potentado, vassallo portuguez, que teria toda a liberdade da dictar a
lei no governo das suas terras e do seu povo, afastaria a dominação
estrangeira e poderia, sendo bem aconselhado, e recebendo bem os
conselhos, desenvolver no seu paiz varias industrias agricolas, como a
da creação de gado, a que o terreno se presta admiravelmente, e
producção de lã e mohair, que dariam uma grande prosperidade ao porto de
Chiloane, ou a outro porto vizinho que parece existir em melhores
condições o dever vir a substitui-lo para o serviço dos paquetes.
Disse que o valle do Mussapa é uma planicie bastante larga; pareceu-me,
pelo exame que fui fazendo de varios pontos do meu itinerario, que em
parte seguindo este valle e ao sul do macisso de montanhas que separa o
Mussapa do Revue, ha uma facha de terreno plano que sobe gradualmente
para o interior, que passa não muito longe da povoação de Murinane, que
passará junto á base das montanhas do Bandire e continua na direcção de
Manica, cujas serras eu distinctamente via n'esta direcção.
Assim, haverá, a partir da costa, dois caminhos naturaes para a região
de Manica.
O primeiro, é o que indiquei, pelo rio Pungue, e depois da margem d'este
rio, seguindo obliquamente para a bacia do Revue. É o unico caminho da
costa que por muito tempo nos poderá interessar.
O segundo, que parece proprio para o assentamento de uma linha ferrea, e
que só agora indico como nota que possa vir a ser util para algum
trabalho futuro, seria o que partisse do fundo do que dizem ser o
excellente porto a que ha pouco me referia, formado por traz da ilha
Boene, ou da margem esquerda do rio ou braço de mar denominado Mutizane,
seguisse pelos terrenos planos do baixo Quiteve, atravessasse o Busi,
talvez nas proximidades do arco Inhambimbe, ou foz do Lusite, e seguisse
pelos valles e margens esquerdas dos rios Mufomose e Mussapa, passando
junto ao Bandire até Manica.
Terrenos ao sul do Mussapa
Pouco me resta a dizer a respeito de terrenos, que nos interessem
directamente, pois devemos considerar os territórios ao sul de
Mussapa, como pertencendo ao rei de Gasa; isto até que em epochas
futuras todas as terras dos landins venham a passar ao dominio directo
da nação.
Atravessei, como disse, o Mussapa na sua confluencia com o Mufomose;
depois de uma hora de caminho em planicie, e suppondo que estava sempre
no valle do Mufomose achei-me nas margens do Lusite, e passado este rio,
continuei, sempre em paiz plano, até á base da serra Citatonga contra a
qual me levaram, e sobre a qual tive que passar; á esquerda do meu
caminho a planicie continua até á costa; á direita as montanhas
elevadissimas de onde nascem o Mussapa, o Mufomose, o Lusite, o Busi, e
outros affluentes d'estes rios, montanhas que separam o systema
hydrographico do rio Busi do da bacia do rio Save. Este ultimo rio vem
muito mais do norte, tendo as suas origens proximo da divisoria das
aguas para o Zambeze, e origem do affluente do rio Aruenha, affluente do
Zambeze em Masangano; corre do norte ao sul recebendo do lado do oeste
as aguas de affluentes que vem das terras do Muzilicatze, do lado de
leste as que nascem nas vertentes de oeste das serras de que acabo de
fallar, e é junto á margem de um d'estes affluentes que está a aringa do
rei Mutaça; depois, em maior latitude, volta rapidamente para leste para
desaguar no oceano Indico por muitos braços formando um extenso delta a
que Chiloane pertence. Os rios Busi o Save junto á costa correm portanto
quasi como parallelos entre si. A villa de Sofalla fica approximadamente
a meia distancia entre a foz dos dois rios.
Como se vê no esboço junto e como eu vi do alto da serra Citatonga, o
rio Busi, depois de passada esta serra, corre para o norte a ir receber
não muito longe, e em terreno perfeitamente plano, as aguas do Lusite; o
que prova que desviando um pouco o itinerario para leste, poderia ter
contornado a serra Citatonga em logar de ter passado duas vezes pela sua
cumiada, o que, principalmente pela garganta por que passei na volta, é
bastante custoso.
Passada a serra Citatonga, o caminho segue em terreno plano, apenas com
ligeiras ondulações em alguns pontos, ficando proximo, á direita, as
montanhas onde nascem o Busi e um importante affluente d'este rio, pela
agua que leva, por entre rocha, o rio Muzirisi, junto á margem esquerda
do qual, na pequena povoação de Cuzova, terras do grande Mugomugomo,
terminou a minha viagem. Proximo da margem direita d'este rio, um pouco
a montante do logar onde eu estava, e a umas cinco ou seis horas de
caminho, é que está a povoação do Gunguneana.
Do valle do Muzirisi, diz o explorador inglez Mr. Erskine o seguinte: «O
valle do Muzirizi (que elle chama Umswelisi) está destinado a ser um dia
uma das mais productivas regiões d'este lado do continente. Assucar e
café dar-se-íam ahi admiravelmente; e por causa da sua elevação supponho
que será perfeitamente sadio».
Mais longe diz: «A agua transparente d'este rio é abundante e seria
sufficiente para irrigar este extenso e fertil valle, e ainda para mover
moinhos, para o que a sua rapida quéda o torna muito proprio».
Do Aruangua, do Revue e de todos os menores rios, affluentes d'estes, se
póde em geral dizer outro tanto.
A parte das terras do valle do Muzirisi que não está cultivada com
milho, mapira, feijão, etc., é destinada á pastagem das numerosas
cabeças de gado que o Muzila tinha, e o Gunguneana conserva e trata de
augmentar, e que se acham divididas por manadas entregues aos chefes das
differentes povoações. A manada na povoação de Cuzova tinha a
especialidade de ser exclusivamente composta de gado muito novo, ou
vitellos que iam sendo separados das mães nas manadas vizinhas.
Minha missão, seu resultado
Foi, como disse, a presença das duas embaixadas dos landins na
Gorongosa, que me aconselhou a escolher esta occasião para fazer a
primeira visita ao rei de Gasa. Tudo o mais nos era contrario: chuvas,
cheias dos rios, caminhos fechados com palha de altura de dois homens.
Não tinha tambem na Gorongosa quem soubesse portuguez e vatua, nem mesmo
pessoa que me podesse acompanhar e servisse de bom interprete; de
portuguez para as linguas da Gorongosa ou do Quiteve, muito similhantes,
e que muitos dos landins fallam.
Um dos meus moleques era o interprete com que mais poderia contar, mas
fui successivamente descobrindo a impossibilidade de lhe fazer
comprehender qual era a missão do interprete, e de lhe fazer traduzir
cousa que elle não pensasse entender, e sobre a qual elle depois
livremente discursasse na lingua para que traduzia.
O que não fosse de accordo com a sua opinião não traduzia, e não foi
possivel fazel-o referir a povos de que elle nunca tinha ouvido fallar.
Prevendo isso, logo que cheguei ao Quiteve escrevi ao capitão mór de
Sofalla, um mouro chamado Amade Sene Abdalá, filho de um Gricar Abdalá,
que vemos figurar como lingua do estado nos termos da reivindicação do
territorio do Bandire em 1835, e de uma princeza murinane, irmã da
actual rainha Gomoni e do actual regulo Murinane, preta ou princeza com
que elle Gricar travou relações, e que levou para Sofalla, onde ella
passou o resto da vida. Sabia eu portanto que o capitão mór de Sofalla
era sobrinho dos dois mais importantes regulos do Quiteve; sabia mais,
que elle, como antigo negociante, era conhecedor dos sertões, que
fallava a lingua do Quiteve e a lingua vatua e que era valente; e por
isso lhe escrevi, pedindo-lhe que me viesse servir de interpretre.
Da mesma povoação em que escrevi a Amade Sene, partiram rapidamente para
a frente tres landins com o fim de annunciarem a Gunguneana da minha
viagem. Encontrei-os de volta a uns tres dias da povoação do rei,
dizendo-me da parte d'elle que seguisse e que seria bem recebido.
Na manhã de 23 de janeiro, quando suppunha que nesse dia chegaria á
povoação do Gunguneana, pararam os meus conductores na povoação de
Cuzova, que já tenho citado, para que fossem alguns d'elles dar parte ao
rei de que eu me approximava. Só na manhã do dia 1 de fevereiro chegaram
quatro grandes, que, acompanhados de muita gente, me vinham comprimentar
da parte do Gunguneana, trazendo-me um boi, e pedindo-me que
expozesse o motivo da minha visita. Apenas consegui poder dizer-lhes que
vinha para confirmar e estreitar as relações de amisade com o novo
regulo portuguez, e para lhe dizer que o rei resolvêra mandar reoccupar
as suas terras de Manica e avisar d'isso o Gunguneana para que se alguns
landins fossem para aquelle lado recebessem do Gunguneana ordem para ter
bom trato com os mosungos. Fallei apenas de Manica, e é claro que não
podia pedir licença qualquer para irmos para lá, visto que as terras da
região da antiga feira de Manica são portuguezas e como taes
reconhecidas pelo rei de Manica e por todos os povos que habitam os
paizes vizinhos. Como porém os grandes das duas embaixadas me tinham
sempre acompanhado, e, depois da sua viagem e ausencia de muitos mezes
não tinham ainda estado em relação com os que cercam o Gunguneana
começaram em landim discursos que duraram horas, e em que notei que, de
certo com as melhores intenções, porque todos os landins com que estive
em contacto me deram sempre provas do sympathia, repetidas vezes
fallavam em Ferrão, Gouveia, Gorongosa, Manica, Bandire e Inhaoxo, e em
que provavelmente disseram que eu vinha para tomar conta de todo o
Quiteve, como varias vezes o haviam dito pelo caminho, sem que palavra
ou acto algum da minha parte motivasse tal asserção.
Partiram os grandes parecendo muito satisfeitos commigo e dando-o a
entender que no dia seguinte ou no dia depois d'este alguem me viria
buscar da parte do Gunguneana.
No dia 3 de fevereiro, quando eu já de ha muito suppunha que o capitão
mór de Sofalla não podia ou não queria vir até tão longe, appareceu-me
elle, motivando a sua demora pela do portador da minha carta, que fiou
muitos dias em uma das povoações do caminho, dando as chuvas como
pretexto da paragem.
Em outras communicações fallarei de Sofalla e do seu capitão mór, homem
que me parece muito util. Elle veiu com bastante gente de Sofalla, e
durante os dias que estivemos juntos, apesar da impaciencia da espera,
não podia deixar de ter muito prazer, vendo fraternisar e _amossossar_
juntos gente de Senna com a gente de Sofalla, reunião que ha muitas
dezenas de annos julgo não tinha tido logar.
Esperavamos de dia para dia o aviso de Gunguneana para marcharmos; quasi
todos os dias vinha de lá alguem que por varios motivos ia justificando
a demora passada, annunciando que breve seguiriamos.
Indicarei alguns d'esses motivos:
_a_) Entrega dos _Nhunhe muchopes_ (passaros brancos) aos seus
commandantes.
Com este nome acaba Gunguneana de crear um novo corpo do exercito,
recrutado em todas as suas terras e constituido com rapazes que deverão
servir por um determinado numero de annos n'este corpo, e que emquanto
não passarem para outro ficam prohibidos, sob pena de morte, de casar ou
ter relações com mulheres. O nome é devido a que os escudos são feitos
com pelles de bois brancos, e que todo o vestuario dos homens será da
mesma côr; pelles ou pennas brancas. Como muitos landins vão trabalhar
no Transvaal, na republica de Orange e nos Campos de Diamantes,
trazem d'esses paizes quantidades de pelles de carneiros de comprida lã
branca, de que cortam estreitas tiras, com que adornam o grosso dos
braços e as pernas, logo abaixo dos joelhos.
Quando cheguei á povoação de Cuzova tratava-se effectivamente de reunir
na do Rei todos os _Nhunhe muchopes_, e vi passar nos primeiros dias que
ali estive, muitos centos de rapazes, que de todos os lados convergiam
para o ponto de reunião.
_b_) Reunião de outra gente de guerra, que tambem vi passar em grande
quantidade, por causa de um importante acampamento, manifestado por uma
extensissima linha de fogos ao longo da margem direita do rio Save, e
constituido por gente do Muzilicatze, sem que ainda se soubesse se
vinham para cumprimentar o novo rei, se para lhe fazer guerra.
Mais tarde, quando regressava pelo Quiteve, disseram-me que dez brancos
a cavallo, vindos do lado do Muzilicatze, tinham com muita gente
atravessado o Save, para visitar o Gunguneana. Não sei se estes brancos
têem ou não relação com o acampamento a que me acabo de referir.
_c_) Reunião dos grandes, chegados de povoações muito afastadas para que
Gunguneana conversasse com elles a respeito da minha visita.
No dia 11 de fevereiro chegaram finalmente á povoação de Cuzova todos os
grandes que primeiro me tinham vindo ver, acompanhados de alguns outros;
depois de muitos comprimentos e de conversarem sobre assumptos estranhos
ao objecto da minha presença ali, o maior de entre elles, um bello e
sympathico homem, por nome Magumeana, chamou do grupo de pretos, que
estavam sentados atrás dos grandes, um que veiu pôr junto a mim uma
pequena ponta de marfim, sobre a qual Magumeana poz duas libras
sterlinas[2], dizendo que era a _bôca_ do Gunguneana, para
dizer que não podia consentir em que os brancos viessem trabalhar nas
minas, nem estabelecer-se nas suas terras, _porque se o fizessem, viriam
depois tantos, que em breve lhe tirariam o poder_; que elle Gunguneana
era portuguez, que elle, mas elle só, era mulher do rei de Portugal, que
assim o dizia a todos os estrangeiros, que desejava amisade com os
brancos; que tem dado d'isso muitas provas, e ainda muito recentemente,
quando na Chupanga lhe assassinaram traiçoeiramente, quando elles
dormiam, todos os landins que lá estavam, não tendo feito guerra por
esta causa; que os mosungos podem livremente vir negociar, com
segurança, a todas as suas terras, mas que não quer que n'ellas explorem
as minas; que os brancos nunca fizeram esse pedido a seu pae, e que
notava que se tinham reservado para o fazer quando elle acabava de subir
ao poder.
Fiz notar que eu já me achava em caminho quando se soube do fallecimento
do Musila, e que o rei de Portugal não tinha que receber licença de
pessoa alguma para mandar mosungos para as suas terras do Manica, que
todos na localidade reconhecem pertencer-lhe.
Era inutil qualquer discussão com estes homens isolados, visto que a
resposta do Gunguneana tinha sido dada em conselho de todos os grandes,
que já se achavam espalhados, e que evidentemente eu não podia ter por
agora modificação ás resoluções tomadas. Tratei, só, portanto, de
aproveitar a presença de um homem intelligente como é o capitão mór de
Sofalla, bom conhecedor do portuguez e do landim, para dizer o que
desejaria ter dito na minha primeira entrevista com os grandes, embora o
mau resultado da minha viagem tornasse impossivel o tratar de muitos
pontos, como o da construcção de um telegrapho com excellente directriz,
passando pela povoação de Gunguneana, o transporte maritimo por Chiloane
dos landis, que com viagens de mezes vão servir no Natal.
N'esse mesmo dia 11 de fevereiro comecei a viagem de volta para a
Gorongosa, onde cheguei no dia 1 do corrente. Não indico n'este
trabalho, destinado a fornecer infirmações a s. ex.ª o ministro da
marinha, os promenores da viagem, que só podem interessar e muito aos
que tiverem de percorrer o paiz.
Gunguneana disse aos grandes, quando elles vieram ver-me com a resposta,
que não me pedissem fazendas, para que eu não _podesse voltar dizendo
que tinha comprado as minas_; caso sem exemplo, com landins em frente de
_motores_ de fazendas, e que bem mostra que é receio o que elles todos
têem. Dei, porém, aos grandes, tanto na primeira como na segunda visita,
e mandei pelas duas occasiões ao Gunguneana alguns presentes; porque
achei conveniente deixar boa impressão e separar-me dos grandes com
agradaveis relações.
Os grandes nomearam tres landins para nos acompanharem, receiosos de que
o estranho facto, de voltarem do lado da casa do seu chefe mosungos com
motores de fazenda completos não fosse attribuido a alguma fuga ou
desavença, e nos causasse embaraços no caminho.
Junto a este relatorio vae um resumo da conta de todas as despezas da
viagem, incluindo as do transporte do capitão mór de Sofalla, e todos os
presentes dados ao Gunguneana, seus grandes, regulos do Quiteve, e todos
os chefes da povoação onde passámos, na importancia de 624$800 réis,
despezas pagas pelo governo do districto de Manica.
Comparações com a colonia ingleza do Natal; algumas apreciações dos
nossos vizinhos ácerca do paiz que visitei; da nossa administração e
modos de proceder
O cônsul O'Neill em um dos relatorios que, como consul de Sua Magestade
Britannica na provincia de Moçambique, é obrigado a fazer annualmente,
diz o seguinte: «Situada entre o territorio do sultão de Zanzibar e a
colonia do Natal, está a provincia de Moçambique, que em nada é inferior
a qualquer d'estes dois paizes e lhes é muito superior pelos seus
numerosos portos, pelas vias naturaes de communicação, que permittem
attingir facil e economicamente grandes distancias no interior; e
comquanto a colonia de Natal muito pequena, de recente creação veja
elevar os seus rendimentos a X (não cito cifra por não ter o documento
presente), comquanto Zanzibar com todos os contras da civilisação arabe
renda Y, a provincia de Moçambique rende apenas Z (uma pequena fracção
de Y, já muito inferior a X).
O motivo da differença, tão contraria nos resultados, quando as
condições naturaes são todas a favor da provincia de Moçambique, só póde
ser devido á differença dos processos empregados.
Os rendimentos da provincia do Natal foram em 1882 de £657:737, e o
valor das exportações feitas por cima da barra quasi inaccessivel do
porto de Durban foram de £731:309. Dados muitos recentes mostram que o
valor das exportações pelo mesmo porto subiu em 1884 á respeitavel somma
de £957:918 ou mais de 4.300:000$000 réis; sendo £523:377, ou mais de
2.300:000$000 réis, do valor de lã (a maior parte da qual, devo dizer,
vem de fóra da colonia, do Transvaal e da republica de Orange);
£185:131, ou 832:000$000 réis, de assucar, e mais de 360:000$000 de réis
de pelles de animaes. O seguinte artigo, cortado do jornal que mais
aversão nos tem, o _Natal Mercury_ de 18 de novembro de 1884 na
geralmente intrigante e invejosa colonia de que estou tratando, mostra
quaes foram os rendimentos do porto de Lourenço Marques quando
subitamente elevados por uma causa que então foi passageira, e as
observações que sobre esta circunstancia fazem.
A construcção do caminho de ferro que com felicidade consta vae
finalmente realisar-se por uma empreza portugueza, bem depressa mudará o
_présent régime_ n'este porto, e lhe affirmará a superioridade que este
mesmo jornal diz que elle terá logo que se verifique a expulsão dos
portuguezes pelos allemães em toda a costa oriental de Africa, como elle
tão inconsequentemente mostra desejar.
Junto dois pequenos artigos n'este sentido.
«Better far have one small German settlement near us than any number of
miserable and wretched Portuguese colonies which never have and never
can benefit either settlers or aborigines, but which are simply a curse
wherever they have taken root on African soil.»
«We colonists might well hail with delight the proclamation of German
rule over the territories stretching from shore to shore north of the
Limpopo and its parallel, and south of the Congo. A German empire in
those regions would form a magnificent background to an Anglo-African
Dominion on this side.»
The trade of Lourenço Marques
«Accustomed as we are to regard Delagoa Bay as a formidable competing
port in its relation towards the trade of the Transvaal, we are apt to
exaggerate the real proportions of the trade done there. Through the
courtesy of Mr. de Costa we are able to give the following summary of
the monthly returns of trade at Lourenço Marques for the present year:
Importation Exportation
£ £
January 3:211 7 0 705 12 0
February 2:482 3 0 2:826 1 0
March 6:982 7 0 1:727 15 0
April 7:521 8 0 2:147 5 0
May 10:924 0 0 1:651 18 0
June 1:434 2 0 3:759 9 0
July 9:184 7 0 1:846 1 0
August 10:051 1 0 133 11 0
September 5:472 5 0 4:284 11 0
«These figures differ from those of preceding years in this
respect--that they cover the period of temporary inflation caused by
«Moodie's Rush» and the Lydenburg Gold Fields generally. Yet what are
the facts? For the nine months of this year all the imports through
Delagoa Bay only reached a value of £56:263, while the exports only
reached a total £19:082 being a monthly average of £6:251 in the one
case and of £2:120 in the other. Thus, carrying on the average, the
entire import trade of the rival port represents, so far, a yearly value
£75:014 only. There is not much in these figures to cause dismay. No
abnormal diversion of trade has yet taken place, and in the absence of a
line of railway we are not likely under existing circumstances to see
much improvement in these figures. Were any power other than Portugal to
establish itself at Delagoa Bay the case might be different; but so long
as the _present regime_ abides at the northern port we can afford to go
on our way steadily, seeking to conserve and to retain whatever trade we
at present command.»
E outro mais grave publicado em o numero de 20 de janeiro ultimo.
The powers in Africa, January, 16