Os _jubes_ teem sempre proxima a _cruz triumphal_. Esta cruz, de grande

dimensão, é geralmente de madeira e ornada de pinturas e dourados. Os

seus quatro ramos com florões teem muitas vezes quadrilobos, nos quaes

estavam do lado da nave os symbolos dos quatro evangelistas, e do lado

do côro, os quatro doutores da egreja latina; S. Gregorio, S. Ambrosio,

S. Agostinho e S. Jeronymo. Ao pé da cruz estão as imagens de Nossa

Senhora, e do apostolo S. João; a primeira á direita, e a segunda á

esquerda.

Antes da introducção dos _jubes_ a cruz triumphal estava igualmente

suspensa por tres correntes no meio do arco chamado _triumphal_, que

occupa a entrada da capella-mór.

Havia tambem antigamente nas egrejas do periodo Latino e Roman uma

_haste_ (Tress). Era costume collocar nas basilicas entre o côro e a

parte reservada para o publico uma viga atravez do côro, sobre o qual se

punham luzes e tambem suspendiam lampadas, e tambem durante a quaresma,

servia para pôr o véu chamado _velum templi_.

_Separações do côro_. A disposição dos antigos bancos da clerezia ao

comprimento da parede absidal do côro, ja descripto, não foi conservada

durante o periodo ogival, sendo em Italia e tambem em Portugal, onde

continua ainda, assim como em algumas egrejas da Allemanha,

principalmente nas cathedraes de Spire e de Mayence.

Desde o XI seculo, a maior parte das abbadias da _Europa central e

occidental_ tinham, como já referimos, transferido para o cruzeiro, os

bancos, alem das cadeiras dos ecclesiasticos, que occupavam antes a

capella da abside. Mais tarde tambem a mesma mudança se introduziu pouco

a pouco nas cathedraes e nas collegiadas d'essas mesmas regiões,

principalmente depois da reunião das naves lateraes e capellas absides á

roda da capella mór. Os bancos de pedra do periodo roman transformados

em cadeiras do côro ou cadeiras de madeira, foram collocados diante do

sanctuario, sobre o lado d'esta parte da egreja. O côro ficou separado

das naves lateraes pelas barreiras, as mais das vezes de cantaria,

bastante alta, vedado por detraz com as cadeiras do côro collocadas

entre as columnas da capella-mór. A roda do sanctuario propriamente

chamado, ás vezes, recortavam aberturas, de maneira que as pessoas que

estivessem nas naves lateraes podessem vêr o altar, e outras vezes

tambem substituiam as barreiras da porta circular da capella-mór por

tumulos ou mausoléos. Nas grandes cathedraes, numerosas esculpturas em

alto relevo ornavam as partes lizas das separações tanto no exterior

como no interior da capella-mór. Alguns monumentos, por exemplo as

cathedraes de Paris e de Amiens, teem conservado, por completo ou em

parte, as suas antigas separações da capella-mór.

*Pulpitos e confessionarios*

_Pulpitos_. Durante os primeiros seculos da era christã, as tribunas do

alto onde se fazia a leitura do Evangelho e da Epistola, serviam ao

mesmo tempo de pulpito.

Ao uso de prégar do alto da tribuna, veiu juntar-se o de um pulpito

saliente que se conservou na Europa central e occidental até ao final do

XV seculo. Por isso, os pulpitos anteriores ao meiado do XV seculo se

encontram mui raras vezes. Foi sómente no começo d'esta epocha que se

principiou a pôl-os isolados na nave principal das egrejas d'esta parte

da Europa.

Os mais antigos pulpitos são quasi todos de pedra; no XV e XVI seculos

fizeram-se egualmente de madeira.

O espaço dentro do pulpito, para o prégador, no periodo ogival é

geralmente hexagono e ornatado no cimo dos lados, ficando o sexto lado

reservado para a entrada n'elle; a decoração compõe-se de estatuas,

baixos relevos, e algumas vezes tambem, de simples desenhos geometricos

ou chammas. Vê-se com frequencia Jesus Christo e Nossa Senhora entre

quatro evangelistas ou os quatro doutores da egreja do Occidente, S.

Gregorio, Santo Ambrosio, Santo Agostinho e S. Jeronymo.

Ha em Portugal um pulpito de pedra de admiravel composição, que pertence

á egreja de Santa Cruz de Coimbra, de que tirámos o modelo e figurou na

exposição universal de Paris em 1867; depois o museu de Londres quiz

compral-o, ao que nos oppozemos.

O pulpito apoia-se por vezes sobre uma curva em sacada, sobre um macisso

de alvenaria ou sobre columnatas enfeixadas; as mais das vezes, todavia,

está assente sobre uma columnata ou sobre um pedunculo. Esta ultima

maneira foi mais commum no XV e no XVI seculo. Estes apoios eram ornados

com esculpturas, muitas vezes muito intrincadas conforme o uso adoptado

no final do periodo ogival. Na Allemanha haviam por vezes representado

as figuras de Adão, Eva ou Moysés em alto relevo nas frentes do pulpito.

O sobreceu dos pulpitos principiou a servir no final do periodo ogival,

e mesmo não era muito imitado n'essa epocha. Veiu a ser de uso geral no

fim do XVI seculo. Os sobreceus do XV seculo têem geralmente a forma

d'uma pyramide, d'um coruchéo ou d'um campanariosinho. Na Inglaterra

vêem-se sobreceus sómente com uma simples guarnição. Esta ultima forma

nos parece a melhor, pois não causa a desagradavel vista do remate de

tanto vulto, que parece abafar a voz. Ha poucos exemplares de pulpitos

do periodo ogival.

_Confessionarios_. Os confessionarios em que o confessor fica separado

do penitente por uma rotula, foram desconhecidos durante o periodo

ogival. N'essa epocha, o confessor collocava-se, para ouvir as

confissões, em uma poltrona ou nas cadeiras do côro, e o penitente

ajoelhava deante d'elle. A recordação d'esta maneira de se confessar foi

conservada nas miniaturas, paineis e gravuras do XV seculo.

Foi proximo do final do XVI seculo que os confessionarios com rotula

foram introduzidos na Belgica.

*Capellas funereas, tumulos, campas, lanternas dos defunctos e cruz de

cemiterio*

_Capellas funereas_. Estas capellas funereas eram construidas isoladas

nos cemiterios durante o periodo ogival. São raras em quasi todos os

paizes. Não ha nenhuma na Belgica nem em Inglaterra. Em França vêem-se

algumas nos cemiterios bretões, e existe uma muito notavel, do XV

seculo, em Avioth nas _Ardennes_ francezas. É na Austria que são mais

communs.

_Tumulos apparentes_. O uso de encerrar os cadaveres nos sarcophagos e

pôl-os sobre o solo ficou completamente abandonado no norte da Europa

desde o XIII seculo.

Na Inglaterra, Belgica, Allemanha, e nas provincias septentrionaes da

França, os tumulos apparentes do periodo ogival são cenotaphios,

consistindo em socos de cantaria com massiços de alvenaria postos sobre

uma sepultura subterranea, tendo a effigie do finado. Compõem-se

geralmente, como no XIII seculo, de um sóco ou macisso coberto de uma

grande lousa, sobre a qual está deitada a estatua do defuncto. Este

estendido sobre uma cama ricamente disposta, apresentando todas as

insignias de sua dígnidade: os bispos e os abbades trazendo mitra e

baculo; os reis e principes, a corôa e o sceptro; os cavalleiros, o seu

escudo e a sua armadura. Os pés dos bispos e dos ecclesiasticos, e em

certos paizes tambem dos seculares, apoiam-se contra um dragão ou um

monstro phantastico; os dos clericaes, principes e nobres, contra um

leão, symbolo de coragem, e mesmo, ás vezes, como para as damas tendo os

pés sobre um rafeiro, emblema da fidelidade conjugal. Pequenas figuras

de anjos agitam thuribulos, sustentando tochas ou almofadas em que

descança a cabeça do personagem. Depois do XIII seculo, os anjos com

thuribulos tornaram-se raros. Durante muito tempo, a effigie do finado

não apresenta nenhum dos caracteres da morte.

No XIII seculo e ainda no principio do XIV seculo, as estatuas deitadas

têem os olhos abertos e reproduzem os gestos e as attitudes dos

personagens vivos. Sómente depois do XIV seculo o defuncto principia a

ser representado morto ou adormecido, com os olhos fechados.

Muitas vezes, columnatas reunidas por arcaduras são dispostas em roda do

sóco, no qual estão assentes; algumas vezes, mas, raramente, as

arcaduras são vasadas, e a estatua _deitada_ do finado occupa o _logar_

do sóco supprimido.

Os cenotaphios do periodo ogival são geralmente de pedra, poucas vezes

de cobre ou de outro metal. Os tumulos de pedra têem quasi um metro de

altura, em quanto que os sepulchros de metal, que se conservam até ao

presente têem apenas 50 centimetros acima do solo; todavia o unico de

metal que possue a Sé de Braga tem maior altura.

Para evitar o estorvo nas egrejas, não se permittia, salvo raras vezes,

erguer-se um cenotaphio. Na capella-mór admittia-se o tumulo do fundador

ou de um bemfeitor distincto, collocando os dos outros personagens de

distincção nas capellas que cercam os lados do côro e da nave principal.

Estes monumentos apresentavam muitas vezes uma decoração de pinturas e

dourados. Alguns ficavam encostados á parede e dentro de um grande nicho

sob fórma de arcadura ogival; outros, e era o maior numero, ficavam

separados em todos os seus lados.

_As campas com gravuras a traço_ tornaram-se vulgares desde o XIV

seculo. Muitas têem sido conservadas até ao presente, não obstante o

grande numero de causas de destruição, ás quaes têem ficado expostas

desde seis seculos. A maior parte estão ornadas de imagens do finado,

debaixo de arcaduras trilobadas do feitio de docel, muito simples e

sustentado por columnatas. Quasi sempre vê-se uma mão deitando a benção,

symbolo de Deus, sahida do cimo da ogiva; e anjos agitando thuribulos

occupam os _seguintes_ da arcadura. Sobre as campas dos bispos, dos

abbades e dos padres, vê-se tambem, algumas vezes, aos dois lados do

personagem, clerigos, ou anjos de pequeno tamanho, segurando em velas

accesas.

Muito antes do XIII seculo, as campas têem, bastantes vezes ainda, como

durante o periodo roman, a forma de um trapezio, isto é, são mais

estreitas do lado dos pés. A inscripção que quasi sempre têem, forma

geralmente o contorno exterior da pedra, menos geral do que o

emmoldurado de ogiva; principia por uma cruz a inscripção e quasi no fim

do XIII seculo, ajuntam já por vezes, aos quatro angulos, os emblemas

dos evangelistas collocados nos quadrilobos.

As campas dos tumulos do XIII seculo que não têem um emblema, um symbolo

ou um escudo com armarias, são bastante raras na Belgica.

Sobre as campas do XIV seculo, a effigie do finado continua a ser

collocada debaixo de uma arcadura, poucas vezes trilobada, porém não

durante os primeiros annos. Sómente esta arcadura é muito mais carregada

de detalhes architectonicos do que precedentemente, taes como ridentes,

crochetes, florões, pinaculos e rosaes; além d'isso, as arcaduras

principiam a não ser sustentadas por columnatas com base e capitel, mas

sim por pés-direitos do feitio de contra-fortes ornados de pinaculos e

nichos, nos quaes se vêem pequenas figuras de homens.

Quando uma unica campa cobre uma sepultura dupla ou tripla, as arcaduras

estão reunidas no numero de duas ou tres, e contéem, cada uma, sua

effigie. O leão, o cão e os outros symbolos, que acompanham quasi sempre

as estatuas deitadas dos cenotaphos, se vêem tambem sobre as campas do

XIV seculo. Estas são geralmente de fórma rectangular, e não têem o

feitio de um trapezio. Os anjos incensadores e ceroferários não se vêem

excepcionalmente a começar do XVI seculo.

As arcaduras e o contorno com curvas em rampa que formam o remate

caracteristico dos moldurados do XIV e XV seculos, são regularmente

substituidos no XV seculo por docéis, representados em perspectiva e

muitas vezes compostos de ogivas inflexas com desenhos complicados; os

pinaculos, os nichos, as rosaceas flammejantes se multiplicam sobre todo

o moldurado; além d'isso, os arcos-butantes apparecem para ligar os

docéis aos contrafortes.

Será bom notar que os moldurados das campas do XIV e do XV seculos

apresentam a maior similhança com as decorações do mesmo genero que se

vêem nas vidraças pintadas contemporaneas.

Como no XIII seculo, a inscripção apparece no XIV e no XV seculos sobre

a borda da campa e está inscripta entre duas linhas parallelas. Nos

angulos formados pela intersecção d'essas quatro linhas se vêem

quadrilobos com os emblemas dos evangelistas, ou tambem algumas vezes,

desde o começo do meiado do XIV seculo, as armarias; acontece mesmo que

a inscripção está, além d'isso, interrompida pelo escudo da armaria

sobre os seus lados mais compridos.

Já explicámos que, quando são applicados para ornar os quatro angulos de

um quadrado ou de um rectangulo, os symbolos dos evangelistas põem-se,

pelo menos, até ao XIII seculo, da maneira seguinte: o homem alado no

angulo superior á _esquerda_ do espectador; a aguia á _direita_, o leão

no angulo inferior á _esquerda_ e o novilho á _direita_. No XIV seculo,

houve uma mudança; desde esta epocha, vê-se quasi geralmente a aguia no

_angulo superior esquerdo_, e o homem alado no _angulo superior

direito_. É ali tambem o logar que estes symbolos occupam sobre as

campas.

Os caracteres das campas que acabamos de indicar por cada seculo do

periodo ogival, não são de tal maneira proprios como os que são mais

proximos da epocha indicada. Pelo contrario, acontece muitas vezes,

principalmente na Belgica, que as campas do XV seculo apresentam ainda,

por assim dizer, os caracteres que não se está acostumado a encontrar

n'outra parte nas campas do seculo precedente. Não é raro tambem achar

campas do XIII, XIV e XV seculos, nas quaes o ornamento architectural

seja moderado de detalhes, ou inteiramente os supprimiram.

Em França quasi sempre e algumas vezes na Belgica, as carnes, em vez de

serem imitadas a traço, são represeutadas por embutidos de marmore ou de

metal.

_Tumulos chatos de cobre_. Durante o periodo ogival, introduziu-se o uso

do cobre ou de laminas de latão sobre as quaes as linhas do desenho são

feitas a traços gravados bastante fundos, estando cheios com uma

substancia rezinosa de côr preta e de tom mate. Essas largas linhas

pretas se destacam perfeitamente sobre a superficie brilhante do metal

brunido ou adamascado, até mesmo dourado, cujo reflexo luzidio é muitas

vezes realçado pela armaria colorida em esmalte da composição da campa,

a qual fica solidamente fixa na grossura do cobre. Devido a estas

qualidades, os tumulos lizos em cobre contribuiam admiravelmente, assim

como o pavimento e as vidraças pintadas, para a decoração das egrejas. É

na Inglaterra e Flandres que têem sido mais communs durante toda a idade

media.

Os tumulos chatos de cobre podem dividir-se em duas classes. A primeira,

de maior numero, comprehende as laminas de cantaria, quer de marmore ou

de gres, nas quaes a figura do finado fica recortada em _silhoeta_ na

lamina de metal, assim como differentes ornatos; as armarias, emblemas,

inscripções em feitio de fita, gravadas sobre tantas peças distinctas,

ficam embutidas e arrebitadas separadamente nos entalhes correspondentes

da pedra, designados _casements_ pelos auctores inglezes. A segunda

classe parece ter sido menos numerosa, porém contém especimens mais

bellos e preciosos. Acham-se comprehendidos n'ella os monumentos que

apparecem debaixo do aspecto de grandes placas de cobre, d'uma só peça,

mas que, na realidade, são muitas vezes compostas de muitas laminas

ajustadas, das quaes com grande habilidade ficam disfarçadas as juntas

na profundura dos traços. A figura do finado, geralmente de grandeza do

natural, representa-se de pé ou deitada.

Os tumulos de latão consistem em grandes laminas soltas, não destinadas

a ser embutidas nas laminas de pedra, e que formam por si um todo

completo; foram communs na Belgica durante todo o periodo ogival; o seu

uso continuou, em certos sitios, até o XVII seculo. Na Allemanha e

igualmente no Norte da França tiveram acceitação. Sobre as laminas, não

sómente a figura do finado, como tambem os accessorios symbolicos e de

decoração que lhe servem, foram executadas da mesma maneira que sobre as

pedras das campas gravadas. Todavia, a composição do assumpto é

regularmente mais superior, e a execução mais esmerada que das outras;

os mais insignificantes detalhes do vestuario, os docéis do remate, as

pequenas figuras dos anjos e dos santos que os ornam muitas vezes assim

como os pés-direitos, todas as partes, em uma palavra, são feitas com

fidelidade, com arte e com delicadeza. Além d'isso, o fundo sobre o qual

se destaca a effigie do finado, em logar de ser lizo e sem ornato, como

sobre as pedras das campas gravadas, é regularmente adamascado, isto é,

coberto de ornatos differentes imitando os desenhos que apresentam

certos estofos orientaes; esses desenhos assemelham-se aos que se vêem á

roda dos personagens nas vidraças pintadas do XIV seculo. São compostos

de folhas do trevo, de quatro folhas, folhagens, côres matizadas,

figuras de animaes, gritos de guerra, ou com divisas muitas vezes

repetidas. Parece mesmo por vezes no XV e no XVI seculo, que os detalhes

architectonicos desapparecem completamente para dar logar aos fundos

adamascados. Finalmente, uma particularidade que apresentam ainda as

laminas de cobre funereas do XV e do XVI seculo, vem a ser que as

_phylactéres_ se veem muito mais frequentemente que sobre as pedras das

campas. Chama-se _phylactéres_ a bandeirolas compridas e estreitas,

saindo da boca das personagens ou estão seguras nas suas mãos, e sobre

as quaes está inscripta uma oração, uma divisa ou uma sentença.

_Pequenos monumentos funereos do XV e do XVI seculo_. Além dos

cénotaphos, das campas e dos tumulos chatos de latão, erigiam-se tambem,

nos XV e XVI seculos, pequenos monumentos funereos de pedra ou latão,

encaixados na face da parede proxima do logar da sepultara. Estes

monumentos curiosos encontram-se, não só no interior das egrejas, mas

tambem nos claustros das cathedraes, collegiaes e mosteiros. Compõe-se

regularmente d'um epitaphio, por cima do qual se vê um assumpto

religioso, por exemplo, a SS. Trindade, a flagellação, a crucificação ou

qualquer scena da Paixão. Muitas vezes tambem se vê Nossa Senhora com o

Menino Jesus. O finado está regularmente representado ao lado da scena

principal, de joelhos em oração e por vezes acompanhado do santo da sua

devoção, o qual fica em pé por detraz d'elle e parece recommendal-o á

clemencia Divina; sobre a bandeirola saindo da boca na direcção da scena

principal, lêem-se frequentemente as palavras que é natural dirigir a

Deus ou aos santos, por exemplo: _Qui potes, oro, rei, Christe, mementa

mei_, e _O mater Dei, memento mei_.

A scena religiosa está esculpida em relevo ou gravada a traço. Quando

feita em alto relevo, vê-se quasi sempre em um nicho ogival, aberto na

grossura da parede, e o epitaphio inscripto na parte inferior do nicho,

sobre uma pequena chapa de latão, de marmore ou de pedra.

Nos baixos relevos e nas pedras gravadas a traço, o assumpto e o

epitaphio são geralmente collocados sobre uma unica pedra; ora n'uma,

ora n'outra occupa a maior parte. A scena é coberta por um docél

servindo de remate; algumas vezes, comtudo este docel não apparece.

Não obstante as mutilações lamentaveis que lhe causaram os iconoclastas,

estes monumentos merecem chamar a attenção, não sómente dos archeologos,

mas tambem dos artistas e sobretudo dos esculptores.

Serviram-se tambem de monumentos similhantes para perpetuar a fundação

praticada por generosos bemfeitores. Na parte superior d'uma pedra ou de

uma placa de latão, vê-se uma scena religiosa, diante da qual está de

joelhos o fundador muitas vezes acompanhado do santo da sua devoção. Uma

inscripção commemorativa da fundação substitue o epitaphio, o qual nos

monumentos funereos se vê por baixo da scena. Algumas vezes sómente

apparece uma simples inscripção gravada sobre uma pedra ou lamina de

cobre.

_Lanternas dos defunctos_. Dá-se o nome de _lanternas dos defunctos_ e

_pharol de cemiterio_, a columnas ou pyramides ôcas que se collocavam

n'outro tempo nos cemiterios. Este pequeno monumento tinha no cimo um

pavilhão vasado, no qual se suspendia de noite uma lampada accesa com o

fim de lembrar aos caminhantes que orassem pelos defunctos e para lhes

indicar a presença da casa de Deus.

_Cruz de cemiterio_. Erguiam tambem, nos cemiterios, grandes cruzes de

pedra durante o periodo Roman, ajuntavam-lhe, poucas vezes, a imagem de

Christo; porém do começo do XIII seculo, essa imagem vê-se quasi sempre

acompanhada de Nossa Senhora e do Menino Jesus, postos no revesso da

cruz, ou encostados á columna que serve para a sustentar. Outras vezes,

e isso é mais seguido, a cruz fica entre a imagem de Nossa Senhora sem o

Menino e a de S. João. As hastes que forma a columna ou o pilar sobre os

quaes está assente a cruz, são geralmente postas sobre um sóco mais ou

menos alto, tendo na sua base um pequeno altar.

As cruzes de pedra que se erigiam muitas vezes, na idade media, nas

encruzilhadas das vias e no meio das praças publicas, apresentavam as

mesmas fórmas que as cruzes de cemiterios; sómente não tinham altar na

base do seu sustentaculo. Em Lisboa havia um excellente especimen no

cruzeiro de Arroyos, estando presentemente guardadas as esculpturas na

egreja d'esse bairro.

As cruzes de cemiterio e dos cruzeiros não eram todas de cantaria;

havia-as tambem de bronze, de ferro e madeira. Inutil é declarar que as

cruzes de madeira ficaram destruidas já ha muito tempo. As de bronze

têem desapparecido egualmente, para fundirem o metal! Mas ha ainda, em

alguns paizes, as que foram feitas com ferro forjado.

As cruzes de cemiterio continuaram a estar em uso durante a epocha do

renascimento, e estão quasi sempre acompanhadas das imagens de Nossa

Senhora e S. João, e algumas vezes d'uma pintura representando o

purgatorio. Quando o cemiterio fica adjacente á egreja, a cruz

colloca-se sobre um alpendre junto do coro, na parte interna. As cruzes

triumphaes, que se viam durante o periodo ogival por cima do Jubé foram

aproveitadas, em muitos logares, para servirem de cruzes de cemiterios.

*Pias baptismaes*

A pia de baptismo no periodo ogival é geralmente menos larga e profunda

do que a em uso no periodo Roman. Esta differença foi motivada pelo

abandono do baptismo por _immersão_ no XIII seculo. Como

precedentemente, algumas das pias têem o feitio d'uma tina sem pé,

redonda, quadrada ou com seis ou oito lados; outras assentam sobre um

grosso pilar central acompanhado nos angulos da pia por quatro

columnasinhas, mas o maior numero são monopediculados.

As pias de feitio de tina sem pé encontravam-se ainda algumas vezes no

periodo ogival, porém muito poucas durante o periodo Roman.

_As pias monopediculadas_, isto é, firmadas sobre um só pilar, foram as

mais communs na Belgica durante todo o tempo do periodo ogival. Estas

pias baptismaes, em vez de serem como as Romans, circulares ou quadradas

na parte externa, eram geralmente de seis ou oito lados. A pia continua

a apresentar, como durante o periodo Roman, a fórma hemispherica ou

oval; havendo muitas vezes, na parte mais baixa, um orificio servindo

para vasar a pia.

Na Allemanha e na Belgica desde o final do seculo XIV, e principalmente

no XV seculo, havia pias monopediculadas em latão.

O maior numero de pias Romans estavam cobertas de esculpturas

decorativas, symbolicas ou historicas. Sobre as pias do periodo ogival,

pelo contrario, os assumptos historicos e legendarios, assim como as

figuras symbolicas e phantasticas são raras; por excepção se vê ainda

n'ellas o baptismo de Jesus Christo e outras scenas biblicas ou tambem

personagens isolados collocados debaixo de arcaduras.

Os ornatos simplesmente decorativos, taes como folhagens e carrancas,

são tambem bastante raros sobre as pias do XIV e XV seculo. Toda a

decoração das pias ogivaes, principalmente no XV seculo, consiste as

mais das vezes n'um certo numero de molduras que se vêem sobre a pia e

sobre o pilar em que se fórmam.

*Pias para agua benta*

Ha duas qualidades de pias para agua benta: as _fixas_ e as _portateis_.

As pias fixas são cylindricas ou polygonaes, com reservatorio

hemispherico, collocadas junto da entrada da egreja, no interior ou

exterior do edificio: umas isoladas e postas sobre um pé, outras sem

terem apoio. Estas ultimas, que estão sempre unidas com as construcções,

vê-se quer em nichos, quer em sacada sobre o liso da parede ou d'um

pilar, no qual estão encaixadas.

Resumo elementar de archeologia christã · 第 16 / 23 段