XV.

Inda que fugitivo e criminoso,

Alp admirava as inclitas virtudes

D'esses tempos heroicos; e esta noite,

Em quanto vagueava, e na memoria

O presente e o passado revolvia,

Apreciando as mortes gloriosas

Dos que em defensa da genuina causa

Seu sangue alli vertêrão, mui bem sente

A que ponto é fallaz, mesquinha, obscura

Quanta fama lucrou d'um bando á frente,

E, nefario traidor, brandindo a espada

Entre as turmas cingidas do turbante,

Que raivoso guiára a injusto assedio.

Onde era em cada prospero successo

Não menos computado um sacrilegio.

Taes não lhe mostra a fantasia os chefes,

Por quem aquelle pó que o circumdava

Fôra illustrado, e que as phalanges suas

Perfilavão no plaino, não de balde

Então de baluartes guarnecido.

Estes morrêrão escudando a patria,

E eternos vivem no fulgor da gloria:

Suspirar-lhes alli os nomes gratos

Inda parece a brisa; alli seus feitos

Sôão no murmurinho das correntes;

Povôa seu renome aquelles campos;

O pilar taciturno, ermo, alvacento,

Demanda aos sacros vultos alliar-se;

Os espiritos seus em tôrno girão

Dos fuscos serros; a memoria sua

Toda se espelha no cristal das fontes;

O arroio humilde, o caudaloso rio

Perennes fluem co'a perenne fama

Dos estremados campeões sublimes.

Por mais que a opprima um jugo, é esta sempre

A patria d'elles, e a mansão da gloria!

A Grecia!--ha de levar sempre este nome

Um som despertador ao Mundo inteiro.

Varão que aspira a perpetrar façanhas,

Lá põem na Grecia o fito, e abjura as normas

Que sómente os tyrannos sanccionárão;

Para lá olha, e se arremessa aonde

Conquiste a Liberdade, ou deixe a vida.

O Cerco de Corintho, poema de Lord Byron, traduzido em verso portuguez · 第 26 / 48 题