XII

PEREIRA (Antonio Joaquim Gonçalves)--PRIETO (Joaquim) QUIGILCAR (D.

Maria Pereira).

Pena tenho eu que o unico quadro exposto de Pereira, seja um quadro

mediocre.

É uma paizagem.

Atravez, porém, da inferioridade manifesta d’elle, denuncia-se um

pincel, que póde, applicando-se, dar-nos cedo boas provas.

Prieto anda com a _vocação_ errada.

Não sei que espirito maligno lhe segredou um dia que abandonasse

o genero: _natureza morta_ ou _bodegones_, que tão

brilhantemente tractava, e o empurrou para a paizagem, e outros generos

em que, apesar de toda a boa vontade que revela, não posso augurar-lhe

triumpho.

As suas paizagens marcam um retrocesso.

O primeiro quadro que Prieto expõe é um _interior_. «Interior

d’um castello» lhe chamou elle e não vale a pena pôr-lhe contradicta

ao titulo. Quiz o artista provar-nos que sabia desenhar perspectiva e

pintar architectura.

Resolveu excellentemente a primeira parte do problema, mas emquanto

á segunda ... esqueceu-se de provar-nos que sabia architectura.

Construcção é termo correlativo, mas não é synonymo. Se o quadro se

denominasse vagamente _um interior_, a responsabilidade n’aquelle

sentido seria menor; mas dizer-nos que pintou o interior d’um castello

e provar-nos o dito com uns pilares e abobadas e uma cadeia,--cousas

excellentes n’um scenario de dramalhão ultra-romantico na Rua dos

Condes, e umas figurinhas indecisas, etc., etc., é que é realmente

importar-se pouco com o criterio do publico, e com a feição historica

que o titulo parece denunciar.

A perspectiva, porém, é boa, os effeitos de luz estão bem tractados; a

mancha é excellente.

«Azenha próximo á rua Frias (Bellas)», é uma das melhores paizagens

de Prieto. Desenho correcto, boa harmonia de tons, tintas bem postas,

bella illuminação e _massas_ verdes bem tocadas, maus ares: muita

geometria _celeste_.

«Paizagem tomada de Queluz», e «Paizagem e gado», são bellos quadros

com os merecimentos e defeitos da que acabei de citar, indecisão e

maneirismo de contorno.

Mais quatro paizagens «no Alfeite», «em Ponte Pedrinha», «em Alverca»,

e «Margens do rio Nabão», quadros inferiores aos citados, completam a

exposição d’este artista que pintava _bodegones_--como poucos ou

nenhuns dos nossos artistas. Não me encanta o genero e mais estimava

vêr Prieto primar nos que ora explora.

Não me parece, porém, que o veja.

«A alimentação» é o titulo do unico quadro de D. Maria da Silva

Quigilcar. «A alimentação?»

Um pão e um livro! Verdadeiro quadro symbolico, didactico ou

philosophico: allemão. A idéa pela arte. Por aquella esquece a gente

esta. Aquillo não é um _pastiche_, é uma concepção séria e moral.

Technicamente o quadro póde valer de pouco, é producção d’um artista

que começa; estheticamente vale de muito n’aquella admiravel singeleza.

O titulo «Instrucção» no livro é que é um pleonasmo deploravel.

Segundo livro de crítica · 第 54 / 103 题