A cabeça lhe ferve, e apressuradas
As arterias palpitão-lhe convulsas;
D'um lado e d'outro volta-se, baldando
Modos de repousar; e se dormita,
O som mais leve, o mais pequeno abalo
Prestes o acordão angustiado em dôbro.
A fronte excandescida lhe molesta
Hoje o turbante, e, nem que plumbea fosse,
A loriga lhe pesa sobre o peito,
Se bem que tanta vez, e a somno solto,
Sob esse mesmo pêso repousasse,
Tendo apenas por leito um chão saibroso,
E por docel o firmamento apenas,
Leito e docel quaes ao guerreiro a noite
Agora os deparou. Elle nem póde
No seu tentorio adormecer, nem quieto
Esperar que desponte a luz diurna,
E eis vaga ao longo da arenosa praia,
Alastrada de tantos que repousão.
Quem os acalentou? e por que causa
Ha de elle só velar, despossuido
D'um bem que logrão rasos subalternos,
A quem cabe arrostar maiores p'rigos,
E lidas superar mais affanosas?
Mas ah! que um sonho animador lhes pinta
Os lucros todos do futuro espolio;
E em quanto mil e mil passão dormindo
Esta que a noite extrema é talvez d'elles,
Alp, em vigilia atroz, vaguea anciado,
E lhe é alvo d'invejas quanto encontra.