Posto que as pias para agua benta pediculadas estivessem já em uso no

XIII seculo, e talvez ainda antes, foi todavia no XIV e XV seculos que

vieram a ser mais communs. Em muitos paizes, apresentam bastante

analogia com as pias baptismaes contemporaneas, de maneira que é muitas

vezes difficil distinguir de repente, se o objecto que está presente

serviria na primitiva de pia para agua benta ou de pia baptismal, pela

sua grandeza. A capacidade limitada do reservatorio e a falta do

orificio destinado para dar sahida ás aguas baptismaes, dão algumas

vezes um indicio para designar que o objecto seja uma pia para agua

benta e não uma pia baptismal.

O maior numero das pias para agua benta fixas do periodo ogival que

existem, ainda são de pedra. Havia tambem em outro tempo um certo numero

d'ellas de bronze e de latão. A memoria de algumas d'estas pias de metal

nos foi conservada, quer por desenhos e gravuras, quer por testemunhos

de escriptores antigos. Encontram-se mesmo raros especimens que

escaparam á destruição vandalica.

As pias para agua benta _portateis_ são vasos com azas, destinados a

conter a agua benta. Como já referimos, serviam durante o periodo Roman,

para apresentar a agua benta aos imperadores, reis e outros distinctos

personagens, na occasião da sua entrada na egreja. Serviam tambem n'esta

epocha, para a agua com que se faziam as aspersões prescriptas pela

liturgia. O costume de principiar a missa solemne do domingo por uma

procissão dentro da egreja, durante a qual se aspergia o povo com agua

benta, remonta aos primeiros seculos do christianismo. As capitulares de

Carlos Magno confirmam já este costume, e no Concilio reunido em Nantes

em 911 determina aos curas que benzam a agua ao domingo, em um vaso

limpo e apropriado, para que o povo seja aspergido, e o sacerdote possa

leval-a aos enfermos, aspergil-os e á sua habitação.

As mais antigas pias para agua benta portateis são de marfim. As pias

para agua benta em metal, já conhecidas durante o periodo Roman, vieram

a ser muito communs no XIII e XIV seculos. Todas as pias para a agua

benta portateis são, comparativamente ás em uso desde o XV seculo, de

muito pequena dimensão: medem apenas 20 centimetros pouco mais ou menos

de altura, com um diametro entre 10 e 13 centimetros.

Quando, no XV seculo, as pias para a agua benta portateis de metal

vieram a tornar-se de uso geral, deram-lhes dimensões maiores. Todavia

encontram-se ainda muitas d'esta epocha, que são muito pequenas.

Quasi todas as pias para agua benta antigas têem a fórma d'um balde;

algumas apresentam um engrossamento consideravel sobre a borda superior,

diminuindo sensivelmente para a base. Vêem-se com uma inscripção

mostrando como as das pias fixas, assim como a allusão ao symbolismo de

agua benta pelo baptismo de Jesus Christo.

*Grades e barreiras*

_Grades de ferro_. As grades do XIV seculo apresentam mais ou menos o

aspecto geral que as do periodo Roman. Como antecedentemente, têem os

prumos verticaes com um caixilho de ferro a que ficam reunidos por

ornatos em fórma de _X_ composto por barrinhas de ferro com secção

differente; e todavia, quando as grades são destinadas para as

cathedraes ou para os edificios importantes, as barrinhas das

extremidades simplesmente enroscadas não têem por ornato senão algumas

hastes verticaes. A suppressão das couceiras póde ter logar sem

inconveniente nos vãos de pequena largura, de pouco peso e fórmas

delicadas, mas para grades maiores e expostas aos encontrões da

multidão, o systema de almofadas com ornato entre as couceiras e as

travessas é o unico modo que dará a solidez precisa sem obstar ao

aspecto de leveza.

Os cenotaphos erguidos nos logares frequentados da egreja, os

reliquarios expostos publicamente á veneração dos fieis e os armarios

dos thesouros eram muitas vezes resguardados por grades com importante

trabalho de mão d'obra. Estas grades ornadas geralmente por barrinhas

estampadas do lado externo sómente estão por vezes armadas com grandes

pontas e ganchos de ferro que impossibilitam o assalto.

Nas grades do XIV e XV seculo, os prumos servindo de couceiras e as

travessas continúam a ser empregadas; porém as barrinhas torcidas e

estampadas das grades do XIII seculo ficaram substituidas por ornatos

obtidos, servindo-se de chapas de ferro batido, recortadas em florões ou

folhagens. Depois, em logar de ficarem seguros como precedentemente os

prumos por bracedeiras, não soldados, esses ornatos estão fixos por

cavilhas arrebitadas. Os caixilhos de ferro são muitas vezes

supprimidos, e a esses prumos depois de lhe assentar na extremidade

remates mais ou menos vistosos, compostos de flôres de liz ou florões de

folha de ferro soldadas.

As grades que se não abrem, que assentam na frente das janellas, nos

thesouros das egrejas, casas de capitulo, depositos do archivo, casas

nobres e mesmo nas casas particulares, estão muitas vezes guarnecidas de

pontas de ferro dispostas em espigas nas duas extremidades das

couceiras. Algumas vezes as grades com espigas têem, álem d'isso, as

suas couceiras e travessas reunidas de maneira impossivel para fazer

mover as couceiras nos olhaes das travessas ou nos olhaes das couceiras;

estes olhaes estão alternativamente feitos nas travessas e nas

couceiras.

_Barreiras de madeira_. Em logar de grades de ferro, tambem se serviam

de barreiras de madeira, a fim de separar as capellas. Estas barreiras

são geralmente tapadas até á altura quasi d'um metro, não ficando

interrompida a vista na parte superior. Quasi todas são feitas com

madeira de carvalho, devendo a sua duração não sómente ao bem feito da

obra, como á excellente qualidade do material empregado. A começar do

XIV seculo, a parte inferior tapada é formada de duas ou muitas ordens

sobrepostas de almofadas encaixadas entre as couceiras e as travessas.

Estas almofadas teem muitas vezes obra de talha figurando pinasios dos

caixilhos, ou folhas de pergaminho dobradas. A parte superior d'estas

barreiras compõe-se quasi sempre de arcaduras rotas, deixando passar a

vista entre os prumos em que se dividem.

*Orgãos e caixas para elles*

Os primeiros orgãos de que os chronistas occidentaes fazem menção, são

os que o rei Pepin recebeu de presente da côrte imperial de

Constantinopla no meiado do VIII seculo, e que fez collocar no seu

palacio de _Compiègne_. Carlos Magno tambem no principio do seculo

seguinte mandou fabricar orgãos, conforme o modelo byzantino para ornar

a sua egreja de _Aix-la-Chapelle_. Depois de Carlos Magno, o uso dos

orgãos para o acompanhamento de certas partes cantadas do officio

divino, introduziu-se pouco a pouco na egreja Latina. Desde o final do X

seculo, a maior parte das egrejas cathedraes e abbaciaes de primeira

ordem tinham-os adquirido, e durante os dois seculos seguintes

continuaram a generalisar-se.

Os orgãos primitivos eram muito defeituosos e d'uma grande singeleza,

como vemos nas miniaturas dos manuscriptos contemporaneos.

Durante o periodo ogival a predilecção pelos orgãos tomou novos

desenvolvimentos, e, no final do XV seculo, todas as egrejas de alguma

importancia e mesmo as capellas tinham o seu orgão. No XIII seculo,

começaram já, em alguns logares, a multiplicar o numero dos orgãos em

uma só e mesma egreja. Ao principio contentavam-se com dois d'estes

instrumentos; porém no XIV e XV seculos tinham tres, quatro e até cinco.

Na egreja do convento de Mafra, el-rei D. João V mandou collocar quatro

grandiosos orgãos nos angulos do cruzeiro, no XVII seculo.

_Até ao XV seculo_, diz o insigne architecto Violet-le-Duc, _não parece

que os grandes orgãos estivessem em uso. Serviam-se apenas de

instrumentos de mediocres dimensões e que podiam ficar dentro d'um movel

assentes na capella-mór, nos jubés ou sobre tribunas mais ou menos

espaçosas, destinadas não sómente aos orgãos, mas ainda aos cantores e

musicos. Foi no final do XV e principio do XVI seculo que houve a ideia

de dar aos orgãos, dimensões extraordinarias_ desconhecidas até então,

tendo uma _grande força de som e exigindo, caixas collossaes_. Todavia

esses orgãos não são nada em comparação com os instrumentos que se

fizeram depois no XVII seculo.

No fim do periodo ogival, a fórma das caixas dos orgãos era determinada

pela disposição que tinha esse instrumento. A obra de entalhador para as

caixas dos orgãos do XV e XVI seculos, e mesmo de alguns orgãos do XVII

seculo era independente do instrumento e servia para o resguardar,

cobrindo-o. O mechanismo e os folles ficam inteiramente mettidos entre

as almofadas macissas dos sócos; as almofadas recortadas enchem os

espaços rotos existentes entre a extremidade superior dos canudos e os

tectos, afim de facilitar a emissão do som. A marceneria ornada de

esculpturas e de polychromia e os canudos eram muitas vezes estampados e

dourados. Tudo ficava encerrado por portas que o organista abria quando

tocava; estas portas eram, as mais das vezes, ornadas, pelo menos na

parte interna, com pinturas historicas que se viam quando servia o

instrumento. Os orgãos e as caixas, anteriores ao XVI seculo, são

muitissimo raros.

*Alfaias religiosas*

_Ourivesaria e esmaltadores_. No XIII seculo, a arte de ourives

transformou-se completamente sob a influencia do novo estylo

architectural. Durante o primeiro quartel e mesmo durante a primeira

metade d'esse seculo, os vasos sagrados e os objectos do culto

apresentavam ainda, é verdade, as mesmas fórmas geraes que durante o

periodo Roman; porém o systema da decoração teve modificações

importantes. O artista, fosse quem fosse, esculptor, pintor ou ourives,

ia procurar as suas inspirações, jamais como precedentemente aos

objectos byzantinos ou aos estofos orientaes, mas sim na flora do seu

paiz; serviam-lhe de modelos os vegetaes indigenas e applicava-se

interpretal-os artisticamente.

As chapas esmaltadas e os engastes das joias, com algumas folhagens de

filigrana, ficam geralmente em uso até ao meiado do XIII seculo;

continuando a dar o principal modelo de decoração para os objectos de

grandes dimensões, taes como os reliquarios e os frontaes dos altares.

Todavia n'uma parte da Belgica, o uso dos esmaltes de côres desappareceu

mais cedo que nas outras partes. Desde o primeiro quartel do seculo

XIII, encontra-se, sobre as margens do _Lambre_, uma escola de ourives

tendo em pratica principios inteiramente novos. Á frente d'esta escola e

ao impulso artistico que produz, apparece o irmão Hugo, frade Agostinho

do priorado de _Oignies_. Este humilde religioso executou durante o

primeiro quartel do XIII seculo, (um dos seus trabalhos tem a data de

1220), em alguns annos, uma serie de obras-primas que ainda não foram

imitadas, algumas das quaes teem resistido aos estragos dos tempos, e

guardam-se devotamente no thesouro das freiras de Nossa Senhora em

_Nemours_, produzindo a admiração de todos os entendedores. Desprezando

o emprego dos esmaltes com muitas côres, elle procurou o principal

effeito de decoração n'um trabalho original, que consiste em cobrir os

objectos, no todo ou em parte, com delicadas folhagens formadas de

cachos, de flôrsinhas e pequenas folhas estampadas, reunidas pela

soldadura a delicados pés. A estas folhagens ajuntava figuras de veados,

cães e caçadores, tudo produzido da mesma maneira. O tecido muito unido

que resultava d'estes trabalhos era depois arribitado ou soldado sobre

as differentes partes do objecto do qual elle abrangia todos os

contornos.

Hugo empregou ainda as joias; mas ás vezes, em logar de dispôl-as sobre

chapas rectangulares e ligal-as pela filigrana, as dispunha

artisticamente entre as suas delicadas folhagens. Além d'isto, seguindo

o exemplo dos seus antecessores, não empregava camafeus e com gravuras

concavas á maneira antiga, todas as vezes que não tinha joias novas para

o seu trabalho.

Quanto ás massas coloridas embutidas no metal, Hugo não conserva quasi o

negro do buril que serve para traçar as inscripções, ornamentos e tambem

as figuras.

Depois do meiado do XIII seculo, os objectos de ourivesaria principiaram

pouco a pouco por imitar na sua fórma e aspecto geral os monumentos de

architectura: os relicarios, que antes eram cofres, sarcophagos,

remedando o feitio dos edificios religiosos, vieram a ser pequeninas

egrejas em ouro e prata: os relicarios tinham enfeites, por vezes

remates, torrinhas ladeadas de contra-fortes e bastantes arcos; em uma

palavra, as fórmas elegantes e graciosas da architectura ogival foram

copiadas nos objectos do culto. A cinzelura tambem faz cada vez mais

progresso; e vê-se mesmo a maior parte das vezes pequenos objectos

apresentarem as esculpturas e altos relevos, o que não se fazia antes,

excepto nos grandes objectos de ourivesaria.

Os objectos de ourivesaria propriamente chamados conservam, no XIV

seculo, as fórmas que tinham precedentemente, isto é, imitam o aspecto

dos monumentos de architectura, ou, pelo menos, são decorados com certos

detalhes architectonicos. Todavia na França, e sem excesso na Belgica,

os ourives executaram, para relicarios, estatuas pequenas de alto

relevo, grupos e imitações de membros de corpo humano, ou outros

objectos que se desejava encerrar dentro d'elles. Desde o XIV seculo, os

vasos sagrados e os outros objectos do culto perdem a nobre simplicidade

do estylo grave da época precedente.

No XV seculo os trabalhos de ourivesaria correctos differençavam pouco,

quanto ao aspecto geral, dos do seculo anterior. As suas fórmas

patenteavam todavia as modificações successivas que teve a architectura

n'esta época. Os ourives empregavam menos simplicidade nas suas

composições, menos elegancia nas fórmas, porém o seu trabalho é

geralmente mais apurado e mais delicado; levado por vezes até á

exaggeração pelo acabamento e perfeição dos pequenos detalhes.

Quando empregavam ainda algumas esmaltes para realçar o oiro e a prata,

os ourives do XIII seculo, como os seus predecessores do XII seculo,

indicavam sobre o liso do metal o contorno das figuras, e dispunham

depois todas as partes internas do desenho, quer por um cinzelado

produzindo um relevo pouco saliente, quer, mais simplesmente ainda, por

uma delicada gravura, cujos traços refaziam o desenho dos contornos das

figuras; emfim, abaixavam o fundo á roda das figuras e enchiam-no de um

esmalte, geralmente escuro, adequado para fazer sobresair a composição.

Até ao final do XIII seculo, os traços da gravura delicada ficavam

geralmente vasios; era só excepcionalmente que os enchiam de preto. Mas,

no começo d'esta época, enchiam-n'os quasi sempre de encarnado ou

pardo-escuro.

_Dinanderie_. Dá-se o nome de _dinanderie_ a um objecto de cobre ou

latão coado e martellado, conforme o modo de fabricar esses objectos.

Esta palavra tira a sua origem da cidade de _Dinant_ sobre o _Meuse_, a

qual tinha adquirido, na edade média, uma grande fama pela execução de

objectos de latão. Portanto, em virtude d'esta etymologia, alguns

archeologos continuaram com o uso recebido, escrevendo--Dinan_te_rie, em

logar de Dinan_de_rie.

A arte de _dinanderie_ estava prospera desde o fim do XI seculo nos

Paizes-Baixos, e durante os seculos seguintes, os bate-folhas de cobre

obtiveram de differentes soberanos muitos privilegios, que facilitaram a

exportação dos productos de sua industria para Allemanha, França,

Inglaterra e todo o norte da Europa.

As pias baptismaes executadas com este material, as primeiras de 1112, e

as outras de 1149, ainda se conservam na Belgica.

_Calices e Patenas_. A communhão sob a especie de vinho tendo sido

abolida na Egreja Latina, proximo do XII seculo, os calices _ministraes_

com aza cessaram de ser empregados no Occidente, e a sua fabricação

ficou completamente abandonada. Assim, todos os calices ministraes de

origem occidental são anteriores ao periodo ogival. Na Grecia e no

Oriente, pelo contrario, onde a communhão se dava ainda aos seculares

sob as especies de pão e vinho, o uso dos calices ministraes

conservou-se até ao presente.

_Os calices vulgares_, isto é, os de uso do sacerdote que celebra a

missa, teem geralmente no XIII seculo, como nos dois seculos

precedentes, a taça muito larga e pouco funda, o pé redondo e de grande

diametro; a tige está ornada de um nó grosso, composto muitas vezes de

arestas salientes, mas raramente de medalhões circulares.

No XIV seculo, e mesmo no fim do XIII uma mudança notavel se deu na

fórma dos calices. A taça estreitou-se, e de hemispherica, como era

antes, veiu a ser conica ou enfundibuliforme, isto é, similhando-se a um

funil. A fórma desegual, quasi desconhecida nos calices do XIII seculo,

veiu a ser commum, sem todavia tomar uma grande importancia. A hastea,

que durante a primeira metade do XIII seculo, era regularmente

cylindrica, tornou-se angulosa e prismatica, tendo geralmente seis

faces. Os lados do nó foram mudados para botões redondos, quadrados ou

rhombos, egualmente em numero de seis, e quasi sempre embutidos de

esmalte, gravuras ou joias. Sobre os seis botões estão algumas vezes

inscriptas as seis letras do nome de Jesus, como ortographavam então:

IHESUS. O pé está dividido em seis lobulos ornados de esmaltes e de

gravuras a traço representando imagens, e mesmo composição completa;

estes lobulos correspondem ás faces da hastea e aos botões do nó. O sóco

do pé está recortado em folhas de trevo, quatro folhas ou arcaduras; seu

diametro, sempre menor que o dos calices romans, conserva não obstante

uma base bastante larga para evitar a quéda. Em resumo, os calices do

XIV seculo, comparados com os dos seculos precedentes, tem mais altura,

mas o diametro da taça e do pé é muito menor.

A fórma geral dos calices do XV seculo é pouco mais ou menos a mesma dos

calices do XIV seculo. Todavia, em certos paizes, por exemplo na

Belgica, observa-se que os lobulos do pé, as faces das hasteas e os

botões do nó teem muitas vezes o numero oito em logar de seis. Esta

mudança foi introduzida proximo do meiado do XV seculo.

A _patena_ do periodo ogival tem como a do periodo roman, a fórma de uma

pequena salva, apresentando no meio uma cavidade circular. O fundo da

salva traz muitas vezes, gravado a traço, um circulo ou um quadrilobo,

circumdando quer o Cordeiro Divino, quer a Mão com aureola que symbolisa

a Divindade, quer qualquer outro assumpto. Colloca-se algumas vezes uma

pequena cruz sobre a borda da salva.

_Galhetas_. Existem raros especimens de galhetas da época ogival.

Havia-as de cobre esmaltado e em crystal de rocha com guarnição de prata

cinzelada e algumas de prata dourada com guarnições gravadas.

Durante a edade média serviram-se tambem mais frequentemente de galhetas

de vidro, mas por causa da fragilidade da materia, muito poucos objectos

d'esta especie escaparam da destruição.

_Custodias Eucharisticas_. Em alguns paizes, particularmente em França,

a Eucharistia continuou, durante o periodo ogival, a estar conservada,

como anteriormente, nas pombas douradas e esmaltadas, collocada, a maior

parte das vezes, em uma torresinha ou pequena tenda forradas de telas

custosas, ficando suspensa por cima do altar, quer sob a pyxide, quer no

baculo de metal.

No XIII, no XIV, e mesmo ainda durante uma parte do XV seculo, as

pyxides eram geralmente como as do periodo Roman, de muito pequeno

tamanho, porque, até proximo do meiado do XV seculo, serviam sómente

para conservar o numero necessario de hostias de que havia precisão para

a communhão dos doentes em perigo de vida. Os fieis que podiam assistir

aos officios religiosos, recebiam a Santa Eucharistia depois da

communhão do sacerdote, com as especies consagradas durante a missa,

sendo distribuidas servindo-se da patena.

Quasi todas as pyxides do periodo ogival eram de metal; as de marfim e

cobre não apparecem senão excepcionalmente.

_As pyxides sem pé_, de cobre dourado e esmaltado, compostas de pequenas

caixas cylindricas, tendo uma tampa de fórma de cone, ficaram em uso

pelo menos até o XVI seculo; empregando-se principalmente para levar o

Viatico aos enfermos.

Encontram-se ainda presentemente muitas d'estas pyxides, mais ou menos

valiosas e ornadas. Não poucas devem a sua conservação a esta

circumstancia, que depois da introducção das grandes pyxides

aproveitaram-nas para guardar as reliquias destinadas a ficar

chancelladas no altar no momento da consagração: portanto, não é raro

encontrarem-se nos desmanchos dos altares do XVI e XVII seculos.

As pyxides _pediculares_, isto é, tendo um pé, que eram raras antes,

vieram a ser as mais communs desde o XVIII seculo. Algumas destinadas a

ficarem suspensas por cima do altar, sob o sacrario, ou na voluta do

baculo, teem o pé muito pequeno, e a taça assim como a tampa bastante

grandes e quasi hemisphericas, de maneira a formar reunidas uma bola

ôca, geralmente um pouco achatada.

No seculo XII, as pyxides, em logar de ficarem suspensas por cima do

altar, foram postas nos sacrarios, deram-lhes regularmente um pé mais

alto, similhante aos dos calices e dos relicarios. No principio, bastava

collocar sobre um pé as pequenas pyxides de cobre dourado e esmaltado;

depois fizeram tambem as pyxides em metal com cinzelados e rebatidos,

vindo a ser unicamente usadas. As mais antigas da ultima especie teem a

taça e o pé circular.

No XIV seculo, a taça e a tampa tiveram a fórma hexagonal, isto é, seis

faces, e o pé divide-se em seis lobulos.

Durante a ultima metade do XIV seculo e todo o XV seculo, as pyxides

pediculadas têem muitas vezes as arestas da tampa decorada de crochetes;

os angulos formados pela intersecção dos seis lados da taça, sendo

flanqueados de contra-fortes, e os lados tambem ornados de arcaduras com

ou sem estatuasinhas.

Quando no XV seculo, ficou introduzido o costume de conservar o maior

numero de hostias consagradas, afim de poder dar a communhão aos fieis,

mesmo sem ser na occasião da missa, as pyxides tiveram dimensões muito

maiores. Continuou-se geralmente a dar-lhe fórmas architecturaes, porém

essas fórmas vieram a ser, sobretudo na Allemanha, mais altas e mais

complicadas ajuntando-se arcos-butantes aos contra-fortes e ás arcaduras

com as quaes já as ornavam precedentemente. Em França e na Belgica,

appareceram proximo do final do XV seculo as pyxides esphericas, cuja

fórma faz lembrar a dos antigos ciborios suspensos. Não é raro, além

d'isso, achar pyxides transformadas em relicarios.

Não será inutil aqui repetir, que, salvo raras excepções, todas as

pyxides anteriores ao XVI seculo teem a tampa presa á taça por um gonzo.

_Custodias_. A solemnidade do _Corpus Domini_, ou festa do Corpo de

Deus, instituida em Liège em 1246, e extensiva á Egreja Universal,

dezoito annos mais tarde pelo pontifice Urbano IV, trouxe o uso de expôr

publicamente o Santissimo Sacramento á veneração dos fieis. Foi este uso

que deu origem ao vaso chamado _custodia_, ou _apresentação_ nome

derivado dos verbos latinos _ostendere_ e _monstrare_, significam, um e

outro, _mostrar_.

No principio, parece que o _Santissimo Sacramento_, estava exposto

publicamente nas pyxides _transparentes_ com cruzes e torrinhas cheias

de aberturas; mas, dentro em pouco adoptaram-se, geralmente as

custodias.

Algumas d'estas custodias primitivas apresentam a maior analogia com os

relicarios expostos contemporaneos. São pequenos edificios de metal, com

recortes, tendo um pé e furados sobre dois ou muitos dos seus lados, com

aberturas, as mais das vezes sob a fórma de janella ogival.

As custodias mais communs durante todo o periodo ogival, foram as de

_cylindro_, assim designadas porque são formadas d'um cylindro de

crystal ou de vidro posto sobre um pé de metal. No XIV, XV e XVI

seculos, o cylindro tem geralmente por cima um campanariosinho e nos

flancos contra-fortes e arcos-butantes, igualmente de metal. Depois do

XIII seculo, o campanariosinho e o pinaculo não são usados. A hostia

colloca-se no interior do cylindro n'uma luneta sustentada por um ou

mais anjos. O pé e o nó d'estas custodias apresentam a maior similhança

com os calices e as pyxides contemporaneas; todavia, o diametro do pé é

geralmente maior nas custodias que nas pyxides e calices.

Resumo elementar de archeologia christã · 第 17 / 23 段