III

_NOVO ESCUDEIRO_

Após o passamento de Henrique IV, todas as esperanças dos partidarios de

D. Joanna firmavam-se no heróe de Arzilla; e as de D. Isabel no apoio de

Aragão principalmente. Estava préstes a travar-se a lucta, em que devia

afinal decidir-se da sorte das duas contendoras, collocadas em

circumstancias mui diversas.

Isabel, ainda em vida de seu irmão, soube preparar-se a tempo; Joanna

era uma creança inexperiente, filha de uma senhora sem prestigio, e sem

a necessaria energia para collocar-se á frente do movimento, que se

operava a favor da justa causa da princeza de Castella.

Tambem a morte veiu surprehender a infeliz viuva no inicio das

hostilidades, de sorte que sua filha, orphã prematura de páe e mãe,

ficou inteiramente á mercê da versatilidade caracteristica de seus

parciaes. Estes, mais por acudir á vingança de seus odios particulares,

e ao accrescentamento de seus patrimonios, do que por zelo do bem

publico, ou amor de justiça, trataram de comprometter D. Affonso V, para

lhes saciar a cobiça.

Estava o rei de Portugal em Extremoz, quando lhe chegou ás mãos o

testamento, em que seu cunhado Henrique IV declarava ser a princeza D.

Joanna sua filha, e a nomeava herdeira dos reinos de Castella e Leão,

pedindo outrosim a D. Affonso V, que acceitasse a governança d'elles e

casasse com a sobrinha.

Ouviu D. Affonso sobre o assumpto o parecer de seu filho, bem como o dos

grandes e principaes do reino, a quem consultou mais talvez pelo

respeito ás praxes estabelecidas, do que resolvido a seguir qualquer

conselho, que contrariasse o seu reservado intento. A fim de saber não

só quantos e quaes eram os magnates castelhanos legitimistas, como de

certificar-se da valia d'elles, enviou a Castella Lopo de Albuquerque,

seu camareiro-mór, depois conde de Penamacor.

A esse tempo chegava D. Juan de Guzman a Extremoz, onde foi recebido

pelo monarcha.

Não podia ser mais a proposito esta visita, e D. Affonso folgou muito

com ella, dando ao seu hospede cordialissimo agasalho, como naturalmente

pediam a lhaneza e affabilidade do rei, que captivava com o seu trato

grandes e pequenos.

Entregou-lhe o recem-vindo uma carta, em que o duque de Medina Sidonia o

apresentava a D. Affonso, garantindo a approvação antecipada a quanto

entre ambos ficasse assentado.

Terminada a leitura do escripto, começou Guzman por dizer:

--Não ignora voss'alteza, quanto é lastimoso o estado de Castella. O

reino sem direcção, nem governo, combatido por todos os principios de

dissolução, caminha rapidamente para uma ruina tremenda, e nas mãos de

voss'alteza está o poder evita-la.

--São esses os meus desejos;--replicou D. Affonso--mas, como sabeis, a

empresa não é facil, por isso careço de inteirar-me da lealdade dos que

se propõem pugnar pela justiça e direitos da princeza, minha sobrinha.

--Da parte de meu irmão--tornou Guzman--venho eu prestar homenagem a

voss'alteza, a quem elle jura servir em tudo, obrigando-se a auxiliar,

tomar e reconhecer por seu legitimo rei e Senhor, se voss'alteza se

desposar com a senhora D. Joanna, e fôr sem demora tomar posse do

governo de Castella.

--O duque é digno dos meus louvores, e mais ainda pela fórma, como

procede, offerecendo-me occasião de conhecer-vos, para muito vos estimar.

--Mercê a voss'alteza, meu Senhor. Em breve poderei talvez provar-vos a

gratidão do meu animo, onde tambem o seu esforço mais se manifeste.

--Praz-me ouvir-vos, e ver-vos tão deliberado!

D. Juan de Guzman cortejou D. Affonso, e disse-lhe com aprimorados

ademanes de cavalleiro:

--Espéro, que meu irmão me confie o comando de dois mil cavallos, que

desde já põe ao serviço de voss'alteza.

--É contingente valioso esse--observou D. Affonso.

A respeito das forças, com que poderemos contar devo em breve ser

definitivamente informado pelo marquez de Vilhena.

--Assim o creio. Talvez a demora dos seus esclarecimentos dependesse da

resposta de meu irmão.

--Porquê?

--Á hora da minha partida para Portugal recebeu o duque uma carta de D.

Diogo, na qual lhe perguntava com quantos cavallos concorria, pois

desejava enviar a voss'alteza uma nota das tropas castelhanas, com que

poderiamos entrar em campanha, e a Luiz XI a da totalidade do exercito.

--E o marquez communicava tambem ao duque o computo dos já inscriptos?

--Sim, meu Senhor. Anda por dezoito mil cavallos; devendo, porém, este

numero elevar-se, quando constar a entrada de voss'alteza em Castella,

pois muitos dos cavalleiros, que até agora não adheriram, o farão

immediatamente.

D. Affonso V não poude occultar o jubilo, que lhe causou esta nova de

ter já por si em Castella tão importantes forças; e com a sua

habitual familiaridade affirmou a D. Juan de Guzman:

--Eu tenho muita confiança nos cavalleiros castelhanos. Não os ha mais

briosos certamente.

--Mercê por elles, meu Senhor.

--Agora aqui vos deixo para serdes recebido pelo principe, que muito

gostará de conversar comvosco.

É fácil de presumir, sobre que versaria principalmente a palestra,

sabendo-se do interesse, que mostrava o principe D. João em seu páe

acceitar o papel, que Henrique IV lhe distribuira no testamento.

D. Juan de Guzman poucos dias se demorou em Portugal; foi, porém, o

tempo sufficiente para D. Affonso e seu filho conhecerem e apreciarem o

pagem, que viera na comitiva. D'elle fizeram grandes gabos ao fidalgo

sevilhano, o qual, mais talvez por alardear philaucias de familia, do

que por enaltecer as qualidades do môço, ou por ambas as razões, referiu

em resumo: que da Covilhan costumava ir a Sevilha o páe do pagem

commerciar e conquistára grandes creditos. Tendo afinal estabelecido a

sua residencia n'aquella cidade, onde era geralmente estimado, accedeu

ao pedido, que lhe fez o duque de Medina Sidonia, de deixar-lhe educar o

filho, então muito creança ainda, mas dotado já de singular viveza. Como

fallecesse o mercador, pouco depois, e já viuvo, ficára o pagem

inteiramente confiado ao amparo do duque. Possuia prendas muito

estimaveis, poderia em breve ser um excellente cavalleiro, e chamava-se

Pero da Covilhan, por causa da sua procedencia.

Esta narrativa ainda mais aguçou a D. Affonso e ao principe o appetite

de terem o pagem ao seu serviço; e D. Juan de Guzman já havia

reconhecido isso na maneira como lhe fallavam d'elle.

Na vespera do seu regresso a Sevilha, perguntou Guzman a Pero da Covilhan:

--Quereis ser pagem do rei de Portugal?

--Tudo quanto sou--respondeu Pero--devo ao senhor duque, por isso não

tenho animo de separar-me d'elle.

--Esperava essa resposta;--volveu Guzman--mas se eu vos pedir, que fiqueis?

--Obedeço, porque de vossa mercê sómente recebo ordens e não pedidos.

--Meu bom Perico!--exclamou affectuosamente Guzman.--Muito me custa

deixar-vos cá; mas o senhor D. Affonso, que, dentro em pouco será rei de

Castella, mostra desejos de ser vosso amo, e eu tenho-os de o bem

servir; por isso entregar-vos-ei a elle, certo de que meu irmão

assentirá ao meu proposito.

No dia seguinte saiu D. Juan de Guzman para Sevilha. D. Affonso V

dirigiu-se a Evora, levando no seu sequito a Pero da Covilhan, já

escudeiro, servido de armas e cavallo, sem embargo de não ter completado

ainda vinte annos.

O rei antes da partida despachou o seu Arauto Lisboa com cartas para

Luiz XI, a quem communicava a resolução que tomára, de receber por

esposa a princesa D. Joanna, e de entrar em Castella com um grande

exercito, pois a isso o estava convidando a maior parte da grandeza

castelhana. E sob o pretexto de recear, que na jornada sobreviesse ao

seu Arauto algum accidente ou enfermidade, que o retardasse, escreveu de

novo ao rei de França, insistindo agora principalmente em demonstrar os

legitimos e inauferiveis direitos da rainha D. Joanna. Ponderava

habilmente, que o não ser d'elles esbulhada, era conveniencia de ambos

os monarchas, por quanto, se Fernando se apoderasse de Castella, viria a

ser um vizinho formidavel e perigoso, tanto para Portugal, como para

França.

Procurava assim conciliar com acertada politica as boas graças de Luiz

XI, que mui interessado era, em que no throno de Castella estivesse um

principe capaz de manter e conservar as antigas confederações e

allianças d'esse reino com a França; mas contra todos em geral e sem

excepção.

N'este ponto offerecia-se a difficuldade de ser Portugal alliado da

Inglaterra, antiga inimiga da França, e querer Luiz XI, que Portugal

ficasse comprehendido no tractado a celebrar com Castella.

De certo modo veiu o nosso monarcha a prestar-se ás vistas politicas de

Luiz XI; o que determinou este a promulgar uma carta patente sobre o

soccorro, que dava a D. Affonso V, nomeando sire d'Albret commandante de

um exercito destinado a invadir Guipuzcoa e Biscaia.

Com quanto o duque de Bragança tivesse já dado lealmente por escripto o

seu parecer--que foi archivado a seu pedido, para constar no

futuro--ácerca da entrada do exercito portuguez em Castella, D. Affonso,

antes d'este se pôr em marcha, conversou ainda particularmente com o

duque a respeito do assumpto.

--Insistis na vossa opinião?--perguntou o monarcha ao duque de Bragança.

--Certamente, meu Senhor--respondeu o duque.

--Ora dizei-me: não deverei eu confiar nas declarações categoricas, que

por Lopo de Albuquerque me enviaram os grandes de Castella?

--Mais acertado fôra, Senhor, desconfiar d'ellas. Reparai bem, que esses

mesmos, que vos chamam agora para sustentar os direitos de vossa

sobrinha, são os que atraiçoaram a D. Henrique, seu rei natural,

depondo-o do governo do reino.

--Assim é. Mas não acreditais, que elles reconhecendo a justiça que

assiste a minha sobrinha, queiram resgatar com uma nobre acção seus

anteriores desatinos, sem embargo de esperarem tambem receber de mim

grandes mercês?

--O que me parece é, que a obediencia por elles jurada depende

unicamente da sua ambição, e vem acompanhada de mais interesse, do

que de fidelidade e constancia; por isso, se a sorte das armas começar a

ser desfavoravel a voss'alteza, depressa abandonarão a vossa bandeira.

--Sei, que como amigo me fallais; mas a vossa prudencia é agora

descabida. Pois os nobres de Castella arriscar-se-iam por ventura a

grandes perigos, offerecendo-me espontaneamente seus serviços, se

duvidassem do seu e meu triumpho?!

--De tudo são elles capazes, meu Senhor, que os não ha mais voluveis.

Mas superiores em poder e em numero são-lhes os mais avisados e

prudentes, tendo ao seu lado o povo, que unanimemente acclamou D. Isabel

por sua rainha. E uma acclamação, como esta, é vantagem muito grande no

começo dos reinados, servindo até de justificar as pretensões mais

duvidosas.

--Não ignoro quanto o poder de Castella excede o de Portugal; mas conto

não só com os homens do meu reino, que são muito valentes, senão com

outros tantos castelhanos, como de mais nações, que de boa vontade

engrossarão o meu exercito.

--E a D. Isabel não virão soccorros da Secilia, tanto em dinheiro, como

em armas, navios de guerra, cavallos e provisões? Aragão dar-lhos-ha

decerto; e até a Italia, pois são senhores d'ella, e primos dos reis da

Secilia, o rei de Napoles D. Fernando, e o duque da Calabria, seu filho.

--Sim, estão os meus adversarios bem aparentados; mas não os temo

apesar d'isso, e eu tambem _não nasci das pedras_.[3] Conto

igualmente com amigos e parentes; tambem me não falta dinheiro, _que é

mais fiel que todos os parentes e amigos_, e tenho sobretudo a Deus em

meu auxilio.

--Não pretendo demover voss'alteza do proposito, em que está; permitti,

porem, que vos lembre ainda a reciproca aversão de Castella e Portugal,

filha de um odio inveterado entre os dois povos; e o perigo de expôr a

felicidade e a paz do vosso reino á inconstancia e capricho dos grandes

de Castella. Não olvide tambem voss'alteza, que, durante a vida de seu

cunhado, não queria ouvir fallar do casamento de voss'alteza com sua

sobrinha, e que, acceitando-o agora, obriga o mundo, sempre prompto a

desacreditar as acções dos principes, a murmurar e attribuir esta guerra

a algum odio reservado...

--Sem embargo d'isso, estou resolvido a entrar em Castella.

--Acato a deliberação de voss'alteza, e peço-lhe me conceda licença,

para ter em alguns lugares d'esse reino póstas prestes a salvar a real

pessoa de voss'alteza e a minha, se necessario for.

A vigorosa argumentação do duque de Bragança, para combater o designio

de Affonso V, fez suspeitar o principe D. João, de que fôra inspirada

por D. Isabel, proxima parenta do duque; suspeita essa, que dominou

sempre o animo do principe, e foi mais tarde tão fatal á casa de Bragança.

D. João oppôz-se apaixonadamente áquelle parecer, por estar convencido

de que o senhor de Villa Viçosa pretendia atalhar, a que D. Affonso V

aproveitasse o ensejo propicio, que se lhe offerecia, de dilatar os

dominios da corôa, e unificar os reinos da peninsula. Era vivamente

applaudido por alguns fidalgos portuguezes, que observavam o invariavel

preceito, de não soffrerem os principes contrariedade a seus gostos.

Preferiam por isso ser aduladores, especie de péste endemica das côrtes,

para a qual se não descobriu ainda remedio.

O duque de Bragança havia previsto, quanto ia passar-se em Castella; e

os successos, como veremos, bem mostraram ser mais difficil illudir a

prudencia, do que lisonjear um principe.

Falleceu o duque, antes de se pôr em marcha o nosso exercito, e seu

filho primogenito D. Fernando, duque de Guimarães, que lhe succedeu em

suas grandezas, tomou parte na expedição com seus irmãos, vassallos e

dinheiro, sem que lhe entibiasse o zelo e a generosidade, com que servia

o seu legitimo rei, consideração alguma pelo parentesco, que tão

estreitamente o ligava aos principes do partido contrario.

Até aqui havia D. Affonso V reinado com muita gloria e auctoridade,

sendo alvo da estima e veneração dos principes seus contemporaneos,

alguns dos quaes consumiam seus patrimonios e forças em guerras

civis e domesticas, em quanto elle as expendia em activar o influxo

civilisador da religião catholica, e ampliar a soberania de Portugal,

havendo passado tres vezes a Africa, onde seus cavalleiros mais

acendraram a fama luzitana, e elle mostrou sempre a alteza de animo, de

que era singularmente dotado.

A inclinação e gosto, com que se occupava na conquista da Africa pela

Barberia, faziam-n'o olvidar a grandeza dos descobrimentos do Oceano,

iniciados pelo infante D. Henrique seu tio. Quem sabe, porém, se elle

continuaria a obra do solitario de Sagres, uma vez que não fosse

impellido pela generosa idéa de reparar uma affronta, feita a sua irmã,

e de soccorrer uma orphã innocente e desamparada?

E seria sómente esse o pensamento, que o levou a Castella?

Se o leitor, em alguma hora de seu desenfadamento, compulsasse os

codices da preciosa collecção pombalina, que possue a Bibliotheca

Nacional de Lisboa, em um d'elles encontraria a seguinte lembrança muito

instructiva:

«Sendo antes destas tres escreturas atras contheudas trautado casamento

delRei Dom Affonso o quinto, padre delRei nosso Senhor e sobre elle com

a Rainha Dona Isabel, que na era presente reinava, foi com embaixada a

Castella o Arcebispo de Lisboa Dom Jorge grandemente, que hoje he

Cardeal de titolo de Sam Pedro Marceleni, e está em corte de Roma

privado e amado do Papa Innocencio, que foi Cardeal malfetano, e asi

outros embaixadores, e vindos outros de Castella ao dito Rei sobre o

mesmo caso, esta senhora Rainha Dona Isabel se casou com elRei de

Cecilia e Principe d'Araguam, filho delRei Dom João d'Araguam, que

primeiro foi Rei de Navarra, o qual casamento fez por mão do Arcebispo

de Tolledo dom Affonso Carillo, e do Almirante avoo do dito Rei da parte

de sua mãi, e fique em memoria que o fez porque o dito Senhor Rei Dom

Affonso _a não quiz, querendo ella muito_, e depois elle a quisera e

ella como as molheres naturalmente sam vingativas o não quiz quando elle

quisera, e folgou de lhe dar competidor e de o anojar, como na verdade

foi, _ca desta mesma causa naceo sua entrada em Castella com o titolo de

sua sobrinha_, filha delRei Dom Amrique per dar trabalho á Rainha Dona

Isabel, e se vingar della, e como as cousas de sua entrada sobcederão

fique do Coronista ao carguo.»

Com effeito Henrique IV, annos antes do seu passamento, offerecera, como

vimos, a mão de D. Isabel a D. Affonso V; e desejou igualmente, que o

principe D. João casasse com a princeza de Castella, D. Joanna.

D. Affonso dilatou a sua resolução, e sómente quando muito

instado por seu cunhado, pelo principe seu filho, e pelas diligencias do

marquez de Vilhena, mandou uma embaixada pedir a infanta. Os

embaixadores esperavam pela resposta na aldeia de Cientpozuelos, e

afinal foram despedidos, dizendo-se-lhes, que se trataria por meios

brandos de reduzir a infanta a obedecer a seu irmão. O arcebispo de

Toledo cuidou immediatamente de dissuadir D. Isabel d'este enlace, pondo

em relêvo a dilação descortêz de D. Affonso, aconselhou-a, a que

preferisse Fernando de Aragão, e entendeu, que, para frustrar as idéas

dos adversarios, devia fazer secretamente os preparativos, precipitar os

tramites do negocio, e de um modo ou outro verificar o matrimonio, para

que, realizado e consumado, não désse lugar ao _arrependimento da

princeza_. E maior préssa se deu ainda, quando soube, que de Roma havia

sido enviada a Bulla de Paulo II, com data de 23 de junho de 1469,

concedendo a dispensa a D. Affonso e D. Isabel. Fabricou então um breve

apostolico, datado de 28 de maio de 1464 e com assignatura falsa de Pio

II, pois se oppunha á execução do desposorio com Fernando o impedimento

da consanguinidade dos nubentes, e não havia outro meio de velar o

sigillo e realizar o negocio com promptidão.

O atribiliario prelado toledano comprazia-se em forjar caballas e

commetter torpezas.

Pero da Covilhan: Episodio Romantico do Seculo XV · 第 11 / 32 题