_NOVO ESCUDEIRO_
Após o passamento de Henrique IV, todas as esperanças dos partidarios de
D. Joanna firmavam-se no heróe de Arzilla; e as de D. Isabel no apoio de
Aragão principalmente. Estava préstes a travar-se a lucta, em que devia
afinal decidir-se da sorte das duas contendoras, collocadas em
circumstancias mui diversas.
Isabel, ainda em vida de seu irmão, soube preparar-se a tempo; Joanna
era uma creança inexperiente, filha de uma senhora sem prestigio, e sem
a necessaria energia para collocar-se á frente do movimento, que se
operava a favor da justa causa da princeza de Castella.
Tambem a morte veiu surprehender a infeliz viuva no inicio das
hostilidades, de sorte que sua filha, orphã prematura de páe e mãe,
ficou inteiramente á mercê da versatilidade caracteristica de seus
parciaes. Estes, mais por acudir á vingança de seus odios particulares,
e ao accrescentamento de seus patrimonios, do que por zelo do bem
publico, ou amor de justiça, trataram de comprometter D. Affonso V, para
lhes saciar a cobiça.
Estava o rei de Portugal em Extremoz, quando lhe chegou ás mãos o
testamento, em que seu cunhado Henrique IV declarava ser a princeza D.
Joanna sua filha, e a nomeava herdeira dos reinos de Castella e Leão,
pedindo outrosim a D. Affonso V, que acceitasse a governança d'elles e
casasse com a sobrinha.
Ouviu D. Affonso sobre o assumpto o parecer de seu filho, bem como o dos
grandes e principaes do reino, a quem consultou mais talvez pelo
respeito ás praxes estabelecidas, do que resolvido a seguir qualquer
conselho, que contrariasse o seu reservado intento. A fim de saber não
só quantos e quaes eram os magnates castelhanos legitimistas, como de
certificar-se da valia d'elles, enviou a Castella Lopo de Albuquerque,
seu camareiro-mór, depois conde de Penamacor.
A esse tempo chegava D. Juan de Guzman a Extremoz, onde foi recebido
pelo monarcha.
Não podia ser mais a proposito esta visita, e D. Affonso folgou muito
com ella, dando ao seu hospede cordialissimo agasalho, como naturalmente
pediam a lhaneza e affabilidade do rei, que captivava com o seu trato
grandes e pequenos.
Entregou-lhe o recem-vindo uma carta, em que o duque de Medina Sidonia o
apresentava a D. Affonso, garantindo a approvação antecipada a quanto
entre ambos ficasse assentado.
Terminada a leitura do escripto, começou Guzman por dizer:
--Não ignora voss'alteza, quanto é lastimoso o estado de Castella. O
reino sem direcção, nem governo, combatido por todos os principios de
dissolução, caminha rapidamente para uma ruina tremenda, e nas mãos de
voss'alteza está o poder evita-la.
--São esses os meus desejos;--replicou D. Affonso--mas, como sabeis, a
empresa não é facil, por isso careço de inteirar-me da lealdade dos que
se propõem pugnar pela justiça e direitos da princeza, minha sobrinha.
--Da parte de meu irmão--tornou Guzman--venho eu prestar homenagem a
voss'alteza, a quem elle jura servir em tudo, obrigando-se a auxiliar,
tomar e reconhecer por seu legitimo rei e Senhor, se voss'alteza se
desposar com a senhora D. Joanna, e fôr sem demora tomar posse do
governo de Castella.
--O duque é digno dos meus louvores, e mais ainda pela fórma, como
procede, offerecendo-me occasião de conhecer-vos, para muito vos estimar.
--Mercê a voss'alteza, meu Senhor. Em breve poderei talvez provar-vos a
gratidão do meu animo, onde tambem o seu esforço mais se manifeste.
--Praz-me ouvir-vos, e ver-vos tão deliberado!
D. Juan de Guzman cortejou D. Affonso, e disse-lhe com aprimorados
ademanes de cavalleiro:
--Espéro, que meu irmão me confie o comando de dois mil cavallos, que
desde já põe ao serviço de voss'alteza.
--É contingente valioso esse--observou D. Affonso.
A respeito das forças, com que poderemos contar devo em breve ser
definitivamente informado pelo marquez de Vilhena.
--Assim o creio. Talvez a demora dos seus esclarecimentos dependesse da
resposta de meu irmão.
--Porquê?
--Á hora da minha partida para Portugal recebeu o duque uma carta de D.
Diogo, na qual lhe perguntava com quantos cavallos concorria, pois
desejava enviar a voss'alteza uma nota das tropas castelhanas, com que
poderiamos entrar em campanha, e a Luiz XI a da totalidade do exercito.
--E o marquez communicava tambem ao duque o computo dos já inscriptos?
--Sim, meu Senhor. Anda por dezoito mil cavallos; devendo, porém, este
numero elevar-se, quando constar a entrada de voss'alteza em Castella,
pois muitos dos cavalleiros, que até agora não adheriram, o farão
immediatamente.
D. Affonso V não poude occultar o jubilo, que lhe causou esta nova de
ter já por si em Castella tão importantes forças; e com a sua
habitual familiaridade affirmou a D. Juan de Guzman:
--Eu tenho muita confiança nos cavalleiros castelhanos. Não os ha mais
briosos certamente.
--Mercê por elles, meu Senhor.
--Agora aqui vos deixo para serdes recebido pelo principe, que muito
gostará de conversar comvosco.
É fácil de presumir, sobre que versaria principalmente a palestra,
sabendo-se do interesse, que mostrava o principe D. João em seu páe
acceitar o papel, que Henrique IV lhe distribuira no testamento.
D. Juan de Guzman poucos dias se demorou em Portugal; foi, porém, o
tempo sufficiente para D. Affonso e seu filho conhecerem e apreciarem o
pagem, que viera na comitiva. D'elle fizeram grandes gabos ao fidalgo
sevilhano, o qual, mais talvez por alardear philaucias de familia, do
que por enaltecer as qualidades do môço, ou por ambas as razões, referiu
em resumo: que da Covilhan costumava ir a Sevilha o páe do pagem
commerciar e conquistára grandes creditos. Tendo afinal estabelecido a
sua residencia n'aquella cidade, onde era geralmente estimado, accedeu
ao pedido, que lhe fez o duque de Medina Sidonia, de deixar-lhe educar o
filho, então muito creança ainda, mas dotado já de singular viveza. Como
fallecesse o mercador, pouco depois, e já viuvo, ficára o pagem
inteiramente confiado ao amparo do duque. Possuia prendas muito
estimaveis, poderia em breve ser um excellente cavalleiro, e chamava-se
Pero da Covilhan, por causa da sua procedencia.
Esta narrativa ainda mais aguçou a D. Affonso e ao principe o appetite
de terem o pagem ao seu serviço; e D. Juan de Guzman já havia
reconhecido isso na maneira como lhe fallavam d'elle.
Na vespera do seu regresso a Sevilha, perguntou Guzman a Pero da Covilhan:
--Quereis ser pagem do rei de Portugal?
--Tudo quanto sou--respondeu Pero--devo ao senhor duque, por isso não
tenho animo de separar-me d'elle.
--Esperava essa resposta;--volveu Guzman--mas se eu vos pedir, que fiqueis?
--Obedeço, porque de vossa mercê sómente recebo ordens e não pedidos.
--Meu bom Perico!--exclamou affectuosamente Guzman.--Muito me custa
deixar-vos cá; mas o senhor D. Affonso, que, dentro em pouco será rei de
Castella, mostra desejos de ser vosso amo, e eu tenho-os de o bem
servir; por isso entregar-vos-ei a elle, certo de que meu irmão
assentirá ao meu proposito.
No dia seguinte saiu D. Juan de Guzman para Sevilha. D. Affonso V
dirigiu-se a Evora, levando no seu sequito a Pero da Covilhan, já
escudeiro, servido de armas e cavallo, sem embargo de não ter completado
ainda vinte annos.
O rei antes da partida despachou o seu Arauto Lisboa com cartas para
Luiz XI, a quem communicava a resolução que tomára, de receber por
esposa a princesa D. Joanna, e de entrar em Castella com um grande
exercito, pois a isso o estava convidando a maior parte da grandeza
castelhana. E sob o pretexto de recear, que na jornada sobreviesse ao
seu Arauto algum accidente ou enfermidade, que o retardasse, escreveu de
novo ao rei de França, insistindo agora principalmente em demonstrar os
legitimos e inauferiveis direitos da rainha D. Joanna. Ponderava
habilmente, que o não ser d'elles esbulhada, era conveniencia de ambos
os monarchas, por quanto, se Fernando se apoderasse de Castella, viria a
ser um vizinho formidavel e perigoso, tanto para Portugal, como para
França.
Procurava assim conciliar com acertada politica as boas graças de Luiz
XI, que mui interessado era, em que no throno de Castella estivesse um
principe capaz de manter e conservar as antigas confederações e
allianças d'esse reino com a França; mas contra todos em geral e sem
excepção.
N'este ponto offerecia-se a difficuldade de ser Portugal alliado da
Inglaterra, antiga inimiga da França, e querer Luiz XI, que Portugal
ficasse comprehendido no tractado a celebrar com Castella.
De certo modo veiu o nosso monarcha a prestar-se ás vistas politicas de
Luiz XI; o que determinou este a promulgar uma carta patente sobre o
soccorro, que dava a D. Affonso V, nomeando sire d'Albret commandante de
um exercito destinado a invadir Guipuzcoa e Biscaia.
Com quanto o duque de Bragança tivesse já dado lealmente por escripto o
seu parecer--que foi archivado a seu pedido, para constar no
futuro--ácerca da entrada do exercito portuguez em Castella, D. Affonso,
antes d'este se pôr em marcha, conversou ainda particularmente com o
duque a respeito do assumpto.
--Insistis na vossa opinião?--perguntou o monarcha ao duque de Bragança.
--Certamente, meu Senhor--respondeu o duque.
--Ora dizei-me: não deverei eu confiar nas declarações categoricas, que
por Lopo de Albuquerque me enviaram os grandes de Castella?
--Mais acertado fôra, Senhor, desconfiar d'ellas. Reparai bem, que esses
mesmos, que vos chamam agora para sustentar os direitos de vossa
sobrinha, são os que atraiçoaram a D. Henrique, seu rei natural,
depondo-o do governo do reino.
--Assim é. Mas não acreditais, que elles reconhecendo a justiça que
assiste a minha sobrinha, queiram resgatar com uma nobre acção seus
anteriores desatinos, sem embargo de esperarem tambem receber de mim
grandes mercês?
--O que me parece é, que a obediencia por elles jurada depende
unicamente da sua ambição, e vem acompanhada de mais interesse, do
que de fidelidade e constancia; por isso, se a sorte das armas começar a
ser desfavoravel a voss'alteza, depressa abandonarão a vossa bandeira.
--Sei, que como amigo me fallais; mas a vossa prudencia é agora
descabida. Pois os nobres de Castella arriscar-se-iam por ventura a
grandes perigos, offerecendo-me espontaneamente seus serviços, se
duvidassem do seu e meu triumpho?!
--De tudo são elles capazes, meu Senhor, que os não ha mais voluveis.
Mas superiores em poder e em numero são-lhes os mais avisados e
prudentes, tendo ao seu lado o povo, que unanimemente acclamou D. Isabel
por sua rainha. E uma acclamação, como esta, é vantagem muito grande no
começo dos reinados, servindo até de justificar as pretensões mais
duvidosas.
--Não ignoro quanto o poder de Castella excede o de Portugal; mas conto
não só com os homens do meu reino, que são muito valentes, senão com
outros tantos castelhanos, como de mais nações, que de boa vontade
engrossarão o meu exercito.
--E a D. Isabel não virão soccorros da Secilia, tanto em dinheiro, como
em armas, navios de guerra, cavallos e provisões? Aragão dar-lhos-ha
decerto; e até a Italia, pois são senhores d'ella, e primos dos reis da
Secilia, o rei de Napoles D. Fernando, e o duque da Calabria, seu filho.
--Sim, estão os meus adversarios bem aparentados; mas não os temo
apesar d'isso, e eu tambem _não nasci das pedras_.[3] Conto
igualmente com amigos e parentes; tambem me não falta dinheiro, _que é
mais fiel que todos os parentes e amigos_, e tenho sobretudo a Deus em
meu auxilio.
--Não pretendo demover voss'alteza do proposito, em que está; permitti,
porem, que vos lembre ainda a reciproca aversão de Castella e Portugal,
filha de um odio inveterado entre os dois povos; e o perigo de expôr a
felicidade e a paz do vosso reino á inconstancia e capricho dos grandes
de Castella. Não olvide tambem voss'alteza, que, durante a vida de seu
cunhado, não queria ouvir fallar do casamento de voss'alteza com sua
sobrinha, e que, acceitando-o agora, obriga o mundo, sempre prompto a
desacreditar as acções dos principes, a murmurar e attribuir esta guerra
a algum odio reservado...
--Sem embargo d'isso, estou resolvido a entrar em Castella.
--Acato a deliberação de voss'alteza, e peço-lhe me conceda licença,
para ter em alguns lugares d'esse reino póstas prestes a salvar a real
pessoa de voss'alteza e a minha, se necessario for.
A vigorosa argumentação do duque de Bragança, para combater o designio
de Affonso V, fez suspeitar o principe D. João, de que fôra inspirada
por D. Isabel, proxima parenta do duque; suspeita essa, que dominou
sempre o animo do principe, e foi mais tarde tão fatal á casa de Bragança.
D. João oppôz-se apaixonadamente áquelle parecer, por estar convencido
de que o senhor de Villa Viçosa pretendia atalhar, a que D. Affonso V
aproveitasse o ensejo propicio, que se lhe offerecia, de dilatar os
dominios da corôa, e unificar os reinos da peninsula. Era vivamente
applaudido por alguns fidalgos portuguezes, que observavam o invariavel
preceito, de não soffrerem os principes contrariedade a seus gostos.
Preferiam por isso ser aduladores, especie de péste endemica das côrtes,
para a qual se não descobriu ainda remedio.
O duque de Bragança havia previsto, quanto ia passar-se em Castella; e
os successos, como veremos, bem mostraram ser mais difficil illudir a
prudencia, do que lisonjear um principe.
Falleceu o duque, antes de se pôr em marcha o nosso exercito, e seu
filho primogenito D. Fernando, duque de Guimarães, que lhe succedeu em
suas grandezas, tomou parte na expedição com seus irmãos, vassallos e
dinheiro, sem que lhe entibiasse o zelo e a generosidade, com que servia
o seu legitimo rei, consideração alguma pelo parentesco, que tão
estreitamente o ligava aos principes do partido contrario.
Até aqui havia D. Affonso V reinado com muita gloria e auctoridade,
sendo alvo da estima e veneração dos principes seus contemporaneos,
alguns dos quaes consumiam seus patrimonios e forças em guerras
civis e domesticas, em quanto elle as expendia em activar o influxo
civilisador da religião catholica, e ampliar a soberania de Portugal,
havendo passado tres vezes a Africa, onde seus cavalleiros mais
acendraram a fama luzitana, e elle mostrou sempre a alteza de animo, de
que era singularmente dotado.
A inclinação e gosto, com que se occupava na conquista da Africa pela
Barberia, faziam-n'o olvidar a grandeza dos descobrimentos do Oceano,
iniciados pelo infante D. Henrique seu tio. Quem sabe, porém, se elle
continuaria a obra do solitario de Sagres, uma vez que não fosse
impellido pela generosa idéa de reparar uma affronta, feita a sua irmã,
e de soccorrer uma orphã innocente e desamparada?
E seria sómente esse o pensamento, que o levou a Castella?
Se o leitor, em alguma hora de seu desenfadamento, compulsasse os
codices da preciosa collecção pombalina, que possue a Bibliotheca
Nacional de Lisboa, em um d'elles encontraria a seguinte lembrança muito
instructiva:
«Sendo antes destas tres escreturas atras contheudas trautado casamento
delRei Dom Affonso o quinto, padre delRei nosso Senhor e sobre elle com
a Rainha Dona Isabel, que na era presente reinava, foi com embaixada a
Castella o Arcebispo de Lisboa Dom Jorge grandemente, que hoje he
Cardeal de titolo de Sam Pedro Marceleni, e está em corte de Roma
privado e amado do Papa Innocencio, que foi Cardeal malfetano, e asi
outros embaixadores, e vindos outros de Castella ao dito Rei sobre o
mesmo caso, esta senhora Rainha Dona Isabel se casou com elRei de
Cecilia e Principe d'Araguam, filho delRei Dom João d'Araguam, que
primeiro foi Rei de Navarra, o qual casamento fez por mão do Arcebispo
de Tolledo dom Affonso Carillo, e do Almirante avoo do dito Rei da parte
de sua mãi, e fique em memoria que o fez porque o dito Senhor Rei Dom
Affonso _a não quiz, querendo ella muito_, e depois elle a quisera e
ella como as molheres naturalmente sam vingativas o não quiz quando elle
quisera, e folgou de lhe dar competidor e de o anojar, como na verdade
foi, _ca desta mesma causa naceo sua entrada em Castella com o titolo de
sua sobrinha_, filha delRei Dom Amrique per dar trabalho á Rainha Dona
Isabel, e se vingar della, e como as cousas de sua entrada sobcederão
fique do Coronista ao carguo.»
Com effeito Henrique IV, annos antes do seu passamento, offerecera, como
vimos, a mão de D. Isabel a D. Affonso V; e desejou igualmente, que o
principe D. João casasse com a princeza de Castella, D. Joanna.
D. Affonso dilatou a sua resolução, e sómente quando muito
instado por seu cunhado, pelo principe seu filho, e pelas diligencias do
marquez de Vilhena, mandou uma embaixada pedir a infanta. Os
embaixadores esperavam pela resposta na aldeia de Cientpozuelos, e
afinal foram despedidos, dizendo-se-lhes, que se trataria por meios
brandos de reduzir a infanta a obedecer a seu irmão. O arcebispo de
Toledo cuidou immediatamente de dissuadir D. Isabel d'este enlace, pondo
em relêvo a dilação descortêz de D. Affonso, aconselhou-a, a que
preferisse Fernando de Aragão, e entendeu, que, para frustrar as idéas
dos adversarios, devia fazer secretamente os preparativos, precipitar os
tramites do negocio, e de um modo ou outro verificar o matrimonio, para
que, realizado e consumado, não désse lugar ao _arrependimento da
princeza_. E maior préssa se deu ainda, quando soube, que de Roma havia
sido enviada a Bulla de Paulo II, com data de 23 de junho de 1469,
concedendo a dispensa a D. Affonso e D. Isabel. Fabricou então um breve
apostolico, datado de 28 de maio de 1464 e com assignatura falsa de Pio
II, pois se oppunha á execução do desposorio com Fernando o impedimento
da consanguinidade dos nubentes, e não havia outro meio de velar o
sigillo e realizar o negocio com promptidão.
O atribiliario prelado toledano comprazia-se em forjar caballas e
commetter torpezas.