Ao pé d'uma columna Alp eis se assenta:
Co'a mão comprime a face, e o corpo inclina
Como quem se resente acabrunhado
D'aterradores pensamentos tetros;
A cabeça descahe-lhe sobre o peito
Excandescido, palpitante, oppresso;
Girão-lhe pela fronte debruçada
Os dedos velocissimos, bem como
Pelo eburneo teclado os dedos girão
De primoroso artista, que em preludios
Por ora se entretem, da escôlha incerto.
Vergando assim ao pesadume infenso,
Crê que ouvio suspirar nocturna brisa.
Acaso em lagens concavas murmura
Gemido terno de macias auras?
Ergue então a cabeça, e o mar observa;--
Repousa o mar, qual cristalino espelho:
Contempla esguias hervas;--nada as move:
D'onde procederia o som mavioso?
Repara nas bandeiras;--quietos pendem
No alto do Citherón, quaes os deixára,
Inda os hasteados pannos; leve aragem
Nem sequer lhe roçou a téz do rosto:
Qual do imprevisto murmurinho a causa?
Volve-se ao lado esquerdo:--será isto
Illusão ou verdade? Ante seus olhos
Eis joven dama refulgente assoma!