Pela facilidade da multiplicação, a semente da mostarda é entre os povos
orientaes symbolo da geração.
Tambem serve o oleo da mostarda para a descoberta das feiticeiras. Para
isto basta, segundo os Indús, encher um grande vaso de vidro com agua e
derramar-lhe dentro o oleo gotta a gotta, pronunciando no momento da
quéda de cada gotta na agua o nome de uma mulher. Se na occasião da
quéda da gotta a agua se turva e n'ella se vê apparecer uma como sombra
de mulher, aquella cujo nome coincidiu com o lançamento do oleo na agua
é, sem a menor duvida, uma grande feiticeira.
A mais curiosa lenda, da India, relativa á mostarda, é a da fada
Bakanali, onde claramente se frisa o valor gerativo d'este vegetal.
O deus Indra, em castigo de grave falta, transformou a fada Bakanali em
estatua de marmore, condemnando-a a permanecer assim durante doze annos
no templo de Ceylão.
O rei d'aquelle paiz, por um dos maleficos caprichos a que amiudadas
vezes estão sujeitos os reis, arrasou o templo e reduziu todas as
estatuas a pó. Dias depois, o local onde esteve o templo, appareceu todo
coberto d'uma planta até então desconhecida.
Quando a planta deu semente, o jardineiro do rei extrahiu d'ella um oleo
tão aromatico, que a rainha, a quem foi offerecido, quiz logo proval-o.
Mal porém o chegou aos labios, ella, que era esteril, sentiu-se
immediatamente gravida, e nove mezes depois deu á luz uma filha, que não
era mais que a fada Bakanali, novamente recuperando a sua fórma terrestre.