Os alpendres contiguos á fachada principal das egrejas ogivaes ou os

construidos debaixo do campanario, que limita esta fachada, quasi se não

encontram em França desde o seculo XIII. Ainda são mais raros na

Belgica, Allemanha e Inglaterra.

Durante o periodo ogival, muitos alpendres se construiram adiante das

entradas lateraes. Os mais bellos monumentos d'este genero são os

alpendres ao Norte e ao Sul da Cathedral de Chartres, que datam dos

primeiros annos do seculo XIII. Na Belgica tambem ha alguns alpendres

lateraes notaveis, compostos d'um ou dois vãos na frente e vedados por

tres lados, estando ornados no interior com estatuas collocadas sobre

misulas e coroadas de doceis. Tambem se construiam, mas raramente,

alpendres abertos em tres lados ou vedados por frestas nos dois lados.

_Portaes_. Na França e mesmo em Colonia as cathedraes e as grandes

egrejas ogivaes não têem geralmente alpendres adiante da fachada

principal, mas os portaes formam de per si verdadeiros alpendres, que

são cuidadosamente adornados.

Os portaes principaes das grandes egrejas francezas do seculo XIII

distinguem-se pela riqueza extraordinaria das esculpturas de todos os

generos com que são adornados. Apresentam grandes vãos que se abrem do

interior para o exterior e divididos em duas partes eguaes por uma

parede.

Na fachada de _Notre-Dâme_ de Paris vê-se, em frente d'essa parede e sob

um docel, uma grande estatua representando o Salvador deitando a benção,

a Santissima Virgem com o seu amado Filho, e tambem ás vezes o orago da

Egreja. A base d'essa parede e os rodapés dos vãos são ornados com

baixo-relevos.

Os tympanos são regularmente divididos em tres partes horisontaes, onde

se figuram em relevo assumptos religiosos, estatuas de grandes

dimensões, que em numero consideravel guarnecem as paredes verticaes dos

portaes, emquanto que as curvas das abobadas recebem muitas ordens

parallelas de estatuetas collocadas debaixo de doceis.

Todas estas esculpturas representam Santos e factos tirados da historia

do Velho e Novo Testamento, da lenda e de certos dogmas da Fé.

Os arcos dos portaes, das janellas e das empenas são, algumas vezes,

ornados tambem interiormente, d'um appendice chamado _redente_; este

ornato tambem ás vezes se encontra no intradorso das grandes arcadas,

ligando as columnas que separam as naves das paredes lateraes das

egrejas.

Os _redentes_ são recortes em fórma de dente ou de bicos, que guarnecem

o intradorso d'um arco. Tambem se applicou este mesmo nome a uns ornatos

analogos, que se collocam sobre as prumadas das empenas.

Nos edificios do seculo XIV, os portaes são ainda bem delineados,

todavia já não têem a grandeza que caracterisa os do seculo XIII. Os

perfis das molduras são agudos e muito multiplicados; a estatuaria,

abandonando a nobre simplicidade, preoccupou-se em cogitar formas

affectadas, e por isso mesmo a arte declina. Apesar d'estes defeitos, os

grandes portaes das egrejas do seculo XIV têem ainda verdadeiro merito

quanto á composição e outras qualidades que debalde se procuram nos

monumentos dos seculos posteriores.

Os grandes portaes dos seculos XIV e XV têem as mesmas disposições

geraes que os do seculo precedente, com a simples differença de que as

columnas cylindricas que formavam os vãos dos portaes e que sustentam as

archivoltas são substituidas por molduras prismaticas, ordinariamente

sem capitel, e que prolongando-se constituem por si só as archivoltas.

Estes portaes occupam espaço profundo, porque são regularmente

construidos entre dois contrafortes salientes da fachada.

O pilar que separa o portal, e o tympano dos grandes portaes do XIV e XV

seculos, tem sempre estatuas de Santos debaixo dos doceis e apoiando-se

sobre misulas primorosamente esculpidas. Desapparecem as estatuas em

muitos monumentos.

Ordinariamente os vãos ogivaes dos portaes e muitas vezes os da entrada

dos alpendres, são emmoldurados por um contorno em forma de empena.

Nos seculos XIII e XIV, este feitio representa a extremidade d'um

telhado de duas vertentes com a inclinação d'um angulo que varia entre

45 e 90 gráos. No XV seculo, os vãos de todos os portaes grandes e

pequenos, e algumas vezes tambem os das janellas, são formados por

ogivas ou por contracurva.

No seculo XII, as inclinações das empenas são quasi sempre ornadas de

_colchetes_ enroscados; desde o principio do seculo XIII, os

enroscamentos ou extremidades d'estes _colchetes_ desdobram-se e

transformam-se em florões. Os _colchetes_ são substituidos, no seculo

XIV, por folhas de extraordinaria grandeza, que muitas vezes se designam

ainda pelo nome de colchetes, redentes ou animaes phantasticos; nos

seculos XV e XVI apparecem as folhas de repolho.

Estes ornamentos pouco numerosos e muito espaçados no XIII seculo,

multiplicam-se e approximam-se á medida que a arte ogival vae em

decadencia. O vertice das empenas ou das ogivas inflexas que substituem

as empenas do XV seculo, termina ora por um florão, ora por uma estatua

assente sobre uma quartella, em fórma de sóco.

Os portaes de segunda e terceira ordem offerecem mais simplicidade do

que os outros que acabamos de descrever. Não têem pilar de separação e

por causa dos seus vãos geralmente pouco profundos, têem molduras

menores que os portaes de primeira ordem.

No XIII e XIV seculos, as empenas compõem-se de duas, tres ou quatro

columnatas na rectaguarda umas das outras, e ligam-se com os extremos

dos arcos superiores. Desde o final do XIV seculo, foram as columnatas

substituidas por molduras prismaticas, quasi sempre sem divisão de

capitel.

Até meiado do seculo XV, ajuntava-se, muitas vezes, á archivolta dos

portaes e tambem ás curvas das janellas, um rebordo exterior em fórma de

goteira cujas extremidades assentam á altura da nascença da ogiva, sobre

modilhões esculpidos, representando figuras, animaes phantasticos ou

carrancas; este rebordo tambem ás vezes é ornado de _colchetes_ com

folhas de grande lavor ou figuras grotescas.

_Lemes das portas_. Os constructores romans tinham, como já explicámos,

convertido em objecto de ornamentação os lemes e as ferragens que

empregavam para reunir os frisos que compõem os batentes. As archivoltas

do periodo ogival ultrapassaram os seus precedentes n'este genero de

decoração.

No seculo XIII e ainda mesmo no XIV, os lemes representam folhagens

entrelaçadas, armadas de flores e fructos. As suas differentes partes

são reunidas com uma arte e delicadeza notaveis, apesar de n'esta epoca

os meios de fabrico serem muito simples. Um martello movido por uma

corrente de agua constituía, por assim dizer, o unico recurso das

fabricas da edade media. O ferro obtido em fragmentos de um peso

mediocre, era entregue ao ferreiro, que á força de braço convertia estes

fragmentos em barras ou peças mais ou menos delgadas. Não eram

conhecidas, nem a lima, nem as cisalhas. Apezar da pobreza de meios de

fabricação, os ferreiros da edade media produziram obras primas de

serralheria. Podemos affirmar que em muitos paizes a arte de serralheria

attingiu o seu apogeu no seculo XIII. Os lemes do principio do periodo

ogival distinguem-se dos das epocas posteriores em que, ordinariamente,

são _estampados_, isto é, trabalhados em relevo por meio de matriz. Foi

pela estampagem que se obtiveram ramagens cheias de vigor e estes

soberbos cachos que caracterisam os lemes dos portaes de todas as

grandes egrejas do XIII seculo.

Os lemes estampados começaram a desapparecer na França no principio do

seculo XIV, ao passo que na Belgica foram muito empregados ainda n'este

seculo e até mesmo no seculo XV.

Nos fins do seculo XIII começaram a apparecer na França os lemes lisos,

isto é, formados por uma peça de ferro batido, poucas vezes executados

em relevo. Este uso generalisou-se desde os primeiros annos do seculo

XIV; nos outros paizes e especialmente na Belgica eram empregados

simultaneamente com as ferragens estampadas, tanto no seculo XIV, como

no XV.

Os serralheiros da edade média procuraram para objecto de ornamentação,

não só os lemes, mas tambem todos os outros accessorios necessarios para

os portaes, taes como os prégos, os fechos, as argolas das fechaduras.

_Janellas_. Durante o periodo de transição e no principio da epoca

ogival, os vãos das janellas eram estreitos, pouco elevados e fechados,

na sua parte superior, por lancetas ou ogivas agudas. Estes vãos, em

geral reunidos em dois ou tres, são separados por pequenos pilares em

fórma de humbreira, estando muitas vezes como emmoldurados por um grande

arco commum. Chamam-se prumos de cantaria os que dividem uma janella em

humbreiras aos vãos ou compartimentos verticaes. A triplice lanceta da

janella tem o vão do meio geralmente mais elevado que o dos lados.

Em França, no principio do seculo XIII, e n'outros paizes alguns annos

mais tarde, em vez de estreitarem os vãos das janellas, alargavam-nos e

formavam por cima bandeira com construcção de cantaria compostas de

humbreiras simples e ligeiras. Em geral existe uma abertura independente

por cima dos vãos d'estas janellas primitivas. Nas construcções

esmeradas e ricas, as humbreiras estão collocadas tanto no interior como

no exterior, tendo uma columna com base e capitel, e o tympano da

janella é ornado de redentes, com uma ou muitas vidraças compostas de

tres, quatro, seis e algumas vezes oito vidros.

As grandes egrejas do XIII seculo e um grande numero de edificios do XIV

seculo teem as janellas muito grandes, divididas em muitos vãos.

Estas janellas compõem-se de uma rosacea de grande diametro, que occupa

a parte superior do tympano tendo uma columna que divide o vão em duas

partes eguaes; em cada um d'estes vãos secundarios, apresenta uma

abertura composta egualmente de uma columna central, porém, mais delgada

que a primeira e d'um oculo circular do feitio de folha de trêvo, ou uma

de quatro folhas. Se mesmo com estas sub-divisões (como succede nas

janellas de grande largura), estas columnas não ficam sufficientemente

proximas para a segurança das vidraças, estabelecem-se ainda entre si

novas humbreiras divisorias, tendo por cima tambem rosaceas de menor

grandeza.

Na Belgica, Allemanha e Inglaterra, ha janellas do seculo XIII,

divididas por duas humbreiras de menor importancia para formarem tres

vãos. Ás vezes é o vão do meio mais estreito que os dos lados. Este

feitio de janellas era muito raro na França, no principio do periodo

ogival.

Para diminuir o espaço vazio das rosaceas do tympano das grandes

janellas, collocavam-se redentes de cantaria seguros por circulos de

ferro. Ás vezes, no seculo XIV, se substituiam as rosaceas do tympano

por folhas de trêvo, ou compostas de quatro folhas, e tambem com outras

combinações de figuras geometricas.

Durante os seculos XIV e XV, o numero dos vãos das janellas varia muito,

mas em geral é de tres.

No mesmo edificio, se vêem, conforme a largura dos vãos, janellas de

dois, tres, quatro, cinco, seis, sete ou oito compartimentos.

Em alguns monumentos belgas, inglezes e allemães, as grandes janellas

das extremidades do transepte e da capella mór, quando esta termina por

uma parede recta, ficam divididas em duas partes eguaes por uma columna

central de grande grossura formando um verdadeiro pilar.

As humbreiras das janellas dos seculos XIII e XIV são ás vezes formadas

por uma só pedra inteiriça; comtudo geralmente são construidas por

pedras pequenas. Em grande numero dos edificios francezes, ha, interior

e exteriormente, ou n'um dos lados das janellas, uma columna embebida,

com base e capitel.

Na Belgica, Allemanha e Inglaterra as humbreiras das janellas de muitos

monumentos não têem columnas, principalmente as do seculo XIV.

As columnas servindo de humbreiras apparecem sempre collocadas junto dos

pés direitos, no interior e no exterior da janella. Na Belgica vêem-se

com frequencia essas columnas embebidas nos angulos das paredes

pertencentes ás janellas nas quaes lhes faltam as humbreiras.

Os capiteis das columnas que formam as humbreiras das janellas, são

coroados por um ábaco _quadrado_, no principio do periodo ogival, mais

tarde tornou-se _circular_, e no principio do XIV seculo, _hexagonal_.

Os constructores dos seculos XIII e XIV, habituados a discorrer sobre

todas as suas obras, facilmente comprehendiam que collocar um capitel

nas columnas servindo de humbreiras, era ir ao encontro do principio

fundamental da architectura ogival, que prescrevia desprezar todas as

partes inuteis, todos os motivos de ornamentação que não resultassem

d'uma necessidade de construcção. Effectivamente não parece

sufficientemente justificada a necessidade d'este capitel, porque a

parte superior da columna não serve de ponto de apoio a nenhum peso

extraordinario, e tambem não serve de transição ás duas partes realmente

distinctas, pois a moldura superior do capitel é em tudo semelhante á

fórma do fuste da columna, porquanto o capitel apenas servia de ornato,

sem outro fim verdadeiramente util. Tendo em vista o principio

fundamental do estylo ogival e todas as consequencias logicas que elle

encerra, os architectos da segunda metade do seculo XIV e do principio

do XV não se detêem em reconsiderar, supprimem inteiramente o capitel e

muitas vezes a propria columna, e dão a todas as humbreiras a mesma

espessura. No fim do XIV seculo introduziram egualmente modificações

importantes nos desenhos traçados pelas humbreiras dos tympanos das

janellas. Os redentes que até aqui serviam para diminuir o espaço roto

das grandes rosaceas foram primeiramente substituidos por combinações de

figuras geometricas em que predominam as formas ogivaes com curvas

compostas de duas em sentido oppostos e do feitio de chamma. É d'esta

epocha que data o ornato conhecido pelo nome de _chamma_ e deu o nome de

_flammejante_ ao estylo do seculo XV. Este ornato não só se encontra nos

tympanos de janellas, mas tambem nas balaustradas, nos batentes das

portas, fechos, mobilias, n'uma palavra, em tudo onde é possivel

applical-o. Os allemães chamam-lhe Fischblase (bexiga de peixe).

As janellas da _primeira metade_ do seculo XV têem ainda ás vezes alguma

analogia com as dos seculos precedentes. Não é raro encontrar-se nos

tympanos grandes rosaceas com figuras curvas ou chammas em vez de

redentes. Todavia grande numero das rosaceas circulares dos tympanos,

durante a primeira metade do seculo XV, foram substituidas com o feitio

de triangulos e quadrilateros curvilineos ou por outras figuras

geometricas regulares, nas quaes ha chammas representadas. No meado do

seculo XV desapparecem do tympano as figuras regulares, e as humbreiras

tomando direcções cada vez mais arbitrarias, dão logar aos mais variados

desenhos flammejantes.

No fim do XV seculo as archivoltas das janellas tornam-se mais obtusas e

tomam no principio do seculo XVI a forma de arcos de volta abatida ou em

aza de cesto; os desenhos dos tympanos são toscos e angulosos. A volta

inteira ou de semicirculo, que começa a apparecer timidamente nos vãos

entre as humbreiras, annuncia o proximo regresso dos typos de

architectura classica.

Do que acabamos de dizer resulta que os desenhos geometricos

encontram-se principalmente nos tympanos das janellas durante a primeira

metade do seculo XV, emquanto que os desenhos flammejantes propriamente

ditos são da ultima metade do XV e do principio do XVI seculos.

As archivoltas exteriores das janellas dos edificios de primeira ordem

têem ás vezes alguns ornatos.

O cavado mais largo e mais profundo do intradorso d'estas archivoltas é

ornado de colchetes nos grandes monumentos francezes do seculo XIII; no

seculo XIV é ornado de florões e de cachos, e no XV apparece a folha de

repôlho.

As archivoltas exteriores das janellas são do mesmo modo que as dos

portaes e dos alpendres rodeadas por um rebordo saliente ou encimadas

por uma galeria. Os rebordos que rodeiam as archivoltas das janellas

têem o mesmo feitio que os dos portaes.

Nos seculos XIII e XIV, têem a fórma d'uma goteira e são geralmente

formados nos proprios fechos da archivolta; as extremidades vêem acabar

á altura do nascimento da ogiva, ficando assentes sobre modilhões ou

então na direcção horisontal sob a fórma de cordão, que liga entre si

duas janellas proximas uma da outra.

Nos edificios mais importantes, os rebordos são em geral decorados de

distancia a distancia, com colchetes ou folhas ornamentaes. Nos seculos

XV e XVI, os feitios das janellas têem a fórma de uma ogiva com curvas

inversas, terminando por um florão. Os remates que coroam muitas vezes

as janellas dos grandes monumentos, são similhantes aos dos portaes,

tendo do mesmo modo a fórma da empena e os seus lados inclinados têem

colchetes, redentes ou folhas de repolho encrispadas. O vertice, que em

geral termina em florão, penetra muitas vezes na balaustrada prolongando

a altura do tecto e fazendo corpo com elle.

Os architectos do periodo ogival, e até mesmo os do periodo de

transição, de ordinario reservaram nas grandes egrejas, galerias

passando junto das janellas e que eram principalmente destinadas a

facilitar a collocação e conservação das vidraças. Estas galerias são

estabelecidas em toda a extensão do edificio, dando muitas vezes a volta

completa em todo o monumento; são verdadeiros corredores de serviço. No

rez-do-chão, isto é, nas paredes dos lados e no côro, quando este não

tem capellas lateraes, são ellas estabelecidas no interior em quanto que

no pavimento superior ficam sempre exteriores e atravessam os

contrafortes. D'aqui resulta haver galerias em que as vidraças estão

assentes por dentro nas janellas inferiores e por fóra nas altas.

_Rosaceas_. As rosaceas são um dos mais bellos ornamentos dos grandes

monumentos religiosos do periodo ogival.

Apparecem tanto na fachada Occidental como nas empenas dos transeptes.

Na França, as rosaceas são muito communs nos seculos XIII e XIV; pelo

contrario na Belgica e na Inglaterra, são raras, mesmo nas maiores

egrejas.

As rosaceas e as janellas têem caixilhos de pedra destinados a fixar as

vidraças. Estes caixilhos são muitas vezes dispostos em fórma de raios

de roda.

Durante a segunda metade do seculo XIII e todo o XIV, foram construidas

grande numero de rosaceas em contacto umas das outras e dispostas em

muitos renques concentricos á volta d'uma rosacea central, na qual são

inseridos caixilhos do feitio de folhas de trêvo ou em quatro folhas.

Foi a brilhante ornamentação d'estas rosaceas e dos tympanos das

janellas que deu ao estylo ogival do XIV seculo a denominação de

_radiante_.

Os caixilhos das rosaceas do XV seculo descrevem em geral desenhos

flammejantes, semelhantes aos que se vêem nos tympanos das janellas da

mesma epoca. Ás vezes encontram-se: 1.^o nos monumentos do seculo XIII

rosaceas que têem analogia com as dos edificios romans do seculo XII;

2.^o nos edificios dos seculos XIV e XV, rosaceas compostas de folhas de

feitio de trevo, e de quatro folhas, ou com figuras geometricas

curvilineas.

No seculo XV, e na Belgica já no XIV, os caixilhos das rosaceas, não

têem como d'antes, columnas formando as divisões, mas têem os mesmos

compartimentos que os caixilhos de janella d'esta epoca.

_Vedações das janellas e vidraças_. Por causa da aspereza do clima nos

paizes do Norte foram muito cêdo usadas as vidraças nas janellas.

Os vidros, incolores ou pintados d'uma côr unica e de pequenas

dimensões, eram antigamente collocados em caixilhos de madeira ou de

cantaria. Depois do seculo X eram fixos por meio de pestanas de chumbo.

Foi devido ao emprego do chumbo que conseguiram formar bellas vidraças

pintadas, cuja historia vamos expôr succintamente.

As vidraças dividem-se em duas classes: vidraças _incolores_ e

_pintadas_.

_Vidraças incolores_. As vidraças incolores dos seculos XII e XIII são

compostas de pequenos pedaços de vidro, não excedendo doze a quinze

centimetros, na sua maior dimensão, sendo de côr esverdeada escura,

irregulares e um pouco convexas.

O chumbo empregado antigamente era muito espesso, convexo nas suas faces

e algumas vezes polido nas ranhuras; distingue-se facilmente dos

modernos, fabricados depois do fim do seculo XVI, por se servirem de

instrumento proprio para o reduzir a tiras, com uma especie de

laminador.

Em consequencia da maleabilidade e brandura do chumbo, as tiras que

reunem os vidros das vidraças incolores dos periodos roman e ogival

apresentam muitas vezes as mais curiosas figuras. N'este caso e em

muitos outros a urgencia fornece um motivo d'ornamentação; era

necessario vedar uma abertura relativamente alta e larga com pequenos

fragmentos de vidro, porque as grandes chapas de vidro eram ainda então

desconhecidas. Os vidraceiros da idade média resolveram este problema

como verdadeiros artistas: em vez de adoptarem um systema de envidraçar

vulgar, consistindo em quadrados ou rhombos, serviram-se das tiras de

chumbo para produzir, nas janellas, os mais variados e vistosos

desenhos.

Na Belgica as vidraças incolores eram muito communs nos seculos XII e

XIII; ha exemplos de vidraças, ainda existentes, que se podem referir

com certeza a esta epoca. É verdade que se encontra aqui e ali algumas

vidraças representando entrelaçamentos de fitas, anneis, circulos e

figuras geometricas, que parecem muito antigas por causa da pequenez das

aberturas destinadas a receber as chapas de vidro; mas não é possivel

determinar-lhes uma data approximada.

Estes entrelaçamentos de fitas e de figuras geometricas foram usados na

Belgica durante todo o periodo ogival e conservaram-se com modificações

mais ou menos consideraveis até ao presente.

_Vidraças pintadas_. Ha uma grande differença entre colorir um vidro ou

pintal-o, ou por outras palavras, entre os vidros coloridos e os

pintados. Os primeiros, que tambem se chamam vidros de côr, obtêem-se

misturando-lhes na massa vitrea em fusão oxydos metallicos, que dão a

toda a pasta um colorido uniforme. Este colorido não é superficial; as

materias que produzem as diversas côres penetram durante a fusão na

massa vitrea e combinam-se inteiramente com ella. Para fazer vidros

pintados toma-se uma chapa de vidro translucido e sobre uma das faces,

ou em ambas, applica-se com o pincel os traços do desenho a côres

vitrificaveis, que não são mais que pastas vitreas coloridas por meio

d'oxydos metallicos, reduzidos a pó e diluidos n'um liquido como vinho,

agua gommada e essencia de therebentina. A lamina de vidro, esmaltada, é

em seguida submettida ao fogo; o pó corante entrando promptamente em

fusão, fixa-se sobre a placa de vidro que a sustenta e que apenas está

amollecida pela acção do calôr.

No VII seculo, havia vidraças compostas de laminas de vidro diversamente

coloridas; eram especies de mosaicos transparentes. Mas seria n'essa

epoca que começaram a pintar a côres, sobre vidro branco ou colorido,

personagens e assumptos historicos e legendarios? A opinião mais

provavel colloca a invenção da pintura sobre vidro no fim do X seculo.

Comtudo só no seguinte é que esta arte nasceu na Allemanha e se

desenvolveu e espalhou pela Europa occidental. Logo que se inventou a

pintura sobre vidro no meiado do seculo XIV, o pintor de vidros

servia-se de laminas, cada uma de sua côr uniforme.

No seculo XII e XIII, houve excepção a esta regra para o vidro vermelho,

que, em geral era _duplicado_, isto é, composto de uma lamina delgada

vermelha, applicada sobre uma lamina de vidro incolor.

As differenças de espessura que têem os vidros antigos, differenças que

resultam da imperfeição dos processos de fabríco do vidro, contribuem

singularmente para augmentar o brilho das vidraças da idade média. Em

primeiro logar, os pintores vidraceiros empregavam com muita pericia

estes vidros desiguaes ou ondulados, cortando-os de fórma que a parte

mais delgada se achasse do lado da luz; o que fazia augmentar

consideravelmente o effeito da vidraça. Por consequencia, mesmo para os

fundos fechados, estas differenças de espessura dão á coloração um

aspecto scintillante, que a certa distancia augmenta consideravelmente a

intensidade dos tons.

Resumo elementar de archeologia christã · 第 10 / 23 段