XIV.

Vai na aprazivel fresquidão da noite

Achando refrigerio ás ancias d'alma.

Relentoso ora o ceo, bem que tranquillo,

As affogueadas faces lhe aspergia

Com brando orvalho. Apóz lhe fica o campo;

De fronte lhe serpea, derramado

Em crebros surgidouros e enseadas,

O golfo de Lepanto; está-lhe á vista

A de Delphos montanha sempiterna,

Onde os gêlos accrescem, brilhão, durão,

De mil estios affrontando a ardencia,

Campeando no golfo, e serro, e clima,

Sem que os dissolva, como a nós, o Tempo.

Desapparecem o tyranno e o servo,

Improprios a aguantar fulgente raio;

Mas este véo deslumbrador e fragil,

De que vês envolvido o monte excelso,

Quando torres baqueão, jazem troncos,

Lá brilha sempre no empinado alcáçar;

Pileo na fórma, nuvem no elevado,

Na côr e na amplidão lançol funereo,

Erguido a designar que a Liberdade

Se ausentou da mimosa estancia sua,

E hoje languida jaz no mesmo sólo,

Onde foi largos tempos escutado

Seu profetico ardor em aureos versos.

Oh! que de quando em quando inda lá sôão

Os passos seus sobre arescentes campos,

Sobre tantos altares demolidos;

E ella, um a um mostrando aquelles restos

Abonadores da passada gloria,

Alentar busca os animos prostrados:

Porém de balde bradará, em quanto

Não despontar n'um coração preclaro

Destimidez possante, toda accesa

Ao clarão d'esses dias que luzírão

Sobre a fuga do Persa, e que risonhos

O intérito arrostárão do Espartano.

O Cerco de Corintho, poema de Lord Byron, traduzido em verso portuguez · 第 25 / 48 题