O concelho da Ericeira foi extincto em 1855, e reunido a Mafra. Tinha o
seu pelourinho.
Certas pessoas praticas entenderam que não havendo concelho não era
preciso o monumento municipal, e que os degráos de pedra eram bem bons;
e aproveitaram os degráos lá para o que bem quizeram, e a columna
partida, o capitel e o ornato superior foram enterrados. Isto foi
por 1863. Agora (outubro de 1905), o dr. Eduardo Burnay, enthusiasta
da branca villa, indagou o sitio onde ficaria o resto do pelourinho,
mandou excavar, achou as pedras, e vae mandar reerguer a decorativa
columna.
Pela photographia que me mostrou creio que o symbolo municipal da
Ericeira pertence ao genero do de Collares, ainda completo e aprumado,
e do de Cintra ha muito desfeito, mas de que ha desenho cuidadoso.
Sobre este caso do pelourinho de Cintra publicou recentemente o sr.
Mena Junior uma _Noticia historica_, interessante, com estampas
notaveis, e uma planta do Paço da villa, no _Boletim da Real Associação
dos Archeologos Portugueses_.
A columna do pelourinho da Ericeira tinha annel, a meio, como se vê no
de Collares, e na estampa do de Cintra; o capitel e ornato superior são
do mesmo desenho. Taes pelourinhos são do começo do seculo XVI, reinado
de D. Manuel, e correspondem á grande reforma foraleira d’este monarcha.
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A respeito da villa da Ericeira varios escriptos teem apparecido
publicados, artigos de jornaes, ou revistas, ou capitulos de
recordações.
O sr. Eduardo da Rocha Dias no tomo 1.ᵒ e Addenda do seu valioso
trabalho _Noticias archeologicas_, ao tratar da Ericeira, apresenta a
bibliographia da interessante villa.
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Grande serviço tem prestado á villa da Ericeira o sr. dr. Eduardo
Burnay alcançando os meios precisos para a construcção da muralha
de supporte na arriba do porto. Se esta obra tardasse haveria
desmoronamento prejudicial á villa, á concha do porto, e á praia
apertada onde labutam os pescadores. Actualmente ha tres armações de
sardinha, empregando uns duzentos homens, e todo o trabalho se faz na
breve praia onde ás vezes as companhas se embaraçam. Não está ainda
terminada a obra, pouco falta ao que parece; o que está feito é já
muito util.
Muito melhorado tem sido ultimamente o caminho para a praia do sul, e,
ao que ouvimos affirmar, vae tratar-se da rampa da praia do norte, que
é muito linda tambem. Seria bom melhorar o caminho para Ribamar, que
não offerece difficuldades, facilitando assim um bello passeio, util
para os povos do sitio, e estabelecendo communicação facil e agradavel
com a região dos pinhaes. A primeira parte da estrada de Mafra é de
forte declive, uma ladeira de tres kilometros, incommoda para passeio.
Assim como seria para desejar o arranjo do caminho para a Lapa da
Serra, sitio pittoresco, accidentado, com arvoredo viçoso.
Na Lapa da Serra tem-se desenvolvido nos ultimos annos a industria
ceramica: fabrica-se louça vidrada com seus lavôres especiaes, ás vezes
de phantastica ornamentação.
Pinhaes, mais pinheiros, é que eu gostaria de vêr na moldura agreste da
interessante villa.
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O sr. Adolpho Loureiro, inspector geral de obras publicas, publicou
recentemente o volume segundo da sua excellente e muito util obra: _Os
portos maritimos de Portugal e ilhas adjacentes_.
A pag. 303 começa a parte relativa ao porto da Ericeira, representado
minuciosamente na estampa sexta do respectivo atlas.
Segundo se vê do consciente trabalho do sr. Loureiro é para desejar:==a
construcção de obras de drenagem dos terrenos, consolidação das ribas,
conclusão das rampas tornando-as aptas para varar os barcos de pesca, e
desobstrucção do porto, removendo-se as pedras soltas que se acham na
area d’elle a menos de 1ᵐ,5 a 2ᵐ abaixo da baixa-mar, e, finalmente,
estudar-se a possibilidade da construcção de um pequeno molhe para
abrigo das embarcações de pesca, no caso de poder aproveitar-se
qualquer restinga ou pedras que possam servir-lhe de apoio==.
Parece facil a construcção de um pequeno molhe acostavel, que seria de
grande vantagem para aquelles pobres pescadores.