XIX.

Ao pé d'uma columna Alp eis se assenta:

Co'a mão comprime a face, e o corpo inclina

Como quem se resente acabrunhado

D'aterradores pensamentos tetros;

A cabeça descahe-lhe sobre o peito

Excandescido, palpitante, oppresso;

Girão-lhe pela fronte debruçada

Os dedos velocissimos, bem como

Pelo eburneo teclado os dedos girão

De primoroso artista, que em preludios

Por ora se entretem, da escôlha incerto.

Vergando assim ao pesadume infenso,

Crê que ouvio suspirar nocturna brisa.

Acaso em lagens concavas murmura

Gemido terno de macias auras?

Ergue então a cabeça, e o mar observa;--

Repousa o mar, qual cristalino espelho:

Contempla esguias hervas;--nada as move:

D'onde procederia o som mavioso?

Repara nas bandeiras;--quietos pendem

No alto do Citherón, quaes os deixára,

Inda os hasteados pannos; leve aragem

Nem sequer lhe roçou a téz do rosto:

Qual do imprevisto murmurinho a causa?

Volve-se ao lado esquerdo:--será isto

Illusão ou verdade? Ante seus olhos

Eis joven dama refulgente assoma!

O Cerco de Corintho, poema de Lord Byron, traduzido em verso portuguez · 第 30 / 48 题