seguintes traços. O tijolo é geralmente empregado para todas as
edificações. Mesmo nos paizes em que a pedra é abundante, os architectos
bysantinos preferiam, a maior parte das vezes, o tijolo aos materiaes de
grandes dimensões. O caracter distinctivo das egrejas bysantinas, sob o
ponto de vista da construcção, consiste na presença de uma ou de muitas
cupulas elevadas, sobre abobadas pendentes.
Chamam-se _abobadas pendentes_ umas certas saliencias nas abobadas do
cruzeiro, que pela sua fórma se approximam do sector espherico e que
serve para fazer passar uma construcção de quadrado a octogono ou a
plano circular.
A decoração exterior das egrejas bysantinas, sobretudo no IV e V
seculos, era pobre e simples. Do VII seculo ou do VIII seculo em diante,
os ornamentos exteriores das paredes e archivoltas das janellas são
bastantes vezes como os dos edificios Latinos, formados por fiadas de
pedras alternadas com uma ou muitas fiadas de tijolos. As archivoltas
ornadas de molduras ficam em resaltos umas sobre as outras, e
representadas nas paredes por cordões feitos de tijolos de fórma e côr
variaveis.
A decoração _interna_ consiste em revestimentos de diversas naturezas,
marchetados de marmores ou mosaicos, applicados sobre os pilares,
paredes e abobadas. O caracter essencialmente superficial da esculptura
bysantina consiste regularmente em folhagens lisas e angulares.
Os ornatos que os bysantinos gostavam de esculpir nas almofadas de
marmore com que decoravam o interior das egrejas, eram entrelaçamentos
de linhas rectas e curvas, ás quaes juntavam cruzes da Trindade, florões
e algumas vezes figuras de animaes tanto reaes como chimericos.
A começar no VIII seculo, as pinturas a fresco das egrejas bysantinas
foram muitas vezes substituidas por mosaicos e por embutidos em estuque;
acabaram por ser completamente substituidas.
A influencia bysantina fez-se sentir primeiramente no começo do IX
seculo e mais tarde, no fim do X. Foram construidas muitas egrejas sob a
influencia bysantina dos monumentos typos.
No reinado de Justiniano (527-565) o estylo bysantino ficou
definitivamente constituido com os caracteres acima definidos. Santa
Sophia em Constantinopla constitue o seu typo por excellencia.
Leão, o Isauriano, prohibiu, em 726, a reproducção de qualquer figura,
quer pela esculptura, quer pela pintura nas paredes das egrejas, quer
nos objectos do culto. Esta prohibição, confirmada em 754, por um
conciliabulo heretico, subsistiu até 842. N'este ultimo anno, depois da
morte de Theophilo, ultimo imperador iconoclasta, a imperatriz Theodora
substituiu os editos de Leão o Isauriano e restabeleceu o culto das
imagens.
A épocha mais florescente da arte bysantina foi no X seculo e mais
particularmente no reinado de Constantino Porphyrogeneta.
No XI seculo, uma serie de graves acontecimentos precipitou a decadencia
do imperio bysantino e trouxeram por consequencia o enfraquecimento das
artes. No XIII, XIV e XV seculos, as artes continuaram a desfallecer,
até que, em 1453, os turcos, apoderando-se de Constantinopla, causaram a
decadencia da arte bysantina.
CAPITULO IV
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*Summario.*--O estylo Roman desde o VIII até ao seculo
X--Caracteres do estylo Lombardo--Planos das
Egrejas--Cryptas--Baptisterios--Systemas de
construcção--Abobadas--Pilares e
columnas--Bases--Capiteis--Fachadas--Cornijas--Decoração
monumental--Architectura, antes do seculo XI, nos outros estados
sem ser na Lombardia: Italia central e meridional, Belgica e
França--O estylo Roman durante o XI e o XII seculos--Caracter da
Architectura Roman--Plano e distribuição das
Egrejas--Cryptas--Baptisterios n'este seculo--Materiaes e modo de
construir--Sepultura monumental--Fachadas--Portico das
egrejas--Portaes--Portas e suas ferragens--Janellas e
rosaceas--Maneira de resguardar da chuva as janellas e as vidraças
pintadas--Absides--Pilares, columnas--Bases e capiteis--Arcadas e
arcarias menores--_Triforium_--Cornijas e
modilhões--Abobadas--Contrafortes--Madeiramentos--Torres--Modo de
se lagearem os edificios--Pinturas muraes--Inscripcões
lapidares--Altares--Piscinas--Tribunas--Cadeiras do côro e a
separação da capella mór do corpo da egreja--Capellas
funereas--Tumulos visiveis e occultos--Campas--Pias
Baptismaes--Gradamentos--Alfaias religiosas--Calices e
patenas--Custodias--Relicarios--Corôas suspensas nos
altares--Lustres de forma de corôas--Cruzes para os altares e
procissões--Castiçaes e tocheiros--Evangeliarios--Capas dos livros
do Evangelho--Thuribulos--Pias para agua benta--Pentes
liturgicos--Cadeiras para os sacerdotes--Baculos--Calçado
liturgico--Mitras--Tecidos bordados--Vestuarios sacerdotaes.
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*Periodo Roman*
O periodo roman estende-se desde o VIII seculo até ao fim do XII. O
estylo roman formou-se e desenvolveu-se debaixo da influencia combinada
de tres elementos: 1.^o, o estylo classico e latino, cujos monumentos
existiam espalhados pela Europa meridional; 2.^o, o estylo bysantino,
cujos principios foram importados do Oriente; 3.^o, o genio particular
dos povos barbaros que invadiram a Europa desde o V seculo.
O estylo proveniente da influencia combinada d'estes tres elementos,
chamou-se _roman_, porque a sua origem e duração coincidem pouco mais ou
menos com a da lingua romanica. Por conseguinte a palavra _roman_
indica, do mesmo modo que na lingua romanica, o elemento barbaro que
contribuiu para a formação d'este estylo.
*O estylo Roman desde o VIII até ao X seculo*
A decadencia completa das bellas artes foi o effeito necessario dos
movimentos politicos que a Europa soffreu durante tres seculos. Só os
padres e os religiosos luctavam no meio d'este chaos, contra a barbarie
e a força brutal dos invasores. O renascimento das artes foi lento, e do
mesmo modo o das lettras, porque o solo da Europa occidental estava
juncado de destroços amontoados, dos monumentos antigos; as tradições
artisticas tinham-se perdido, e os principios haviam cahido em
esquecimento.
Para a architectura e para as artes, a Lombardia foi, desde o VII até ao
fim do X seculo, o principal centro d'este renascimento. O estylo
formou-se n'esta épocha, ao norte da Italia, e recebeu o nome de
_Lombardo_.
*Caracteres do estylo Lombardo*
O estylo Lombardo, ou o estylo Roman do norte da Italia, reinou n'este
paiz desde o VIII seculo até ao fim do XII.
O plano da basilica Latina foi geralmente adoptado nas egrejas
lombardas.
Na maior parte das grandes egrejas lombardas, as paredes internas são
construidas com galerias.
As cryptas das egrejas lombardas estendem-se por baixo de todo o
presbyterio, e formam verdadeiras capellas subterraneas, com muitas
naves abobadadas.
Os baptisterios isolados, geralmente octogonaes ou circulares, usaram-se
durante o periodo lombardo.
A maior parte dos edificios lombardos são construidos de tijolo.
_Abobadas_. A abobada em fórma de _berço_ consiste n'um semi-cylindro
concavo e sem penetração alguma.
A abobada de _*aresta*_, assim chamada porque apresenta quatro arestas
no intradoz, é formada pela intersecção ou penetração de duas abobadas
de berço, com a mesma abertura e reunindo-se em angulo recto.
Os architectos lombardos fizeram grandes progressos na construcção das
abobadas. Antes do seu tempo não se conhecia além da cupula senão duas
especies de abobadas: a abobada de berço, e a abobada de aresta romana.
As abobadas lombardas apresentam todas uma elevação em fórma de
zimborio, particularidade que pertence ao systema de construcção seguido
pelos architectos lombardos. Esta elevação dá ás abobadas das egrejas
lombardas um aspecto particular.
Nas egrejas lombardas de tres naves, a principal tem sempre dobrada
largura.
Como dissémos, as abobadas da nave principal exercem sobre os seus
pontos de apoio não sómente uma pressão vertical, mas tambem uma obliqua
e lateral, que tende a fazer inclinar para fóra os pilares e as muralhas
superiores. Nos edificios lombardos, esta pressão acha-se equilibrada
pelo encontro opposto das abobadas altas e baixas das naves lateraes e
em parte apoiada sobre os contrafortes exteriores, pelos arcos-butantes
das naves lateraes e pelas porções de parede que supportam estes arcos.
Nos edificios antigos e nas basilicas latinas serviam-se de columnas
cylindricas, pouco espaçadas e recebendo directamente as pressões
verticaes de entablamentos d'um peso relativamente pouco consideravel.
Os constructores lombardos substituiram o pilar composto de columnas
pelo simples supporte cylindrico da basilica coberta de madeira.
Os caracteres dos pilares lombardos pódem resumir-se da seguinte
maneira: 1.^o Os pilares apresentam uma secção rectangular ou quadrada e
são ornados de pilastras ou de columnas envolvidas, recebendo as bases
das nervuras e dos arcos-butantes. 2.^o Não têem todas a mesma grossura,
umas são menos, outras mais fortes, segundo recebem ao mesmo tempo as
bases de todas as abobadas, ou das naves lateraes sómente. Foi desde a
primeira metade do seculo VIII que appareceram os pilares ornados de
columna, desconhecidos na arte classica e empregados com profusão no
Occidente pela arte na edade media. As columnas e as columnatas são
ordinariamente construidas por fiadas de desigual altura de medio e
pequeno apparelho; raramente são monolithas.
Essas columnatas dos pilares, quasi sempre delgados e muito elevados,
chegam muitas vezes sem interrupção até á origem das abobadas, e
constituem um facto capital na historia da arte, porque são um dos
elementos mais caracteristicos e fundamentaes de quasi toda a
architectura da edade media.
As bases lombardas approximam-se sensivelmente, pela sua fórma, da base
attica propriamente dita.
Estas bases são muitas vezes munidas d'um ornato destinado a ligar o
tóro inferior com os angulos do plintho e a dar d'este modo uma
apparencia de maior solidez dos angulos. Este ornato ou appendice
recebeu o nome de _garra_ ou _pata_.
As garras mais antigas são muito simples, as de data posterior
representam ordinariamente cabeças d'animaes.
Os capiteis lombardos, assim como os bysantinos, têem ordinariamente a
fórma de açafate esvasado ou cubico.
Uma transformação se opéra insensivelmente e a arte lombarda adquire uma
certa originalidade. Os seus typos são variadissimos; o cinzel do
esculptor dá ali provas de fecundidade. Mais tarde esta transformação
continúa lentamente, e durante o X seculo, as esculpturas tornam-se mais
salientes, as folhagens são augmentadas e as extremidades arredondadas.
Em relação á esculptura d'ornato que cobre o açafate, podem
distinguir-se duas especies de capiteis: os capiteis _ornados de
folhagens_ e os capiteis historicos ou legendarios. Os capiteis
historicos são muito communs nas egrejas lombardas que datam do VIII
seculo.
Chamam-se historicos e legendarios os capiteis que são ornados com
esculpturas que representam scenas tiradas da historia ou da lenda e até
mesmo algumas vezes têem animaes symbolicos ou phantasticos.
O abaco enorme em fórma de capitel, que se encontra nos edificios
Latinos, só raramente se vê nas egrejas Lombardas; é substituido por
grosso abaco, mas pouco elevado, de profil muito acentuado e muitas
vezes talhado em pedra differente do corpo do capitel.
Em opposição ao principio geralmente admittido pela antiguidade e pela
edade media, as fachadas das egrejas Lombardas não indicam exteriormente
a fórma das naves lateraes.
Compõem-se d'uma grande parede que chega até aos dois lados obliquos que
a terminam, e na qual não apparece o resalto na nave principal por cima
das naves lateraes.
Os campanarios das egrejas Lombardas ficam ordinariamente separados do
edificio da egreja, e compõem-se de uma serie d'andares quadrados, todos
da mesma largura e pouco mais ou menos da mesma altura, separados uns
dos outros por cornijas. Estes andares são ornados com faixas muraes e
pequenas arcadas fingidas, cujos arcos se apoiam sobre modilhões.
As cornijas dos edificios lombardos apenas apresentam uma pequena
saliencia das faces das paredes. São quasi sempre collocadas sobre
arcaduras fingidas, de volta inteira, assentando em modilhões de fórma
muito simples.
As arcaduras constituem uma das fórmas caracteristicas da architectura
Lombarda; encontram-se, não só debaixo das cornijas dos telhados, mas
tambem debaixo das outras cornijas das fachadas; e até mesmo nas
platibandas horisontaes dos edificios.
*Decoração monumental*
Os bysantinos cobriam com marmores e mosaicos as paredes interiores das
suas egrejas. Os lombardos, pelo contrario, mostram no seu systema
decorativo uma certa preferencia quasi exclusiva pelas esculpturas, a
qual derivando da bysantina, foi por algum tempo sua imitação; porém,
mais tarde, a começar no IX seculo, principiou-se a abandonar esse modo
de decorar.
Nos primitivos edificios lombardos nota-se uma grande incorrecção nas
esculpturas das figuras, quer verdadeiras, quer phantasticas. Mais
tarde, encontram-se, em todo o periodo do estylo Lombardo, nos seus
edificios, animaes chimericos, ora isolados ora em frente uns dos
outros, e acompanhados, e tambem entrelaçados de folhagens.
As esculpturas não cobrem só os capiteis, mas tambem as archivoltas e os
tympanos, assim como as faces dos altares, dos doceis, etc.
Os embutidos e os revestimentos de marmore são raros no interior dos
edificios lombardos.
Desde o IX seculo que se substituiram os embutidos em marmore pelas
pinturas a fresco e por mosaicos de pequenos cubos.
Em quanto o estylo Lombardo se desenvolvia no Norte da Italia, o Latino
continuava a ser seguido na Italia central e meridional.
A maior parte das egrejas do VII e do VIII seculos eram construidas de
madeira, o que explica os frequentes incendios d'essas egrejas.
No principio do seculo IX, o imperador Carlos-Magno tentou fazer reviver
as bellas artes na Europa Occidental; quiz restabelecer o renascimento
da arte romana.
*O estylo Roman durante os seculos XI e XII*
O estylo Lombardo, inteiramente constituido no Norte da Italia desde o
seguinte seculo, exerceu uma grande influencia sobre a architectura
roman dos paizes cisalpinos no XI e XII seculos. No fim do X seculo, e
no principio do seguinte, os monges introduziram o estylo Lombardo na
Allemanha, na Suissa, e nas provincias da França visinhas da Italia,
d'onde irradiou para o Norte e Oeste.
O estylo roman da Europa Central não é outra coisa mais que o estylo
Lombardo transportado áquem dos Alpes e modificado occidentalmente pelo
proprio genio dos differentes povos que occupavam esta região. O
elemento Gaulo-romano tomou tambem grande parte na formação do estylo
roman.
O roman inglez recebeu o elemento Lombardo por intermedio dos Normandos,
que, depois de terem conquistado a Inglaterra, para ali levaram o estylo
do Occidente da França.
A rapida propagação das ordens religiosas durante o seculo XI,
contribuiu poderosamente para a diffusão e desenvolvimento da
architectura Roman. Foi n'este seculo, que as ordens religiosas, graças
a abundantes recursos, cobriram em pouco tempo a Europa Central e
Occidental com um grande numero de egrejas e mosteiros. Estes
monumentos, não obstante apresentarem todos os mesmos caracteres geraes,
taes como o emprego das abobadas de volta inteira e d'um mesmo systema
de construcção, differem comtudo entre si, em certos caracteres
especiaes, proprios de cada região.
O estylo roman do seculo XI differe do estylo do XII por uma
ornamentação mais simples, contornos menos correctos e execução
geralmente inferior.
No seculo XII, abundam os ornatos tanto no interior como no exterior dos
edificios. No final do seculo XI, estabeleceram-se, na Europa
Occidental, duas escolas de architectura, animadas de diversas
tendencias. Uma na ordem de S. Bento, que tinha o seu centro principal
na abbadia de Cluny, desenvolvia uma magnificencia e um luxo quasi
extraordinario na decoração dos edificios religiosos, cuja construcção
lhe era incumbida; a outra, pelo contrario, procedente da Ordem de
Cister, quasi que não admittia ornatos alguns e levava a singeleza até á
severidade. Em todos os paizes em que existiam edificios romanos por
occasião da formação do estylo roman, a sua existencia exerceu grande
influencia na decoração dos edificios. Pelo contrario nos paizes em que
escasseavam aquelles monumentos, diligenciaram imitar, a maior parte das
vezes, na esculptura monumental os variados tecidos importados do
Oriente.
*Caracteres da architectura Roman*
As egrejas romans apresentam ordinariamente em planta a forma d'uma Cruz
Latina, cuja frente representada pelo côro é voltada para o Oriente.
Têem geralmente tres naves formadas por duas ordens parallelas de
pilares, e algumas vezes de cinco. Depois do seculo XI, o côro das
egrejas cathedraes, abbaciaes (exceptuando as da Ordem Cistersiense e
collegiaes), tem maiores dimensões que nas basilicas Latinas e
Lombardas.
Quando o côro não era rodeado de capellas, terminava por um abside
semi-circular ou por uma parede recta. Encontram-se, nas margens do
Rheno e em outras partes da Allemanha, egrejas Romans com dois absides
semi-circulares, um a Leste e o outro a Oeste.
Algumas das grandes egrejas Romans têem os lados do corpo da egreja
divididos por galerias.
Todas as egrejas Romans, sem excepção, são orientadas.
Muitas das mesmas egrejas têem cryptas quasi sempre situadas debaixo do
côro, e formando capellas subterraneas, com tres a cinco naves, cujas
abobadas de barrete veem assentar sobre duas ou quatro ordens de pilares
pouco elevados.
Desce-se para a maior parte das cryptas por duas escadas collocadas aos
lados da que do transepte conduz ao côro. Nas que não têem senão uma
entrada, acha-se ordinariamente diante do côro mesmo no eixo da egreja.
O uso de construir cryptas só deixou de existir desde o seculo XIII.
Durante o periodo Roman, ainda se construiram, ao pé das cathedraes e
das grandes Egrejas abbaciaes e parochiaes, baptisterios isolados, de
fórma polygonal e circular.
Todavia, logo que a solemne ministração do baptismo caiu em desuso, não
se construiram mais baptisterios proximo das novas Egrejas parochiaes
que se edificaram. A pia baptismal foi então transportada para a nave
principal, proximo á porta de entrada da egreja nas naves lateraes, ou
então em uma capella do lado occidental, proximo da porta principal.
A natureza dos materiaes influe poderosamente sobre o modo de
construcção adoptada; assim nos paizes em que a cantaria é resistente,
construe-se com grandes dimensões, o apparelho é mais grandioso, as
fiadas são altas; emquanto que, nas localidades em que os materiaes são
menos resistentes, e em que o trabalho de preparar a cantaria é portanto
mais facil, o apparelho tem menor dimensão.
No seculo XI, a esculptura monumental toma repentinamente um
desenvolvimento extraordinario pela influencia combinada do estylo
Lombardo, dos monumentos Gaulo-Romanos; dos tecidos e outros objectos
d'arte importados do Oriente pelos cruzados.
Em cada paiz ou quasi que em cada provincia, a decoração Roman offerece
caracteres particulares, devidos á aptidão dos habitantes, á variada
natureza dos materiaes e a outras influencias locaes. Em geral, em todos
os paizes onde se encontravam documentos romanos ricamente decorados, a
influencia Lombarda se liga e se combina com a d'estes monumentos.
No Noroeste da França, principalmente na Normandia, e até mesmo na
Inglaterra, a decoração consiste principalmente em estrellas e outras
figuras geometricas. A ornamentação Roman da Allemanha compõe-se
sobretudo de galões entrelaçados, cujas extremidades acabam em folhas
com tres a cinco lobulos. Estes galões, algumas vezes ornados de
perolas, parecem ordinariamente ligados com fitas ou reunidos por
anneis.
Na Belgica, onde principalmente se manifestou a influencia da escola
Cistersiense, os monumentos do periodo Roman não têem as decorações de
trabalhos custosos e variados, que se encontram n'outros paizes.
Assim como nas basilicas Latinas, as fachadas das egrejas Romans indicam
em geral a forma transversal das naves; só no seculo XI, começaram a
ornal-as com mais cuidado e esmero. A sua decoração architectural
consiste nos portaes, ordinariamente tres, construidos em profundas
arcadas de volta inteira mais ou menos carregadas de molduras de
architectura; as galerias, verdadeiras ou fingidas, eram formadas por
uma ou muitas ordens de arcadas fingidas ou rendilhadas; e emfim em
grandes rosaceas vasadas, por cima da porta principal.
Raras vezes se encontram fachadas romans decoradas com estatuas.
Antes do seculo XI, os atrios que succederam aos narthex das basilicas,
apresentavam-se d'ordinario sob a fórma d'um portico, geralmente pouco
profundo e occupando toda a largura da fachada da egreja; havia alguns
tambem, ainda que pouco numerosos, que eram construidos na fachada
Occidental.
Os atrios Romans dos seculos XI e XII dividem-se em fechados e abertos;
os primeiros tomaram, em varios paizes, um desenvolvimento de tal modo
importante, que formavam de alguma maneira uma nova egreja construida em
frente das naves propriamente ditas, como havia na egreja de S.
Francisco de Santarem.
Nos grandes monumentos do seculo XI, e especialmente do XII, os portaes
mais notaveis, e até mesmo algumas vezes os secundarios, são ornados
profusamente de esculpturas de todo o genero.
Quando as archivoltas dos portaes são cobertas com muitas esculpturas, o
tympano é quasi sempre ornado d'um baixo relevo, representando Jesus
Christo sentado e sob uma aureola. Em alguns casos o Redemptor offerece
as mãos a dois Santos coroados e ajoelhados cada um do seu lado; em
outros, lança a benção com a mão direita e segura um livro com a
esquerda; n'este caso a aureola é muitas vezes cercada de animaes
symbolicos representando os Evangelistas.
Nos mais importantes monumentos, os batentes dos portaes eram
ordinariamente de bronze ou de qualquer outro metal.
As ferragens das portas, que a principio não serviam senão para
consolidar todas as travessas da porta, forneceram desde o seculo XI, no
estylo Roman, um dos mais bellos modelos de ornamentação.
Encontram-se tambem, nos edificios de architectura Roman, portaes com
batentes de madeira esculpidos em baixo relevo. As janellas d'estes
edificios mais antigos são pequenas e quasi sem ornamentação alguma.
No meado do seculo XI, augmentaram os vãos das janellas á proporção que
mais se generalisava o uso do vidro. No final d'este seculo e durante
todo o XII, as archivoltas exteriores das janellas dos grandes
monumentos são executadas com o maior cuidado, e compostas de arcos com
muitas ordens de pedras lavradas symetricas, varias vezes com o feitio
de tóros, ficando assentes sobre grupos de pequenas columnas ou sobre
pés direitos ornados de uma imposta com esculptura. Estes tóros têem
tambem muitas vezes ornatos.
No seculo XII, apparecem as janellas geminadas de dois vãos, separados
por uma humbreira em fórma de columna, e servindo-lhe de moldura um arco
commum de resalva. Vêem-se tambem janellas mesmo de tres vãos reunidos
debaixo d'um unico arco. N'estas ultimas ou o vão do meio é mais alto
que os dos lados, ou então é o tympano formado pelo grande arco, no qual
ha um oculo, inteiramente aberto ou em fórma de trêvo, de quatro folhas
e ás vezes com seis e mais lóbulos.
Tambem se encontram nos edificios romans do seculo XIII, olhos-de-boi e
que não servem de ornamento aos vãos de janellas. Chamam-se rosaes e são
compostos de differentes maneiras.