E o brutinho não adormece sem que eu lhe cante a

«Senhora Sant'Anna

Passou por aqui... »

Minha mãe conseguiu atar-me a outros seres de mais longo futuro... não

morrerá nella o meu interesse pela vida! Chegámos á tua porta. Lá

está tua filha no jardim.

Depois de beijar Gloria e apertar a mão fina e molle do sogro, que

desceu ao vestibulo a recebel-o, Argemiro subiu ao seu quarto. A

baroneza descançava ainda: não a vira nem de passagem.

Argemiro subiu a escada do quarto, com as narinas dilatadas, farejando o

aroma subtil e inconfundivel da sua casa. Na saleta, um ramo de _La

France_ e de resedá representou-lhe ao espirito a figura desconhecida

de Alice, que elle sentia, emfim, naquella ordem e naquelle cheiro que

lhe alegravam o lar.

O Feliciano fôra ao carro buscar a mala, e não merecera resposta ao

cumprimento que fizera ao patrão.

--O homem vem zangado... pensou elle comsigo. Que dirá quando souber!

Pela primeira vez, Argemiro procurou, através das venezianas do seu

quarto, vêr se descortinava o vulto ao menos da sua governante.

Chegava-lhe a curiosidade pela sua pessoa. Um desejo de matar saudades

de uma desconhecida! Voltou para o interior do quarto. Em cima da sua

mesinha estava uma carta fechada, sobrescriptada por mulher.

--Quem sabe se será a sua despedida? pensou; e abriu-a com presteza.

Leu:

«Meu amigo:

Fui pedida em casamento e desejo apresentar-lhe o meu noivo. Estou

radiante! Venha.

_Sinhá_.»

Sinhá!... o pavilhão japonez... Fechava-se o panno sobre essa

fantasia, cujo interesse se deixara todo para o fim. Estimava a

felicidade da moça. Levar-lhe-ia uma prenda que o lembrasse no seu lar,

eternamente. Era feliz, essa. Começava. E elle? Estava no fim. Sem

destino, aborrecido, cançado... e ancioso!

A Intrusa · 第 24 / 27 题