I
Foi assim:
num campo muito antigo, muito, houve uma noite tão comprida que
pareceu que nunca mais haveria luz do dia.
Noite escura como breu, sem lume no céu, sem vento, sem serenada e
sem rumores, sem cheiro dos pastos maduros nem das
flores da mataria.
Os homens viveram abichornados, na tristeza dura; e porque churrasco
não havia, não mais sopravam labaredas nos fogões e passavam comendo
canjica insossa; os borralhos estavam se apagando e era preciso
poupar os tições...
Os olhos andavam tão enfarados da noite, que, ficavam parados, horas
e horas, olhando sem ver as brasas vermelhas do nhanduvái... as
brasas somente, porque as faiscas, que alegram, não saltavam,
por falta do sopro forte de bocas contentes.
Naquela escuridão fechada nenhum tapejara seria capaz de cruzar
pelos trilhos do campo, nenhum flete crioulo teria faro nem ouvido
nem vista para bater querência; até nem sorro daria no seu próprio
rastro!
E a noite velha ia andando... ia andando...