CAPITULO V

O homem de espirito quando, chega a fazer-se amar, não goza de uma

felicidade completa. Atemorisado com a sua ventura, trata antes de

saber porque é feliz. Pergunta porque e como é amado; se, para uma

amante, é elle uma necessidade, ou um passatempo; se ella cedeu a um

amor invencivel; emfim, se é elle amado por si mesmo. Crêa elle proprio

e com engenho as suas magoas e cuidados; é como o Sibarita que,

deitado em um leito de flôres, sentia-se incommodado pela dobra

de uma folha de rosa. N'um olhar, n’uma palavra, n’um gesto, acha

elle mil nuanças imperceptiveis, desde que se trata de interpretal-as

contra si. Esquece os encomios que levemente o tocam, para lembrar-se

sómente de uma observação feita ao menor dos seus defeitos e que

bastante o tortura. Mas, em compensação desses tormentos, ha no seu

amor tanto encanto e delicias! Como estuda, como extrahe, como

saborêa as volupias mais fugitivas ate a ultima essencia! Como a sua

sensibilidade especial sabe descobrir o encanto das criancices

frivolas, dos invisiveis attractivos, dos _nadas_ adoraveis!

O tolo é um amante sempre contente e tranquillo. Tem tão robusta

confiança nos seus predicados, que antes de ter provas, já mostra

a certeza de ser amado. É assim deve ser. Em sua opinião faz uma

grande honra á mulher a quem dedica os seus effluvios. Não lhe

deve felicidade; elle é que lh'a dá e como tudo o leva á exaggerar

o beneficio, não lhe vem á idéa que se possa ter para com elle

ingratidões. Assim, no meio das alegrias do amor, saborea ainda

a embriaguez da fatuidade. Mas como, em definitivo, é elle proprio

o objecto de seu culto, depressa o tolo se aborrece, e como o amor

para elle não é mais que um entretenimento que passa, os ultimos

favores, longe de o engrandecerem mais, desligam-n'o pela saciedade.

Quéda que as Mulheres Têm para os Tolos · 第 13 / 22 题