Parece que antes de 1520 não havia em Portugal serviço de correio
organisado regularmente.
Mandavam-se proprios, e dispunham-se postas quando assim era preciso.
Nos caminhos de maior transito, em intervallos de 3 a 4 leguas, as
estalagens tinham cavallos para muda, que alugavam.
Em 1520 el-rei D. Manuel criou o officio de correio-mór; foi Luiz
Homem, ao que dizem, o primeiro a exercer o cargo.
Em tempo de D. João III appareceu a primeira lei ou regimento postal.
O segundo correio-mór chamava-se Luiz Affonso; seu genro Francisco
Coelho, foi o terceiro.
O cargo conservou-se na familia até 1606 em que falleceu Manuel Gouvêa,
o quarto no cargo.
Então Filippe II mandou vender o officio; que foi comprado por 70:000
cruzados, por Luiz Gomes da Matta, em 19 de julho de 1606.
O correio-mór tinha a seu serviço estafetes, mestres e creados
de posta, e varios assistentes. O serviço do correio foi sempre
augmentando, sem alteração fundamental do regime até 1852, embora este
ramo pertencesse ao Estado desde 1797. Neste anno, em alvará de 16 de
março, D. Rodrigo de Sousa Coutinho foi encarregado de tratar com o
Correio-Mór a cedencia do officio.
Manuel José da Maternidade Matta de Sousa Coutinho, o ultimo
correio-mór, recebeu em indemnisação pela cedencia do officio o titulo
de conde em tres vidas, a renda annual de 40:000 cruzados, pensões
vitalicias a diversas pessoas, cuja somma andava por 400:000 cruzados,
e um ou dois postos no exercito.
Foi este o primeiro conde de Penafiel.
O segundo conde e primeiro marquez de Penafiel foi Antonio José da
Serra Gomes pelo seu casamento, em 1861, com a segunda condessa desse
titulo.
Pelas quantias indicadas se vê o augmento de importancia do correio
entre 1606 e 1797, ainda que nessa época pequeno progresso tivera a
viação publica.