Remanso bem mesquinho! Os Musulmanos,
De pujante refôrço abastecidos,
Borbotando furores e ufania,
Tão cerrados, tão férvidos avanção,
Que o número lhes tolhe a retirada:
Dest'arte se atravancão no caminho
Que vai ao templo, onde os Christãos não sabem
O que é render-se; e os batalhões infestos
Tanto apinhão-se á frente, que, inda quando
Lavrasse o susto alli, nenhum podéra
Por entre as fortes massas escoar-se:
Ou vencer ou morrer lhes era fôrça.
Morrem; mas sobre os corpos palpitantes
Lhes surgem de repente os vingadores.
Que, frescos e raivosos pullulando,
As filas, sempre rôtas, enchem sempre;
E os Christãos affadigão, extenuão,
Violentas amiudando as investidas:
E ei-los agora os Infieis assomão
Junto ao sacro portal. Por longo espaço
A ferrea contextura inda resiste,
Inda de cada fresta vôão tiros,
Todos bem assestados, mortaes todos;
E de cada janella se desatão
Em chuveiro as sulfureas alcanzias.
Mas já fraqueão as nutantes portas--
Vérgão rangendo os quicios, cede o ferro,--
Lá pendem--lá se abatem já cahírão:
Não mais resistirá, morreo Corintho!