Cada bicho guarda no corpo o sumo do que comeu.
A tambeira que só come trevo maduro, dá no leite o cheiro doce do
milho verde; o cerdo que come carne de bagual nem vinte alqueires de
mandioca o limpam bem; e o socó tristonho e o biguá matreiro até no
sangue tem cheiro de pescado. Assim também, nos homens, que até sem
comer nada, dam nos olhos a cor dos seus arrancos. O homem de olhos
limpos é guapo e mão aberta; cuidado com os vermelhos; mais cuidado
com os amarelos; e toma tenência doble com os raiados e baços!...
Assim foi também, mais de outro jeito, com a _boi-guassú_,
que tantos olhos comeu.
V
Todos — tantos, tantos! que a cobra grande comeu —, guardavam
entranhando e luzindo, um rastilho da ultima luz que eles viram do
último sol, antes da noite grande que caiu... E os olhos — tantos,
tantos! — com um pingo de luz cada um, foram sendo devorados; no
principio um punhado, ao depois uma porção, depois um bocadão,
depois, como uma braçada...