As raças iberica, celtica, phenicia e carthagineza só chegaram aqui á

_unidade_ politica sob o dominio dos Romanos: facto que originou

a illusão de attribuirem-se todas as fórmas da civilisação peninsular

á influencia de um povo sem numero material para actuar directamente

na modificação ethnica, como o notára Erasmo. A _unidade_ romana,

que levára dois seculos a radicar-se, dissolveu-se repentinamente,

ao primeiro choque da invasão dos povos germanicos. O que se deu

na Hespanha succedeu egualmente nas Gallias e na Italia, como

observa Guizot: «O Imperio retirou-se d’estes paizes, e os Barbaros

occuparam-os sem que a totalidade dos habitantes exercesse alguma

acção, fizesse sentir em alguma cousa o seu logar nos acontecimentos,

que a entregavam a tantos flagellos.» Remontamo-nos a este facto,

por que a influencia romana que mais tarde apparece nas instituições

politicas e nas Litteraturas, determina-se por uma reproducção

artificial das monarchias avançando para a dictadura e ás quaes

interessava o apoio da unidade catholica, que pela cultura latina

aspirava ao imperio theocratico. Os vestigios de uma civilisação

romana, estradas, aqueductos, circos, templos e inscripções lapidares,

são documentos de um facto moral, a superioridade de Roma, mas

attestam principalmente a existencia de uma população obreira explorada

pelo vencedor. Diz Guizot, com a sua habitual segurança, que o Imperio

se dissolveu _por falta de uma classe media_. O que existia na

peninsula capaz de assimilar a cultura romana fugia para Roma, como

vêmos com Quintiliano, com os Senecas, com Lucano, com Marcial. A

tradição da unidade romana manteve-se pelo catholicismo, quando ainda

na lucta dos Romanos da peninsula com os Carthaginezes da Africa, aqui

entraram os sectarios da nova religião. Na futura constituição da

unidade hespanhola, as monarchias centralistas virão a receber a sua

principal força da unidade catholica, dando-lhe em paga a destruição

das egrejas nacionaes ou do culto mosarabe.

Para a peninsula a historia começa propriamente no dominio romano,

mas segundo Hallam: «A historia da Hespanha durante a Edade

media devia começar pela dynastia dos Visigodos.»[96] Carece de

explicação este asserto. Com a invasão germanica deu-se o facto

contraposto á _unificação_ realisada pelos Romanos, sendo pela

_desmembração_ a Hespanha repartida entre Alanos, Suevos e

Vandalos. Foram depois os Visigodos, que submetteram estes elementos

outra vez a uma _unidade_ politica pelo regimen da força; por

dissensões internas vieram do arianismo ao catholicismo, e pelo

desenvolvimento da fórma monarchica, fizeram renascer os Codigos

romanos, como as aristocracias clericaes e militares imitaram os

costumes romanos. Assim a unidade visigoda manteve-se á custa de

abusos, que embaraçavam a creação de uma classe media, sendo quebrada

repentinamente por uma incursão de Arabes. Á medida que a unidade

germanica se funda na imitação do Imperio romano e na intolerancia

catholica, foram decahindo os homens-livres, confundindo-se com

o colonato romano, e com outras classes servas, que, diante da

invasão dos Arabes, reconhecem o novo dominio com uma facilidade

extraordinaria, regendo-se pelos seus costumes, seguindo a sua crença,

e pagando apenas uma capitação. Tal é o elemento _mosarabe_,

em que se fórma uma activa classe media; n’ella entraram o

_aldius_, que trabalhava nos campos e se reunia nas pobras

ruraes; o _mesteiral_, que exercia os officios mechanicos; o

_burguez_, que vivia nas cidades muradas, que se confederavam na

_Behetria_; o _cavalleiro-villão_, em quem revivia o antigo

homem-livre decahido na servidão; e ainda o _clerigo_ adscripto

á egreja local, que é como uma especie de propriedade feudal. Fóra

da _unificação_ visigotica tinham ficado pelo seu espirito

_separatista_ os Asturos, os Cantabros e os Bascos; e foram tambem

estes povos os que pelo seu natural instincto autonomico reagiram

contra os Arabes, sendo o primeiro germen de uma terceira desmembração.

Não conseguiram os Arabes realisar a _unificação_ politica

da Peninsula; pelo seu genio semita e pelo caracter das povoações

preexistentes, _desmembraram-se_ nos reinos de Toledo, Badajoz,

Sevilha, Granada, Malaga, Almeria, Murcia, Valencia, Denia e Baleares.

Pelo seu lado a reconquista do territorio hispanico inicia-se pelo

impulso da unidade catholica, e pela _unificação_ politica das

Asturias e de Leão, que comprehendia a Galliza, Portugal, Castella,

e da parte da Navarra o Aragão. Se por um lado a unidade catholica

coadjuvava esta convergencia social, a ambição dos chefes militares,

explorando o espirito separatista da autonomia local, procedia á

_desmembração_, como se verifica na constituição independente dos

reinos de Castella, de Aragão, de Portugal, dos Condados de Galliza e

de Barcelona.

D’esta corrente separatista é que se _desmembra_ o estado de

Portugal, que, pelo apoio da colonisação franceza, e aproveitando-se da

acção catholica da reconquista para engrandecer-se para o sul, soube

tirar da visinhança do mar as condições de resistencia. A oscillação

politica dos outros estados peninsulares coadjuvou a consolidação lenta

da unidade nacional portugueza; Sancho o Magno _unifica_ pela

força Navarra, Castella e parte de Leão, e _desmembra_ o novo

estado em testamento pelos seus quatro filhos; tambem Affonso VII,

imperador de Leão, _unifica_ Castella, Leão, Aragão, Navarra e

varios Condados, _desmembrando-os_ depois por seus filhos; o mesmo

se dá com Fernando, com a usurpação de Sancho, com todos os outros

monarchas, até á _unificação_ castelhana em Fernando e Isabel,

no ultimo quartel do seculo XV, quando Portugal, tendo passado a

estabelecer possessões em Africa explorava já as ilhas do Atlantico, e

se occupava no empenho da passagem do Cabo Bojador. Foi esta actividade

maritima que tornou Portugal mais do que um simples _appendice da

Hespanha_, e suscitou na sua maxima intensidade o sentimento de

Patria, que brilhara pela primeira vez na victoria do Salado, que se

impuzera em Aljubarrota, e que agora ia resistir contra todos os planos

de _unificação_ ensaiados pelos casamentos dynasticos da Casa de

Austria em Hespanha. Pelo casamento de Dom Affonso V, com Dona Joanna

(a Excellente Senhora) foi elle jurado em 1471 rei de Castella e de

Leão, sendo esta _unificação_ do monarcha portuguez embaraçada por

Fernando e Isabel que trabalhavam pela _unificação_ castelhana.

Os casamentos do princepe Dom Affonso e de Dom Manoel com as filhas

de Fernando e Isabel; o de Carlos v com uma filha do rei Dom Manoel,

foram sempre planeados no intuito da _unificação_ de Portugal

com a monarchia hespanhola. Escrevia Resende, na _Miscellanea_,

consignando o facto:

Vimos Portugal, Castella

Quatro vezes ajuntados,

Por casamentos liados; etc.

Pelo casamento do princepe Dom João, pae de Dom Sebastião, continuou

Carlos V insistindo no pensamento do _unificação_, empregando

todos os seus meios politicos para ser jurado herdeiro de Portugal o

princepe Dom Carlos seu neto. Foi este pensamento realisado, pela

morte de Dom Sebastião em Africa, por um neto de Dom Manoel, o terrivel

Philippe II, em 1580, quando a fidalguia portugueza desnaturada do

seu sentimento de Patria entendeu que servia a causa da _unidade

catholica_, então representada pela Casa de Austria, entregando

Portugal á soberania do Demonio do Meio Dia.

Aqui deixamos tracejada em breves linhas a evolução da ideia

_iberica_, ou da unidade monarchica da Hespanha á custa da

extincção das nacionalidades peninsulares. Quando porém a politica

de Richelieu procurou enfraquecer o colosso da Casa de Austria, foi

aproveitado o instincto _separatista_ no levantamento simultaneo

da Catalunha e da Revolução de Portugal em 1640. Restaurou-se a

nacionalidade portugueza, mas não a sua autonomia; a nova dynastia dos

Braganças só tratou de fixar o seu throno, e tendo esgotado todos os

meios de por casamentos na dynastia hespanhola reunir as duas corôas,

entregou-se á alliança da Inglaterra, comprando-lhe o apoio com a

cedencia de Bombaim e com os mais ruinosos tratados, como o de Methwen,

o de 1810, emfim com essa abdicação tacita que tornou Portugal uma

feitoria ingleza.

Collocada entre a Hespanha e o mar, a nacionalidade portugueza achou

e comprehendeu o seu destino historico: Pelo mar vieram as armadas

dos Cruzados coadjuvar a conquista de Lisboa e do Algarve; d’essa

comitiva de cavalleiros fixaram-se no solo portuguez muitos barões,

que eram outras tantas forças interessadas na sua independencia. A

comprehensão da proximidade do mar, fez que muito cedo começassem os

reis a desenvolver a marinha portuguesa; D. Sancho II mandava comprar

nos estaleiros de Italia os galeões com que ia atacar os Mouros

invadindo as costas do Algarve; D. Diniz chama de Italia Micer Passagno

para servir de almirante portuguez, e mandava assoldadar marinheiros

genovezes, que attrahia com privilegios para capitanearem as nossas

caravelas; o rei D. Fernando rehabilita-se na historia pelo impulso

que deu á marinha. E descontando o que ha de ficticio na lenda do

Infante D. Henrique, forjada por Azurara, é certo que aproveitando-se

da iniciativa dos armadores portuguezes, pela exploração do Mar

Tenebroso começa esse estupendo cyclo de navegações desde Zarco a

Vasco da Gama e Fernão de Magalhães, que tornaram Portugal o iniciador

da civilisação moderna. A vida historica de Portugal coincide com o

periodo das expedições e descobertas maritimas; então comprehendia-se a

nossa situação junto do mar, reagindo contra a pressão do continente.

Fomos um povo de mareantes; o sentimento de Patria n’esta phase da

vida nacional, as incertezas da navegação, o acaso das descobertas,

as qualidades moraes da coragem exercendo-se por um ideal superior, a

riqueza fecundando a collectividade social, tudo isto se reflectiu na

nossa pequena Litteratura, convergindo para produzir uma obra unica, em

que mais accentuadamente foi expresso o espirito da nacionalidade, os

_Lusiadas_, esse poema, que apesar da sua origem individual teve e

terá sempre o dom de influir uma unidade sympathica. Extingam-se todos

os monumentos da civilisação portugueza, todos os vestigios do nosso

vasto dominio no mundo, qualquer intelligencia clara irá recompôr a

vida historica dos portuguezes pelos _Lusiadas_, como o fizeram um

naturalista, um philosopho e um litterato, Humboldt, Schlegel e Quinet.

Esta alma apaixonada, tão celebrada pelo amor, será comprehendida no

seu genio aventureiro nas Relações dos naufragios, nos seus romances e

na architectura.

Desde que Portugal se achou collocado entre a Hespanha e a alliança

ingleza, o mar foi-se tornando uma fronteira isolada; perdemos a India,

e foram-se á custa do nosso espolio enriquecendo duas novas potencias

colonisadoras, a Hollanda e a Inglaterra. A historia de Portugal desde

1640 até ao presente é unicamente o processo de uma longa decadencia.

Cultivou-se o terror da conquista hespanhola, para nos lançarmos

incondicionalmente como servos da politica, e da absorpção industrial

e economica da Inglaterra. A dynastia de Bragança, contentando-se com

todos os apparatos theatraes da soberania, tornou-se um kedivato da

Inglaterra, que lhe dava em paga a segurança do throno. Conseguido

isto, poderam os reis d’esta dynastia praticar todos os attentados

contra a nacionalidade portugueza, esgotar-lhe as suas riquezas,

abandonal-a á invasão inimiga, desmembral-a em interesse proprio,

chamar contra ella intervenções armadas estrangeiras, por que nada

d’isto lhe poderia abalar o throno. Para esta segurança bastou ir

minando dia a dia o sentimento de Patria, e comprar aos _fieis

alliados_ o apoio com tratados que ou matavam as nossas industrias

como o de 1810, ou que lhes entregavam os nossos territorios, como o de

Gôa. O amortecimento do sentimento de Patria, deu essa decomposição dos

caracteres dos homens publicos, e deixou correr a affrontosa mentira de

que a dynastia dos Braganças era o penhor da autonomia de Portugal. Se

a educação jesuitica, desde 1555 até 1759, foi apagando constantemente

nas gerações o sentimento da _patria_ portugueza, o final d’esta

decomposição acha-se ligado aos sophismas liberaes do regimen da Carta

outorgada, em mais de meio seculo de depressão moral, intellectual e

social.

Foi das tendencias separatistas dos estados peninsulares que se

constituiu Portugal em uma nação livre; é d’esse separatismo tornado

consciente e scientifico, na fórma politica da Federação, que Portugal

tirará a condição digna e estavel da sua independencia. É esse o grande

futuro historico da peninsula hispanica.

Na Litteratura portugueza reflectem-se todos os aspectos da expansão

da nacionalidade. Logo que acabou a conquista do territorio portuguez,

a côrte de Dom Diniz, torna-se o centro de convergencia dos trovadores

e jograes castelhanos, catalães, leonezes, gallegos e asturianos, e

pela sua poesia lyrica Portugal exerceu uma verdadeira hegemonia na

Hespanha, como o confessa Santillana. A brilhante expedição do Salado

inspira a primeira pagina escripta de narrativa historica, que se

encontra intercalada no Nobiliario. Manifestada a soberania da nação

em 1380, pela revolução que leva ao throno D. João I, e iniciadas as

descobertas maritimas, a litteratura portugueza enriquece-se com as

mais importantes producções da historia por Fernão Lopes, Azurara

e Ruy de Pina, que rivalisam com os mais pittorescos historiadores

europeus do seculo XV. Escrevia Schlegel uma phrase que nos explica

a importancia d’esta creação litteraria: «Feitos memoraveis, grandes

successos e largos destinos não bastam para captivar-nos a attenção

e determinar o juizo da posteridade. Para que um povo tenha este

privilegio _é preciso que elle possa dar conta das suas acções e dos

seus destinos_.» Eis um caracter nacional bem accentuado. Camões,

que idealisou de um modo immortal a patria portugueza, synthetisou-a

no verso em que se retratava: «N’uma mão sempre a espada, e na

outra a penna.» Poetas, como Heitor da Silveira, Christovam Falcão,

Camões, batem-se nos cêrcos indianos; e chronistas, como Diogo do

Couto, Gaspar Corrêa, Fernão Lopes de Castanheda e Antonio Galvão,

nos rapidos descansos da lucta militar e das tempestades maritimas

escrevem a historia dos feitos portuguezes no Oriente. Depois da

leitura da primeira _Decada da Asia_ de João de Barros, Camões

sente o valor do verdadeiro argumento para a epopêa das navegações

portuguezas; e outros tentam essa empreza de glorificação nacional,

como Jorge de Montemór e Pero da Costa Perestrello, embora não

conseguissem realisal-a. Desde o apparecimento dos _Lusiadas_ as

suas immediatas traducções em castelhano tornaram Camões o princepe dos

poetas da Hespanha; era a verdadeira unificação affectiva e esthetica

das nacionalidades peninsulares; mas foram sempre os _Lusiadas_,

nos seculos mais decahidos da nossa historia, que mantiveram nos

espiritos sempre vivo o sentimento nacional. O successo da revolução

de 1640 não deixou écco na litteratura seiscentista, mas os

_Lusiadas_ prepararam-no; tambem já no nosso seculo os patriotas

que fugiram por 1818 das forças de Beresford que assim sustentava o

protectorado inglez em Portugal, e os que em 1823 fugiram para França

ás alçadas do restaurado despotismo bragantino, taes como o Morgado

de Matheus, Domingos Antonio Sequeira, Bomtempo e Almeida Garrett,

idealisaram por todas as fórmas da arte a obra de Camões, como o melhor

estimulo para uma revivescencia nacional.

A influencia dos litteratos que no seculo XVIII vulgarisaram as ideias

politicas, reflectiu-se em Portugal principalmente pelas traducções

das tragedias philosophicas de Voltaire, como a _Alzira_, a

_Merope_, a _Semiramis_ e _Mahomet_. Já na transformação

politica da nação portugueza, do absolutismo para o constitucionalismo,

foram tambem os litteratos que cooperaram n’essa renovação social os

que melhor comprehenderam a renovação esthetica ou sentimental do

Romantismo, de que foram os iniciadores, como Garrett e Herculano. Era

uma éra nova destinada a crear uma geração fecunda; porém a obliteração

do sentimento de patria, nas reacções palacianas de 1842, de 1847

e 1851, e nos successivos ministerios de resistencia desde 1890,

explica sufficientemente a degradação dos caracteres e o imperio das

mediocridades. Todos estes phenomenos staticos são solidarios, e embora

independentes da vontade individual podem ser perturbados dando em

resultado todas as fórmas mais ou menos patentes da decadencia de uma

civilisação.

NOTAS DE RODAPÉ:

[1] _Primeiros principios_, § 72.

[2] _Historia da Litteratura grega_, cap. I, p. 16. (Trad. Hillebrand.)

[3] _Ibid._, p. 20.

[4] J. J. Ampère, _Grèce, Rome et Dante_, onde abundam factos d’esta

natureza.

[5] _Journal des Savants_, 1864.

[6] Émile Chasles, _Hist. de la Litterature française_, p. 38 e 39.

[7] Du Méril, _Poésies populaires latines antérieures au XII^{me}

siècle_, p. 103 a 116.

[8] Michelet, _Introduction à l’Histoire universelle_, p. 61, 211 e

seg. Ed. 1843.

[9] Stendhal, _Histoire de la Peinture en Italie_, p. 50.

[10] _Ibid._, p. 37.

[11] Michelet, _op. cit._, p. 208.

[12] _Histoire nationale de la Litterature française._ Paris, 1870.

[13] _Mem. d’Anthropologie_, t. I, p. 282.

[14] _Hist. nationale de la Litterature française_, p. 427.

[15] Este prospecto anthropologico acha-se desenvolvido na _Patria

portugueza_, I, p. 55 a 128.

[16] _Op. cit._, p. 127.

[17] _Op. cit._, p. 46.

[18] _Hist. de la Litterature allemande_, p. 302.

[19] Traducção de Henry et Apffel, p. 9. Paris, 1839.

[20] Grimm, _Traditions allemandes_, trad. de L’Heretier, p. XXVI do t.

I.

[21] _Ibid._, t. II, p. 442.

[22] _Ibid._, t. I, p. 201.

[23] _Ibid._, t. II, p. 175.

[24] _Ibid._, t. II, p. 135.

[25] _Ibid._, t. II, p. 107.

[26] Tacito, _Vida de Agricola_, cap. 28.

[27] Grimm, _Ibid._, t. I, p. 410.

[28] _Historia do Direito portuguez_--Os Foraes--cap. IV. Não admira

que nos nossos primeiros estudos fixassemos n’esta camada ethnica

todas as investigações sobre as origens tradicionaes da Litteratura

portugueza.

[29] _Romancero general_, t. II, p. 663, col. 3, nota 24.

[30] _Hist. de Portugal_, t. I, p. 76.

[31] _Ibid._, t. III, p. 191.

[32]

_Muçarabes_ nos llamamos,

Por que entre Arabes mezclados,

Los mandamientos sagrados

De nuestra Ley verdadera

Con valor y fé sincera

Han sido siempre guardados.

[33] _Hist. de Portugal_, t. III, p. 195.

[34] _Ibid._, p. 199.

[35] Avelar Severino, _Estudos sobre os Roteamentos e Colonias

agricolas_.

[36] _Histoire de la Peinture en Italie_, p. 236.

[37] _Ibid._, p. 237.

[38] Justino (lib. LXIV, 3) refere que as mulheres luzitanas

trabalhavam nos campos, como ainda hoje as mulheres do Minho;

confirma-o o Dr. Rebello de Carvalho: «as mulheres (do Gerez) robustas

e trabalhadoras, dadas ao trabalho das suas fazendas.» _Notic.

topographica do Gerez_, p. 16. Dos costumes de Andalusia, escreve

Lafuente y Alcantara: «no puedo menos de recordar la extraña impresion

que me produjo no ha mucho tiempo la lectura de una obra (Layard,

_Discoveries in the ruins of Nineveh and Babilon_), en la cual,

referiendo el autor una viaje por la Armenia, describe minuciosamente

el arado, los carros y otros instrumentos de labranza que usan los

Curdos, admirándose mucho de que aun estuviesen en este punto casi

como en los tiempos biblicos. _Los carros y el arado descritos son

exactamente iguales á los que se usan en Andalucia..._» (_Cancionero

popular_, t. I, p. XXXVII.)

[39] Transcrevemos as palavras de Paul Meyer, na _Romania_, em uma

noticia bibliographica dos _Canti antichi portoghesi_: «Je remarque

que plusieurs des pièces editées par M. Monaci (n.^{os} III, IV, IX)

sont fort analogues, pour le fonds comme par la forme, à nos anciennes

_ballettes_ (voir celles que j’ai publiées dans mes Rapports, p.

236-9), ou aux balades provençales. Je n’en conclus pas que les poésies

portugaises qui ont cette forme soient imitées du français ou du

provençal, mais qu’elles sont conçues d’après un type traditionel qui

a dû être commun à diverses populations romanes, sans qu’on puisse

déterminer chez laquelle il a été crée.» _Romania_, n.^o 6, p. 265.

[40] Desprez, _La Russie et le Slavisme_ (Rev. des Deux Mondes, 1850,

II, 538.)

[41] «La poésie populaire et purement naturelle a des naïfvtez et

graces, par où elle se compare à la principale beauté de la poésie

parfaicte, selon art; comme il se veoid ez _villanelles_ de Gascoigne

et aux chansons qui n’ont cognoissance d’aulcune science, ny mesme

d’escripture.» _Essais_, liv. I, cap. 55.

[42] _Les origines de la Poésie lyrique, en France au Moyen-Age_, p.

259.

[43] _Ibid._, p. 260.

[44] _Mem. cit._, p. 238. Aos cantos das mulheres de Cadiz referem-se

Juvenal (_Satyra_ IX, v. 162.) e Martial (_Epigram._, lib. V, n.^o 78.)

[45] Fallando da musica inventada pelas mulheres do Minho, escrevia

no seculo XVII o Marquez de Montebello: «Con gran destreza se

exercita la musica, que es tan natural en sus moradores esta arte,

que succede muchas vezes a los forasteros que passan por las calles,

particularmente en las tardes del verano, parar y suspender-se,

escuchando los tonos, que a coros cantan, con fugas y repeticiones las

moçuelas, que para exercitar la labor de que viveu les es permitido,

por tomar el fresco, hazerla en la calle. Al que ignora la musica

engañan, pensando que la saben, y al que es diestro en ella, desengañan

que de todas las artes es naturaleza la maior mestra.» _Vida de Manoel

Machado de Azevedo_, cap. V, p. 44.

[46] _Les origines de la Poésie lyrique_, p. 445.

[47] _Ibid._, p. 446.

[48] Em um trabalho especial a _Historia da Poesia popular portugueza_,

que refundimos para uma nova edição, fica tratado amplamente este

problema.

[49] _Op. cit._, p. XVII.

[50] _Op. cit._, p. XVII.

[51] «Le canzoni italiane sono tutte domestiche, pochissime

romanzesche, ancor meno istoriche.» Gregorovius, na _Siciliana_, 1861.

[52] _Op. cit._, t. I, p. 131. (Trad. franc.)

[53] _Voyage à travers l’Amerique du Sud_, t. I, p. 231.

[54] _Geograph._, liv. III, cap. II, § 13.

[55] These sustentada pelo Dr. Francisco Martins Sarmento na obra _Os

Argonautas_.

[56] Nas _Lendas christãs_, p. 275 a 279, deixámos expostos estes

factos, examinando a estructura strophica da Canção do _Figueiral_.

[57] _Os Foraes_, cap. III e IV. (1868.)

[58] Amplamente desenvolvido no livro _O Povo portuguez nos seus

Costumes, Crenças e Tradições_.

[59] _Études germaniques_, p. 234.

[60] Publicado por Eduardo de la Barra, no folheto _El Endecasilabo

dactilico_, p. 83; diz ter colligido muitos outros romances anteriores

ao seculo XIII.

[61] Etienne, _Histoire de la Litterature italienne_, p. 537.

[62] _Cancionero popular_, t. I, p. L.

[63] _Poesia popular española, y Mythologia y Litt. celto-hispanas_, p.

444.

[64] _Cantos populares do Brazil_, t. II, p. 216.

[65] _Ibid._, n.^o 69, 70 e 77 do t. I.

[66] Strabão falla dos simulacros de guerra dos Luzitanos.

[67] _Historia geral de Hespanha_, mandada traduzir pelo rei D. Diniz.

Ed. de Coimbra (incompleta), cap. 198.

[68] _Catalogo dos Bispos do Porto_, p. 150. Ed. 1742.

[69] _Historia de Portugal_, t. III, p. 167.

[70] _Memoriale Sanct._, lib. III, cap. 3.--_Hist. de Port._, t. III,

p. 174.

[71] Citado em Raczynscky, _Lett._, VI, App. B, p. 106.

[72] _Lettres_, XXVII, p. 458.

[73] _Influencia del elemento indigena en la cultura de los Moros de

Granada_, p. 16.

[74] _Ibid._, p. 63.

[75] _Ibid._, p. 35.

[76] _Op. cit._, p. 36.

[77] _Ibid._, p. 37.

[78] _Viagens na minha Terra_, t. II, p. 55.

[79] Fauriel, _Histoire de la Poésie provençale_, t. III, p. 340.

[80] _Piccola Enciclopedia indiana_, p. 109.

[81] _Ibid._, p. 111.

[82] Hovelacque, _La Linguistique_, p. 256.

[83] O facto do dialecto romanico creado na Dacia por uma colonia

militar de soldados italianos, gaulezes e hespanhóes, ali fixada pelo

Imperio romano, não é comparavel á creação linguistica de povos com

individualidade ethnica e vida nacional, como na Italia, Gallias e

Hispania. É um phenomeno de hybridismo, reflectindo a desconnexão dos

elementos que o formaram, como observa Gubernatis.

[84] Terrien Poncel, _Des Mots et de leur Étude_, § 31.

[85] Hovelacque, _Linguistique_, p. 245.

[86] Exemplifiquemos com algumas palavras: PAE ou PADRE: No sk.

_Pitri_; gr. _Patër_; sax. _Vater_; got. _Fadar_; ant.-alt.-all.

_Fater_, _Vatar_; din. e velho sax. _Fader_; angl. sax. _Faeder_; ing.

_Father_; holl. _Vader_; suec. _Fader_; isl. _Fader_, _Foedr_; lat.

_Pater_; v. franc. _Pair_; ital., hesp. _Padre_; port. ant. _Pare_;

_Pae_, _Padre_; val. _Pärinte_; pers. _Pader_. (Ap. Poncel, _Des Mots_,

§ 55.)

FRADE (irmão): sk. _Bhrâtar_; gr. _Fratër_; ant.-alt.-all. _Pruodar_,

_Bruader_; got. _Brothar_; angl. sax. _Brothor_, _Brether_; ingl.

_Brother_; holl. _Broeder_; sax. _Broder_; din. _Broder_; isl.

_Brodur_; kymr. bret. _Brawd_; gael. _Brathair_; pers. _Brader_; lat.

_Frater_; v. franc. _Fraire_; mod. fr. _Frère_; ital. _Fratel-(lo)_;

sl. _Brat_; _Fraile_ e _Fray_; _Freire_, _Frei_ e _Frade_, no hespanhol

e portuguez, significando a _confraternidade_ religiosa. (_Ibid._)

[87] _Aperçu de l’Histoire des Langues neo-latines en Espagne_, p. 21.

[88] _Ibid._, p. 37.

[89] _Orig._, p. 24.

[90] _Grammatica portoghese_, p. 6.

[91] _Grammatica das Linguas romanicas_, t. I, p. 65. Trad. franceza.

[92] _Gramm._, p. 85.

[93] _Ibid._, p. 81.

Historia da litteratura portugueza [Vol. I] · 第 10 / 27 段