_Origem da ogiva e do estylo ogival_. Os archeologos não concordam uns

com outros sobre a origem da ogiva. A opinião que parece mais provavel,

attendendo a que os monumentos do Oriente exerceram certa influencia

sobre a introducção da ogiva na architectura da Europa no meiado do XII

seculo, considera como um producto do genio Occidental a applicação

logica e systematica da ogiva nas construcções executadas no Occidente

desde essa epoca. A ogiva appareceu na Europa poucos annos depois da

primeira cruzada.

É possivel que esta forma architectonica fosse como outras muitas

cousas, introduzida no Occidente pelos cavalleiros cruzados, quando

regressaram das suas longiquas expedições. Empregada a ogiva no

principio como pura phantasia e como um novo modo de ornamentação, quer

para formar os vãos das portas e janellas, quer para decorar as arcadas,

as paredes lisas e por baixo das cornijas, tornou-se mais tarde o ponto

de partida para o bello estylo da architectura cujo nome se ligou ao

XIII seculo e cujo desenvolvimento methodico pertence exclusivamente á

Europa Occidental.

Este estylo rapidamente attingiu um subido gráo de perfeição, devido ás

numerosas egrejas parochiaes, collegiaes, monasticas e cathedraes, que

foram fundadas, construidas ou reconstruidas e augmentadas nos seculos

XIII e XIV.

A palavra _ogiva_ nem sempre teve a mesma accepção, que nos nossos dias

se lhe attribue. Outr'ora designava as nervuras salientes que se cruzam

em uma abobada, seja qual for a curvatura em arco de circulo, em ogival,

d'estas nervuras. Só depois do principio do seculo XIX é que este termo

foi empregado para designar o arco terminando em ponta, conhecido agora

pelo nome de ogiva.

_Divisões do periodo ogival_. O periodo de treze seculos e tres

quarteis, durante o qual reinou na Europa Occidental o estylo ogival,

póde ser dividido em tres grandes epocas, tendo cada uma caracteres

distinctos.

As denominações francezas de estylo em _lancetas_, _radiante_, são

tiradas da fórma das janellas, assim como o nome de _perpendicular_,

dado em Inglaterra, no terciario do seculo XV.

O estylo ogival não foi introduzido ao mesmo tempo em todos os paizes,

nem mesmo em todas as partes do mesmo paiz. Nasceu e desenvolveu-se

rapidamente, no meado do XII seculo, nos arredores de Paris.

O primeiro monumento que appareceu do estylo ogival, foi a fachada

occidental da abbadia de S. Diniz, perto de Paris, construida entre 1135

e 1140. Foi introduzido em Inglaterra, Allemanha, Hespanha e mesmo

n'algumas partes da Italia, por constructores formados em França.

*Periodo de transição do estylo Roman para o Ogival*

A substituição do estylo ogival pelo roman não se fez em um dia, foram

precisos muitos annos para a operar. Foi esta epoca de transformação que

recebeu o nome de _periodo de transição_ entre os dois estylos. A

duração não foi a mesma em todos os paizes, elle começou mais cedo n'um

paiz do que n'outro.

Os monumentos do periodo de transição distinguem-se quasi todos pelo

emprego simultaneo do arco de volta inteira e da ogiva. Esta combinação

consegue-se por dois modos:

1.^o Por simples _juxtaposição_, quando a ogiva isolada se acha n'um

mesmo monumento ao lado d'um arco de volta inteira. Nos edificios de

transição, vêem-se muitas vezes aberturas de forma circular nos

pavimentos inferiores, que são os mais antigos, emquanto que, nos demais

andares, se vêem aberturas ogivaes; porém mais raramente se vêem voltas

inteiras nas divisões elevadas d'um monumento, tendo vãos ogivaes nas

inferiores.

2.^o Como decoração, quando duas ou muitas ogivas estão comprehendidas

debaixo de uma só volta inteira. Este modo de reunir a ogiva ao arco

circular encontra-se principalmente nas janellas e nas arcadas. Tambem

se vêem ás vezes dois ou muitos vãos de volta inteira emmoldurados n'uma

ogiva.

3.^o Quando arcos de volta inteira produzem ogivas, entrecruzando-se

reciprocamente.

Uma outra particularidade que muitas vezes se observa nos edificios de

transição, é a união da esculptura da ornamentação roman com a ogival.

*Caracteres da architectura ogival*

O estylo ogival seguiu principios até então desconhecidos e um methodo

novo e constante nas suas deducções.

A fórma dada a um objecto era conforme a construcção, resultante não

d'um capricho ou d'uma phantasia, mas d'uma necessidade real.

Segue-se que a ornamentação não se applica indifferentemente e sem razão

sobre as differentes partes d'um monumento. D'ella nos servimos ou para

chamar a attenção sobre uma principal parte da construcção, ou sobre um

ponto importante d'um objecto, ou para dissimular um obstaculo.

Um outro caracter distinctivo do estylo ogival é que os seus monumentos

estão, como se diz em termos de architectura, _na escala do homem_, isto

é: que em toda a construcção, grande ou pequena, ha certas partes em

harmonia com a estatura humana e, por consequencia, tendo pouco mais ou

menos sempre as mesmas dimensões.

Os caracteres notaveis do estylo ogival, que nós acabamos de assignalar

em poucas palavras, encontram-se principalmente nos edificios

construidos na edade media, no Noroeste da Europa.

Durante o periodo Roman os architectos e os operarios habilitavam-se nas

grandes obras das abbadias.

O clero secular, e até mesmo os particulares ficaram sob a direcção de

Bispos protectores das artes, taes como Egberto de Tréves (977-993) e S.

Bernardo de Hildesheim (993-1022) tomaram tambem uma grande parte na

direcção dos movimentos artisticos.

No XIII seculo as corporações seculares apoderaram-se da pratica da

architectura, e desde este momento, todos os grandes monumentos, quer

religiosos, quer profanos, foram construidos por mestres praticos.

_Plano e disposição das egrejas_. Plano no rez-do-chão.--Grande parte

das egrejas ogivaes apresentam, na planta, a fórma d'uma cruz latina,

cujo vertice figurado pelo côro, é voltado para o Oriente. Em algumas,

nota-se sensivelmente um desvio grande no eixo do côro com relação ao da

nave principal. Este desvio, que em geral só tem logar no Norte e

raramente no Sul, symbolisa provavelmente a inclinação da cabeça do

Salvador sobre a Cruz no momento em que deu o ultimo suspiro.

A orientação symbolica das egrejas, introduzida desde os primeiros

seculos do Christianismo, foi observada escrupulosamente durante toda a

edade media, e mesmo na epoca da renascença. Foi só nos primeiros annos

do nosso seculo que a orientação começou a desapparecer.

Um pequeno numero d'egrejas tem o plano quasi rectangular.

No Sul e no Oeste da França muitas grandes egrejas do XIII seculo

apresentam uma vasta nave unica sem naves lateraes, tendo contrafortes

interiores para sustentar o esforço da abobada principal, que é d'aresta

com nervuras.

Encontram-se, principalmente na Allemanha, egrejas com duas naves. Quasi

todas foram construidas por religiosos d'ordens mendicantes, taes como

os Dominicanos e os Franciscanos. No seculo XIII tambem os Jacobinos ou

Dominicanos construiram egrejas de duas naves em Paris e no Sul da

França.

As grandes egrejas do XIII seculo compõem-se de tres, de cinco e até

mesmo de sete naves. Na Europa Central e Meridional, na França e na

Belgica, o côro tem geralmente a fórma polygonal, emquanto que na

Inglaterra elle é muitas vezes rectangular e terminado por uma parede

liza. No continente, apenas excepcionalmente se encontra esta disposição

no côro d'algumas grandes egrejas, a não ser nas extremidades do

transepte.

No final do periodo Roman, tinha-se começado em França a dispôr capellas

absidaes no côro das grandes egrejas. Este uso manteve-se durante todo o

periodo ogival, e as capellas tomaram grandes proporções. As primeiras

que se chamam absidaes, irradiam em torno da capella-mór; as outras ao

longo das paredes lateraes: exemplo a Sé de Lisboa.

Notar-se-ha tambem que na cathedral d'Amiens, conforme o uso muito

geralmente seguido em França e em outros paizes, a capella-mór é muito

mais vasta do que as outras. Encontram-se egualmente, no côro das

cathedraes inglezas do XIII seculo, capellas da Virgem, com a simples

differença que são em geral muito maiores do que as do continente e

construidas sobre plano rectangular.

Na Belgica, os córos das grandes egrejas do XIII seculo estão ás vezes,

como succede em França, rodeados de capellas collateraes, dando a volta

completa ao côro, e limitadas por capellas construidas em parte sobre

plano rectangular e em parte sobre o polygonal; mas em geral são

pequenas e o seu numero mais restricto do que nas cathedraes francezas.

Estas capellas constroem-se entre os contrafortes, que as dissimulam.

O plano das egrejas do XIV e do XV seculos conserva pouco mais ou menos

a mesma disposição que durante o precedente seculo. A unica mudança

importante, que geralmente se nota, consiste na addição de pequenas

capellas ao longo das paredes lateraes das naves.

As capellas são estabelecidas sobre um plano rectangular entre os

contrafortes, parecendo como que formar uma segunda nave collateral ao

lado da primeira. Na mesma época, juntou-se muitas vezes, aos edificios

do XIII seculo, ao longo das naves lateraes, capellas construidas fóra

do primitivo plano.

Estas addições tornavam-se precisas pelo grande numero de capellanias

fundadas nos seculos XIV e no XV. Pelo mesmo motivo se acrescentaram

altares entre as pilastras das egrejas.

_Disposição acima do solo, e aspecto exterior das egrejas_. As egrejas

_d'uma só nave_--apresentam sempre uma secção rectangular. Nos edificios

abobadados os contrafortes têem muitas vezes uma grande importancia

apresentando maior saliencia sobre a parede do edificio tanto no

interior como no exterior. Quando os contrafortes estão construidos no

interior, estabelecem-se regularmente, entre estes contrafortes,

capellas fazendo corpo com a egreja: como na de S. Vicente em Lisboa.

As egrejas que têem tres ou um numero impar de naves, podem dividir-se

em duas classes conforme fôr a nave do meio mais elevada ou da mesma

altura que as paredes lateraes.

A primeira classe comprehende as egrejas cuja nave do meio é

notavelmente mais elevada do que as paredes dos lados. As egrejas com

esta fórma são as unicas conhecidas na Europa Occidental e Meridional,

isto é, na Belgica, na França, na Inglaterra, na Hespanha, na Italia e

em Portugal. A sua nave mais alta é coberta com telhado de duas aguas

inteiramente independentes, emquanto que as paredes dos lados têem

muitas vezes um terraço ou um telhado de fórma de alpendre e a sua

inclinação approximando-se sensivelmente da linha horisontal; ás vezes

tambem são cobertos com repetidos pequenos telhados de duas vertentes,

ficando perpendiculares á nave e terminados por empenas.

Abrem-se regularmente nas paredes lateraes da grande nave, janellas que

deitam para cima dos telhados lateraes.

A segunda classe compõe-se das egrejas cujas naves se elevam á mesma

altura. Estas egrejas são proprias da Europa central; encontra-se um

grande numero d'ellas, conjunctamente com alguns edificios da primeira

classe, na Allemanha, Austria e Hungria.

Os Allemães deram ás egrejas tendo nave de egual altura o nome de

egrejas-mercado, sem duvida porque ellas parecem formar uma vasta salla,

um _hall_ inglez, devido á elevação uniforme das suas naves. O seu

aspecto exterior tambem differe sensivelmente do das egrejas belgas,

francezas e inglezas; as tres naves são cobertas por um telhado unico de

duas aguas, e, por conseguinte, a nave central não recebe luz

directamente, como nas egrejas de primeira classe; a luz só lhe penetra

pelas janellas lateraes; todavia estas, altissimas em consequencia da

grande elevação das paredes, compensam bem a suppressão das janellas

superiores introduzindo a luz na nave central.

No fim do periodo ogival encontram-se, particularmente na Austria e

Hungria, egrejas com esta fórma, cujas paredes lateraes são um pouco

menos elevadas que a nave do meio.

Tambem se construiram, na época do renascimento, egrejas com naves da

mesma altura.

_Egrejas da Flandres maritima_. Encontram-se em muitas cidades e aldeias

da Flandres Occidental, egrejas cujas disposições differem notavelmente

das que se construiram no resto da Europa. Apesar de se assimilharem ás

precedentes, de tres naves da mesma altura, não se devem de modo algum

confundir com as egrejas allemãs, com as quaes se parecem á primeira

vista por terem as naves da mesma altura; não têem nada mais de commum

entre si.

Construidas em geral sobre um plano rectangular, compõem-se d'uma nave

principal fechada por paredes d'egual extensão; não têem transepte ou,

se o têem, não produz saliencia alguma no exterior das paredes.

As abobadas de pedra ou de tijolo são substituidas, mesmo nos grandes

edificios, por tectos curvos formados de madeira com divisões visiveis,

pintados e até com obra de talha, e deixando vêr as peças do

madeiramento.

A cobertura das egrejas é formada por tres telhados de duas aguas da

mesma altura pouco mais ou menos; resultando não ter a nave principal

janellas altas e ser a fachada sempre terminada por tres empenas da

mesma altura.

_O plano das capellas_.--As capellas construidas durante o periodo

ogival não têem ordinariamente transepte e são construidas sobre plano

rectangular.

O côro termina no lado Oriental por um abside polygonal ou uma parede

lisa. As capellas das egrejas conventuaes compõem-se geralmente de tres

naves, emquanto que as pequenas capellas não têem regularmente senão

uma.

As construcções ogivaes não apresentam em geral symetria, e o mesmo se

nota no traçado do plano e nos caracteres architectonicos. Estas

irregularidades provêem de duas causas principaes. Em primeiro logar os

architectos d'esta época, sem desprezarem a symetria, não a consideraram

propria das conveniencias, necessidades e harmonia geral.

Algumas vezes tambem, vindo a faltar-lhes os recursos com que contavam

no principio dos trabalhos, viam-se forçados a alterar o plano primitivo

e supprimirem-lhe certas partes. Emfim, muitos monumentos foram

construidos muito lentamente, o que deu logar a que as suas differentes

partes fossem successivamente construidas, apresentando sempre por esse

motivo cada uma d'ellas os caracteres architectonicos em voga na

occasião da sua construcção.

_Systema de construcção_.--Os grandes monumentos edificados pelos

romanos no tempo da republica e sob os imperadores, formavam, pela

estabilidade dos seus pontos d'apoio, condensação e cohesão perfeita dos

seus materiaes, massas solidas capazes de resistir ao peso, e, em caso

de necessidade, á pressão das abobadas, que eram formadas de peças

homogeneas, concretas e sem elasticidade.

Em substituição da abobada romana os architectos romans empregaram pouco

a pouco a abobada de nervuras, cuja construcção assenta sobre o

principio da elasticidade e do equilibrio das forças. O plano quadrado

era o escolhido para as suas edificações; mas quando se tratava de

neutralisar a pressão lateral exercida por esta abobada sobre os seus

pontos d'apoio, ou quando era preciso construir uma abobada sobre um

plano que não fosse quadrado, entregavam-se então a experiencias cujo

resultado nem sempre correspondia á espectativa.

Os architectos do periodo ogival realisam grandes progressos na

construcção das abobadas. Primeiramente cobrem os edificios servindo-se

das abobadas de nervuras, superficies cujos planos são parallelogrammos,

trapesios, pentagonos e mesmo polygonos irregulares; depois, resolvem

d'um modo completo o problema tão difficil da estabilidade das abobadas,

pelo principio do equilibrio das forças. Empregam a abobada, não como

uma crosta homogenea e inerte, mas como uma serie de paineis de

superficies curvas ou de triangulos de enchimento independentes uns dos

outros e limitados por nervuras apparelhadas e flexiveis. Ás pressões

obliquas d'estas abobadas, oppõem resistencias activas, em vez de

obstaculos passivos, e transportam a resultante de todas as pressões

obliquas e contrarias para os contrafortes exteriores, que fazem rigidos

e firmes, dando-lhes uma base muito ampla e carregando-os com um

consideravel pezo.

As nervuras das abobadas com os seus pontos d'apoio, isto é, as

columnas, os contrafortes e algumas vezes os arco-butantes, compõem a

ossada, o esqueleto de todo o grande edificio ogival. As outras partes

da construcção, que formam o revestimento d'esta ossada, desempenham o

logar de simples tabiques: as janellas occupam, entre os pontos d'apoio

das abobadas, o maior espaço possivel, e as paredes pouco espessas são

ornadas de arcadas que ainda as tornam mais delgadas. As janellas e as

paredes podiam ser supprimidas sem que a construcção principal soffresse

o menor prejuiso.

_Materiaes e apparelhos de construcção_. Tanto durante o periodo roman,

como durante o ogival, se procuravam os materiaes precisos o mais

proximo possivel do logar em que se fazia a construcção. Com effeito o

transporte, ainda n'este tempo, offerecia grandes difficuldades por

causa da ausencia completa de estradas viaveis. Os materiaes empregados

são em geral de pequenas dimensões, porque os instrumentos para os

extraír, transportar e assentar eram insufficientes em comparação com as

poderosas machinas de que dispomos em nossos dias.

Quando não havia pedreiras para explorar, serviam-se de tijolos.

_Esculptura monumental_. Durante o periodo roman, a esculptura d'ornato

consistia em figuras geometricas, animaes monstruosos, e tambem ás vezes

de imitação de vegetaes. Durante a segunda metade do seculo XII, teve

logar uma revolução completa na esculptura ornamental; as palmas, as

folhagens, os galões e as figuras geometricas, os cordões entrelaçados

dão logar aos vegetaes indigenas; n'uma palavra, tudo o que não é

inspirado pela flora do paiz desapparece.

Os primeiros artistas que se entregam ao estudo das plantas indigenas

para as reproduzir na esculptura d'ornato, não procuram imitar fielmente

nas suas obras os vegetaes que têem á sua vista; mas antes os

interpretam a seu modo, isto é, apoderam-se dos caracteres principaes

com que se inspiram e compõem a largos traços a sua esculptura

monumental.

Os artistas entendem que a arte para ser bem apreciada não consiste na

reproducção escrupulosa como se fôsse photographia da natureza real, mas

sim na expressão do real idealisado e transformado pela imaginação do

esculptor.

Esses artistas introduziram no centro e no norte da França este novo

estylo de esculptura monumental durante a segunda metade do seculo XII;

e os seus imitadores nas outras partes da Europa, no principio do seculo

seguinte, limitaram-se em principio a imitar nas suas obras as plantas

mais humildes dos bosques e dos campos na occasião em que dão os seus

primeiros rebentos, quando os botões apparecem apenas meio abertos ou

n'uma palavra quando começam o seu primeiro desenvolvimento. Ha um

exemplo bem conhecido d'esta ornamentação vegetal rudimentar nos mais

antigos _crochetes_ de capiteis e nas rampas dos edificios que se usaram

no final do seculo XII e principio do XIII.

Estes _crochetes_ primitivos terminam enroscados de folhagem,

semelhando-se bastante com os rebentos das plantas que brotam da terra.

Entretanto os esculptores vão progredindo; depois de haverem applicado

as suas inspirações ao estudo do primeiro desenvolvimento dos mais

modestos vegetaes, abandonam estes humildes modelos, para em seu logar

applicarem as folhas completamente formadas, as flores e os fructos das

arvores, dos arbustos e das plantas herbaceas, mais graciosas.

Procuram reproduzir a vinha, a hera, o acre, o azevinho, a roseira

brava, a figueira, o carvalho, a pereira, o nenuphar, as campainhas, o

rainunculo, o morangueiro, o trevo, o platano, a salsa, etc. Todavia

esta transformação não se operou bruscamente, mas a pouco e pouco e por

successivas transições: na flora monumental, bem como na flora natural,

á maneira que os tempos passavam, os renovos abrem, as folhas

desdobram-se, os botões tornam-se em flores e produzem fructos. Foi

n'esta epoca que na França (no final do XII seculo, e até mais tarde) os

roulamentos primitivos das _crochetes_ se abrem dando logar a florões e

ramos de folhagens inteiramente desenvolvidos.

Progredindo sempre, os esculptores do seculo XIV abandonavam pouco a

pouco a nobre e graciosa simplicidade que os do seculo XIII costumavam

imprimir a todas as suas obras; entregam-se apaixonadamente á imitação

da natureza real e escolhem de preferencia as plantas d'um modelo

exagerado; reproduzem-nas com uma rara perfeição, mas exageram-lhes as

ondulações e contornos. Estas ondulações, que constituem um dos

caracteres que distinguem a esculptura do seculo XIV, encontram-se já

algumas vezes, ainda que poucas, durante a segunda metade do seculo

XIII.

As esculpturas do seculo XIV são muitas vezes inferiores ás do XIII,

porque são menos francamente executadas e carecem de simplicidade nos

contornos e no modelado; finalmente já visam muito a produzir effeito. O

seculo XIV no entanto produziu obras esculpturaes de grande merito.

A esculptura monumental no seculo XV caminha cada vez mais para o

affectado. Toma as plantas com folhagens muito recortadas, taes como o

cardo, a folha do repolho, etc. e para as imitar exagera-lhes as

profundas chanfraduras e os lóbulos angulosos das folhas.

Estas esculpturas são finas, delgadas e excessivamente vasadas.

Um ornato muito frequente do XV seculo em diante e que principalmente se

vê nas açafatas dos capiteís, é o que vulgarmente se chama folha de

repolho por causa da sua semelhança mais ou menos com a sua folha

enroscada.

Tambem se vêem representados na esculptura decorativa do periodo ogival,

assumptos historicos, legendarios e symbolicos bem como animaes reaes e

phantasticos. Estes animaes e as figuras grotescas, algum tanto raras no

interior dos edificios, encontram-se comtudo bastante na decoração

exterior dos monumentos, como carrancas, modilhões e até algumas vezes

ornatos em substituição dos _crochetes_ de rampa.

Durante todo o periodo ogival, as esculpturas eram completamente

concluidas antes de se collocarem.

Os esculptores de imagens terminavam as suas obras na casa do trabalho,

e eram collocadas no seu logar pelos alveneos. Um esculptor nunca subia

a um andaime.

_Fachadas_.--As faces exteriores dos monumentos da edade media são a

expressão exacta das disposições interiores.

Em consequencia d'este principio, as fachadas occidentaes das egrejas

reproduzem no conjuncto o córte transversal das naves. Além d'isso, como

a fórma d'este córte é pouco mais ou menos a mesma em quasi todas as

egrejas ogivaes, resulta d'isso, que o aspecto geral de muitas fachadas

é d'uma grande semelhança. Apezar d'esta semelhança no conjuncto geral e

dos contornos exteriores, a disposição e a ornamentação das fachadas são

extremamente variadas. As mais bellas fachadas ogivaes são sem duvida as

das grandes cathedraes francezas. Compõem-se em geral de muitas zonas

horisontaes e parallelas; o pavimento terreo tem tres portaes, que dão

ingresso para as tres naves; o central, que é a porta principal, é mais

largo e ornado mais ricamente que os outros dois.

As fachadas das grandes egrejas inglezas e allemãs (excepto a de

Colonia), não têem ornamentações tão vistosas como as cathedraes

francezas. A disposição é menos regular e a ornamentação destituida ás

vezes de bom gosto. Grande numero das egrejas allemãs têem só na fachada

Occidental duas torres em cada lado.

Na Belgica poucas egrejas têem tres portaes; geralmente na fachada

principal ha apenas um. As rosaceas, que são tão vulgares nas fachadas

francezas, raramente se vêem nas egrejas da Belgica.

As fachadas das egrejas ruraes são sempre de uma grande simplicidade. Em

geral tem um campanario, e apenas uma porta ao centro da fachada e uma

ou tres janellas no frontispicio.

_Alpendres_. Quasi todas as grandes egrejas ogivaes apresentam um ou

muitos alpendres, collocados adiante da fachada Occidental, ou das

entradas lateraes. Em muitas egrejas romans foi addicionado o alpendre

na epocha ogival.

Resumo elementar de archeologia christã · 第 9 / 23 段