dimensão, é geralmente de madeira e ornada de pinturas e dourados. Os
seus quatro ramos com florões teem muitas vezes quadrilobos, nos quaes
estavam do lado da nave os symbolos dos quatro evangelistas, e do lado
do côro, os quatro doutores da egreja latina; S. Gregorio, S. Ambrosio,
S. Agostinho e S. Jeronymo. Ao pé da cruz estão as imagens de Nossa
Senhora, e do apostolo S. João; a primeira á direita, e a segunda á
esquerda.
Antes da introducção dos _jubes_ a cruz triumphal estava igualmente
suspensa por tres correntes no meio do arco chamado _triumphal_, que
occupa a entrada da capella-mór.
Havia tambem antigamente nas egrejas do periodo Latino e Roman uma
_haste_ (Tress). Era costume collocar nas basilicas entre o côro e a
parte reservada para o publico uma viga atravez do côro, sobre o qual se
punham luzes e tambem suspendiam lampadas, e tambem durante a quaresma,
servia para pôr o véu chamado _velum templi_.
_Separações do côro_. A disposição dos antigos bancos da clerezia ao
comprimento da parede absidal do côro, ja descripto, não foi conservada
durante o periodo ogival, sendo em Italia e tambem em Portugal, onde
continua ainda, assim como em algumas egrejas da Allemanha,
principalmente nas cathedraes de Spire e de Mayence.
Desde o XI seculo, a maior parte das abbadias da _Europa central e
occidental_ tinham, como já referimos, transferido para o cruzeiro, os
bancos, alem das cadeiras dos ecclesiasticos, que occupavam antes a
capella da abside. Mais tarde tambem a mesma mudança se introduziu pouco
a pouco nas cathedraes e nas collegiadas d'essas mesmas regiões,
principalmente depois da reunião das naves lateraes e capellas absides á
roda da capella mór. Os bancos de pedra do periodo roman transformados
em cadeiras do côro ou cadeiras de madeira, foram collocados diante do
sanctuario, sobre o lado d'esta parte da egreja. O côro ficou separado
das naves lateraes pelas barreiras, as mais das vezes de cantaria,
bastante alta, vedado por detraz com as cadeiras do côro collocadas
entre as columnas da capella-mór. A roda do sanctuario propriamente
chamado, ás vezes, recortavam aberturas, de maneira que as pessoas que
estivessem nas naves lateraes podessem vêr o altar, e outras vezes
tambem substituiam as barreiras da porta circular da capella-mór por
tumulos ou mausoléos. Nas grandes cathedraes, numerosas esculpturas em
alto relevo ornavam as partes lizas das separações tanto no exterior
como no interior da capella-mór. Alguns monumentos, por exemplo as
cathedraes de Paris e de Amiens, teem conservado, por completo ou em
parte, as suas antigas separações da capella-mór.
*Pulpitos e confessionarios*
_Pulpitos_. Durante os primeiros seculos da era christã, as tribunas do
alto onde se fazia a leitura do Evangelho e da Epistola, serviam ao
mesmo tempo de pulpito.
Ao uso de prégar do alto da tribuna, veiu juntar-se o de um pulpito
saliente que se conservou na Europa central e occidental até ao final do
XV seculo. Por isso, os pulpitos anteriores ao meiado do XV seculo se
encontram mui raras vezes. Foi sómente no começo d'esta epocha que se
principiou a pôl-os isolados na nave principal das egrejas d'esta parte
da Europa.
Os mais antigos pulpitos são quasi todos de pedra; no XV e XVI seculos
fizeram-se egualmente de madeira.
O espaço dentro do pulpito, para o prégador, no periodo ogival é
geralmente hexagono e ornatado no cimo dos lados, ficando o sexto lado
reservado para a entrada n'elle; a decoração compõe-se de estatuas,
baixos relevos, e algumas vezes tambem, de simples desenhos geometricos
ou chammas. Vê-se com frequencia Jesus Christo e Nossa Senhora entre
quatro evangelistas ou os quatro doutores da egreja do Occidente, S.
Gregorio, Santo Ambrosio, Santo Agostinho e S. Jeronymo.
Ha em Portugal um pulpito de pedra de admiravel composição, que pertence
á egreja de Santa Cruz de Coimbra, de que tirámos o modelo e figurou na
exposição universal de Paris em 1867; depois o museu de Londres quiz
compral-o, ao que nos oppozemos.
O pulpito apoia-se por vezes sobre uma curva em sacada, sobre um macisso
de alvenaria ou sobre columnatas enfeixadas; as mais das vezes, todavia,
está assente sobre uma columnata ou sobre um pedunculo. Esta ultima
maneira foi mais commum no XV e no XVI seculo. Estes apoios eram ornados
com esculpturas, muitas vezes muito intrincadas conforme o uso adoptado
no final do periodo ogival. Na Allemanha haviam por vezes representado
as figuras de Adão, Eva ou Moysés em alto relevo nas frentes do pulpito.
O sobreceu dos pulpitos principiou a servir no final do periodo ogival,
e mesmo não era muito imitado n'essa epocha. Veiu a ser de uso geral no
fim do XVI seculo. Os sobreceus do XV seculo têem geralmente a forma
d'uma pyramide, d'um coruchéo ou d'um campanariosinho. Na Inglaterra
vêem-se sobreceus sómente com uma simples guarnição. Esta ultima forma
nos parece a melhor, pois não causa a desagradavel vista do remate de
tanto vulto, que parece abafar a voz. Ha poucos exemplares de pulpitos
do periodo ogival.
_Confessionarios_. Os confessionarios em que o confessor fica separado
do penitente por uma rotula, foram desconhecidos durante o periodo
ogival. N'essa epocha, o confessor collocava-se, para ouvir as
confissões, em uma poltrona ou nas cadeiras do côro, e o penitente
ajoelhava deante d'elle. A recordação d'esta maneira de se confessar foi
conservada nas miniaturas, paineis e gravuras do XV seculo.
Foi proximo do final do XVI seculo que os confessionarios com rotula
foram introduzidos na Belgica.
*Capellas funereas, tumulos, campas, lanternas dos defunctos e cruz de
cemiterio*
_Capellas funereas_. Estas capellas funereas eram construidas isoladas
nos cemiterios durante o periodo ogival. São raras em quasi todos os
paizes. Não ha nenhuma na Belgica nem em Inglaterra. Em França vêem-se
algumas nos cemiterios bretões, e existe uma muito notavel, do XV
seculo, em Avioth nas _Ardennes_ francezas. É na Austria que são mais
communs.
_Tumulos apparentes_. O uso de encerrar os cadaveres nos sarcophagos e
pôl-os sobre o solo ficou completamente abandonado no norte da Europa
desde o XIII seculo.
Na Inglaterra, Belgica, Allemanha, e nas provincias septentrionaes da
França, os tumulos apparentes do periodo ogival são cenotaphios,
consistindo em socos de cantaria com massiços de alvenaria postos sobre
uma sepultura subterranea, tendo a effigie do finado. Compõem-se
geralmente, como no XIII seculo, de um sóco ou macisso coberto de uma
grande lousa, sobre a qual está deitada a estatua do defuncto. Este
estendido sobre uma cama ricamente disposta, apresentando todas as
insignias de sua dígnidade: os bispos e os abbades trazendo mitra e
baculo; os reis e principes, a corôa e o sceptro; os cavalleiros, o seu
escudo e a sua armadura. Os pés dos bispos e dos ecclesiasticos, e em
certos paizes tambem dos seculares, apoiam-se contra um dragão ou um
monstro phantastico; os dos clericaes, principes e nobres, contra um
leão, symbolo de coragem, e mesmo, ás vezes, como para as damas tendo os
pés sobre um rafeiro, emblema da fidelidade conjugal. Pequenas figuras
de anjos agitam thuribulos, sustentando tochas ou almofadas em que
descança a cabeça do personagem. Depois do XIII seculo, os anjos com
thuribulos tornaram-se raros. Durante muito tempo, a effigie do finado
não apresenta nenhum dos caracteres da morte.
No XIII seculo e ainda no principio do XIV seculo, as estatuas deitadas
têem os olhos abertos e reproduzem os gestos e as attitudes dos
personagens vivos. Sómente depois do XIV seculo o defuncto principia a
ser representado morto ou adormecido, com os olhos fechados.
Muitas vezes, columnatas reunidas por arcaduras são dispostas em roda do
sóco, no qual estão assentes; algumas vezes, mas, raramente, as
arcaduras são vasadas, e a estatua _deitada_ do finado occupa o _logar_
do sóco supprimido.
Os cenotaphios do periodo ogival são geralmente de pedra, poucas vezes
de cobre ou de outro metal. Os tumulos de pedra têem quasi um metro de
altura, em quanto que os sepulchros de metal, que se conservam até ao
presente têem apenas 50 centimetros acima do solo; todavia o unico de
metal que possue a Sé de Braga tem maior altura.
Para evitar o estorvo nas egrejas, não se permittia, salvo raras vezes,
erguer-se um cenotaphio. Na capella-mór admittia-se o tumulo do fundador
ou de um bemfeitor distincto, collocando os dos outros personagens de
distincção nas capellas que cercam os lados do côro e da nave principal.
Estes monumentos apresentavam muitas vezes uma decoração de pinturas e
dourados. Alguns ficavam encostados á parede e dentro de um grande nicho
sob fórma de arcadura ogival; outros, e era o maior numero, ficavam
separados em todos os seus lados.
_As campas com gravuras a traço_ tornaram-se vulgares desde o XIV
seculo. Muitas têem sido conservadas até ao presente, não obstante o
grande numero de causas de destruição, ás quaes têem ficado expostas
desde seis seculos. A maior parte estão ornadas de imagens do finado,
debaixo de arcaduras trilobadas do feitio de docel, muito simples e
sustentado por columnatas. Quasi sempre vê-se uma mão deitando a benção,
symbolo de Deus, sahida do cimo da ogiva; e anjos agitando thuribulos
occupam os _seguintes_ da arcadura. Sobre as campas dos bispos, dos
abbades e dos padres, vê-se tambem, algumas vezes, aos dois lados do
personagem, clerigos, ou anjos de pequeno tamanho, segurando em velas
accesas.
Muito antes do XIII seculo, as campas têem, bastantes vezes ainda, como
durante o periodo roman, a forma de um trapezio, isto é, são mais
estreitas do lado dos pés. A inscripção que quasi sempre têem, forma
geralmente o contorno exterior da pedra, menos geral do que o
emmoldurado de ogiva; principia por uma cruz a inscripção e quasi no fim
do XIII seculo, ajuntam já por vezes, aos quatro angulos, os emblemas
dos evangelistas collocados nos quadrilobos.
As campas dos tumulos do XIII seculo que não têem um emblema, um symbolo
ou um escudo com armarias, são bastante raras na Belgica.
Sobre as campas do XIV seculo, a effigie do finado continua a ser
collocada debaixo de uma arcadura, poucas vezes trilobada, porém não
durante os primeiros annos. Sómente esta arcadura é muito mais carregada
de detalhes architectonicos do que precedentemente, taes como ridentes,
crochetes, florões, pinaculos e rosaes; além d'isso, as arcaduras
principiam a não ser sustentadas por columnatas com base e capitel, mas
sim por pés-direitos do feitio de contra-fortes ornados de pinaculos e
nichos, nos quaes se vêem pequenas figuras de homens.
Quando uma unica campa cobre uma sepultura dupla ou tripla, as arcaduras
estão reunidas no numero de duas ou tres, e contéem, cada uma, sua
effigie. O leão, o cão e os outros symbolos, que acompanham quasi sempre
as estatuas deitadas dos cenotaphos, se vêem tambem sobre as campas do
XIV seculo. Estas são geralmente de fórma rectangular, e não têem o
feitio de um trapezio. Os anjos incensadores e ceroferários não se vêem
excepcionalmente a começar do XVI seculo.
As arcaduras e o contorno com curvas em rampa que formam o remate
caracteristico dos moldurados do XIV e XV seculos, são regularmente
substituidos no XV seculo por docéis, representados em perspectiva e
muitas vezes compostos de ogivas inflexas com desenhos complicados; os
pinaculos, os nichos, as rosaceas flammejantes se multiplicam sobre todo
o moldurado; além d'isso, os arcos-butantes apparecem para ligar os
docéis aos contrafortes.
Será bom notar que os moldurados das campas do XIV e do XV seculos
apresentam a maior similhança com as decorações do mesmo genero que se
vêem nas vidraças pintadas contemporaneas.
Como no XIII seculo, a inscripção apparece no XIV e no XV seculos sobre
a borda da campa e está inscripta entre duas linhas parallelas. Nos
angulos formados pela intersecção d'essas quatro linhas se vêem
quadrilobos com os emblemas dos evangelistas, ou tambem algumas vezes,
desde o começo do meiado do XIV seculo, as armarias; acontece mesmo que
a inscripção está, além d'isso, interrompida pelo escudo da armaria
sobre os seus lados mais compridos.
Já explicámos que, quando são applicados para ornar os quatro angulos de
um quadrado ou de um rectangulo, os symbolos dos evangelistas põem-se,
pelo menos, até ao XIII seculo, da maneira seguinte: o homem alado no
angulo superior á _esquerda_ do espectador; a aguia á _direita_, o leão
no angulo inferior á _esquerda_ e o novilho á _direita_. No XIV seculo,
houve uma mudança; desde esta epocha, vê-se quasi geralmente a aguia no
_angulo superior esquerdo_, e o homem alado no _angulo superior
direito_. É ali tambem o logar que estes symbolos occupam sobre as
campas.
Os caracteres das campas que acabamos de indicar por cada seculo do
periodo ogival, não são de tal maneira proprios como os que são mais
proximos da epocha indicada. Pelo contrario, acontece muitas vezes,
principalmente na Belgica, que as campas do XV seculo apresentam ainda,
por assim dizer, os caracteres que não se está acostumado a encontrar
n'outra parte nas campas do seculo precedente. Não é raro tambem achar
campas do XIII, XIV e XV seculos, nas quaes o ornamento architectural
seja moderado de detalhes, ou inteiramente os supprimiram.
Em França quasi sempre e algumas vezes na Belgica, as carnes, em vez de
serem imitadas a traço, são represeutadas por embutidos de marmore ou de
metal.
_Tumulos chatos de cobre_. Durante o periodo ogival, introduziu-se o uso
do cobre ou de laminas de latão sobre as quaes as linhas do desenho são
feitas a traços gravados bastante fundos, estando cheios com uma
substancia rezinosa de côr preta e de tom mate. Essas largas linhas
pretas se destacam perfeitamente sobre a superficie brilhante do metal
brunido ou adamascado, até mesmo dourado, cujo reflexo luzidio é muitas
vezes realçado pela armaria colorida em esmalte da composição da campa,
a qual fica solidamente fixa na grossura do cobre. Devido a estas
qualidades, os tumulos lizos em cobre contribuiam admiravelmente, assim
como o pavimento e as vidraças pintadas, para a decoração das egrejas. É
na Inglaterra e Flandres que têem sido mais communs durante toda a idade
media.
Os tumulos chatos de cobre podem dividir-se em duas classes. A primeira,
de maior numero, comprehende as laminas de cantaria, quer de marmore ou
de gres, nas quaes a figura do finado fica recortada em _silhoeta_ na
lamina de metal, assim como differentes ornatos; as armarias, emblemas,
inscripções em feitio de fita, gravadas sobre tantas peças distinctas,
ficam embutidas e arrebitadas separadamente nos entalhes correspondentes
da pedra, designados _casements_ pelos auctores inglezes. A segunda
classe parece ter sido menos numerosa, porém contém especimens mais
bellos e preciosos. Acham-se comprehendidos n'ella os monumentos que
apparecem debaixo do aspecto de grandes placas de cobre, d'uma só peça,
mas que, na realidade, são muitas vezes compostas de muitas laminas
ajustadas, das quaes com grande habilidade ficam disfarçadas as juntas
na profundura dos traços. A figura do finado, geralmente de grandeza do
natural, representa-se de pé ou deitada.
Os tumulos de latão consistem em grandes laminas soltas, não destinadas
a ser embutidas nas laminas de pedra, e que formam por si um todo
completo; foram communs na Belgica durante todo o periodo ogival; o seu
uso continuou, em certos sitios, até o XVII seculo. Na Allemanha e
igualmente no Norte da França tiveram acceitação. Sobre as laminas, não
sómente a figura do finado, como tambem os accessorios symbolicos e de
decoração que lhe servem, foram executadas da mesma maneira que sobre as
pedras das campas gravadas. Todavia, a composição do assumpto é
regularmente mais superior, e a execução mais esmerada que das outras;
os mais insignificantes detalhes do vestuario, os docéis do remate, as
pequenas figuras dos anjos e dos santos que os ornam muitas vezes assim
como os pés-direitos, todas as partes, em uma palavra, são feitas com
fidelidade, com arte e com delicadeza. Além d'isso, o fundo sobre o qual
se destaca a effigie do finado, em logar de ser lizo e sem ornato, como
sobre as pedras das campas gravadas, é regularmente adamascado, isto é,
coberto de ornatos differentes imitando os desenhos que apresentam
certos estofos orientaes; esses desenhos assemelham-se aos que se vêem á
roda dos personagens nas vidraças pintadas do XIV seculo. São compostos
de folhas do trevo, de quatro folhas, folhagens, côres matizadas,
figuras de animaes, gritos de guerra, ou com divisas muitas vezes
repetidas. Parece mesmo por vezes no XV e no XVI seculo, que os detalhes
architectonicos desapparecem completamente para dar logar aos fundos
adamascados. Finalmente, uma particularidade que apresentam ainda as
laminas de cobre funereas do XV e do XVI seculo, vem a ser que as
_phylactéres_ se veem muito mais frequentemente que sobre as pedras das
campas. Chama-se _phylactéres_ a bandeirolas compridas e estreitas,
saindo da boca das personagens ou estão seguras nas suas mãos, e sobre
as quaes está inscripta uma oração, uma divisa ou uma sentença.
_Pequenos monumentos funereos do XV e do XVI seculo_. Além dos
cénotaphos, das campas e dos tumulos chatos de latão, erigiam-se tambem,
nos XV e XVI seculos, pequenos monumentos funereos de pedra ou latão,
encaixados na face da parede proxima do logar da sepultara. Estes
monumentos curiosos encontram-se, não só no interior das egrejas, mas
tambem nos claustros das cathedraes, collegiaes e mosteiros. Compõe-se
regularmente d'um epitaphio, por cima do qual se vê um assumpto
religioso, por exemplo, a SS. Trindade, a flagellação, a crucificação ou
qualquer scena da Paixão. Muitas vezes tambem se vê Nossa Senhora com o
Menino Jesus. O finado está regularmente representado ao lado da scena
principal, de joelhos em oração e por vezes acompanhado do santo da sua
devoção, o qual fica em pé por detraz d'elle e parece recommendal-o á
clemencia Divina; sobre a bandeirola saindo da boca na direcção da scena
principal, lêem-se frequentemente as palavras que é natural dirigir a
Deus ou aos santos, por exemplo: _Qui potes, oro, rei, Christe, mementa
mei_, e _O mater Dei, memento mei_.
A scena religiosa está esculpida em relevo ou gravada a traço. Quando
feita em alto relevo, vê-se quasi sempre em um nicho ogival, aberto na
grossura da parede, e o epitaphio inscripto na parte inferior do nicho,
sobre uma pequena chapa de latão, de marmore ou de pedra.
Nos baixos relevos e nas pedras gravadas a traço, o assumpto e o
epitaphio são geralmente collocados sobre uma unica pedra; ora n'uma,
ora n'outra occupa a maior parte. A scena é coberta por um docél
servindo de remate; algumas vezes, comtudo este docel não apparece.
Não obstante as mutilações lamentaveis que lhe causaram os iconoclastas,
estes monumentos merecem chamar a attenção, não sómente dos archeologos,
mas tambem dos artistas e sobretudo dos esculptores.
Serviram-se tambem de monumentos similhantes para perpetuar a fundação
praticada por generosos bemfeitores. Na parte superior d'uma pedra ou de
uma placa de latão, vê-se uma scena religiosa, diante da qual está de
joelhos o fundador muitas vezes acompanhado do santo da sua devoção. Uma
inscripção commemorativa da fundação substitue o epitaphio, o qual nos
monumentos funereos se vê por baixo da scena. Algumas vezes sómente
apparece uma simples inscripção gravada sobre uma pedra ou lamina de
cobre.
_Lanternas dos defunctos_. Dá-se o nome de _lanternas dos defunctos_ e
_pharol de cemiterio_, a columnas ou pyramides ôcas que se collocavam
n'outro tempo nos cemiterios. Este pequeno monumento tinha no cimo um
pavilhão vasado, no qual se suspendia de noite uma lampada accesa com o
fim de lembrar aos caminhantes que orassem pelos defunctos e para lhes
indicar a presença da casa de Deus.
_Cruz de cemiterio_. Erguiam tambem, nos cemiterios, grandes cruzes de
pedra durante o periodo Roman, ajuntavam-lhe, poucas vezes, a imagem de
Christo; porém do começo do XIII seculo, essa imagem vê-se quasi sempre
acompanhada de Nossa Senhora e do Menino Jesus, postos no revesso da
cruz, ou encostados á columna que serve para a sustentar. Outras vezes,
e isso é mais seguido, a cruz fica entre a imagem de Nossa Senhora sem o
Menino e a de S. João. As hastes que forma a columna ou o pilar sobre os
quaes está assente a cruz, são geralmente postas sobre um sóco mais ou
menos alto, tendo na sua base um pequeno altar.
As cruzes de pedra que se erigiam muitas vezes, na idade media, nas
encruzilhadas das vias e no meio das praças publicas, apresentavam as
mesmas fórmas que as cruzes de cemiterios; sómente não tinham altar na
base do seu sustentaculo. Em Lisboa havia um excellente especimen no
cruzeiro de Arroyos, estando presentemente guardadas as esculpturas na
egreja d'esse bairro.
As cruzes de cemiterio e dos cruzeiros não eram todas de cantaria;
havia-as tambem de bronze, de ferro e madeira. Inutil é declarar que as
cruzes de madeira ficaram destruidas já ha muito tempo. As de bronze
têem desapparecido egualmente, para fundirem o metal! Mas ha ainda, em
alguns paizes, as que foram feitas com ferro forjado.
As cruzes de cemiterio continuaram a estar em uso durante a epocha do
renascimento, e estão quasi sempre acompanhadas das imagens de Nossa
Senhora e S. João, e algumas vezes d'uma pintura representando o
purgatorio. Quando o cemiterio fica adjacente á egreja, a cruz
colloca-se sobre um alpendre junto do coro, na parte interna. As cruzes
triumphaes, que se viam durante o periodo ogival por cima do Jubé foram
aproveitadas, em muitos logares, para servirem de cruzes de cemiterios.
*Pias baptismaes*
A pia de baptismo no periodo ogival é geralmente menos larga e profunda
do que a em uso no periodo Roman. Esta differença foi motivada pelo
abandono do baptismo por _immersão_ no XIII seculo. Como
precedentemente, algumas das pias têem o feitio d'uma tina sem pé,
redonda, quadrada ou com seis ou oito lados; outras assentam sobre um
grosso pilar central acompanhado nos angulos da pia por quatro
columnasinhas, mas o maior numero são monopediculados.
As pias de feitio de tina sem pé encontravam-se ainda algumas vezes no
periodo ogival, porém muito poucas durante o periodo Roman.
_As pias monopediculadas_, isto é, firmadas sobre um só pilar, foram as
mais communs na Belgica durante todo o tempo do periodo ogival. Estas
pias baptismaes, em vez de serem como as Romans, circulares ou quadradas
na parte externa, eram geralmente de seis ou oito lados. A pia continua
a apresentar, como durante o periodo Roman, a fórma hemispherica ou
oval; havendo muitas vezes, na parte mais baixa, um orificio servindo
para vasar a pia.
Na Allemanha e na Belgica desde o final do seculo XIV, e principalmente
no XV seculo, havia pias monopediculadas em latão.
O maior numero de pias Romans estavam cobertas de esculpturas
decorativas, symbolicas ou historicas. Sobre as pias do periodo ogival,
pelo contrario, os assumptos historicos e legendarios, assim como as
figuras symbolicas e phantasticas são raras; por excepção se vê ainda
n'ellas o baptismo de Jesus Christo e outras scenas biblicas ou tambem
personagens isolados collocados debaixo de arcaduras.
Os ornatos simplesmente decorativos, taes como folhagens e carrancas,
são tambem bastante raros sobre as pias do XIV e XV seculo. Toda a
decoração das pias ogivaes, principalmente no XV seculo, consiste as
mais das vezes n'um certo numero de molduras que se vêem sobre a pia e
sobre o pilar em que se fórmam.
*Pias para agua benta*
Ha duas qualidades de pias para agua benta: as _fixas_ e as _portateis_.
As pias fixas são cylindricas ou polygonaes, com reservatorio
hemispherico, collocadas junto da entrada da egreja, no interior ou
exterior do edificio: umas isoladas e postas sobre um pé, outras sem
terem apoio. Estas ultimas, que estão sempre unidas com as construcções,
vê-se quer em nichos, quer em sacada sobre o liso da parede ou d'um
pilar, no qual estão encaixadas.