O amor, disse alguem, é uma jornada, cujo ponto de partida é o
sentimento, e cujo termo inevitavel a sensação. Se é isto verdade,
o que ha a fazer, é embelecer a estrada e chegar o mais tarde possivel
ao fim. Ora, quem melhor que o homem de espirito sabe parolar á
beira do caminho, parar e colher flôres, sentar-se ás sombras frescas,
recitar aventuras e procurar desvios e delongas? Um caracol de
cabellos mal arranjado, um comprimento menos apressado que de
costume, um som de voz discordante, uma palavra mal escolhida,
tudo lhe é pretexto para demorar os passos e prolongar os prazeres da
viagem. Mas quantas mulheres apreciam esses castos manejos, e
comprehendem o encanto dessas paradas á borda de uma veia limpida
que reflecte o céo? Ellas querem amor, qualquer que seja a sua
natureza, e o que o tolo lhes offerece é lhes bastante, por mais
insipido que seja.