Se Alp então visse um inimigo armado
Surgir-lhe face a face, não se erguêra
Tão abalado de profundo assombro.
"Deos de meus pais! que vejo? quem es? como
D'hostís fileiras te aproximas tanto?"
A mão tremente lhe recusa agora
Estampar sobre a fronte essa Cruz mesma
Que elle tanto insultou; mas n'este lance
Se persignára, se a consciencia sua
Lhe não fizesse ver quanto era indigno.
Repara, observa a fundo, e reconhece
O rosto bello, as engraçadas fórmas:
É Francina, essa virgem suspirada
Que elle a si pertendia unir consorte!
Inda nas faces lhe viceja a rosa,
Porém a rubra côr é menos viva.
Que é do attractivo d'esses labios meigos?
Não mora n'elles o sorrir donoso
Que ao rubim dava esmalte. Inda em seus olhos
Reside o azul do socegado oceano;
Mas se no aspecto bonançoso o imitão,
Também o imitão na frieza immovel.
Talhe accusão gentil vestes ligeiras;
Nada lhe vela o seio luminoso;
Soltas d'ebano as tranças, ver não tolhem,
Por entre a chuva dos anneis ondeantes,
Nivea nudez dos torneados braços.
Levanta ao alto a mão antes que falle;
E de tal modo branca e transparente
Se mostrava essa mão, que poderieis
Ver por entre ella rutilar a lua.