A oliveira representou sempre importante papel nas crenças populares
antigas. A oliveira era o simbolo da paz e da abundancia. Foi um ramo de
oliveira que a pomba trouxe para a arca, a Noé, em signal de as aguas já
se terem afastado da terra, e a paz estar feita entre Deus e os homens.
Era com corôas feitas de ramos de oliveiras e de louro que se enfeitavam
os vencedores dos jogos olimpicos e os guerreiros victoriosos.
Em quasi toda a Europa meridional substituem no domingo de Ramos as
folhas de palmeira por ramos de oliveira, e crêem que estes, queimados
em occasião de temporal, abrandam a furia dos elementos desencadeados e
livram do raio. Nos Abruzzos, no dia de S. Marcos, vão plantar no meio
dos campos um ramo de oliveira, na esperança de boa colheita e de os
livrar do granizo e das inundações.
Diziam os antigos que as feiticeiras e o diabo não podiam entrar na casa
onde houvesse ramo de oliveira abençoado pelos padres.
As leis athenienses castigavam severamente todo aquelle que fizesse mal
ás oliveiras, ou se servisse da sua madeira para o lume.
Em Ombria e na Terra de Otranto as raparigas que querem saber se
chegarão a casar vão, no dia de Pascoella, nuas, colher um ramo de
oliveira. Chegadas a casa tiram uma folha, humedecem-a com saliva e
lançam-a ao fogo pronunciando o seguinte:
_Si me vuo' bene, salta salticchia,_
_Si me vuo' male stá fissa fissa._
Se a folha saltar tres vezes ou se voltar no fogo é signal de que hão-de
casar. Se a folha arder sem fazer o menor movimento podem perder
completamente a esperança de encontrar marido.
Na Italia meridional as noivas, no dia do casamento, quando recolhidas
no quarto, batem levemente no marido com um ramo de oliveira em signal
de que no quarto de cama quem manda é a mulher.
Na Grecia antiga acreditava-se que a oliveira devia o nascimento a
Minerva a deusa da sabedoria.
Discutindo Neptuno e Minerva qual daria o nome a uma cidade fundada por
Cecrops, os deuses chamados para resolver a questão, determinaram que
seria aquelle que fizesse a mais util creação para os humanos. Neptuno
batendo na terra com o tridente, fez d'ella sahir um cavallo e Minerva,
ferindo o sólo com a lança, fez apparecer uma oliveira carregada de
fructo. Os deuses decidiram a contenda em favor de Minerva que deu á
cidade o nome de Athenas.
Uma lenda allemã diz que a oliveira brotou da sepultura do primeiro
homem, de Adão, e que foi do tronco da oliveira que os hebreus
fabricaram a cruz em que pregaram Christo.
Tambem ha uma lenda grega que diz que foi da oliveira e não do carvalho
que nasceu da maça de Hercules, e uma lenda hebraica narra que
procurando as arvores um rei dirigiram-se primeiro á oliveira que não
acceitou, por isso que não queria perder os seus bellos fructos
sacrificados ás canceiras da realeza, depois á vide e á figueira que por
motivo identico recusaram tambem, e por ultimo ao carvalho, que acceitou.
O azeite, extrahido do fructo da oliveira era venerado pelos antigos. Os
athenienses esfregavam o corpo com azeite para conservar a belleza da
pelle, e os christãos fizeram d'elle o oleo santo que applicam aos
moribundos como simbolo da vida eterna.
A oliveira era para os antigos a arvore da vida por isso que produzia o
azeite, que arde nas lampadas, conservando a luz durante a noite, a luz
a origem de toda a vida terrestre.