almofadas pintadas com que se ornavam antes, algumas vezes no final do
seculo precedente, as vidraças dos edificios publicos, castellos,
claustros e mesmo as habitações particulares. Essas bonitas pequenas
almofadas, quer em grizalha retocada com amarello de prata, quer de
côres differentes, são feitas com bastante tenuidade e delicadeza
extrema. Ás vezes occupam toda a abertura, ou pelo menos uma das
divisões principaes da vidraça, outras vezes consistem em simples
medalhões circulares ou ovaes, circumdados de vidro colorido ou branco.
As pequenas vidraças pintadas, designadas _vidraças suissas_, porque
tiveram primeiramente uso na republica Helvetica, pertencem á mesma
categoria. Estas vidraças, cujo uso se conservou durante os seculos
seguintes, reproduziram para a nobreza os brazões de familias
differentes moldurados; para os edificios municipaes, as armarias da
cidade ou da provincia com figuras de porta-estandartes vestidos com os
trajos e as armaduras da época; para as abbadias, as armas do mosteiro
ou a figura em pé do fundador. Os burguezes e as pessoas de profissão
eram ahi representados com os symbolos do seu officio sobre um escudo.
Muitas vezes tambem os fidalgos, burguezes e operarios eram
representados todos nos seus trajos com sua familia. A transparencia e o
brilho do colorido são geralmente mais vistosos nas vidraças suissas,
que nas maiores vidraças pintadas.
*Vidraças pintadas do XVII seculo*
No XVII seculo, a pintura com preparo ou com côres pegadas, continuou a
ter voga, devido aos aperfeiçoamentos introduzidos na composição e no
assentar os esmaltes, o que fez abandonar completamente o emprego dos
vidros duplos e dos vidros tintos na massa. Este genero de pintura,
muito apropriada para as vidraças pintadas dos aposentos, não convinha
de maneira nenhuma para decoração das grandes vidraças pintadas, porque
o artista querendo apresentar grandes sombras e tons fugitivos,
servindo-se de meias-tintas e de tintas de bistre, tornava a sua pintura
tão carregada, embaciada e confusa que, por vezes, era difficil
distinguir os objectos.
A representação de Arcos de Triumpho ou porticos constituia, como no
seculo precedente, o moldurado forçoso de todas as composições, com esta
differença, que esses arcos e esses porticos são agora vistos
obliquamente ou de lado, isto é, em perspectiva, emquanto d'antes
apresentavam a frente geometral.
Os filetes de chumbo, que anteriormente seguravam tão vantajosamente os
principaes contornos do desenho, foram considerados como inuteis e mesmo
causando embaraço na execução da pintura. Não serviram mais que para
reunir vidros eguaes e quadrados, formando uma especie de canniçado, por
detraz do qual os artistas pintavam sobre os vidros como se fossem uma
tela, não fazendo nenhum caso das juntas metallicas.
*Vidraças pintadas do XVIII seculo*
_No XVIII seculo_, os vidros tintos na massa foram pouco fabricados; seu
preço era avultado, e sua falta muito grande. Quasi todas as vidraças
d'esta época são com vidros esmaltados. O esmalte branco, já conhecído
no XVI e XVII seculo, veiu a ser então de uso geral e formou as
principaes côres empregadas. A decadencia da pintura das vidraças foi
completa, e a arte perdeu a tal ponto que havia em Paris um _unico
pintor d'esta especialidade_, o qual não podia subsistir por este seu
trabalho.
Finalisando a historia de pintura sobre o vidro, devemos notar uma
tradição popular muito vulgar que considera, sem razão, a arte da
pintura sobre o vidro, conforme era feita na edade média, como sendo um
segredo que se perdeu desde muito tempo. Esta opinião não tem nenhum
fundamento.
*Pilares, columnas e columnasinhas*
Na edade média, as designações de _pilar_ e de _columna_ se confundem
muitas vezes; todavia a palavra _columna_ indica a idéa de um apoio com
fuste cylindrico. Eucontram-se nos edificios do periodo ogival quatro
especies principaes de pilares ou columnas: o pilar _quadrado_, a
columna _monocylindrica_, a columna _cruciforme_ e a columna
_enfeixada_. A columna monocylindrica dá em secção um _circulo_, e o
pilar quadrado, um _quadrado_ ou um _rectangulo_; a columna cruciforme
se compõe de um _pilar central_, tendo sobre _as faces quatro columnas_
mais ou menos envolvidas; finalmente a columna _enfeixada_, como o nome
indica, é o resultado da reunião em _mólho_, em roda de um massiço
formando pilar, _muitas columnasinhas ou nervuras_.
Os pilares quadrados são raros durante o periodo ogival; apparecem no
começo, e ás vezes as suas arestas são chanfradas.
Em quasi todos os monumentos belgas do XIII e XIV seculos, as columnas
são monocylindricas. As columnas cruciformes, communs nas cathedraes
francezas, servem na Belgica principalmente na intersecção da nave e do
transepte nos grandes edificios.
Os edificios do XV seculo teem as columnas monocylindricas ou
enfeixadas. As primeiras apresentam ás vezes capiteis; outras vezes são
inteiramente privadas d'elles. N'este ultimo caso os arcos-duplos e as
nervuras das abobadas nascem directamente do fuste da columna, no logar
onde se colloca o capitel. Este genero de columnas se encontra muitas
vezes em todos os paizes da Europa central e occidental.
No XV seculo, as columnas enfeixadas não são já formadas, como
precedentemente, de columnasinhas com capitel, porém compostas de
nervuras _prismaticas em grupo_, á roda de um pilar central. Estas
nervuras saem da base da columna erguendo-se quasi sempre sem ter por
intermedio o capitel até ás abobadas do edificio, afim de formar os
_arcos-duplos_ e os arcos ogivaes; são sempre com a fórma angulosa e
apresentam secções similhantes ao feitio de um seio. É por excepção que
se encontram ainda, em certas partes dos monumentos do XV seculo,
columnas enfeixadas formadas pela reunião de columnasinhas cylindricas
com capitel.
Os pilares e as columnas são construidas por _fiadas_ na Belgica, na
Allemanha e no Norte da França. No meiodia da França e na Italia, as
columnas cylindricas são quasi sempre monolithos.
Durante o periodo ogival, os fustes das _columnasinhas_ não são, como
muitas vezes no periodo _roman_, cobertas de diversas esculpturas.
Todavia encontram-se, em alguns edificios dos primeiros annos da época
ogival, como na cathedral de Chartres em França, e em muitos monumentos
italianos, columnasinhas _terciaes_ em que o fuste é em espiral.
As columnasinhas tiveram principalmente applicação no XIII e no XIV
seculos. As que compõem os grandes pilares teem geralmente o seu fuste
envolvido n'um quarto de circumferencia, os outros tres quartos ficam
apparentes; algumas, não obstante, estão inteiramente separadas da
parede ou da columna que fórma o pilar que ellas ornam, como existe nas
cathedraes de Amiens, França, e de Salisbury, na Inglaterra. No XIII
seculo, essas columnas são muitas vezes, como as do seculo precedente,
_anneladas_, ou compostas de engrossamentos em fórma de bracelete.
No XV seculo, estas columnasinhas são raras; ou então substituidas por
nervuras prismaticas não sómente nas columnas enfeixadas, mas tambem em
todas as outras partes dos edificios, taes como o molduramento das
portas e das janellas. Estas nervuras teem base, mas sem capitel.
No principio do XVI seculo tornam a apparecer as columnasinhas com o
fuste coberto de esculpturas, representando figuras geometricas, festões
e arabescos. Os fustes das columnasinhas d'esta época são regularmente
cylindricos: algumas vezes polygonaes ou apresentando a forma de
_balaustre_.
*Bases das columnas*
As bases das columnas do XIII seculo compõem-se de dois _tóros_
separados por uma cavidade redonda (_scocia_) bastante profunda de
maneira a formar uma calha na qual a agua da chuva se retem afim de não
prejudicar o cimento da construcção. Algumas vezes o tóro inferior é
achatado e sobresae bastante por cima do _plintho_; o tóro superior é
quasi sempre cylindrico; por vezes todavia apresenta uma pequena
depressão.
Durante a primeira metade do XIII seculo, as bases das columnas estão
ainda muitas vezes ligadas aos angulos dos seus plinthos _por garras_.
As garras apparecem por vezes, porém excepcionalmente no final do
periodo ogival.
Depois do meiado do XIII seculo, a _scocia_ profunda, que indica um dos
signaes caracteristicos das bases da ultima metade do XII seculo e do
principio do XIII seculo, desapparece pouco a pouco, assim como o
achatamento do tóro inferior. As bases passam depois successivamente
pela fórma polygonal ou cylindrica; pertencendo a primeira d'este feitio
ao XIII seculo, e a segunda ás bases do XVI seculo.
Quando o tóro inferior da base desdobra muito sobre o plintho da
columna, põe-se algumas vezes um pequeno apoio por baixo do tóro. Esta
particularidade, sem belleza, se encontra nos edificios francezes e da
Belgica.
O sóco sobre o qual vem assentar a base da columna do XIII e do XIV
seculos, fórma, quasi sempre, um octogono regular; algumas vezes,
comtudo, é quadrado (nos edificios dos primeiros annos do periodo
ogival) ou cylindrico. Os _sócos cylindricos_ se encontram em muitos
monumentos belgas do XIII e do XIV seculo: tambem são bastante communs
na Inglaterra: em França servem na Normandia, na Bretanha e no Maine.
No XV seculo, a base e plintho das columnas monocylindricas são
extraordinariamente delgadas. A base é formada sempre por uma simples
moldura do feitio de tóro. Muitas vezes esta moldura, que nos seculos
precedentes era traçada sobre um plano circular, toma a fórma polygonal
do sóco.
Nas columnas enfeixadas do seculo XV, as pequenas bases parciaes das
nervuras prismaticas ou cylindricas em grupo á roda do pilar central,
formam, pela sua reunião e penetração, a base e o sóco da columna.
Durante a primeira metade d'este seculo, as pequenas bases teem todas o
mesmo perfil e ficam ao mesmo nivel. Mais tarde, os architectos
costumaram perfilar as bases parciaes em niveis differentes, como para
melhor fixar cada columnasinha e para evitar tantas compridas linhas
horisontaes.
_Capiteis_.--Durante todo tempo do periodo ogival, ornaram regularmente
com bellas esculpturas os açafates dos capiteis. Houve comtudo excepções
a esta regra, e por isso se encontram em alguns edificios religiosos de
segunda e terceira ordem do XII e do XIII seculo, limitados por uma
simples moldura.
Os capiteis do XIII seculo distinguem-se com facilidade pela
ornamentação vegetal de um caracter mui particular. O seu açafate
compõe-se geralmente de um, de dois, e algumas vezes mesmo de tres
renques de crochetes ou enroscamento de folhagens. Os crochetes de
renque superior supportam quasi sempre os angulos do abaco, e
substituem, de alguma maneira, o emprego dos modilhões. No final do XII
seculo e no principio do XIII seculo, teem a sua extremidade enroscada e
parecem rebentos de vegetaes. Em França desde o final do XII seculo, e
na Belgica um pouco depois, as extremidades dos crochetes se desenrolam,
e os rebentos se abrem em folhagens.
Algumas vezes os crochetes, em logar de acabarem por folhagens
enroscadas ou abertas, trazem no seu cume cabeças de homens e de animaes
verdadeiros ou phantasticos.
Os capiteis com crochetes enroscados, cujo emprego então estava
abandonado em toda a parte no final do XIII seculo, continuou na
Flandres maritima até ao fim do periodo ogival. Além d'isso, os
crochetes teem, n'esta região, uma fórma especial; seus enroscados são
muito mais chatos e mais largos.
A ornamentação dos capiteis do XIV seculo consiste em ramos de
folhagens, de flôres e de fructos, de fórma muito variada, nas quaes se
acham todos os caracteres da esculptura ornamental do XIV seculo. Os
crochetes, apropriadamente assim designados, não apparecem mais que
excepcionalmente com os capiteis d'esta época: todavia os ramos de
folhagens e de flores são geralmente collocados, nos angulos do abaco,
de maneira a recordar pelo seu vulto os crochetes do XIII seculo, e
servem para o mesmo fim. Muitas vezes estes ramos são dispostos sobre
dois renques; esta maneira se nota sempre quando, como acontece
repetidas vezes, o açafate é composto de duas peças sobrepostas, e mesmo
algumas vezes, quando o capitel é formado de uma só pedra.
As figuras de animaes reaes ou phantasticos se encontram poucas vezes
sobre os capiteis do XIII e do XIV seculos.
Os capiteis do XV seculo teem, como os dos seculos precedentes, o seu
açafate coberto de folhagens; porém essas folhagens apresentam
geralmente mais ou menos desenvolvimento; são delgadas, angulosas, muito
recortadas, muito profundas e exaggeradas. Com o XV seculo, appareceu
sobre os capiteis o ornato vulgarmente designado _folha de repolho_.
Em muitos ornamentos do XV seculo, os architectos, levados pela
applicação muito rigorosa do preceito que qualquer ornato deve ter ao
mesmo tempo um emprego necessario, supprimiram o capitel. N'estes casos,
os arcos-butantes e as nervuras das abobadas sobem, sem intermediario,
do fuste cylindrico, ou então nascem na base mesmo da columna, seguindo
toda a largura do fuste até ao nascimento das abobadas, e tomam, n'esse
logar, as differentes direcções convenientes para a construcção das
abobadas.
As columnas cylindricas com capitel são usadas nos edificios belgas do
XV seculo, mas são bastante raras em França.
*Modilhões e misulas*
É um apoio que faz saliencia sobre a face de uma parede ou de uma
columna que se chama _modilhão_ quando tiver dois lados lateraes
parallelos e perpendiculares á parede; e _misula_, quando apresentar uma
outra differente posição.
Depois do meiado do XIII seculo, os modilhões do feitio de curvas são
raros.
As misulas apresentam por vezes uma tal ou qual similhança com os
capiteis, e são tambem sempre rematadas por um abaco; differençam-se
comtudo, as mais das vezes, pelo seu genero de ornamentação. Na verdade,
as esculpturas dos capiteis do periodo ogival reproduzem quasi sempre
vegetaes: e sómente por excepção mostram figuras de homens ou de
animaes. Sobre as misulas, pelo contrario, a ornamentação vegetal não
apparece, por assim dizer, senão no XIII seculo, e mesmo é rara; durante
os dois seculos seguintes desapparece, e então as misulas são
constantemente formadas de personagens grotescas, acocoradas, de animaes
reaes ou phantasticos, e algumas vezes tambem de cabeças humanas, ou
figuras de anjo e de homem sustentando escudos, disticos e bandeirolas.
Muitas vezes as misulas, collocadas quer no interior, quer no exterior
dos edificios, são pintadas com côres vivas.
*Arcadas e arcaduras*
As grandes arcadas ou archivoltas ligando os pilares das naves e
sustentando o peso das paredes superiores, compõem-se regularmente de
dois ou tres renques de sobre-arcos nos edificios do periodo ogival. Os
perfis variam nos differentes seculos.
No XIII seculo, e mesmo ainda no XIV seculo, as arestas da archivolta
são formadas por tóros inscriptos na face quadrada da peça do arco; no
XIV seculo e durante uma grande parte do XV seculo, os tóros já não são
completamente cylindricos, mas teem antes do termino a curva d'esta
moldura, um filete destinado a deter a força do reflexo; no final do XV
seculo e no principio do XVI, os tóros cylindricos tornam a apparecer.
As _arcaduras_ são bastante vulgares nos monumentos do periodo ogival;
servem para ornar o liso das paredes internas e exteriores dos
edificios. Na parte interna apparecem principalmente no _triforium_ e
por baixo dos peitorís das janellas das naves lateraes; na parte
exterior, por baixo das cornijas e nos frontespicios, nos vasamentos dos
grandes portaes e nas galerias dos claustros.
As arcaduras que se vêem em baixo das janellas de quasi todos os grandes
monumentos, compõem-se de uma serie de pequenas arcadas fingidas,
collocadas entre os peitorís das janellas e o solo ou no sóco de
cantaria que fórma, muitas vezes, uma especie de base ao longo das
paredes das naves lateraes.
No XIII seculo, as curvas das arcaduras assentam sobre columnellos mais
ou menos embebidos na parede. No XIV e no XV seculos, os _columnellos_
ficam substituidos por simples nervuras, ás vezes cylindricas; porém as
mais das vezes a secção polygonal não differe muito da de uma
semi-hombreira de janella. Estas nervuras teem remate junto do solo,
sobre as bases que lhes pertencem. No final do periodo ogival,
supprimem-se, por vezes, as nervuras, e então as _arcaduras_ assentam
sobre modilhões.
No XIV e no XV seculos, as arcaduras sobre os peitorís das janellas
ligam-se inteiramente com as hombreiras das janellas e parecem, de
alguma maneira, confundir-se com elles: parecendo que atravessam a
cantaria do peitoril e descem até ao solo. As arcaduras não são mais do
que a parte inferior da janella que está tapada, e na verdade, a parede
necessitando de diminuir para dentro, ficando á face da vidraça, afim de
deixar metade do peitoril apparente, conserva apenas uma pequena
grossura, que equivale a uma simples divisão.
Nos edificios mais esmerados, os _seguintes_, isto é, os lados
triangulares comprehendidos entre os extradoz das archivoltas e de duas
_arcaduras_, proximas uma da outra, estão geralmente ornatados com
esculpturas, pinturas ou rendilhados, mostrando a fórma trilobada ou
quadrilobada, e com vidros pintados, emquanto as paredes que separam os
entre-columnios, apresentam pinturas decorativas.
As esculpturas e as pinturas com as quaes se decoravam os _seguintes_
das arcaduras, durante o periodo ogival, são ora legendarios ou
satyricos, ora tirados do reino vegetal. Nos monumentos inglezes do XIII
seculo, os _seguintes_ estão muitas vezes com ornatos similhantes a
estofo cheio de relevo.
Dentro das grandes egrejas do XV seculo existem como decoração as
arcaduras e outras figuras por cima e por baixo do _triforium_, sobre o
dorso das grandes arcadas e ao correr das janellas mais superiores; ás
vezes mesmo sobre o liso das paredes e em outras partes do edificio.
*Triforium*
Os _triforiums_ comprehendem toda a largura das naves lateraes, não se
vêem senão por acaso nos edificios do periodo ogival. Desde o final do
XII seculo, lhes substituiram, nas egrejas da Europa occidental,
galerias estreitas, abertas na grossura da parede, por baixo dos
peitorís das janellas superiores da nave principal. Estas galerias
estreitas offereciam commodidade: em primeiro logar facilitavam a
circulação dentro da egreja quasi á altura das janellas superiores, e
davam logar a collocarem-se as armações e outros adornos com que havia o
costume de decorar as egrejas nos dias de festa; e em segundo logar,
diminuindo a grossura das paredes superiores, alliviavam a pressão
exercida sobre os pilares principaes dos edificios; finalmente,
offereciam uma das mais importantes disposições para a decoração da nave
principal.
O triforium communica com o interior da egreja por series de arcaduras
abertas, tendo o mesmo feitio que as arcaduras que havia sobre o liso
das paredes, debaixo dos peitorís das janellas inferiores. Muitas vezes,
principalmente no XV seculo, tapava-se a parte inferior da arcadura com
um parapeito formando ornato de feitio de trêvo ou de quatro folhas.
Nota-se que nos triforiums, assim como nas arcaduras com ornato, as
archivoltas ficam assentes sobre columnatas com capitel pertencente ao
estylo do XIII seculo, e sobre _nervuras das hombreiras_ dos seculos
seguintes. A disposição das arcaduras do triforium apresenta ainda uma
outra analogia muito parecida com as arcaduras de ornato, formando
regularmente, desde o final do XIII seculo, a continuação das janellas
das naves lateraes. Depois d'esta época tambem as arcaduras do triforium
se assemelham ás janellas superiores da nave principal.
No termo do periodo ogival, supprimem-se muitas vezes as arcaduras, não
conservando mais do que um simples guarda-peito; o ornamento denominado
_chama_ apparece regularmente nos desenhos que formam as hombreiras
d'esses guarda-peitos. As janellas superiores ficam, n'este caso,
collocadas a prumo sobre a parede exterior do triforium.
Na Belgica, o triforium é geralmente tapado do lado exterior da nave por
uma parede; é, por excepção, que esta parede tem abertura, e a um ou
dois metros por cima do pavimento da galeria, pequenas aberturas
circulares, _trilobadas_ ou _quadrilobadas_, cobertas de grisalhas ou
com ornatos elevados. Nos edificios francezes do XIII e XIV seculos,
pelo contrario, a galeria do triforium não fica, as mais das vezes,
separada do exterior senão por uma simples lumieira, apresentando bellos
vidros pintados, semelhantes aos que decoram as janellas.
*Cornijas*
As cornijas do estylo ogival têem geralmente pouca importancia. Nos
edificios que pertencem ao periodo de transição, e mesmo, na Belgica, em
algumas que são dos primeiros annos do periodo ogival, o _larmier_
superior da cornija assenta ainda muitas vezes, de distancia em
distancia, do mesmo modo que na época _roman_, sobre cachorros servindo
de modilhões, com muita sacada, mas de grande simplicidade.
Em França, as cornijas dos monumentos mais principaes compõem-se, quasi
sempre, de duas fiadas de cantaria. A fiada inferior está ornada de
crochetes vegetaes no XIII seculo, de folhagens ondeadas no XIV, e de
folhas de repôlho encrespadas no XV. Algumas vezes vê-se tambem, entre
estas esculpturas, modilhões formados por cabeças humanas ou por
carrancas.
As cornijas dos grandes edificios belgas apresentam as mesmas fórmas
geraes que as cornijas francezas, porém não têem esculpturas, sendo
substituidas por arcaduras simples, ogivaes, ou triboladas. Estas
arcaduras apparecem principalmente nos paizes onde, durante o periodo
Roman, as arcaduras serviam de decoração, imitando-se o estylo Lombardo,
e foram usadas para ornar certas partes dos edificios.
Desde o começo da ultima metade do XIII seculo até o final do XIV, os
edificios de segunda ordem, e mesmo os de primeira ordem na Belgica,
têem as cornijas compostas de simples perfis, formados por um pequeno
numero de molduras pouco importantes.
*Platibandas*
As _platibandas_ que corôam as cornijas no exterior dos edificios
principiaram nos primeiros annos do XIII seculo. Antes, a agua da chuva
caía dos telhados directamente sobre o solo; até o meiado do XIII seculo
sómente os edificios mais importantes tiveram canos de chumbo para dar
vasão á agua da chuva e se assentaram platibandas sobre a beira do
telhado. Estas platibandas encanavam a agua por gargúlas, que a lançavam
para longe da face das paredes, e impediam por esta maneira que as aguas
da chuva podessem prejudicar a base da construcção, introduzindo-se-lhe
a humidade. As platibandas, cujo destino principal era evitar o perigo
que apresentava passar sobre as gargúlas, facilitam além d'isso os
concertos do telhado, e resguardam das telhas da beira quando cáem;
permittindo aos architectos darem melhores decorações ao exterior dos
monumentos.
As mais antigas platibandas têem a fórma de arcaduras rendilhadas,
compostas de columnatas, sobre as quaes vem assentar um remate vasado,
na sua parte inferior, em arco ogival, _trilobado_. No final do XIII
seculo substituiram-se as arcaduras pelas folhas de trêvo e de quatro
folhas vasadas.
A altura e o feitio das platibandas variam conforme os materiaes
empregados. No XIV seculo as platibandas, as mais das vezes, tinham
folhas de trêvo e de quatro folhas, vasadas e divididas de distancia em
distancia, na prumada dos contra-fortes, por pinaculos. No XV seculo, as
prumadas são compostas, umas vezes pela reunião de rhombos, de
triangulos equilateraes curvilineos, ou por figuras geometricas
angulares; outras vezes por desenhos flammejantes, parecidos com os que
caracterisam os tympanos das janellas d'esta época. No final do XIV
seculo apparecem, principalmente nos edificios civis, as platibandas com
ameias, nas quaes se vêem os mesmos feitios que nas platibandas
vulgares. O seu uso persistiu até ao final do periodo ogival.
As platibandas com arcaduras verticaes apparecem ainda aqui ou acolá nos
edificios do XIV, XV e mesmo do XVI seculo.