XXIX.

Remanso bem mesquinho! Os Musulmanos,

De pujante refôrço abastecidos,

Borbotando furores e ufania,

Tão cerrados, tão férvidos avanção,

Que o número lhes tolhe a retirada:

Dest'arte se atravancão no caminho

Que vai ao templo, onde os Christãos não sabem

O que é render-se; e os batalhões infestos

Tanto apinhão-se á frente, que, inda quando

Lavrasse o susto alli, nenhum podéra

Por entre as fortes massas escoar-se:

Ou vencer ou morrer lhes era fôrça.

Morrem; mas sobre os corpos palpitantes

Lhes surgem de repente os vingadores.

Que, frescos e raivosos pullulando,

As filas, sempre rôtas, enchem sempre;

E os Christãos affadigão, extenuão,

Violentas amiudando as investidas:

E ei-los agora os Infieis assomão

Junto ao sacro portal. Por longo espaço

A ferrea contextura inda resiste,

Inda de cada fresta vôão tiros,

Todos bem assestados, mortaes todos;

E de cada janella se desatão

Em chuveiro as sulfureas alcanzias.

Mas já fraqueão as nutantes portas--

Vérgão rangendo os quicios, cede o ferro,--

Lá pendem--lá se abatem já cahírão:

Não mais resistirá, morreo Corintho!

O Cerco de Corintho, poema de Lord Byron, traduzido em verso portuguez · 第 40 / 48 题