Inda que fugitivo e criminoso,
Alp admirava as inclitas virtudes
D'esses tempos heroicos; e esta noite,
Em quanto vagueava, e na memoria
O presente e o passado revolvia,
Apreciando as mortes gloriosas
Dos que em defensa da genuina causa
Seu sangue alli vertêrão, mui bem sente
A que ponto é fallaz, mesquinha, obscura
Quanta fama lucrou d'um bando á frente,
E, nefario traidor, brandindo a espada
Entre as turmas cingidas do turbante,
Que raivoso guiára a injusto assedio.
Onde era em cada prospero successo
Não menos computado um sacrilegio.
Taes não lhe mostra a fantasia os chefes,
Por quem aquelle pó que o circumdava
Fôra illustrado, e que as phalanges suas
Perfilavão no plaino, não de balde
Então de baluartes guarnecido.
Estes morrêrão escudando a patria,
E eternos vivem no fulgor da gloria:
Suspirar-lhes alli os nomes gratos
Inda parece a brisa; alli seus feitos
Sôão no murmurinho das correntes;
Povôa seu renome aquelles campos;
O pilar taciturno, ermo, alvacento,
Demanda aos sacros vultos alliar-se;
Os espiritos seus em tôrno girão
Dos fuscos serros; a memoria sua
Toda se espelha no cristal das fontes;
O arroio humilde, o caudaloso rio
Perennes fluem co'a perenne fama
Dos estremados campeões sublimes.
Por mais que a opprima um jugo, é esta sempre
A patria d'elles, e a mansão da gloria!
A Grecia!--ha de levar sempre este nome
Um som despertador ao Mundo inteiro.
Varão que aspira a perpetrar façanhas,
Lá põem na Grecia o fito, e abjura as normas
Que sómente os tyrannos sanccionárão;
Para lá olha, e se arremessa aonde
Conquiste a Liberdade, ou deixe a vida.