XXX.

Soturno, sem que o vejão, só comsigo,

Ao altar arrimado está Minotti.

D'um painel sobranceiro, a Virgem santa

O affavel rosto fúlgido lhe volve,

Transumpto de celeste colorido,

Onde os olhos são luz, amor o aspecto;

E na ara collocado a fim que possa

Dos humanos fixar o pensamento

Sobre as cousas do Ceo, quando elles orão

Devotos, genuflexos ante a imagem

D'esta Mãi admiravel, que em seu gremio

Sustem e affaga o Redemptor-menino,

E com sorrisos acolhendo meigos

Uma por uma as fervorosas preces,

Como que ao Ceo de transferi-las cuida.

Sorrindo sempre, inda sorrí agora,

Em despeito da atroz carnificina,

Do sangue em jôrros que deturpa as naves.

Eleva então Minotti os olhos lassos,

E, exhalando um suspiro, se persigna;

Logo alli d'uma tocha que era accesa

Ei-lo se apossa, e permanece firme,

Em quanto os Musulmanos irruindo,

Desenvolvendo á larga ferro e fogo,

Hórridos enchem a mansão sagrada.

O Cerco de Corintho, poema de Lord Byron, traduzido em verso portuguez · 第 41 / 48 题