A nogueira foi considerada pelos antigos como arvore sinistra e
funeraria, sob a qual se reunem as feiticeiras, especialmente na noite
de S. João, para celebrarem os seus horridos festins, ao passo que o
fructo de tão má arvore foi sempre symbolo da abundancia e da geração.
Foi em cascas de nozes que, segundo uma lenda slava, escaparam ao
diluvio os homens que depois repovoaram o mundo. Eram cascas de nozes os
maravilhosos trens das boas fadas protectoras de nossos antepassados
que--ai de nós!--para sempre desappareceram do mundo, e eram estes
saborosos fructos os que se distribuiam outr'ora nas bodas como de feliz
e prolifico agouro para os noivos.
Na Belgica, no dia de S. Miguel, as donzellas casadoiras abrem
cuidadosamente algumas nozes, tiram-lhe o conteudo o collam depois as
duas cascas vazias com todo o cuidado, de modo a parecerem intactas, e
deitam n'um sacco um numero egual de nozes vazias e nozes cheias.
Misturam-as bem, e depois, fechando os olhos, mettem a mão no sacco e
tiram uma noz. Se acertam tirar uma cheia é signal de que casarão dentro
de um anno, mas se acontece vir uma das vazias, então ainda téem que
esperar muito pelo anciado marido...
Entre nós, especialmente no Porto, ha uns leves vestigios d'esta
tradição. No dia de S. Miguel é costume, na cidade invicta, comer-se
nozes com trigo, o que, dizem, dá a felicidade e a abundancia em casa. E
á gente nova, á gente solteira, temos nós ouvido repetidas vezes dizer
que «no dia de S. Miguel, nozes com regueifa sabe a casar»...
No sul de França creem que o meio infallivel de conhecer um feiticeiro é
collocar-lhe uma noz debaixo da cadeira quando elle estiver sentado,
pois não se poderá mais erguer do logar onde estiver emquanto não
retirarem a noz. É d'aqui que os camponezes de Bolonha penduram uma noz
ao pescoço dos filhos para os livrar de maus olhados. Tem para elles a
noz o mesmo valor da nossa figa.
Para os judeus a arvore do bem e do mal era uma nogueira, e o fructo que
Deus prohibira a Adão que comesse, uma noz.