Soturno, sem que o vejão, só comsigo,
Ao altar arrimado está Minotti.
D'um painel sobranceiro, a Virgem santa
O affavel rosto fúlgido lhe volve,
Transumpto de celeste colorido,
Onde os olhos são luz, amor o aspecto;
E na ara collocado a fim que possa
Dos humanos fixar o pensamento
Sobre as cousas do Ceo, quando elles orão
Devotos, genuflexos ante a imagem
D'esta Mãi admiravel, que em seu gremio
Sustem e affaga o Redemptor-menino,
E com sorrisos acolhendo meigos
Uma por uma as fervorosas preces,
Como que ao Ceo de transferi-las cuida.
Sorrindo sempre, inda sorrí agora,
Em despeito da atroz carnificina,
Do sangue em jôrros que deturpa as naves.
Eleva então Minotti os olhos lassos,
E, exhalando um suspiro, se persigna;
Logo alli d'uma tocha que era accesa
Ei-lo se apossa, e permanece firme,
Em quanto os Musulmanos irruindo,
Desenvolvendo á larga ferro e fogo,
Hórridos enchem a mansão sagrada.