No renascimento esthetico do seculo actual reapparecia o elemento

_pessoal_ da Arte, que estivera abafado sob a imitação das obras

classicas; consequentemente resoava um lyrismo novo, subjectivo,

affinado pelo estado das almas em uma éra perturbada que começava.

Na Allemanha, Novalis tirava novos accentos d’esse sentimento vago e

indeterminado da melancholia; a existencia tornava-se uma nostalgia e

saudade da outra vida; o tumulo, os goivos dos cemiterios, a solidão,

os dobres funerarios, a cruz do ermo eram os symbolos sympathicos do

lyrismo que mais aggravava esta doença das almas ingenuas e sensiveis.

Os poetas tomavam a sério o pezo imaginario da sua angustia, declamavam

ao vento as suas elegias plangentes, e muitas vezes expiravam minados

por consumpção nostalgica irremediavel. Em França, Lamartine propagou

esta sentimentalidade _larmoyante_ dando-lhe uma uncção religiosa;

e Millevoye, com menos talento abandonou-se como Novalis ao seu

desgosto intimo, cahindo em um languor sem remedio. A paixão pelo genio

melancholico estendeu-se por toda a parte pela impressão dos poemas de

_Ossian_, inventados por Macpherson; as sombras dos guerreiros

vagando na cerração dos promontorios, os eccos da harpa bardica

perdidos nos banquetes estridentes, as lembranças dolorosas das tribus

extinctas, um mixto de objectividade homerica com a subjectividade

das lamentações e dos psalmos biblicos (em um syncretismo consciente)

tornavam o genero agradavel e suggestivo.

Transitou-se assim para o lyrismo religioso ou _emmanuelico_,

como uma reacção contra a incredulidade do seculo encyclopedista,

contra o philosophismo que devastára os espiritos. O Lyrismo portuguez

estava esterilisado pelas imitações arcádicas; o proprio Garrett ainda

se chamava _Jonio Duriense_, e Castilho chamava-se _Mémnide

Egynense_, na Arcadia de Roma.

A emigração politica é que nos revelou o Romantismo; emquanto

Garrett e Herculano comiam o pão do exilio, acompanharam o movimento

litterario que se operava em volta d’elles. Garrett comprehendeu que

o renascimento da vida politica da nacionalidade carecia da base

affectiva da litteratura e das tradições, e Herculano do conhecimento

da sua historia. A feição do Lyrismo iniciado por estes renovadores

foi a que predominava nas outras litteraturas, _melancholica_

e _emmanuelica_. Garrett foi completamente elegiaco, e de um

subjectivismo exagerado no poema narrativo _Camões_; invoca a saudade,

o gosto amargo, o pungir delicioso que lhe repassa os imos seios da

alma, em uma especie de obermanismo, e já no fim da vida ficou fiel a

essa emoção nas _Folhas cahidas_, o principal modelo do nosso lyrismo.

Herculano foi tambem sentimental, mas pela rigidez do seu temperamento

não podendo conciliar-se com a _sensiblerie_ lamartiniana, pendeu para

a emoção religiosa, e tomou por modelo Klopstock; na _Harpa do crente_,

destacam-se a _Semana santa_, a _Cruz mutilada_, a _Arrabida_, como um

protesto a favor do christianismo medieval, que Chateaubriand tentára

revivescer pela arte e José de Maistre esclarecer pela continuidade

historica, que a Revolução quebrára.

A feição da sentimentalidade nostalgica, affinada pelos _Lakistas_,

pela melancholia de Novalis e pelo desalento de Millevoye, teve em

Portugal já tardiamente o seu representante em Soares de Passos;

são-lhe sympathicos os poemas de Ossian, as balladas do norte e as

_Harmonias_ de Lamartine.

O seculo XIX, na sua instabilidade politica e ausencia de uma

doutrina philosophica aggravada pela fragmentação das especialidades

scientificas, continuava o seculo XVIII no insurreccionismo dos

espiritos. Os que não cahiam na passividade revoltavam-se; o

Lyrismo reflectiu este estado emocional, que levava á concepção

_pessimista_ do universo, como em Leopardi, ou ao imperio absoluto

do mal, como o _satanismo_ de Byron. O immortal poeta contrapõe ao

mundo a sua individualidade, que representa no _Child Harold_, no

_Don Juan_, no _Manfredo_, mas sente em volta de si um vacuo

moral que lhe annulla a intelligencia capaz de abranger o infinito, e

um coração puro em que podia accolher o universo. Tem o atheismo na

cabeça e a aspiração religiosa no intimo da alma, mas vê-se forçado

pelo meio deleterio ambiente ao sarcasmo, á ironia, á blasphemia. O seu

ideal, como o de Shelley, sendo apto para trazer a concordia ás almas

e revelar-lhes a synthese affectiva humana, é deturpado em uma missão

negativa. Comte definiu de uma fórma nitidissima o genio e a missão

de Byron: «O mais eminente poeta do nosso seculo, o grande Byron, que

até hoje, tem a seu modo melhor do que ninguem presentido a verdadeira

natureza geral da existencia moderna, simultaneamente mental e moral,

tentou espontaneamente e sósinho esta audaciosa regeneração poetica,

unico desfecho da Arte actual. Sem duvida, a sã philosophia não estava

então ainda bastante avançada para permittir ao seu genio o apprecial-a

sufficientemente, na nossa situação fundamental, além do aspecto

puramente negativo, que elle, apezar de tudo, soube admiravelmente

idealisar... Mas, o profundo merito das suas immortaes composições e o

seu immenso successo immediato, apezar das vãs antipathias nacionaes,

entre todas as populações cultas, tornaram já irrecusavel quer a

potencia poetica privativa da nova sociabilidade, quer a tendencia

universal para uma tal renovação.»[202] N’esta orientação esthetica

seguia Shelley, desviado da sua obra por uma morte desastrosa. A parte

negativa do genio de Byron é que foi seguida por outros lyricos,

segundo os seus caracteres nacionaes; pelo allemão Henri Heine, no

_humour_ e _launa_, e em Alfred de Musset por um alcoolismo

com que se sobreexcita, como o phantastico Foë. Falhos de uma concepção

geral, os Lyricos modernos esgotaram-se reproduzindo a nota negativa

de Byron. Em Portugal repercutiram-se estas cambiantes, como se vê nos

_Sonetos_ de Anthero, confessando elle mesmo que tem um pouco de

Heine; no Lyrismo brazileiro prevaleceu o mussetismo, pela mesma fórma

desgraçada da dissipação da vida, como se observa em Alvares de Azevedo

e Castro Alves.

A poesia lyrica do Romantismo esgotou-se em uma exagerada

subjectividade; o elemento _pessoal_ da arte não encontrava

caracteres nem concepções, na invasão das mediocridades. Os poetas

lyricos modernos preoccuparam-se de um modo exclusivo da fórma,

antepondo a expressão á concepção, ou o _parnasismo_. A facilidade

da acquisição da technica desvairou os talentos subalternos. No estado

actual dos espiritos e na crise por que está passando a consciencia

moderna para fundar e universalisar a sua nova synthese, a Poesia

soffre tambem os effeitos d’esta instabilidade moral. Compete aos

poetas dignamente modernos empregar todo o seu poder de expressão em

dar universalidade ás concepções positivas, para que se criem assim os

novos costumes estaveis, elementos de idealisação para a Arte pura.

Os poetas que cultivam exclusivamente a expressão, sacrificando-se ao

preconceito da _arte pela arte_, abdicam de uma missão social,

chegando por isso raras vezes a despertar a sympathia social. Quando

idealisam com elevação sentimentos eternos e humanos, como o amor,

ainda conseguem ser lidos; mas ha n’este sentimento um personalismo

que amesquinha a emoção, e que reduz a obra de arte a uma confidencia

que nos é indifferente. M.^{me} Ackermann formulou em poucas palavras

a orientação do poeta moderno: «Fazer poesia subjectiva é uma

disposição doentia... É em nome da natureza, é sobretudo em nome

da humanidade, que é precisa a voz. Estas fontes de inspiração são

as unicas verdadeiramente profundas e inexauriveis.» Restabelecida

a continuidade historica da Edade media, estava conciliado o mundo

romantico com o classico, e logicamente se segue o conhecimento de uma

mesma Humanidade. É esse sêr ideal e real que tem de ser idealisado em

todas as manifestações artisticas, cooperando a formação segura de uma

Philosophia da Historia com a idealisação simultanea de uma Poesia da

Historia.

_c_) DISCIPLINA CRITICA E PHILOSOPHICA

Depois de estabelecidas as bases criticas dos poemas homericos, por

Vico, e amplamente comprovadas por Wolf, veiu a comprehensão dos

cantos nacionaes e o reconhecimento da sua importancia scientifica.

Notou-se que o homem assim como formava os seus systemas de linguagem

e de mythos religiosos independente dos grammaticos e dos theologos,

tambem antes dos litteratos soubera manter a tradição e dar fórma

aos sentimentos que realisaram a unificação das nacionalidades. Em

1794, a descoberta da collectividade homerica por Wolf, coincidia

com a manifestação da consciencia de um povo na Revolução franceza.

A eloquencia dos factos justificava a concepção especulativa do

philosopho; nas modernas revoluções da Europa, a poesia continuou a

manifestar-se como o grito da liberdade: a _Marseillaise_, de Rouget

de l’Isle, exaltava as multidões; as estrophes de Krasinski e de

Miçkievich convulsionavam os estudantes da Polonia; os hymnos de

Poetefi ajudavam a causa da emancipação da Hungria; os hymnos de Riego

e da _Maria da Fonte_ atacavam o despotismo que deixava cahir a mascara

da hypocrisia liberal. Conheceu-se que a alma popular tinha a sua

poesia, e que era accessivel a esse encanto. Esta descoberta affirma-se

pelas descobertas da critica e da philologia; estudaram-se os cantos

gaëlicos e as narrativas do _Mabinogion_, na Inglaterra, foram achadas

as _Canções de Gesta_ da França, reproduziram-se os _Niebelungen_,

da Allemanha, e os _Romanceiros_ da Hespanha. A archeologia, a

linguistica, a mythographia, a critica da arte, a philosophia,

cooperavam para darem novas bases á sciencia da Historia, determinando

o que ha de verdade nas tradições. Jacob Grimm, dominado por esta

sympathia percorre a Allemanha, e no decurso de dez annos explora a

rica mina das tradições dos povos germanicos. E o que elle fazia como

erudito genial, os poetas tentaram como artistas reconstruindo pelo

sentimento as edades passadas. Uhland, na Allemanha, foi o poeta que

mais trabalhou para a comprehensão da alma popular; chamavam-lhe por

isso o ultimo trovador; a sua imaginação de fada repovoava os castellos

em ruinas, reconstituindo as lendas dos solares extinctos pelas vagas

tradições locaes. Era um propheta do passado prégando o amor da Edade

media. Nas suas balladas acha-se a mesma consagração das _Côrtes de

Amor_, ainda os peregrinos voltam desconhecidos da Terra Santa e cantam

ao sopé dos castellos o lai plangitivo do ausente; o cavalleiro errante

é ainda impellido pelo sentimento do amor e da justiça; na Cathedral

continúa vibrando o sino que toca á revolta, e ainda lá dentro nascem

os amores immaculados dos petrarchistas. O cantico de uma edade que

passou torna-se no seu plectro uma aspiração da liberdade moderna.

Na Inglaterra Lockart, guiado por Walter Scott, traduzia os romances

hespanhóes, que Jacob Grimm tambem reproduzia na _Silva de Romances

viejos_. A sympathia da tradição iniciava a unificação dos povos;

pelo estudo das origens da _Divina Commedia_ e do _Decameron_

se viu como todas as raças da Europa contribuiram com o syncretismo das

tradições medievaes para a elaboração das obras primas litterarias. O

_Fausto_, de Goëthe, era essa tradição restricta, illuminada por

um pensamento philosophico e universalisando um estado da consciencia

humana enganada pelas noções absolutas da metaphysica com que fôra

seduzida; a salvação do doutor vem da tolerancia da relatividade.

Só muito tarde é que chegou a Portugal a necessidade de saber se

eramos um povo vivo, ou, o que valia o mesmo, se possuiamos uma poesia

tradicional; Garrett regressára da primeira emigração de 1823, e

tendo assistido na Inglaterra á impressão provocada pelas publicações

de Ellis, Percy, Rodd e outros collectores, veiu aqui encetar essas

pesquizas. Retocou os cantos populares ao gosto de Uhland e de

Percy, misturando com as dezaseis rhapsodias achadas nas lareiras

da provincia as suas composições litterarias da _Adosinda_

e _Miragaia_. O criterio d’estes estudos, empregado pelos

irmãos Grimm, é que prevaleceu, e trabalhando já n’este periodo de

disciplina scientifica fomos levados do estudo dos _Foraes_ para

a investigação dos _Romanceiros_. Raiou-nos uma luz nova: o que

parecia rudeza era o documento de um estado social extincto, ou de uma

raça; o que parecia imagem sem sentido era um symbolo foraleiro do

periodo hispano-germanico, conservado nos costumes pela persistencia

do elemento mosarabe; o que se affigurava um erro grammatical era um

archaismo de linguagem; o que parecia um fragmento obliterado era um

episodio abreviado de uma Gesta carlingia ou de uma novella arthuriana.

Assim comprehendemos a _inerrancia_ das tradições populares, que

proclamára Jacob Grimm.

A Edade media foi no seu conjuncto estudada scientificamente em todas

as suas manifestações; as novas linguas romanicas, os rudimentos

litterarios épicos, lyricos e dramaticos, as creações artisticas

e a sumptuaria, as instituições civis e religiosas, as luctas

de classes sociaes, o feudalismo, as jurandas, as communas e a

realeza, a persistencia das instituições romanas através do dominio

dos invasores germanicos, a constituição das nacionalidades, os

conflictos doutrinarios das escholas philosophicas e da theologia,

tudo se tornou objecto de numerosas monographias historicas, que

deram logar ao conhecimento pleno d’esta moderna antiguidade. O

_Ultra-Romantismo_ dissolveu-se diante da seriedade da sciencia.

Qual seria então a marcha das Litteraturas, quando melhor se

conhecia o seu berço organico da Edade media? Infelizmente a marcha

_social_ da Europa estacionou no seu trabalho de reorganisação nos

expedientes aventurosos da transição parlamentarista; em quanto á parte

_mental_, a falta de opiniões definitivas e sua versatilidade

não deixou crear caracteres dignos e costumes estaveis, por tanto, as

Litteraturas resentiram-se d’esta situação deploravel. Gastaram-se

vivos esforços em renovar as fórmas litterarias reproduzindo a

realidade no _Naturalismo_, mas as obras primas não conseguiram

cativar a sympathia popular. Faltava-lhes um ideal, e esse não póde ser

senão a fórma esthetica da grande synthese philosophica para a qual a

humanidade tende. Notando a insufficiencia da Arte e das Litteraturas

modernas, Comte formulou nitidamente as condições necessarias para a

sua renovação final: «As bellas-artes, destinadas á multidão, devem com

effeito, pela sua natureza sentir a indispensavel necessidade de se

apoiarem sobre um systema conveniente de opiniões familiares e communs,

cuja preponderancia prévia é egualmente indispensavel para produzir e

para gosar, a fim de preparar suficientemente entre o interprete activo

e o espectador passivo esta harmonia moral que d’ante mão dispõe um a

secundar espontaneamente os meios de expressão empregados pelo outro,

e sem a qual nenhuma obra de arte conseguiria ser plenamente efficaz,

mesmo sob o ponto de vista individual, e, com mais forte rasão sob o

aspecto social. É a deficiencia de uma tal condição, rarissimamente

preenchida na arte moderna, o que basta para explicar o pouco effeito

real de tantas obras primas, concebidas sem fé e apreciadas sem

convicção, e que, apezar do seu eminente merito, não podem excitar

em nós senão impressões geraes inherentes ás leis geraes da natureza

humana; de sorte que d’aqui resulta quasi sempre uma influencia muito

abstracta e consequentemente pouco popular.»[203] O atrazo mental

na reconstrucção da synthese humana, contrasta com a dispersão de

energias em especialidades scientificas verdadeiramente inuteis, e com

a falsa direcção das intelligencias desprovidas dos _sentimentos_

que fecundam os nobres caracteres. É ás Litteraturas que compete o

irem adiante, dando disciplina aos sentimentos, e acordando-lhes o

ideal que tem andado confundido em indefinidas aspirações. Os mais

difficeis problemas da reorganisação social só podem ser resolvidos

affectivamente; assim se operou no christianismo na transição da Edade

media. Servindo este destino, as Litteraturas desenvolvidas sobre

concepções sympathicas, que tendem a tornar-se estaveis, reatarão

essa mutualidade perdida, essa antiga collaboração entre o poeta que

idealisa e a multidão que se impressiona.

NOTAS DE RODAPÉ:

[97] _Cours de Philosophie positive_, t. VI, p. 146.

[98] _Cours de Philosophie positive_, t. VI, p. 150.

[99] _Ibid._, p. 152.

[100] _Op. cit._, p. 2.

[101] _Système de Politique positive_, t. III, p. 459.

[102] _Cours de Philosophie positive_, t. VI, p. 155.

[103] _Cours de Philosophie positive_, t. VI, p. 155.

[104] _Ibid._, p. 156.

[105] H. Fortoul, _De la Litterature provençale_ (Rev. des

Deux Mondes), 1846.

[106] _Poeti del primo secolo_, t. II, p. 175.

[107]

Von Provenz in Tustsche lant

Die rechte mere sint gesant.

[108] Frédéric Morin, _France au Moyen-Age_, p. 82.

[109] _Obras_ del Marqués de Santillana, p. 12. Ed. Amador de los Rios.

(1852)

[110] _Poésie des Troubadours_, p. 237.

[111] Na _Chronica gothorum_ (Mon. hist., _Scriptores_, I), lê-se:

«Eodem quoque tempore venerunt quedam naves exinsperato _de partibus

Galliarum_, plene armatis viris votum habentes ire in Jerusalem, cumque

venissent ad Portum Gaye, et intrassent Dorium, audivit hec Rex, et

gavisus est cum eis, erant enim fere septuaginta, et paccitus est cum

eis ut irent ad Ulixbonam ipsi per mare, et ipse cum exercitu super

terram, et obsiderunt eam forsitan placere Domino ut traderet eam in

manibus eorum.»

[112] Terram _Portugallorum_ Dacis et Flandris dedit. (Cap. XVIII).

[113] Léon Gautier, _Les Épopées françaises_, t. I, p. 71.

[114] _Hist. de la Poésie provençale_, t. III, p. 9 e 29.

[115] _Mon. Hist._--Scriptores, p. 283.

[116] Léon Gautier, _Les Épopées fr._, t. II, p. 184.

[117] _Monarch. luzitana_, t. IV, p. 289.

[118] _Romanceiro geral_, n.^o 34.

[119] _Historiens de France_, t. XXII, p. 24 (préface) e p. 589. Apud

Léon Gautier, _Les Épopées françaises_, t. I, p. 373.

[120] Jean Corbechon, _De Proprietatibus_, fl. 237. Apud Léon Gautier,

_Les Épopées franç._, t. i, p. 393.

[121] Gautier, _ibid._, t. i, p. 783.

[122] _Chronica da Conquista de Guiné_, p. 4. Ed. Paris.

[123] _Les Épopées françaises_, t. II, p. 249.

[124] _Essai sur l’origine de l’Épopée française_, p. 57 a 59.

[125] _La Poésie des Races celtiques._ (Essais de Morale et de

Critique, p. 380.)

[126] Renan, _ib._, p. 427.

[127] _Op. cit._, p. 321.

[128] Henri Martin, _Hist. de France_, VIII, 22.

[129] _Ethnogénie gauloise_, III, 335.

[130] _Mon. hist._, Leges, p. 139.

[131] Renan, _op. cit._, p. 417.

[132] D’Héricault, _Essai sur l’origine de l’Épopée française_, p. 51.

[133] D’Héricault, _ibid._, p. 47.

[134] _Rapport sur une Mission litteraire en Angleterre_, p. 1.

[135] _Monum. hist._, Scriptores, p. 244.

[136] _Poesies des Troubadours_, t. III, p. 25.

[137] _Blanchefleur_, Introduc., p. XXXVII.

[138] _État des Lettres au XIV^{me} siècle_, t. I, p. 153.

[139] _Ibid._, p. 484.

[140] _Ibid._, t. II, p. 15.

[141] No citado resumo (t. I, p. XXII) se lê: «Je n’ose m’en fier

absolument à ma memoire; je suis intimement conveincu d’avoir vu ces

manuscripts (pretendus picards) écrits en ancienne langue Romance,

dans la Bibliothèque du Vatican; c’est à dire, dans la partie de cette

Bibliothèque formée de celle que la celèbre Reine Christine avoit

rassemblée, et dans l’aquelle presque tous nos meilleurs et nos plus

anciens Romans français sont compris.»--No t. IX, p. 2, Du Tréssan

torna a referir-se mais explicitamente a este facto: «Pendant un sejour

de quatre mois que l’auteur ... fit à Rome, son Eminance Monseigneur

le Cardinal Querini l’honora de son amitié et la Bibliothèque du

Vatican lui fut ouverte... La partie droite renferme la Bibliothèque

de la celèbre reine Christine... C’est là qu’il se rappelle d’avoir vu

l’_Amadis de Gaule_, écrit dans un très vieux langage, que l’Herberay

caracterise en le nommant _langue picarde_, fondé sur ce que le jargon

du paysan picard est précisement le même que celui dans le quel les

Romanciers de la fin du règne de Philippe Auguste et des regnes de

Louis VIII et de Saint Louis ont écrit; c’est ce que lui fait présumer,

avec bien de vraisemblance, que l’original de l’_Amadis de Gaule_ est

de la main de nos anciens Romanciers françois; etc.»

[142] _Dictionaire_, compl. de la préface, p. LIV. Hippeau, editor do

poema de _Amadas et Ydoine_, reconhece estas relações, e que reclamam

serio exame.

[143] _Libros de Cavallerias_, p. 30 (Ed. Ribadaneyra.)

[144]

Et Amadas devant sont père

Devant son père, à la table ere,

Cui puis avint maint aventure.

Li dus l’apela à droiture,

Le mès li commande à porter

Sa belle fille et présenter.

Qui tint à une part sa feste,

Com pucele de haut geste.

Comme courtois et afaitiés,

De cest message se fist prest.

(P. 209 a 219.)

En l’esgarder de la pucele

Li saut au cuer une estincelle,

Lui de fine amor l’a esprit;

Jà en est tes mas e suspris,

E entrés en si grant effroi,

Qu’il ne set nul conseil de soi;

Ne set s’il a joie ou doleur,

Ou amertume, ou douceur;

Ne set si il la vit ou non

Par songe ou par avision; etc.

(P. 243 a 252.)

[145] Do prurido que exerceram os poemas da Tavola Redonda na sociedade

europêa falla Dante no celebre episodio de Francesca di Rimini,

seduzida pela imitação dos amores de _Lancilotto_. Escreve Émile

Chasles: «Isto que se passava na Italia acontecia egualmente em todo

o Meio Dia. Os Hespanhoes e os Portuguezes, ao terminarem as suas

longas guerras contra o islamismo foram vivamente impressionados por

estas creações romanescas; imitaram-as com a paixão séria que imprimem

na poesia. Os _Amadises_, que levam ao extremo o ponto de honra, a

galanteria e a coragem, são os descendentes da familia gallo-bretã.»

(_Histoire nationale de la Litterature française_, p. 326.)

[146] _Ineditos da Historia portugueza_, p. 120.

[147] Ed. de Paris, p. 45. Em nota escreve o Visconde de Santarem:

«Segundo esta tradição, dizia-se que _San Brendan_ tinha aportado em

um navio no anno de 565 a uma parte da equinocial. Conservou-se esta

_entre os habitantes da Madeira_ e da Gomeira, _os quaes julgavam vêr

a dita ilha ao Oéste em certo tempo do anno_.» E accrescenta: «Azurara

conheceu esta tradição da Edade media por alguma copia dos Ms. do

seculo XIII intitulado _Imago Mundi de dispositione Orbis_ de Honorio

d’Autun; e esta circumstancia é tanto mais curiosa, que Azurara não

podia ter tido conhecimento do famoso _Mappa Mundi_ de Fra Mauro,

que só foi feito entre os annos de 1457 e 1459; e ainda menos do

planispherio de Martim de Bohemia (1492) que se conserva em Nuremberg,

onde se vê desenhada junto da equinocial uma grande Ilha com a seguinte

legenda: _Anno 565 S. Brandam chegou com o seu navio a esta ilha._»

[148] Renan, no estudo _Poesia das Raças celticas_, alludindo ao poder

das ficções, escreve: «D’ahi este profundo sentimento do futuro e

dos destinos eternos da sua raça que sempre alentou o Kymri, e o faz

apparecer joven ainda ao lado dos seus conquistadores envelhecidos.

D’ahi o dogma da resurreição dos heróes, que parece ter sido um

d’aquelles que o christianismo teve mais pena de desraigar. D’ahi

este _messianismo celtico_, esta crença em um vingador futuro, que

restaurará a Cambria e a libertará dos seus oppressores, como o

mysterioso Leminok, que Merlin lhes promettera, o Lez-Breiz dos

Armoricanos, o Arthur dos Gallois.» (_Ess._, p. 387.)

[149] _Roland et la Chevalerie_ (na Rev. des Deux Mondes, 1846.)

[150] _Roland et la Chevalerie._ Magnin esboça um plano de coordenação

de caracteres historicos fundado sobre este dualismo: «Comprazer-me-hia

a oppôr a um personagem de temperamento e de cultura antiga um

personagem de compleição e de costumes septemtrionaes; Clovis, por

exemplo, a Carlos Magno; o ultimo dos Bourguinhões, Carlos o Temerario,

a Luiz XI; o troveiro Thurold, a Ariosto; Shakespeare, a Racine; Erwin

de Steinbach, a Miguel Angelo; finalmente mais perto de nós, Byron, a

Alfieri; Beccaria, ao conde de Maistre.»

[151] _Dicc. da Academia española_, vb.^o cit.

[152] Apud Joly, _Benoit de Sainte More_, t. I, p. 6.

[153] _Catalogo dos Bispos do Porto_, prefação, § 13.

[154] _Vida de D. João de Castro_, p. 509. Ed. 1835.

[155] Xivrey, _Trad. terat._, p. XLVI.

[156] _Op. cit._, p. XLIII.

[157] _Panorama_, t. I, p. 164.

[158] _Ibid._, t. IV, p. 8.

[159] _Poésies populaires latines antérieurs au XII^{me} siècle_, p. 26.

[160] Bibl. Jacob, _Histoire de Cordonniers_, p. 220.

[161] _Cours de Philosophie positive_, VI, 150.

[162] _Ibid._, p. 159.

[163] _Ibid._, p. 172.

[164] _Cours de Philosophie positive_, t. VI, p. 174.

[165] _Ibid._, p. 153.

[166] _Études sur le Seizième siècle en France_, p. 5 e 6.

[167] _Op. cit._, p. 176.

[168] «Possem utriusque rei exempla non pauca in medium adducere,

non jam ex Italia ipsa studiorum altrice, verum etiam ex Gallia, ex

Britania, ex Germania, nostra hac aetate cum Italia de litterarum

palma contendente, et denique ex Sarmatia omnium quondam terrarum

barbarissima.»

[169] _La Poésie du Moyen-Age_, p. 80.

[170] Raczynski, _Carta XXI_, p. 410.

[171] _Purgatorio_, canto XXIV.

[172] _Obras_, ed. 1614, fl. 123. Na edição de 1595 vem sob estas

variantes:

Eu digo os Proençaes, de que ao presente

Inda rythmos ouvimos, que entoaram

As musas delicadas altamente.

Historia da litteratura portugueza [Vol. I] · 第 22 / 27 段