PEREIRA (Antonio Joaquim Gonçalves)--PRIETO (Joaquim) QUIGILCAR (D.
Maria Pereira).
Pena tenho eu que o unico quadro exposto de Pereira, seja um quadro
mediocre.
É uma paizagem.
Atravez, porém, da inferioridade manifesta d’elle, denuncia-se um
pincel, que póde, applicando-se, dar-nos cedo boas provas.
Prieto anda com a _vocação_ errada.
Não sei que espirito maligno lhe segredou um dia que abandonasse
o genero: _natureza morta_ ou _bodegones_, que tão
brilhantemente tractava, e o empurrou para a paizagem, e outros generos
em que, apesar de toda a boa vontade que revela, não posso augurar-lhe
triumpho.
As suas paizagens marcam um retrocesso.
O primeiro quadro que Prieto expõe é um _interior_. «Interior
d’um castello» lhe chamou elle e não vale a pena pôr-lhe contradicta
ao titulo. Quiz o artista provar-nos que sabia desenhar perspectiva e
pintar architectura.
Resolveu excellentemente a primeira parte do problema, mas emquanto
á segunda ... esqueceu-se de provar-nos que sabia architectura.
Construcção é termo correlativo, mas não é synonymo. Se o quadro se
denominasse vagamente _um interior_, a responsabilidade n’aquelle
sentido seria menor; mas dizer-nos que pintou o interior d’um castello
e provar-nos o dito com uns pilares e abobadas e uma cadeia,--cousas
excellentes n’um scenario de dramalhão ultra-romantico na Rua dos
Condes, e umas figurinhas indecisas, etc., etc., é que é realmente
importar-se pouco com o criterio do publico, e com a feição historica
que o titulo parece denunciar.
A perspectiva, porém, é boa, os effeitos de luz estão bem tractados; a
mancha é excellente.
«Azenha próximo á rua Frias (Bellas)», é uma das melhores paizagens
de Prieto. Desenho correcto, boa harmonia de tons, tintas bem postas,
bella illuminação e _massas_ verdes bem tocadas, maus ares: muita
geometria _celeste_.
«Paizagem tomada de Queluz», e «Paizagem e gado», são bellos quadros
com os merecimentos e defeitos da que acabei de citar, indecisão e
maneirismo de contorno.
Mais quatro paizagens «no Alfeite», «em Ponte Pedrinha», «em Alverca»,
e «Margens do rio Nabão», quadros inferiores aos citados, completam a
exposição d’este artista que pintava _bodegones_--como poucos ou
nenhuns dos nossos artistas. Não me encanta o genero e mais estimava
vêr Prieto primar nos que ora explora.
Não me parece, porém, que o veja.
«A alimentação» é o titulo do unico quadro de D. Maria da Silva
Quigilcar. «A alimentação?»
Um pão e um livro! Verdadeiro quadro symbolico, didactico ou
philosophico: allemão. A idéa pela arte. Por aquella esquece a gente
esta. Aquillo não é um _pastiche_, é uma concepção séria e moral.
Technicamente o quadro póde valer de pouco, é producção d’um artista
que começa; estheticamente vale de muito n’aquella admiravel singeleza.
O titulo «Instrucção» no livro é que é um pleonasmo deploravel.