_O fadista na taverna
Passa a vida socegada;
A um gesto da prostituta
Vae dar n’outro uma facada._
Chame-se embora immoral
Á vidinha do fadista,
Das _boas vidas_ na lista
Não se conhece outra igual.
Trabalho não lhe faz mal,
O andar não lhe cança a perna,
Tem ao lado a amante terna
Cheia de doce carinho,
E tem sempre muito vinho
_O fadista na taverna_.
Quando diz o fadistinha
Que não tem dinheiro, um dia,
O tasqueiro logo lhe fia
Porque... o medo guarda a vinha.
Porque elle usa a navalhinha
Sempre de ponta afiada,
E a barriguinha adorada
Não póde estar no seguro...
O fadista, pois, o puro,
_Passa a vida socegada_.
Do lupanar para a tasca
Anda sempre a passeiar,
Com a _esbelta_ amante a par,
A quem forte e feio _casca_.
Ás vezes arma borrasca
Por ciumes com que lucta,
E arruma pancada bruta,
Ou leva p’ra seu tabaco,
Só dando parte de fraco
_A um gesto da prostituta_.
Se a amante não tem dinheiro
E deve á contrabandista,
Então o heroe, o fadista,
Trabalha... de ratoneiro.
E se vae p’r’o Limoeiro,
Lá vae soccorrel-o a amada;
E ao voltar á vida airada,
Os bolsos trazendo fracos,
Até por quatro patacos
_Vae dar n’outro uma facada_.