XX.

Se Alp então visse um inimigo armado

Surgir-lhe face a face, não se erguêra

Tão abalado de profundo assombro.

"Deos de meus pais! que vejo? quem es? como

D'hostís fileiras te aproximas tanto?"

A mão tremente lhe recusa agora

Estampar sobre a fronte essa Cruz mesma

Que elle tanto insultou; mas n'este lance

Se persignára, se a consciencia sua

Lhe não fizesse ver quanto era indigno.

Repara, observa a fundo, e reconhece

O rosto bello, as engraçadas fórmas:

É Francina, essa virgem suspirada

Que elle a si pertendia unir consorte!

Inda nas faces lhe viceja a rosa,

Porém a rubra côr é menos viva.

Que é do attractivo d'esses labios meigos?

Não mora n'elles o sorrir donoso

Que ao rubim dava esmalte. Inda em seus olhos

Reside o azul do socegado oceano;

Mas se no aspecto bonançoso o imitão,

Também o imitão na frieza immovel.

Talhe accusão gentil vestes ligeiras;

Nada lhe vela o seio luminoso;

Soltas d'ebano as tranças, ver não tolhem,

Por entre a chuva dos anneis ondeantes,

Nivea nudez dos torneados braços.

Levanta ao alto a mão antes que falle;

E de tal modo branca e transparente

Se mostrava essa mão, que poderieis

Ver por entre ella rutilar a lua.

O Cerco de Corintho, poema de Lord Byron, traduzido em verso portuguez · 第 31 / 48 题