_Deixei minha cara terra,
Minha mãe, o meu amor;
Como agora uns vis feijões,
E marcho ao som d’um tambor._
Como eu não tinha dinheiro,
Nem um empenho por mim,
Lavrador, coitado, vim,
Servir a patria guerreiro.
Não perguntaram primeiro
Se eu tinha geito p’r á guerra,
«Marcharás por valle e serra,
Nunca fugirás á briga»
Ai! p’ra tão dura fadiga
_Deixei minha cara terra_!
Se era duro o meu lidar
Em que suei pingo a pingo,
Eu tinha sempre ao domingo
As festas no meu logar.
Ai! já não oiço o cantar
Do ceifeiro lidador!
Já do bando voador
Eu não escuto o gorgeio!
Já não aperto a meu seio
_Minha mãe, o meu amor_!
Obedeço ao capitão,
Mesmo ao cabo muito bruto;
Ao tenente, que é matuto,
E ao sargento aldrabão.
Attendidas jámais são
As minhas justas razões.
D’antes nas minhas funcções
Comi coelho guisado.
Da patria bravo soldado,
_Como agora uns vis feijões_.
Não se fartam de dizer:
«Defender-se a patria deve.»
Mas o diabo me leve
Se eu sei quem vou defender!
Devo sempre combater,
E matar, seja a quem fôr,
Sem nunca sentir amor.
Isto farei, vil galucho,
Que ora triste aperto o bucho
_E marcho ao som d’um tambor_.
Sobre os aspectos da vida popular e a chronica das ruas: