_Sou saloio, honro-me d’isso,
P’ra casacas não sou mau;
Os janotas atrevidos
Sei correr a varapau._
Que andamos no ramerrão
Dizem lá os de Lisboa;
Porém entre nós já sôa
O brado da illustração:
Escolas já cá estão
Fazendo bello serviço;
Eu cá já tenho toutiço
Para entender os jornaes,
Tenho ideias liberaes,
_Sou saloio, honro-me d’isso_.
Aos comicios vou tambem
E lá sei fallar em barda
Contra quem me põe albarda,
E nos deixa sem vintem:
É certo que não vou bem
Com quem se me faz marau;
Mas jámais corro a calhau
Quem me sabe respeitar;
Se não veem cá namorar
_P’ra casacas não sou mau_.
P’r’ as madamas que cá veem
Com o fim de tomar ares,
Temos modos singulares
E attenções como ninguem;
Nós cantamos muito bem
Os doces fados corridos;
D’amor mil versos sentidos
Sabemos improvisar.
E com elles castigar
_Os janotas atrevidos_.
E saiba qualquer senhor
Que eu, saloio esperto e girio,
Não soffro manguem co’o cirio
A que tenho tanto amor:
Se vem com ar zombador
Algum janota marau
Fazer o _serviço mau_
De quem a crença me ataca,
Verá como eu um casaca
_Sei correr a varapau_.
O Algarve tem o seu _Fado_, que abrange toda a provincia: