanha; aqui porém são muitas vezes acompanhadas da
representação de machados de pedra com ou sem cabo»[127].
Na provincia das Asturias, em Cangas de Onis, subjacente a uma ermida,
ha um dolmen, cuja primeira pedra lateral direita, na face interior,
contém gravados signaes que fazem lembrar as pinturas da pelle de
certos selvagens[128]. Esta mesma analogia se notara já com relação
ás esculpturas de outros dolmens, taes como aquelle do districto de
Finisterre na França, descripto recentemente pelo sr. Chatellier[129].
Os mais notaveis e os menos antigos d’estes monumentos são as
esculpturas das rochas de Kivik. Representam, na opinião de Nilsson,
um combate, depois do qual os vencedores offerecem sacrificios a Baal,
cuja pyramide se ergue entre dois grandes machados de bronze[130]. Por
esta circumstancia se determina com exactidão a epoca em que foram
abertas as esculpturas de Kivik.
N’outras esculpturas de rochas da Norwega predominam as representações
de barcos, similhantes áquelles que adornam os cabos de navalhas de
bronze achadas na Dinamarca[131]. Nos mesmos monumentos da Norwega
vêem-se grupos de pontos á maneira de constellações; o que torna
estas esculpturas comparaveis ás da rocha de Carnés de Vimianzo na
Galiza[132]. A analogia d’estes ultimos signaes com as constellações
é ainda maior, porque os pequenos circulos que representam as
estrellas estão involvidos em figuras lineares, formadas por circulos
concentricos ou por outras curvas. Alguns d’aquelles circulos
concentricos fazem lembrar rodas de carros. Na mesma provincia se
conhecem outros signaes similhantes na rocha de Ginzo em Limia[133]. E
n’um tumulo, descoberto em 1874 a dois kilometros da aldêa de Melon,
termo judicial de Rivadabia, encontraram-se pedras interiores cobertas
de signaes gravados e coloridos com tinta roxa e negra[134].
Poderia duvidar-se do facto, e suppõr-se que os observadores teriam
sido illudidos por algum oxydo de ferro que tingisse de roxo e negro
as pedras do tumulo. Mas o sr. Gongora, sem saber d’este, cita outros
casos similhantes. Na Andaluzia observou muitos signaes pintados com
tinta rubra bituminosa em certos nichos abertos artificialmente na
rocha, na serra de Quintana, a uma legua da villa de Fuencaliente.
Na distancia de um quarto de legua d’este sitio, n’um logar chamado
Batanera, encontrou o mesmo observador outros signaes similhantes
pintados com tinta vermelha na face de um penhasco artificialmente
cortado. Apesar da rudeza dos traços, reconhece-se n’alguns d’esses
signaes a representação do sol, da lua, da figura humana, de arvores,
de béstas, do coração e finalmente de barcos[135]. Por estes ultimos
e pela fórma linear dos traços, os hieroglyphos da Andaluzia
relacionam-se naturalmente com os das rochas da Norwega, já citados,
e portanto com as esculpturas de alguns instrumentos de bronze da
Dinamarca, tambem já mencionados.
Mas, cousa notavel! explorações recentes têem patenteado no Novo
Mexico outros vestigios analogos, que fazem presuppôr a existencia de
uma antiga civilisação, procedente da Asia Menor, e que nas epocas
prehistoricas se dilataria por muitas das regiões litoraes da Europa
e da America: «De taes inscripções, ornamentações e mais esculpturas
apparecem tambem muitos specimens por varias partes da America. E é
muito para notar o que a este respeito se lê no _Boletim official dos
Estados-Unidos_:--_of geological and geographic survey of territories_
(março 1876), onde, se encontram curiosas noticias das explorações
feitas no Novo-Mexico, especialmente pelas proximidades do Colorado; e
os desenhos de antigas ruinas de _cliff-houses_, que fazem lembrar as
habitações kushitas das montanhas da Georgia. Tambem ali se podem vêr
os debuxos de hieroglyphos, ou inscripções gravadas em varias pedras
e em nichos (como se encontram pela Asia-menor), d’essas habitações
das rochas; que se assimilham a outras inscripções achadas n’algumas
cavernas da Andaluzia»[136].
Estes factos, sendo como dizem, estabelecem relações de similhança,
talvez de communidade de origem, entre os povos da Asia Menor e
aquelles que, na epoca do cobre ou do bronze, povoaram algumas partes
da America septemtrional, e das peninsulas Iberica e Scandinava.
Concernentemente aos iberos, tinha-se já notado certas analogias da
linguagem entre os vasconços, os alghonquinos e os georgiamos que
faziam presuppôr a mesma origem commum. As menos antigas de taes
esculpturas, que vem a ser as de Kivik, poderão attribuir-se aos
phenicios. Mas estes monumentos são muito superiores a todos os
outros pela perfeição do desenho. Pertencem incontestavelmente a uma
civilisação tambem muito superior. Os outros parece corresponderem
antes a uma civilisação mais rude, de uma epoca anterior, talvez da
epoca do cobre e dos dolmens menos imperfeitos da peninsula Iberica.
Os factos ultimamente referidos levam-nos a conjecturar que, nas epocas
prehistoricas, duas civilisações differentes se succederam nas mesmas
regiões da Peninsula, ambas antinomicas com a civilisação pelasgica,
ambas trazidas por navegadores do Atlantico: a da pedra polida que se
dilatou pelas costas occidentaes da Europa, deixando até na Scandinavia
vestigios similhantes áquelles que se observam na peninsula Iberica.
A segunda sería a dos menhires e das pedras balouçantes e talvez do
bronze.
Á primeira d’estas civilisações attribuiremos os dolmens mais rudes de
Portugal, as insignias de schisto os fragmentos de osso similhantemente
lavrados; á segunda os dolmens mais perfeitos como são os da Andaluzia
e de Cangas de Onis; as pedras esculpidas da Galiza e da Andaluzia;
os menhires e os trilithos da Galiza; o tumulo de Antequera; a
galeria de Castilleja de Gusman, e por ventura outras que dizem
existir em pequenas distancias de Guimarães; os menhires e as pedras
balouçantes d’estas mesmas ou de outras regiões; e finalmente objectos
prehistoricos de bronze, achados nas regiões occidentaes da peninsula
Iberica.
Os monumentos menos rudes e menos antigos da segunda civilisação, os
menhires e os trilithos, feitos de pedras faceadas e sotopostas, como
os da Galiza, pela fórma, pela disposição e afeiçoado dos materiaes,
devem ser contemporaneos do celebre monumento de Stone-Henge na
planicie de Salisbury na Inglaterra. Este monumento attribue-o Lubbock
ao ultimo periodo da epoca do bronze, por se terem encontrado nos
tumulos circumstantes restos de cadaveres submettidos á cremação.
Ora, como esta pratica era commum na epoca do bronze, a ella reporta
o auctor o monumento, e ao ultimo periodo da mesma epoca, por ser
feito de pedras grosseiramente afeiçoadas[137]. Este ou outro lavor da
pedra não importa de modo necessario o emprego do cinzel de ferro. Os
mexicanos ignoravam o fabrico e usos d’este metal; todavia das mais
duras das pedras faziam instrumentos de toda a casta, esculpiam até
bustos de basalto[138]. Os egypcios exploraram tambem algumas pedreiras
de granito com instrumentos de bronze.
NOTAS DE RODAPÉ:
[107] Bonstetten, _Sur les dolmens_.
[108] Bertrand, _Les monuments primitifs de la Gaule_.
[109] Este argumento da maior perfeição dos megalithos e das armas e
instrumentos prehistoricos das regiões septemtrionaes não tem força
probativa. Porquanto, prolongando-se por mais tempo n’estas regiões que
nas meridionaes as epocas prehistoricas, não é para estranhar que os
processos industriaes chegassem a mais alto grau de perfeição.
[110] Mortillet, Na sessão de 22 de agosto de 1874 da Secção de
Anthropologia, _Revue des cours scientifiques_ 2.ᵉ série, 4.ᵉ année,
pag. 99 et 200.
[111] Á expressão _Lei dos litoraes_ deve dar-se a mais lata das
accepções. O _litoral_ d’um continente abrange um espaço de terra
muito mais largo que o litoral de um paiz ou de uma provincia. O
_litoral de Portugal_, por exemplo, não passa para além das provincias
do Minho, Douro, Extremadura e Algarve. Mas o _litoral da Europa_
abrangerá tambem as provincias de Traz-os-Montes, Beira Alta, Beira
Baixa e Alemtejo; isto é, todo o reino de Portugal vem a ser uma parte
do litoral da Europa. N’este ultimo sentido se ha de tomar a palavra
_litoral_ relativamente á distribuição geographica dos dolmens.
[112] _L’âge du bronze, pag_. 73.
[113] Cap. VI.
[114] Nas Baleares encontram-se tambem megalithos, porém de epocas
menos antigas. Alguns menhires fazem parte de tumulos com abobadas, por
onde parece provar-se a fusão dos dois systemas. Estas indicações, que
se nos deparam no _Semanario Pintoresco Español_ de 1857, pag. 173, são
deficientes, e muito aproveitaria a historia da Peninsula com o estudo
dos monumentos das ilhas mediterraneas.
[115] Lubbock, _L’homme prehistorique._ Pariz 1876 cap. V.
[116] _Antigüedades prehistoricas de Andalucia,_ pag. 106.
[117] _Dolmins ou antas de Portugal._ Lisboa 1868.
[118] Vid. os desenhos das enxadas e os dolmens da Scandinavia em
Nilsson, _Les habitants primitifs de la Scandinave_. Pariz 1868.
[119] _La Academia_ 1877, n.º 12, pag. 184. Em o n.º 14. pag. 209 vem
reproduzido em gravura um talayot de Trepucó da ilha de Minorca.
[120] G. Spano, _Scoperte archeologiche fattesi in Sardegna in tutto
l’anno 1874_. Cagliaria, 1874.
[121] Op. cit. pag. 66.
[122] Op. cit. cap. V.
[123] Exodo, XX, 25.
[124] Inscripção de Karnak interpretada pelo visconde de Rougè e citada
por Tubino, _Los monumentos megalithicos de Andalucia, Extremadura y
Portugal, Museo español de antigüedades_, tomo VII.
[125] Lyell, _L’ancienneté de l’homme_.
[126] Quatrefages, _L’espéce humaine_, pag. 242.
[127] Op. cit. cap. V.
[128] Tubino, _Los monumentos megalithicos_.
[129] _Os dolmens_, Lisboa 1876, pag. 31.
[130] J. Vilanova y F. M. Tubino, _Viaje cientifico á Dinamarca y
Suecia_. Madrid 1871, pag. 65.
[131] Lubbock, Op. cit.
[132] Sivelo, _Antigüedades de Galicia_, Fig. 18.
[133] Idem, pag. 9.
[134] Idem, pag. 74.
[135] _Antigüedades prehistoricas de Andalucia._
[136] _Os dolmens_, Lisboa 1876, pag. 36. Convém accrescentar outra
analogia importante. As inscripções de certos logares do Novo Mexico
são coloridas como as da Andaluzia.
[137] Op. cit. cap. V.
[138] Rougemont, _L’âge du bronze_, pag. 26.
CAPITULO VIII
IDADE DOS METAES
_Porque não admittem a maior parte dos archeologos uma epoca
de cobre?--Hypotheses para explicar a raridade dos objectos de
cobre.--Abundancia d’estes objectos na Peninsula.--Haveria na
peninsula Iberica uma epoca de cobre?--Coincidiriam essa epoca e a
da pedra polida?--Substituiria a do bronze?--Objectos de cobre e de
bronze, achados em Portugal.--Machados, ponta de frecha, faca, e
serrote, espadas.--Punhaes de bronze e de ferro da Galiza.--Brevidade
dos punhos.--Lendas dos pygmeus--Idolos e cabras de bronze.--Os
primeiros dos exploradores do cobre na Peninsula foram anteriores aos
phenicios.--Provas da fundição do bronze na Hespanha, ilhas Baleares
e da Sardenha.--Classificação dos jazigos de bronze.--Fundições
e thesouros.--Casta asiatica de fundidores nos tempos antigos e
modernos.--Os ciganos._
Está commumente adoptada, já o dissemos, a divisão dos tempos
prehistoricos em duas idades: a da pedra e a dos metaes; e a subdivisão
d’esta ultima em duas epocas: a do bronze e a do ferro. Quem souber
porém que o bronze é uma liga de cobre e estanho, que o segundo d’estes
metaes é menos commum que o primeiro e de mais difficil extracção,
e finalmente que, sem se conhecerem ambos, não se inventaria a sua
liga, de certo perguntará porque se não faz preceder a epoca do bronze
pela epoca do cobre? A razão é simples. Em quasi todas as nações da
Europa apparecem tão numerosos os objectos de bronze e tão raros os
de cobre, que se têem refusado os archeologos a admittir uma epoca só
caracterisada por este metal. Das construcções lacustres de Neuchatel
na Suissa têem extrahido numerosos objectos de bronze e nenhum de
cobre[139]. Julgava-se que a Hungria e a Irlanda constituiriam
excepções á regra geral. Mas a estatistica dos objectos prehistoricos
de bronze e de cobre do museu de Dublin não auctorisou a admittir para
o ultimo d’aquelles paizes uma epoca do cobre. Entre mil duzentas
oitenta e tres armas apenas se contaram trinta machados de cobre
e uma folha de espada que diziam ser tambem do mesmo metal[140].
Relativamente á Hungria logo veremos qual é a verdade.
Para explicar a falta de um periodo naturalmente necessario na evolução
de industria metallurgica, ha quem supponha que a arte de fazer o
bronze não sería inventada na Europa, mas aqui introduzida por algum
dos povos emigrados do Oriente. D’este modo os europeus não teriam
fabricado o cobre, porque, iniciados na arte de fundir o bronze,
tornar-se-lhes-hia inopportuno o fabrico do cobre por ser muito
menos duro no estado simples que unido ao estanho. A fim de provar a
possibilidade d’este facto não faltam outros analogos. Affirma-se, por
exemplo, que certos povos septemtrionaes da raça dos finnicos, em suas
origens, não conheciam nem o cobre nem o bronze, porém sómente o ouro
e o ferro. Nos tempos historicos não faltarão exemplos de selvagens, a
quem os europeus fizeram passar de repente da epoca da pedra polida á
do ferro, sem terem percorrido a phase intermedia da epoca do bronze.
Outra hypothese para explicar a raridade dos objectos de cobre, em
relação aos de bronze, na maior parte dos povos da Europa, é que nos
tempos prehistoricos se não prepararia o bronze pela reunião immediata
de cobre e do estanho; mas pela extracção de um minerio que contivesse
ambos os metaes, ou pela mistura do minerio de estanho com o de
cobre. A uniformidade da composição do bronze, e até as proporções
determinadas em que se encontram o cobre e o estanho em cada genero
de instrumentos, conforme deveriam ser mais ou menos duros para bem
satisfazer ao fim a que se destinavam, demonstram o nenhum fundamento
de tal hypothese.