Estes ultimos tinham tambem escravos extrangeiros dos dois sexos. O

direito de alforria era exclusivo do Estado. Os libertos não eram

elevados á categoria de cidadãos; ficavam em differentes condições

particulares, com os nomes de _epeunactas_, _cructeros_, _aphétas_,

_neodamodos_, etc.

Em Creta, onde o regimen era o mesmo que em Esparta, incontram-se as

mesmas fórmas de servidão: populações submettidas analogas aos periecos;

escravos do Estado sob o nome de _mnoítas_; escravos empregados na

cultura dos campos e no serviço dos cidadãos (_aphamiotas_ e

_clarotas_), bem como escravos comprados no estrangeiro.

Incontram-se egualmente, as mesmas fórmas em todas as regiões, onde se

estabeleceram os Dorios, taes como nos _orneatas_ e nos _gymnetas_

«homens nus» da Argolida; nos _cynophylos_ «raça de cães» de Corintho;

nos _conipodos_ «de pés impoeirados» de Epidauro; nos _craulidas_ de

Delphos; nos _callicyrios_ de Syracusa, etc.

Em Athenas o tratamento dado aos escravos era mais benigno, sem comtudo

deixarem estes de ser considerados coisas, e, como taes, estavam

submettidos ás leis que regem a propriedade.

Havia, tambem nos templos, em diversas cidades da Grecia, bandos de

escravas que, com o nome sagrado de _hierodulas_, eram votadas ao culto

de Venus. O templo de Venus, em Corintho, incerrava mais de mil d'essas

cortezans, as quaes desfructavam grande consideração publica por

concorrerem para a prosperidade da cidade, attrahindo a esta um grande

numero de estrangeiros.

CAPITULO V

AS GUERRAS MEDICAS

*Sublevação dos Gregos da Asia-Menor.*--Quando a Persia, na expansão do

seu ingrandecimento, attingiu os seus limites naturaes na Asia, só lhe

restava aberto o lado de noroeste (isto é, a Europa) para a dilatação

das suas fronteiras.

Começou por incontrar as ricas cidades gregas disseminadas pelas ilhas e

pelo littoral do Mediterraneo, e submetteu-as. Mileto intregou-se sem

resistencia; outras oppuzeram-se tenazmente ao jugo, mas porfim todas

foram absorvidas pelo colosso asiatico. Annexadas ao imperio, carregadas

de impostos, conservaram, no emtanto, uma tal ou qual autonomia sob a

auctoridade absoluta de chefes escolhidos pelo vencedor no partido

aristocratico de cada uma, responsaveis pela obediencia e fidelidade dos

seus concidadãos e dependentes do satrapa da respectiva provincia.

Isto durou pouco mais de meio seculo. Porém, no tempo de Dario,

manifestou-se uma sublevação geral contra o poderoso imperio.

Histieu, principe de Mileto, estava em Suza, capital da Persia,--e

deixára Aristágoras, seu genro, com o governo da cidade. Parece que

este, humilhado pela altivez do governador da Asia-Menor, e receoso do

castigo com que os Persas procurariam punil-o, por ter aconselhado e

dirigido uma impresa contra Naxos, que a facção aristocratica queria

intregar aos Persas afim de se apoiar n'elles para consolidar a sua

preeminencia, quiz experimentar a sorte das aventuras provocando uma

revolta entre os Gregos descontentes. Sublevou a Jonia (501),--e a

sublevação propagou-se como um incendio por toda a costa da Asia, desde

a Caria até Chalcedonia sobre o Bosphoro.

Os revoltosos mandaram pedir soccorros a Esparta e a outros Estados

poderosos da mãe-patria; mas só Athenas e a pequena cidade de Erétria na

Eubéa inviaram um pequeno numero de navios. Ao principio as vantagens

foram todas do lado da sublevação; os Gregos conquistaram e incendiaram

Sardes, capital da Asia-Menor. Mas dentro em breve a sorte das armas

mudou: o exercito nacional grego foi derrotado em Epheso pelo governador

persa; e porfim a desproporção das forças, a falta de unidade entre os

confederados, e a traição, lançaram-n'os outra vez sob o jugo que

pretendiam sacudir. Em 494 foi destruida Mileto. Dos Milesianos foram

uns passados á espada, outros levados captivos para o Tigre inferior.

Aristagoras fugiu para os Thracios da margem do Strymon, onde foi morto.

Histieu, que, voltando á Jonia, se tinha ligado com os revoltosos,

morreu crucificado; a Caria e a Jonia foram reduzidas e severamente

castigadas; e Dario jurou tirar uma vingança cruel das duas cidades,

Athenas e Eretria, que tinham auxiliado os revoltosos.

*Primeiras expedições dos Persas.*--Resolvido a pôr em práctica os seus

projectos de vingança contra os Gregos, Dario, excitado tambem pelas

instancias do antigo tyranno de Athenas, Hippias, deu a seu genro

Mardonio (492) o commando de um exercito, que devia penetrar na Europa

pela Thracia, seguindo a esquadra ao longo das costas. Ao mesmo tempo os

arautos do grande rei reclamavam dos diversos Estados gregos _a terra e

a agua_, symbolos de submissão.

Mardonio, por uma habil medida politica, assegurou a sua retaguarda e as

suas bases de operações, acabando de pacificar a Jonia por meio de uma

concessão singular: depoz em todas as cidades os tyrannos, e

restabeleceu o regimen democratico, ou pelo menos o governo das cidades

pelos seus proprios cidadãos.

Nada lhe valeu, porque todas as circumstancias conspiraram contra elle.

A esquadra submetteu a ilha de Thasos, mas foi despedaçar-se quasi toda

por uma tempestade ao dobrar o promontorio do monte Athos. Perderam-se

trezentas galeras e vinte mil homens; e Mardonio, que tinha já subjugado

parte da Macedonia, reconhecendo que não podia continuar a conquista,

voltou para a Asia (492), com o resto do seu exercito.

Os arautos que, em nome de Dario, se adeantavam reclamando _a terra e a

agua_, segundo a formula de homenagem que os Persas exigiam dos povos

que subjugavam, não foram melhor succedidos. Egina e muitas outras

cidades obedeceram-lhes; mas, quando elles se apresentaram com a mesma

exigencia deante de Esparta e de Athenas, a indignação dos habitantes

d'estas cidades foi tão grande que, olvidando o direito das gentes,

mandaram-n'os matar. Os Espartanos atiraram-n'os a um poço, dizendo que

procurassem no fundo d'elle a terra e a agua que quizessem.

Dario, cheio de indignação com um tal insulto, inviou logo segunda

esquadra, com muitas tropas de desimbarque, sob o commando de Datis e de

Artaphernes. Esta atravessou o Archipelago, onde obrigou Naxos e as

outras Cyclades a submetterem-se, e chegou em seguida á Eubéa, onde

bloqueou Eretria, capital da ilha, a qual lhe foi intregue pela facção

aristocratica. A cidade foi arrasada e os habitantes remettidos como

escravos para o interior da Asia (490). Em seguida os Persas, conduzidos

por Hippias, desimbarcaram nas costas da Attica, e acamparam, a algumas

leguas de Athenas, na planicie de Marathona, habilmente escolhida como

favoravel para as grandes evoluções de cavallaria.

*Batalha de Marathona.*--Mandou Athenas, n'este grande aperto, pedir o

auxilio de Esparta; mas os Espartanos, detidos por um uso supersticioso,

que lhes não permittia partir para a guerra antes da lua-cheia, pediram

dez dias de espera. Os Athenienses, a quem a difficuldade das

circumstancias não permittia delongas, marcharam ao incontro do inimigo.

As dez tribus forneceram cada uma mil homens e um _stratégo_ ou general,

sendo o commando em chefe conferido a Milciades. O exercito dos Persas

era dez vezes mais consideravel, o que não obstou a que a sua derrota

fôsse completa. A _batalha de Marathona_ (490) inaugurou com gloria o

imperio e o prestigio da democracia atheniense.

*Morte de Milciades.*--Em seguida, Milciades convenceu os Athenienses a

armarem uma esquadra para conquistarem as ilhas do Mar Egeu que tinham

prestado homenagem aos Persas. Foi sitiar Paros; mas teve de levantar o

bloqueio com perdas, regressando com a esquadra a Athenas. Ahi foi

accusado por Xantippo, um dos primeiros personagens da cidade, pae de

Pericles, de ter inganado o povo, lesado o thesouro publico, e causado a

morte de um grande numero de cidadãos. Milciades não poude comparecer no

tribunal, por estar gravemente doente de uns ferimentos recebidos em

Paros, e foi condemnado ao pagamento de uma multa equivalente ao

dispendio que tinha feito a expedição. Morreu da sua ferida pouco

depois,--e seu filho pagou a multa, para não ficar incurso na

incapacidade legal para o exercicio de qualquer cargo publico.

*Aristides e Themistocles.*--Athenas subiu ao primeiro logar entre as

nações gregas, e no seu seio travou-se em breve o conflicto de duas

ambições rivaes. Dois homens, Aristides e Themistocles, disputavam um ao

outro a influencia e o credito:--Aristides, dotado de tal rectidão que

recebeu o nome da _Justo_; Themistocles, homem de genio militar o

politico, tendo as mais altas qualidades, infelizmente maculadas por

grandes defeitos. Themistocles era o chefe do partido popular. Quando se

tratou de dar successor a Milciades no commando da esquadra, elle obteve

a preferencia sobre o seu rival. Submetteu algumas das ilhas do Mar

Egeu; mas, quando voltou a Athenas, incontrou Aristides á frente de um

grande partido (o aristocratico) que o apoiava. Romperam grandes

desintelligencias entre as duas parcialidades, e porfim Themistocles

conseguiu obter a expulsão de Aristides, por meio do ostracismo. O povo

não teve em vista, com esta medida, castigar um homem cujas virtudes

apreciava; o que pretendeu foi enfraquecer o partido da nobreza,

tirando-lhe o chefe.

Themistocles, ficando chefe da republica, e comprehendendo, ao contrario

de todo o povo, que a derrota dos Persas em Marathoha não era o termo da

lucta, mas sim o começo de guerras novas, viu com admiravel penetração

que o futuro da Grecia dependia do seu ingrandecimento maritimo, e não

deixou um momento de pugnar pela creação da marinha atheniense, afim de

oppôl-a um dia a novas invasões dos Asiaticos, e ao mesmo tempo para

garantir a Athenas o senhorio do mar e a preponderancia sobre os outros

Estados gregos.

Para conseguir a realização dos seus projectos, obteve de Delphos uma

sentença que o favorecia. O oraculo declarou que a salvação dos

Athenienses dependia de se abrigarem cobertos por «muros de madeira».

Por estes muros o povo intendeu «navios». O producto das minas de prata

do Laurion era até então consumido em festejos publicos ou distribuido

pelos cidadãos. Themistocles obteve que fosse empregado na construcção

de cem triremes de guerra, e para melhor fazer acceitar a sua proposta

valeu-se do profundo rancor que os seus concidadãos tinham á ilha de

Egina, por se haver rendido espontaneamente aos Persas, e levou-os a

approvarem o augmento das forças navaes com a mira no castigo dos

Eginetas.

*Expedição de Xerxes.*--Dario, o orgulhoso monarcha persa, humilhado com

o desastre de Marathona, estava preparando os elementos para uma

desforra memoravel quando a morte o surprehendeu. Seu filho e successor,

Xerxes, herdeiro do seu odio e dos seus sentimentos de vingança, adoptou

os projectos paternos e proseguiu nos armamentos que, em larga escala,

se estavam accumulando havia tres annos. Segundo a narrativa de

Herodoto, fundada na tradição popular e poetica, o exercito asiatico

attingiu o numero de 1.700:000 homens, sendo a esquadra de mais de 1:200

navios de alto bordo.

Em 481, depois de ter atravessado o territorio de Ilion, chegou aquella

immensa mole de gente ás praias do Hellesponto. Septe dias, sem

interrupção, levou o exercito a passar sobre duas pontes de barcos. Era

um mixto de povos e nações diversas: Persas, Médos, Assyrios, Arabes,

Sacios, Indios, Mongoes, Ethiopes, etc. Depois da passagem do

Hellesponto, dirigiu-se do Chersoneso para a Macedonia e para a

Thessalia atravez da Thracia. Os povos das differentes regiões

atravessadas, taes como os montanhezes da Dorida, do Pindo, do Ossa, do

Pélion, do Olympo, os Thessalianos, uma parte doa Beocios, correram a

offerecer ao grande rei as suas homenagens. A esquadra, n'este meio

tempo, ia avassallando os mares e apossando-se das ilhas.

Themistocles conseguiu, com os seus esforços patrioticos, fundar uma

liga composta dos restantes Estados gregos, que o terror do inimigo não

abalára de todo. Formou-se uma dieta, sob a hegemonia de Esparta, no

isthmo de Corintho. Por um momento foram esquecidas todas as dissensões

internas.

*As Thermopylas.*--Em Julho de 480, exactamente quando se celebravam os

jogos olympicos, appareceram as avançadas do exercito de Xerxes em

frente do desfiladeiro das Thermopylas. Ahi as esperava _Leonidas_, um

dos dois reis de Esparta, o qual, segundo o plano de defesa combinado,

tinha por missão deter os Persas n'essa estreita garganta, que conduzia

da Thessalia para a Locrida, cobrindo ao mesmo tempo a Grecia central.

Ao mesmo tempo o exercito naval dos Gregos esperava as esquadras de

Xerxes no estreito de Artemision. Para defender o Peloponeso, ultimo

refugio da independencia hellenica, estava um exercito de reserva

acampado no isthmo.

O rei lacedemonio commandava septe mil homens, entre os quaes se

distinguiam trezentos Espartanos. Foi com estes que Leonidas se postou

no desfiladeiro, prompto a fazer frente a toda a inundação asiatica.

Intimado a intregar as armas, Leonidas respondeu:--«Vem buscál-as!»

Quando o inimigo appareceu á vista, disse um grego:--«Os Persas estão ao

pé de nós», a que Leonidas replicou:--«Porque não dirás antes que nós

estamos ao pé dos Persas?» Os soldados valiam tanto como o chefe. Disse

um d'elles, atemorizado, que os inimigos eram em tão grande numero, que

as suas flechas escureceriam o sol.--«Tanto melhor, respondeu outro,

combateremos á sombra». Leonidas desejava salvar dois mancebos

espartanos; deu a um d'elles uma carta, a outro uma commissão para os

éphoros.--«Não estamos aqui para levar recados; estamos para combater».

Durante muitos dias procurou o Rei dos Persas forçar a passagem; e já

quasi desesperava de conseguil-o, quando um traidor grego lhe ensinou um

atalho por meio do qual se podia tornear a inexpugnavel posição.

No dia seguinte, os Gregos de Leonidas vêem-se cercados pelo inimigo. Os

trezentos Espartanos, e septecentos habitantes da cidade de Thespia,

resolveram sacrificar-se pela patria. Alli succumbiram todos, combatendo

como leões. Xerxes, que tinha perdido vinte mil dos seus melhores

soldados, sentiu a humilhação da sua victoria. Pelo contrario, o

sentimento nacional dos Gregos exaltou-se com esta derrota gloriosa, e

decidiram-se a defender a liberdade e a independencia até á morte.

*Batalha de Salamina.*--Durante este tempo, conservava-se no estreito de

Artemision a esquadra grega, commandada superiormente pelo espartano

Eurybiades, commandando Themistocles as galeras athenienses. Fazia-lhe

frente a immensa esquadra dos Persas, e entre pequenas fracções das duas

armadas haviam-se travado já algumas escaramuças e combates parciaes.

Quando se soube que tinha sido forçado o desfiladeiro das Thermopylas, e

que Xerxes, depois de devastar a Phocida e a Beocia, avançava sobre

Athenas, determinado a destruil-a, os Athenienses esperavam que todas as

forças alliadas tentariam defender a Attica. Mas os outros Gregos,

cuidando especialmente em cobrir o Peloponeso, só pensavam em fechar o

isthmo de Corintho, já fortificado por uma formidavel muralha.

Themistocles fez então revogar a lei de exilio contra Aristides, e

determinou o povo a abandonar Athenas para se não expôr á lei do

vencedor; as mulheres e as creanças foram para Trezena, para Egina e

para Salamina; os homens recolheram-se á esquadra; e a cidade foi

incendiada e devastada.

A esquadra persa ancorou na enseada de Phalera. Os Gregos, assustados,

deliberam abandonar o estreito de Salamina e aproximar-se do isthmo onde

estão reunidas as forças de terra. Contra esta deliberação insurgiu-se

Themistocles, por intender que o combate sería mais favoravel n'umas

aguas apertadas, onde a grande esquadra persa, não podendo mover-se á

vontade, perderia parte das vantagens do numero. No conselho dos chefes,

foi tal a energia da sua opposição, que o almirante-supremo, Eurybiades,

levantou contra elle o bastão de commando.--«Bate, mas ouve!» replicou

imperturbavel Themistocles, contendo assim o impeto do fogoso espartano.

De nada lhe valeu a perseverança com que procurou dissuadir os outros

chefes. Recorreu então a um estratagema que, se não sortisse effeito,

poderia ser tomado por uma traição horrorosa. Inviou a Xerxes um

mensageiro secreto, a informál-o das divisões dos Gregos e do projecto

de retirada, e lembrando-lhe que os fechasse no estreito, onde poderia

aniquilál-os com facilidade.

Immediatamente Xerxes deu ordem para bloquear a ilha e a esquadra grega.

Foi Aristides quem, regressando do exilio e tendo atravessado a esquadra

inimiga, deu aos Gregos a noticia de estarem involvidos. Só restava

combater desesperadamente. Foi o que se fez.

O papel de Themistocles, quaesquer que sejam as suspeitas que a Historia

tenha de reservar sobre a fidelidade e boa fé d'este homem estranho, é

incontestavel que foi decisivo n'esta batalha memoravel. A victoria dos

Athenienses foi completa, e salvou a Grecia. Xerxes retirou-se abatido e

com precipitação, atravez da Thessalia, da Macedonia e da Thracia, onde

grande numero dos seus soldados morreram de fadigas, de frio e de fome;

e tornou a atravessar o Hellesponto. Os Espartanos, tão ciosos das

glorias alheias, deram espontaneamente uma corôa de oliveira a

Themistocles.

*Batalhas de Platéa e de Mycale.*--Na Thessalia ficaram trezentos mil

homens, sob o commando de Mardonio, para effectuarem a submissão da

Grecia. Passado o inverno, desceram atravez da Beocia; devastaram a

Attica, de novo abandonada pelos confederados; e occuparam Athenas,

quasi completamente em ruinas e deshabitada. Mas, na grande _batalha de

Platéa_ (479), os Gregos, commandados pelo espartano _Pausanias_, o qual

tinha sob as suas ordens Aristides, general dos Athenienses, obtiveram

sobre o exercito inimigo, tres vezes superior em forças, uma victoria

tão completa que a maior parte dos inimigos, incluindo o seu general,

ficaram no campo de batalha. Apenas 40:000 homens tornaram a atravessar

o Hellesponto.

No mesmo dia d'esta assignalada batalha, a esquadra grega, commandada

pelo rei espartano _Leotychidas_, derrotou a esquadra persa em frente do

promontorio de Mycale, na Asia-Menor. Xantippo, pae de Pericles,

commandante dos navios athenienses, teve uma parte importante na gloria

d'esta grande acção naval.

CAPITULO VI

HEGEMONIA DE ATHENAS

*Reacção da Grecia sobre a Asia.*--Depois d'estas victorias, Aristides

fez acceitar aos alliados a idéa de uma _liga_ permanente contra a

Persia; e decidiu as ilhas e os portos gregos a concluirem uma alliança

com os Athenienses (476), obrigando-se a fornecerem dinheiro e navios

para a continuação da guerra. O centro da Liga estabeleceu-se em Delos,

e aos Athenienses coube a gerencia financeira da associação e o commando

da esquadra commum.

Uma tendencia irresistivel impellia os Gregos para a Asia. Apenas a

invasão fôra repellida e logo os Athenienses retomaram Sestos e o

Chersoneso da Thracia. Em 477, a esquadra, commandada por Pausanias,

apoderou-se de Chypre e de Byzancio, e chamou á liberdade as cidades

gregas da Asia.

O contacto com os povos do Oriente causou a perda do general espartano

Pausanias. Este, quando tomou Byzancio, aprisionou alguns persas de

elevada gerarchia, entre os quaes se contavam alguns parentes do Rei.

Pausanias restituiu-os a Xerxes, contra vontade dos outros confederados,

e mandou prometter ao Rei da Persia que o auxiliaria a combater Esparta

e a dominar a Héllada, mediante a condição d'elle lhe dar uma filha em

casamento e de o fazer governador do Peloponeso. O Rei da Persia

acceitou a proposta, e Pausanias tornou-se tão arrogante que chegou a

esquecer as leis e os costumes de Esparta. Adoptou o uso de vestuarios

magnificos, intregou-se a excessos de mesa, tomou para seu serviço

creados médos e egypcios, tornou-se odioso pela sua altivez, fazendo a

auctoridade espartana detestada. Chamado a Esparta, continuou a manter

intelligencia com Xerxes e a preparar os meios de se apoderar do poder

absoluto. Sendo descoberta a sua traição, refugiou-se no Templo de

Minerva Chalcioecos, d'onde não era possivel arrancál-o sem commetter

sacrilegio; e por isso os Ephoros mandaram tirar o tecto ao edificio, e

intaipar as portas, deixando-o alli morrer de fome.

Emquanto isto succedia com Pausanias, que, pela sua defecção, fazia

perder a Esparta o commando supremo dos alliados,--Themistocles

ingrandecia Athenas, cercando-a de muralhas, construindo o porto do

Pireu que se tornou uma cidade, e que posteriormente foi unido a

Athenas, que lhe ficava á distancia de 7 kilometros, por dois longos

muros concluidos no tempo de Pericles. Attrahiu á Attica, por meio do

offerecimento de grandes vantagens, excellentes operarios extrangeiros,

e fez decretar que todos os annos se construisse um certo numero de

triremes, para assegurar a supremacia maritima da sua patria. Em 474, os

seus inimigos politicos conseguiram exilal-o por dez annos, por meio do

ostracismo; e os Espartanos, que o detestavam, pelo modo como elle

ingrandecêra Athenas, accusaram-n'o de ter tomado parte na traição de

Pausanias, por não o haver denunciado, e citaram-n'o a comparecer

perante um tribunal da confederação, cuja presidencia pertencia a

Esparta. Themistocles, perseguido, conseguiu a muito custo e atravez dos

maiores perigos, retirar-se para a Asia (466) onde o Rei da Persia o

recebeu com a maior consideração dando-lhe por apanagio tres cidades da

Asia-Menor. O fim da sua vida foi obscuro.

*Cimon e a grandeza maritima de Athenas.*--A Pausanias succedeu Cimon,

filho de Milciades, no commando em chefe dos confederados. Era da facção

dos Eupatridas, que o oppunham a Themistocles. Comtudo, apezar de

aristocrata e apoiado por elles, estava-lhe reservado o fazer triumphar

por toda a parte a influencia da democracia atheniense; imbora

adversario de Themistocles, coube-lhe o papel de realizar o pensamento

patriotico d'este grande homem.

Começou por expulsar os Persas da sua ultima estação na Thracia, e

conquistou o littoral onde os Athenienses então fundaram Amphipolis;

expulsou os piratas da ilha de Scyros dividindo a ilha por colonos

athenienses; percorreu como vencedor as costas da Caria e da Lycia,

libertando do dominio asiatico as cidades gregas. Ganhou (em 466) duas

batalhas no mesmo dia (uma terrestre, outra naval), nas margens do

Eurymédon, o que assegurou a Athenas o imperio do mar, e tentou uma

brilhante expedição contra a ilha de Chypre (460), para arrancál-a aos

Persas. Em 458 foi votado ao ostracismo, pelas suas opiniões

aristocraticas, que o levaram a oppôr-se ao movimento progressivo da

democracia na cidade. Morreu em Chypre, em 449.

*Athenas até á paz de Pericles.*--Na lucta com a Persia crescia o poder

atheniense, sem proveito particular para os outros povos alliados.

Começaram estes a mostrar o seu descontentamento, que Cimon explorou com

habilidade summa. Levou-os a substituir o seu contingente de soldados e

de marinheiros por um augmento de contribuição para o cofre da Liga em

Delos, e a intregarem-lhe as suas galeras vazias. D'este modo

desarmou-os, transformando-os de alliados e de confederados em

tributarios e em vassallos. Deixou até de os consultar, transportou para

Athenas o thesouro hellenico, e dilatou a sua influencia energica até ao

governo interno das cidades.

_Naxos_ revoltou-se (463), mas foi castigada e teve de supportar o

estabelecimento de uma colonia atheniense; a ilha de _Thasos_ perdeu os

seus navios, as suas ricas minas de oiro nas costas da Thracia, e a sua

independencia; _Egina_ foi conquistada (457) depois de uma grande lucta,

os seus habitantes expulsos e ella repovoada por colonos atticos;

_Mégara_ cahiu tambem na dependencia de Athenas; _Carystos_, na Eubéa,

teve a mesma sorte.

Historia da Grecia · 第 3 / 6 段