XIII.

A cabeça lhe ferve, e apressuradas

As arterias palpitão-lhe convulsas;

D'um lado e d'outro volta-se, baldando

Modos de repousar; e se dormita,

O som mais leve, o mais pequeno abalo

Prestes o acordão angustiado em dôbro.

A fronte excandescida lhe molesta

Hoje o turbante, e, nem que plumbea fosse,

A loriga lhe pesa sobre o peito,

Se bem que tanta vez, e a somno solto,

Sob esse mesmo pêso repousasse,

Tendo apenas por leito um chão saibroso,

E por docel o firmamento apenas,

Leito e docel quaes ao guerreiro a noite

Agora os deparou. Elle nem póde

No seu tentorio adormecer, nem quieto

Esperar que desponte a luz diurna,

E eis vaga ao longo da arenosa praia,

Alastrada de tantos que repousão.

Quem os acalentou? e por que causa

Ha de elle só velar, despossuido

D'um bem que logrão rasos subalternos,

A quem cabe arrostar maiores p'rigos,

E lidas superar mais affanosas?

Mas ah! que um sonho animador lhes pinta

Os lucros todos do futuro espolio;

E em quanto mil e mil passão dormindo

Esta que a noite extrema é talvez d'elles,

Alp, em vigilia atroz, vaguea anciado,

E lhe é alvo d'invejas quanto encontra.

O Cerco de Corintho, poema de Lord Byron, traduzido em verso portuguez · 第 24 / 48 题