uma divisão, umas vezes occultando o recinto, e outras ficando
rendilhado, á altura de metro e meio a dois metros acima do chão. Esta
divisão, chamada _cancello_, era muitas vezes de marmore.
A cadeira episcopal ou _cathedra_ occupava o fundo do abside. Era de
pedra de marmore precioso, e elevada tres degraus, pelo menos, acima do
presbyterio.
Havia tambem cadeiras de marfim.
Aos lados da cadeira episcopal, e ao longo da parede do hemicyclo,
achavam-se os bancos destinados aos padres, chamados algumas vezes
_exedrae_, pelos auctores antigos. Eram muito simples, e durante o
officio cobriam-se com almofadas.
A partir do meado do IV seculo caíu a pouco e pouco em desuso o
enterramento nas catacumbas; e no principio do seculo seguinte,
desappareceu completamente. Os cemiterios estabeleciam-se á roda da
capella-mór das egrejas e das basilicas, situadas fóra dos muros das
cidades, com os seus tumulos quasi sempre orientados.
N'estes cemiterios depositavam-se a maior parte das vezes os cadaveres
em covas de pedra e cal. Entre duas paredes parallelas e distantes entre
si 70 centimetros, pouco mais ou menos, abriam-se, por meio de lages ou
simples tijolos, nichos de tamanho sufficiente para receber um cadaver.
Estes nichos chegavam ás vezes a disporem-se em dez ordens, umas sobre
as outras. Este systema foi o adoptado para as sepulturas dos cemiterios
do IV, V e VI seculos.
Algumas vezes tambem os cadaveres eram encerrados em sarcophagos, que em
seguida se cobriam com terra, ou se collocavam tanto ao ar livre como
debaixo de abobadas, no interior das egrejas e das basilicas.
Foi sómente no VII seculo que a Egreja começou a permittir, ou antes a
tolerar, as inhumações, não precisamente no interior, mas em redor dos
templos situados dentro das cidades. Unicamente os bispos haviam até ali
gosado do privilegio de serem enterrados nas suas egrejas Cathedraes.
Durante o periodo Latino foram muito raros os edificios isolados que se
construiram para servir de sepultura aos grandes personagens.
As esculpturas dos sarcophagos começaram a modificarem-se no meiado do V
seculo. Os assumptos biblicos desapparecem a pouco e pouco, e são
substituidos por imagens de Santos. A Cruz da SS. Trindade ou o
monogramma de Christo occupa, muitas vezes, o centro da face principal
dos sarcophagos, destinada antes para o logar do Salvador, tendo aos
lados pombas, pavões, palmeiras, parras e outros symbolos.
As tampas são ornadas de Cruzes da SS. Trindade, formadas pelo
entrelaçamento de Cruzes gregas e de Cruzes de Santo André, isto é, em
fórma de X.
O meio da face principal d'alguns sarcophagos é occupado pelo monogramma
de Christo, que d'este modo preenche o logar do Salvador. Os pavões aos
lados do monogramma são os emblemas dos Apostolos, e as pombas, bicando
os cachos de uvas, symbolisam os fieis alimentando-se do vinho
eucharistico. A maior parte dos sarcophagos eram de pedra ou de marmore;
no entanto alguns havia de chumbo e até mesmo de gesso.
Os _sarcophagos do IV seculo_ tinham todos a mesma largura e a mesma
altura nas extremidades; do V seculo, apparecem muitos tendo o lado da
cabeça mais largo que o dos pés.
As _campas sepulchraes_ são em geral indicio de uma sepultura
subterranea. O seu uso é muito remoto. As lages tumulares, assentes
sobre os tumulos subterraneos ou nos nichos ao longo das paredes, eram
já empregadas no V seculo, sendo muitas vezes esculpidas em relevo, e
tambem algumas ornadas com desenhos só a traço. Por vezes ajustavam na
parede, onde existia qualquer sepultura, uma placa de marmore ou de
pedra, sobre a qual se gravavam symbolos, o nome do defuncto, a sua
idade, ou tambem o dia do seu fallecimento.
Os _tumulos_ dos cemiterios primitivos podem-se dividir em tres classes,
segundo os objectos que n'elles se encontram. A primeira classe
comprehende aquelles em que, além do esqueleto, se não encontra mais
objecto algum, a não ser ás vezes uma pequena faca: estes tumulos são os
dos servos ou pessoas de condição servil. Nos tumulos da segunda classe,
o esqueleto é acompanhado do grande alfange de ferro, chamado
_scramasaxe_: são estes os dos homens livres ou senhores feudaes. O
homem livre gosava do privilegio de trazer á cintura este instrumento,
que com elle era tambem depositado no tumulo. A terceira classe era
constituida ordinariamente por um certo numero de tumulos ricos em
coisas de toda a especie, principalmente em armas e objectos de toilette
feminina: são esses os tumulos dos chefes militares, dos guerreiros e
membros da sua familia.
O homem de guerra era sepultado com todo o seu equipamento, e ao lado
depositava-se a sua esposa, adornada com todas as joias que tinha usado
durante a vida.
As fivelas (fibules), que se encontram em tão grande numero n'essas
sepulturas tinham duas serventias.
As maiores serviam para fechar o boldrié de coiro onde se suspendia o
_scramasaxe_. Quasi todas são de ferro, sendo algumas marchetadas de
prata ou revestidas de laminas de prata, com lavores representando
folhagens ou figuras. Encontram-se algumas de bronze, e são as mais
bellas.
Ha tambem umas fivelas de bronze e de menores dimensões, que serviam
para ligar o vestuario á roda dos rins, para individuos dos dois sexos.
Estas fivelas eram em geral menos lavradas que as do cinturão. Algumas
havia tambem de ferro.
Os alamares, broches ou _fibulas_, destinadas a unir sobre os hombros ou
sobre o peito as duas extremidades do vestuario, são sem duvida os
objectos mais interessantes que se encontram nas sepulturas dos
cemiterios. Ha-os de ouro, de prata, de bronze, e encontram-se sobretudo
nos tumulos de mulher.
Encontram-se tambem frequentemente nos tumulos de mulher, pregos para
segurar o cabello, com cabeças de aperfeiçoado trabalho. Ha-os de ouro,
de prata e de bronze, com grandes comprimentos.
Os brincos das orelhas são em geral, assim como os pregos para o
cabello, pequenas obras primas de ourivesaria. Compõem-se quasi sempre
de um annel de grande diametro, ao qual está ligado um pequeno botão de
ouro cheio de filigranas e de vidrilhos embutidos. Os _collares_ que
frequentemente se encontram nas sepulturas de mulher, compõem-se de
contas, de fórmas e dimensões differentes, enfiadas n'um cordel. As
contas são de vidro e de loiça de diversas côres, e de coral natural ou
arredondado; tem-se tambem encontrado, mas raras vezes, contas de ouro
massiço. As de vidro e de loiça são, em geral, pintadas com differentes
camadas de côres juxtapostas, que adherem pela cozedura, reprezentando
zig-zags, e outras muitas figuras estriadas. As côres que predominam,
são o vermelho, o amarello, o verde, o pardo, o azul, o branco e o
preto.
As _vasilhas de barro_ constituem o complemento obrigado de todos os
tumulos antigos. Encontram-se, quasi sempre, uma ou duas aos pés do
esqueleto. Parece que estas vasilhas serviam aos pagãos para conterem
agua lustral. Em seguida á sua crença na verdadeira fé, os convertidos
ao Christianismo continuaram a encerrar vasilhas nos tumulos, porém
mudaram a significação d'esta ceremonia funebre, substituindo a agua
lustral pela agua benta.
A maior parte d'estas vasilhas são de barro preto e vermelho. Muitas
apresentam a fórma d'uma pequena urna, tendo na parte superior do bojo
ornatos de estylo muito rudimentar, feitos em volta e por meio da ponta
d'um instrumento cortante.
As _vasilhas de vidro_, de fórmas elegantes e variadas, que se encontram
nas sepulturas junto á cabeça ou aos pés do esqueleto, mostram que a
arte de vidraceiro já tinha attingido um elevado gráu de perfeição. O
maior numero são de vidro, d'um amarello esverdeado, soprado ou moldado;
algumas têem como ornato riscas delgadas, brancas ou de côr, feitas
depois da sopragem ou misturadas com a massa vitrea.
A introducção do Christianismo entre os Francos data do fim do seculo V.
Não é por isso para admirar o encontrarmos nos seus tumulos objectos
ornados com symbolos christãos.
O _calice_ occupa o primeiro logar entre os vasos sagrados. Já os
Apostolos se serviam de calices para a celebração dos Santos Mysterios.
Nos primeiros seculos da egreja, os calices eram de madeira, de vidro e
até mesmo de chifre.
Depois da conversão de Constantino, é que se começou a generalisar o uso
dos calices de ouro e de prata. Muitas vezes eram tambem ornados de
pedrarias.
Existem calices de differentes especies. Os calices ordinarios, que se
compõem, como os de todas as idades posteriores, de uma taça, um nó e um
pé, tinham, em geral, a taça de fórma cylindrica, mais ou menos vasada,
muito estreita e profunda. Os calices da segunda especie eram os calices
ministeriaes, que serviam para distribuir aos fieis o precioso sangue,
quando estava em uso a communhão de duas especies na Egreja. Este uso
foi abolido no XIII seculo. Os calices ministeriaes, em geral, de
grandes proporções, tinham duas asas.
Havia ainda os calices das offerendas, _calices offertorii_, nos quaes
os diaconos recebiam as oblações de vinho; os calices baptismaes, que
serviam para dar aos novos baptisados uma mistura de leite e de mel; e
os calices de adorno, que nos dias solemnes eram suspensos na egreja,
nas proximidades do altar, ou collocados sobre a credencia.
A _patena_, assim chamada do verbo latino _patere_, _estar aberto_, em
consequencia da sua fórma larga e pouco profunda, é um prato de metal,
de vidro, ou de qualquer outra substancia, no qual se colloca a Hostia,
durante a Santa Missa. O seu uso é tão remoto como o do calice.
As patenas eram redondas, quadradas ou polygonaes e munidas d'um
rebórdo.
O uso de reservar a Santa Eucharistia para os doentes e ausentes, provém
desde a origem do Christianismo.
Pouco depois, quando os _altares_ foram augmentados com o _ciborio_,
suspendiam a reserva Eucharistica encerrada em vasos com a fórma de
torres e pombas. Os vasos para as Sagradas Particulas tinham
primitivamente a fórma de uma pomba. Quasi todos eram de ouro, de prata
e de cobre dourado. A pomba Eucharistica encerrava-se geralmente em um
Tabernaculo com fórma de torre.
Durante o período _Latino-bysantino_, os corpos dos Santos eram
cuidadosamente encerrados em sarcophagos, e depositados em cima d'um
altar ou n'uma crypta subterranea.
O Relicario para o Santo Lenho tem quasi sempre a fórma de pequenas
Cruzes peitoraes, concavas interiormente, e abrindo-se em toda a sua
altura, por meio d'uma dobradiça collocada no vertice superior da Cruz.
As _chaves da confissão de S. Pedro_ são assim chamadas, porque se diz,
que serviam para dar ingresso no tumulo do principe dos Apostolos, na
crypta da basilica Vaticana. As chaves são grossas, ovaes, ôcas e de
lavores rendilhados.
Os Soberanos Pontifices dos primeiros seculos tinham por uso distribuir
aos reis, aos principes e aos bispos, parcellas das cadeias de S. Pedro,
dentro de anneis, cruzes, e principalmente em preciosas chaves.
Desde o IV seculo que começaram a importar de Jerusalem os oleos
provenientes das lampadas que ardiam de noite e de dia no Santo
Sepulchro, e em outros logares Santos.
Os Papas e os Bispos enviavam estes oleos ás egrejas, aos soberanos e ás
pessoas de distincção. Eram conservados e remettidos em pequenos vasos
de vidro ou de metal, circulares, e achatados, com gargallo.
Durante os primeiros seculos, a Mesa do altar estava inteiramente livre
e a descoberto, e só se punha em cima o pão, o vinho e os Vasos Sagrados
necessarios para o Santo Sacrificio.
_Os Crucifixos_ e os castiçaes _eram desconhecidos_ durante os primeiros
seculos. N'essa épocha apenas algumas vezes se via uma cruz ao lado
direito do altar.
_Corôas de altar_, geralmente de _metal precioso_ e ornadas de pedrarias
engastadas, constituiram, durante todo o periodo latino, o mais rico
accessorio do altar.
As mais notaveis corôas de altar, que foram descobertas em 1858 e 1860,
em Toledo (Hespanha), são em numero de onze, todas de ouro e cravejadas
de pedras.
Algumas vezes, principalmente a partir do IX seculo, deu-se o nome de
_regnum_ ás corôas votivas dos altares, para as distinguir das de
illuminar. Tambem ás vezes se penduravam Cruzes proximo dos altares.
As luzes que se empregavam com profusão, durante os Officios Divinos,
eram collocadas proximo dos altares, quer sobre uma mesa, quer sobre
candelabros, ou ainda mais vezes sobre lustres, em fórma de corôa,
suspensos no côro, no Sanctuario e até mesmo no meio da egreja.
Os _diptycos_ são de épocha muito remota. Ao principio eram formados de
duas pequenas taboas de madeira ou de marfim, dobrando-se uma sobre a
outra, e cuja parte interior continha uma camada de cera, sobre a qual
se escrevia. Estas taboas eram rodeadas com uns fios de linho, sobre os
quaes se deitava cêra que se imprimia com um sinete. Serviam assim para
as missivas secretas.
Desde a sua origem que a Egreja Christã teve diptycos. Eram tabellas ou
catalogos, sobre os quaes se inscreviam certos nomes que deviam ser
lembrados e lidos, pelo menos em parte, nas reuniões sagradas dos fieis.
Podêmos pois, conforme a origem, distinguir duas especies de diptycos
sagrados: os diptycos consulares adaptados á liturgia, e os diptycos
puramente ecclesiasticos.
Os diptycos puramente ecclesiasticos eram de marfim ou de metal. Tinham
nas faces exteriores esculpidos ou cinzelados a imagem de Christo e a da
Santa Virgem, ou assumptos tirados da historia do Velho e Novo
Testamentos, e outros symbolos christãos.
Quando a leitura dos diptycos começou a deixar de se usar nos officios
sagrados, transformaram-se as taboas esculpidas ou cinzeladas, em capas
para livros liturgicos.
Desde o tempo de S. Jeronymo que começaram a ornamentar, o mais
ricamente possivel, o livro dos Evangelhos; notava-se esta riqueza tanto
no exterior como no interior do volume.
Muitas vezes o texto sagrado era escripto com letras de ouro sobre
membranas côr de purpura.
Exteriormente os livros dos Evangelhos eram ornados com todo o esmero;
nas capas abundavam o ouro, a prata, os vidrilhos, as pedrarias e as
perolas, e durante muito tempo, foi costume encerral-os em estojos ou
cofres, _capsae_, ricamente trabalhados.
As capas dos Evangeliarios podem-se dividir em duas classes: as de
laminas metallicas e as de marfim.
Entre as primeiras, umas eram simples, sem figuras e até mesmo
desprovidas de toda a ornamentação, outras cravejadas de pedras e
esculpidas em relevo, representando assumptos religiosos.
Os assumptos das capas dos Evangeliarios de marfim e de metal não
differem dos que têem as dos diptycos. São symbolos ou scenas extrahidas
do Novo Testamento e principalmente da vida e da paixão de Nosso Senhor.
_Estofos preciosos_. Durante os primeiros seculos da era christã, os
fatos ordinarios eram de tela, ou, na maior parte das vezes, de lã.
Depois da conversão de Constantino, o uso dos tecidos de seda para as
vestes liturgicas generalisou-se bastante, a ponto tal, que o Soberano
Pontifice S. Silvestre, contemporaneo d'este imperador, foi obrigado a
abolil-o nas roupas brancas de altar chamadas _corporaes_.
Além dos tecidos unidos, ha outros ornados com figuras ordinariamente
multicolores, obtidas umas pela applicação de variegadas côres depois da
tecedura, outras durante a tecedura, por meio de certas combinações dos
fios da cadeia e da trama.
Durante o periodo Latino, o fabrico textil da seda era completamente
desconhecido na Europa meridional e occidental. Provinham da Asia, do
Egypto, da Grecia e de Constantinopla, os tecidos de seda. É por este
motivo que muitas vezes se chamavam _estofos transmarinos_, e mais tarde
tambem, estofos dos Sarracenos, porque os arabes mahometanos forneciam
para o Occidente uma grande quantidade.
Os estofos mais antigos não raras vezes eram decorados com medalhões
circulares ou ovaes, no genero de _Maestricht_, obtidos ou pela
tecedura, ou por bordados applicados posteriormente.
A ornamentação dos tecidos, que vinham do Oriente e sobretudo da Persia,
consistia em assumptos em que predominavam o reino animal e o vegetal, e
até por vezes na propria mythologia d'este ultimo paiz. Em vão
procurariamos o symbolismo christão n'estas representações tão variadas.
Apenas ali se encontra o producto da imaginação dos artistas orientaes,
que confeccionaram esses tecidos.
Os symbolos e os assumptos christãos só excepcionalmente apparecem sobre
alguns productos das fabricas gregas ou bysantinas, e isso mesmo em uma
épocha relativamente recente; consistem em pequenas Cruzes Gregas da
Trindade, inscriptas em circulos, animaes symbolicos, taes como o leão e
o pavão, e raramente um personagem isolado. As scenas historicas do
Velho e Novo Testamentos não começaram a representar-se sobre os estofos
senão durante o VIII seculo.
Desde o meiado do IV seculo, que a egreja começou a servir-se d'este
meio, para representar, sobre os tecidos empregados nas ceremonias
sagradas, assumptos religiosos extrahidos do Velho e do Novo
Testamentos, ou da historia dos Santos.
O ouro, a seda e as perolas, abundavam em todos estes bordados, que
consistiam muitas vezes em medalhões circulares ou ovaes e que
applicavam sobre tecidos preciosos, para lhes imprimir um caracter
religioso.
Desde o VI seculo que a arte de bordar foi, na Europa occidental, a
principal occupação das mulheres nobres, e no seculo seguinte, esta arte
elevou-se a um tal gráu de prosperidade, nas Ilhas Britannicas, que
durante toda a idade media não deixou de florescer.
Desde os primeiros seculos, que se ornavam com bordados de purpura, ou
de qualquer outra côr brilhante, as vestes de lã branca dos padres e dos
diaconos. Estes bordados foram mais tarde substituidos por brocados de
seda. Serviam-se tambem dos pannos d'essa qualidade, para armação nas
basilicas e nas egrejas.
Estes ricos pannos tinham ainda outro uso. Antes de serem collocadas nos
ataúdes, as ossadas dos Santos eram rodeadas de pelles de camello e
envolvidas em tecidos os mais ricos, de linho, seda e ouro. A maior
parte dos estofos antigos que se conservaram até aos nossos dias, foram
tirados de sepulturas de Santos.
_Paramentos Sacerdotaes_. A Egreja manteve escrupulosamente, para os
ornamentos sagrados, as fórmas adoptadas pelos primeiros christãos,
emquanto que a fórma e o talhe dos fatos profanos se modificaram
invencivelmente.
Em geral, os paramentos sagrados dos padres e dos ministros inferiores
eram brancos. O uso das côres variadas manifestou-se primeiramente nas
_casulas_ e nas _capas d'asperges_.
As cinco côres liturgicas de que se servem hoje, foram estabelecidas
pouco mais ou menos no IX seculo, e definitivamente consagradas dois
seculos depois.
Os paramentos dos padres são as casulas, a _capa d'asperges_, a
_estóla_, o _manipulo_, o _cinto_, a _ópa_ e o _amicto_. As principaes
vestimentas, proprias para os ministros inferiores, são a _dalmatica_ e
a _tunicella_.
A casula primitiva era uma vestimenta sem mangas, muito ampla,
envolvendo todo o corpo desde o pescoço até aos pés, e formando uma
especie de barraca, _casula_, em torno da pessoa que a vestia. Tinha
apenas uma abertura para passar a cabeça.
A _estóla_ deve o seu nome e origem ao vestuario que os romanos chamavam
estola.
A Egreja adoptou como paramento a _estóla_, de que se fazia uso por toda
a parte, na occasião em que se estabeleceu o Christianismo.
O _manipulo_ não se usava durante os primeiros seculos da Egreja. Foi S.
Gregorio o Grande, (590-604) quem primeiro fallou, em seus escriptos, do
manipulo como paramento sagrado.
A _capa_ é um paramento commum ao padre e a alguns dos ministros
inferiores. Primitivamente serviam-se da capa para se resguardarem da
chuva nas procissões; é tambem por este motivo que ella se chama muitas
vezes _pluvial_.
A _alva_ e o _cinto_ devem a sua origem á _tunica talar_ dos antigos,
que era um vestuario de linho, munido de mangas e apertado á roda do
corpo com um cinto.
A _alva_ era vestida nas funcções sagradas pelos bispos, padres e todos
os ministros inferiores.
O _amicto_ é uma espécie de téla de que os padres e os ministros se
servem para cobrir o pescoço. A origem d'este vestuario não vae além do
VIII seculo.
Durante os tres primeiros seculos, os diaconos trajavam o _colobio_, que
era uma especie de tunica longa e estreita, ordinariamente sem mangas.
Foi no principio do IV seculo, que o Papa S. Silvestre substituiu o
_colobio_ pela _dalmatica_.
A _dalmatica_ era uma bluse comprida, feita de lã da Dalmacia.
Até ao VII seculo, os sub-diaconos da Egreja do Occidente não eram
vestidos senão com a alva, com o cinto e com o amicto.
*Mosteiros Latinos*
Foi no principio do VI seculo, que começaram a maior parte dos
religiosos a reunir-se em communidade, e a viver juntos, debaixo do
mesmo tecto. Vivia então S. Benedicto.
*Iconographia do periodo Latino*
Muitos monumentos do periodo Latino, sobre tudo os mais antigos
mosaicos, conteem personagens em pé e attitude respeitosa, tendo nas
mãos, envoltas nas rugas do manto, uma corôa em fórma de circulo, que
offerecem ao Salvador. Este é representado sob a fórma symbolica do
Cordeiro, do monogramma, da Cruz, e até mesmo d'um simples espaço vazio.
Christo, debaixo da fórma symbolica do Cordeiro ou do monogramma, no
meio de doze cordeirinhos ou de doze pombas, que os monumentos do
periodo Latino nos offerecem frequentemente, symbolisa o Salvador
rodeado dos seus discipulos, isto é, a Egreja triumphante no Céu,
recebendo na terra o ensino do seu Divino Fundador.
Tambem muitas vezes se encontra um cordeiro, uma Cruz Trina, ou o
monogramma de Christo entre dois cordeiros, duas pombas, dois pavões ou
dois veados; isto symbolisa o Salvador sob a fórma humana no meio dos
Apostolos e d'outros Santos, ou sob a fórma symbolica do Cordeiro e do
monogramma no meio de doze cordeirinhos ou doze pombas.
Vê-se tambem uma taça ou um cacho de uvas no meio de dois pavões ou de
duas pombas, o que nos parece uma allusão mais directa ao regosijo dos
que vão para o Céu.
Alguns monumentos do periodo Latino, principalmente os mosaicos do V e
VI seculos, teem um throno, com ou sem docél, e em que ha uma almofada,
um cortinado cahindo diante da cadeira e algumas vezes o livro dos
Evangelhos. Um monogramma ou uma Cruz, geralmente da Trindade, occupa o
meio do throno e domina toda a composição. Muitas vezes vê-se, ao lado
do throno, os doze Apostolos em pé, ou sómente S. Pedro e S. Paulo. Em
todos estes assumptos o throno representa o Salvador.
Mais tarde, principalmente no Oriente, acrescentaram a esta
representação novos signaes iconographicos: nas extremidades da almofada
collocavam á direita da Cruz a lança, e á esquerda a esponja na
extremidade d'uma lança; algumas vezes tambem se entrelaça a corôa de
espinhos em torno da Cruz. A partir d'este momento, a _cathedra_ da
doutrina torna-se o throno do julgamento final e a Cruz o signal do
Filho do Homem.
S. Pedro, collocado ao lado do Salvador, sustenta ordinariamente sobre o
hombro esquerdo uma cruz de haste comprida; outras vezes recebe com a
mão direita um volume desenrolado, que Nosso Senhor lhe apresenta. Desde
a primeira metade do V seculo, que elle conserva as chaves na ponta do
seu manto.
S. Paulo é quasi sempre representado recebendo um ou dois rolos,
symbolos da Lei Evangelica.
Muitas vezes tambem collocavam uma phenix sobre uma palmeira. A Phenix é
a figura da resurreição futura.
*Caracteres do estylo Bysantino*
O plano e a disposição das egrejas bysantinas apresenta-se com tres
typos distinctos: 1.^o, com a basilica coberta de madeira, similhante á
basilica Latina do Occidente; 2.^o, com a rotunda ou egreja circular;
3.^o, com a basilica bysantina propriamente dita, abobadada e sobreposta
d'uma ou de muitas cupulas. A basilica bysantina abobadada distingue-se
perfeitamente de todos os monumentos dos tempos anteriores, pela cupula
sobre abobadas pendentes, e construida ao meio d'uma nave, mais ou menos
alongada.
As fachadas das egrejas bysantinas differem das que têem as basilicas
Latinas. Estas terminam em geral por um frontespicio triangular; as
fachadas das egrejas orientaes, pelo contrario, terminam ou por uma
fachada horisontal á maneira d'uma cornija, ou por uma serie de
corôamentos semicirculares.