O myosotis (_Hieracium pilosella_) a deliciosa florsinha das margens dos
regatos, a _Nontiscordar di me_ dos italianos, a _Vergissmeinnicht_ dos
allemães, e a _Oreja de raton_ dos hespanhoes, tem sido cantada pelos
poetas de todos os tempos e apreciada por todos os povos, que lhe
dedicam particular e especial estima.
E na verdade a bella flôr de um azul tão doce e tão suave, de uma côr de
que ella quasi que guarda o exclusivo em todo o reino vegetal, merece o
apreço em que é tida pela sua excepcional formosura, que modestamente
esconde entre a larga vegetação das margens dos regatos.
É a flôr dos namorados, que como ella procuram a solidão, os logares
cheios de sombras e de serenidade para trocarem as suas intimas
confidencias, as suas apaixonadas caricias amorosas.
Uma antiga ballada italiana narra da seguinte fórma o apparecimento do
myosotis no nosso globo.
Um pobre camponez ao vêr-se atraiçoado pela noiva que o trocou por outro
mais rico e que mais lhe podia proporcionar os gosos que ambicionava,
afogou-se de pezar.
As aguas do rio balouçaram durante dias o corpo do desditoso e as
nimphas condoídas da sorte do infeliz, tão novo e tão formoso,
imploraram para elle a protecção dos deuses. Levantou-se então enorme
temporal e as aguas arremessaram para longe de si o cadaver retido, que
ao tocar na margem, foi immediatamente metamorphoseado nas bellas flores
com que as nymphas depois constantemente se enfeitaram.