understanding between England and Germany as to the future relations of
the two powers in Central and Southern Africa, the future of this
continent will all at once have passed into a phase which will be, when
compared with the past, as light is from darkness. The determination of
that future, under the altered circumstances of the moment, may be said
to depend upon three postulates. The one is that England is prepared and
resolved to hold her own throughout all the regions that have been
directly, or nominally or relatively, under her influence or sway. The
second is that England beyond certain lines has neither the desire nor
the intention to extend the limits of her dominion in Africa. The last
is that Germany means, without any reservation or vacillation, to
establish herself in Africa as a colonising power, wherever the way may
be open to her. As regards the first two of these premisses, it may, we
think, be taken for granted that England means to go thus far, but
no further. The power that has impelled the Imperial Ministry to make
the present demonstration of its authority in South Africa is the same
power that has prevented mr. Gladstone from going as far hitherto. It is
the power of public opinion in the mother country, and it is the power
of that democracy which practically shapes that opinion. The world has
suddenly discovered that the English democracy is not ready--as yet,
whatever may be its disposition in the future--to part with an inch of
its territory or a stone of its fortresses. This has been somewhat of a
revelation to English colonists, no less than to foreign nationalities;
but it is a fact. That fact is no doubt fully recognised by the German
Government, and it is a fact which will be respected. Had it been made
manifest a little earlier much misunderstanding, and possibly certain
vain aspirations and illusions might have been saved. It is simply
absurd to suppose that Germany has not cherished designs more or less
ambitious, based upon the apparent desire of England to get rid of its
responsibilities in South Africa. To deny, or even to doubt the
existence of these designs--contingent always upon a policy of
abdication and retirement on England's part--is simply to ignore the
abounding evidence of experience and of fact. Prince Bismarck's last
speech to the Reichstag puts all doubt on that point at rest. England,
however, having proclaimed her resolve, the course likely to be pursued
by Germany is the course of shrewdness and common sense, two qualities
that never fail to distinguish the Teutonic mind. Germany will elect to
confine her colonising policy within legitimate and accessible limits.
There is a field of action open to her in South Africa which only a
slight political barrier interposes to shut her out from. We refer, of
course, to the area of Portuguese rule. This, it is true, at present is
an undefinable area. Portugal has been a colonising power only in name.
To speak of Portuguese colonies in East Africa is to speak of a mere
fiction--a fiction colourably sustained by a few scattered seaboard
settlements, beyond whose narrow littoral and local limits colonisation
and government have no existence. Had Portuguese rule in East Africa
shown any sort of vitality or reality no one cherishing any regard for
international amity could have any fair plea to desire its displacement.
By the ordinary rules of conquest and occupation Portugal has a title to
possession sanctioned by three centuries of existence. But the very fact
that for 300 years the flag of Portugal has waved along the East Coast
involves the condemnation of Portuguese rule. For what is there to show
for it? What use has Portugal made of her acquisitions or opportunities?
What effect has she produced upon the destinies of the Continent? What
part has she played? What contribution has she made to the sum of the
world's progress, to the cause of civilisation to the well-being of
mankind? The answer to these questions is writ in characters of
miserable failure. In no other part of the world has the European left
so futile and so fruitless a trace of his presence as the Lusitanian has
left upon the eastern shores of this Continent. This is a fact that will
assuredly have ere long to be submitted to the judgment of Europe, and
to the guidance of fast developing events. It is not necessary just now
to consider how or when this question will come to be determined;
but the moment of settlement must come, and it will be strange should a
power like Portugal succeed in resisting whatever pressure may be
brought to bear by circumstances that may and that must arise. Should
Germany hereafter be found the active occupant of some part at least of
the lifeless heritage of Portugal we, in South Africa, shall have no
cause of repining. Were the southern half of the Continent represented
by England, Germany, and the internationalised region of Congonia
respectively, the hopes and prospects of civilisation, of commercial
progress, and of industrial activity, would be as bright and reassuring
as lately they have seemed gloomy, and depressing. These three Powers,
acting in concert and in good faith, would soon malte Africa an
efficient rival to South America. Saxon energy, and Saxon enterprise
would co-operate to rescue the Dark Continent from the sleep of ages,
and to open out an era of vigorous dovelopment and social advancement
that, but yesterday was a mere dream».
* * * * *
Natal tem apenas uma area de 21:000 milhas quadradas, area menor que só
a dos prazos Gorongosa, Cheringoma o Chupanga. A provincia de Moçambique
é portugueza ha quasi quatro seculos; comquanto Natal tenha sido
recommendado ao governo inglez pelo Lieut. Farewell em 1823, como um
posto que devia ser occupado, póde-se dizer que é só desde 1843 que a
colonia de Natal foi formalmente declarada colonia ingleza.
Natal está dividida em quatorze condados e _divisions_ com varias
auctoridades distinctas para brancos e para pretos (porque em parte
alguma, a não ser nas nossas colonias, são os pretos julgados pelo mesmo
processo que são julgados os brancos, e punidos igualmente); até ha
pouco havia para toda a região ao sul do Zambeze, que é de esperar virá
a constituir o districto de Manica, e ainda para os prazos Luabo e
Melambe, só o commando militar de Senna.
Natal tem cerca de 40:000 brancos, em parte introduzidos pelos auxilios
que têem sido dados á emigração; na provincia de Moçambique, que contém
em quasi todos os seus districtos areas proprias para a colonisação
branca, mais extensas que a de toda a colonia do Natal, contando mesmo
com os empregados das tres grandes casas commerciaes estrangeiras, não
haverá de certo, alem dos empregados do governo, 200 pessoas brancas.
Portugal recebe os mais urgentes pedidos de todas as colonias, deseja,
quanto possivel, satisfazer a elles, sangra-se e arruina-se com esse
fim, e manda-lhes annualmente sommas, que repartidas por todas ellas
ficam por tal modo diluidas que só servem para as continuar a fazer
vegetar no estado que todos bem conhecem. Os grandes sacrificios da
metropole são perdidos, e continúa de anno para anno, por exemplo, a sua
mais populosa e mais importante cidade africana, debaixo de um sol
abrazador, a soffrer os horrores da sêde.
A Inglaterra não gasta um penny com o Natal. É a pequena colonia que tem
recorrido ao credito. Os typos dos seus emprestimos são sempre de divida
remissivel em praso fixo.
Julgo que presentemente tem as seguintes dividas, que vão designadas
segundo a ordem da sua emissão:
Um emprestimo de £ 165:000, realisado a 6 por cento de juro e 3 por
cento para amortisação em curto praso.
Um emprestimo de £ 100:000, a 6 por cento de juro e 2 por cento para
amortisação.
Um emprestimo de £ 350:000, a 5 por cento e 1 por cento de amortisação
em quarenta annos.
Um emprestimo de £ 200:000, a 4 1/2 de juro e 1 por cento para
amortisação em quarenta annos.
Um emprestimo de £ 50:000, a 4 1/2 de juro e 1 por cento para amortisação.
Um emprestimo de £ 50:000, a 4 1/2 de juro e 1 por cento para amortisação.
E, finalmente, o ultimo emprestimo para continuação dos caminhos de
ferro de £ 469:800, a 4 por cento de juro e 1 por cento para amortisação.
A pequena colonia do Natal recorreu ao emprestimo, pediu primeiro a 6
por cento e 3 por cento; progrediu com a divida que fez, e ha pouco
realisou um emprestimo a 4 por cento de juro e 1 por cento para
amortisação; e isto quando uma parte sensivel das sommas emprestadas tem
sido empregada nos improductivos trabalhos para melhorar uma barra sobre
a qual se passa muitas vezes em perigo (quando não está mesmo do todo
fechada) n'um vaporsinho que eu muito desejaria ver na carreira do rio
Pungue, e na qual nunca entrarão navios como os que podem entrar em mais
de vinte portos da provincia de Moçambique.
As grandes e poderosas nações da Europa recorreram largamente ao credito
para a realisação dos espantosos melhoramentos materiaes que se têem
effectuado no presente seculo; com mais forte rasão as colonias dos
differentes paizes recorrem ao credito com mais ou menos dependencia das
respectivas metropoles, conforme as leis que as regem, e o credito que
merece cada colonia. Só as colonias portuguezas fazem excepção.
Terminarei este artigo fazendo algumas citações de uma das communicações
apresentadas pelo sr. V. Erskine á Royal Geographic Society de Londres,
que se acha publicada no jornal da sociedade, vol. XLV, 1875, unico dos
volumes que tenho commigo. Uma das citações seria bem desnecessario
fazel-a, porque deverá ter ultimamente sido lida por todos os
portuguezes que se occupam de colonias, no livro de s. ex.ª o sr.
Andrade Corvo:
«O futuro de Lourenço Marques nas mãos dos portuguezes só póde ser ruina
e morte, mas debaixo de uma raça _teutonica_ será o mais glorioso. Que a
dominação por uma d'estas raças terá logar, por força ou por diplomacia,
não póde haver duvida alguma.» (É extraordinario que estas palavras
fossem escriptas ha mais de dez annos.)
«Os portuguezes parecem estar pegados atraz das suas muralhas nos fortes
da costa, e não fazem idéa alguma do paiz elevado que lhes fica para o
interior.
«Desde a invasão dos zulus os portuguezes nem são temidos, nem
respeitados. Tendo apenas soldados pretos, são absolutamente desprezados
pelas tribus que os rodeiam.
«Considero este grupo de montanhas onde nasce o Busi como um dos mais
interessantes problemas da geographia moderna; pela sua conveniente
exploração conhecer-se-iam vastas regiões de paizes sadios, proximos do
porto de Sofalla, e se fossem tomados em mão por Portugal e offerecidos
a emigrantes por algum modo liberal fazia elle cessar immediatamente
todas as difficuldades com os indigenas, e crearia uma origem de riqueza
e prosperidade como nunca viu desde o tempo d'aquelles heroes que lhe
fundaram o seu imperio colonial, do qual hoje apenas alguns fragmentos
lhe restam.»
É assim que pensam os estrangeiros que visitam o paiz; é provavelmente
assim que pensam o Gunguneana e os seus grandes; no dia em que
sufficiente numero de portuguezes pensar do mesmo modo, a não ser que
esse dia chegue demasiadamente tarde, ver-se-ha bem depressa por
experiencia como os primeiros que fallaram pensaram bem.
Tendo indicado a distancia de differentes cidades e portos da Africa
austral á capital do Musila, diz:
«Os portos mais proximos, Sofalla e Chiloane, são tambem testas das
estradas que offerecem menores difficuldades physicas para uma marcha. A
planicie que ellas seguem é sadia durante os mezes de julho, agosto,
setembro e outubro, de maneira que forças europêas facilmente as podem
atravessar n'essa epocha. Grandes rios podem ser seguidos até ás bases
das montanhas. De espaço a espaço ha densos bosques, mas podem elles ser
evitados, e o caminho seguir sempre como por um parque. Ha pastagens por
toda a parte, de maneira que não seria necessario levar sustento para gado.
«Na verdade difficilmente se poderia encontrar um paiz que melhores
condições offereça para ser conquistado por europeus; e note-se que,
quando se chega ao plateau elevado, tem-se attingido uma região cujo
clima é superior ao da Europa.»
Conclusões
Motivado no que tenho exposto, direi que é minha opinião o seguinte:
1.º Convem limitar a area de acção do governo do districto de Manica, do
seguinte modo: ao norte, pela margem direita do Zambeze desde a foz do
Aruenha até ao limite dos prazos Chupanga e Luabo; a leste, pelas
confrontações dos prazos Chupanga e Cheringoma com os prazos Luabo e
Melambe até a costa e de ahi pela linha da costa até á foz do rio Busi;
ao sul pela linha, seguida, dos thalwegs do rio Busi e dos affluentes
Lusite, Mufomose e Mussapa, continuando por modo que comprehenda todo o
reino de Manica; e a oeste, na parte mais do sul, prolongando-se quanto
possivel para o Zambeze e região em que este rio corre do sul para o
norte, e na parte mais do norte pelos thalwegs dos rios Mazoe e Aruenha,
em que confinaria com o districto de Tete.
2.º Convem passar o commando militar e villa de Senna para a margem
esquerda do Zambeze.
3.º Transferido o commando militar de Senna para a margem opposta, é
necessario crear desde já o commando militar de Chemba.
4.º É necessario e facil resolver a questão do Bonga.
5.º Logo que esteja resolvida a questão do Bonga, é necessario crear o
commando militar do Aruenha.
6.º É necessario resolver a questão do reino do Barue.
7.º Effectuada a transferencia do Barue, é necessario crear um commando
militar com a séde na aringa de Manuel Antonio, de Inhangona, proximo do
Caurese, ou um pouco mais a oeste e mais proximo dos Campos de Oiro do
Imperador Guilherme.
8.º É necessario crear desde já o importante commando militar de Massará
e nomear o seu commandante, que poderá fazer serviço como commandante
militar em Manica, emquanto convenha que a séde do governo do districto
fique em villa Gouveia.
9.º É necessario, como uma das bases mais essenciaes para o
desenvolvimento de um prospero districto de Manica, organisar por
qualquer modo um serviço de transportes a vapor, mensal, ou, para
começar, bi-mensal ou ainda trimestral, _mas regular_, entre os portos
do Quelimane ou Chiloane e o rio Pungue até ao ponto onde este rio for
navegavel pelo vapor empregado[3].
10.º É necessario, e facil de realisar com os recursos que já tem o
districto de Manica, logo que lhe for dada acção sobre todo o valle do
Aruangua até á costa, evitar que os landins continuem a passar este rio,
como actualmente fazem, para ir levantar tributos nos prasos Cheringoma,
Inhamunbo, Chupanga, Luabo e Melambe, e assegurar a tranquilidade na
região que fica ao norte do mesmo rio.
11.º É necessario ligar telegraphica ou telephonicamente a séde do
commando militar da Chupanga, com a do commando militar de Chemba, esta
com villa Gouveia e esta com a séde do commando militar do Aruangua[4].
12.º Se fosse exequivel, seria muito para recommendar, e teria de certo
o maior alcance, a immediata guarnição da região da antiga feira de
Manica com uma força de quinhentos homens de um regimento de infanteria
do exercito de Portugal.
13.º Como não é possivel fazer-se a proposta indicada em o numero
antecedente, o governo do districto de Manica fará de certo quanto
podér, lançando mão dos recursos de que aqui dispõe para occupar a
região de Manica, assegurar as communicações com o ponto occupado; e
occupar mais um ponto convenientemente situado entre os rios Pungue e
Busi, proximo da costa.
14.º É urgente e essencialmente necessario proceder por qualquer modo
para augmentar de uma maneira sensivel a actual população branca da
provincia de Moçambique; e muito para desejar que ainda na boa estação
que vae entrar comece a pôr-se em pratica algum programma de colonisação
do districto de Manica.
15.º Dentro de cada districto da provincia de Moçambique ha em grande
excesso o necessario para que a provincia possa garantir os encargos que
tenha a contrahir por causa de qualquer d'esses districtos.
O emprego dos meios necessarios para garantir a segurança, para realisar
a colonisação e as grandes obras publicas, exigem rapido desembolso de
capitaes que só podem ser obtidos por emprestimos. Estes emprestimos, no
caso da provincia de Moçambique, poderão ser de duas ordens; ou geraes
da provincia, com a garantia da provincia e garantia do governo, ou
especiaes para determinados fins, a executar por emprezas constructoras
de colonisação e outras, emprestimos que devem ser feitos por emissões
de obrigações d'essas emprezas de utilidade colonial com primeira
garantia da empreza da colonia para com o governo, e com a garantia do
governo para com o publico. Logo que a habilitem a dar os primeiros
passos, a provincia de Moçambique facilmente encontrará credito em todas
as praças do mundo pelos inexhauriveis recursos que em si contém.
Villa Gouveia, 16 de março de 1885. = _Joaquim Carlos Paiva de Andrada_,
capitão de artilheria em commissão.
[1] Refiro-me sempre ao escrever este nome ás terras firmes do prazo
Luabo, na margem direita do Zambeze, que se acham, salvo em raros
pontos mesmo junto ao rio, desertas. É nas ilhas do delta que estão
hoje condensados todos os colonos, almejando por voltar a occupar as
terras que seus paes e elles proprios occuparam na terra firme.
[2] A ponta de marfim foi entregue no governo do districto. Queria
recusar as duas libras, mas como não comprehendiam o motivo da
recusa e se melindravam, entreguei-as na presença dos grandes ao
mouro capitão mór, que as acceitou
[3] Saber-se desde já com certeza que um vapor viria ao Punque de
hoje a quatro ou seis mezes, _mas em dia fixo_, faria um grande bem.
Viagens sem sufficiente annuncio previo na Europa e aqui serão
relativamente de pouco proveito.
[4] Ligado mais tarde o commando de Chemba com o Aruenha ficará
construida a maior parte da linha que porá Tete em communicação com
a costa. Da Chupanga em breve mandaria o districto de Quelimane
prolongar a linha para villa Mesquita e de certo que não deixaria
este districto de empregar o material telegraphico, que de ha tantos
annos dispõe, para ligar a linha da Zambezia com Quelimane. Ficariam
assim logo ligados os tres pontos de Quelimane, Inhamissengo e
Pungue.