D. Joanna estacou.

--Não diga heresias, menina! Deus não desampara ninguem.

--E a Sancha?

--Hein?

--A Sancha.

--Lá vem você com a negrinha!

--Negra ou branca, é creatura.

--Não digo que não. Mas que falta á Sancha?

--Oh, tia Joanna! pergunte antes o que lhe sobra...

--Você é muito impressionavel. Creia que a pequena não é infeliz.

Que seria d'ella, se não estivesse lá em casa... Uma desgraçada,

d'essas da rua. Talvez que bebesse, ou que já estivesse com um filho

nos braços.

--Estar com um filho nos braços! mas isso seria uma fortuna, tia

Joanna. Tomara eu.

--Menina, que é que você está dizendo!

--Gosto tanto de creanças! Olhe, tia Joanna, o meu desejo é ter vinte

filhos, vinte!

A velha corou.

--Perdôo essas palavras, porque você é innocente; mas não torne a

repetil-as, ouviu?

Ruth scismava em que constituiria peccado o ter vinte filhos, quando D.

Joanna exclamou, apontando para duas creanças, carregadas uma com uma

harpa, outra com uma rabeca:

--Olha, Ruth; aquellas, sim, é que são infelizes: andam ao sol e á

chuva, e se não levam dinheiro para casa, ainda apanham por cima.

--Não as compare á outra, tia Joanna. Eu preferiria andar sempre ao ar

livre, apanhando soes e chuvas, tocando no meu violino, dormindo em

qualquer soleira de pedra, do que viver no borralho como a Sancha. Ao

menos estes teem a musica.

A fallencia · 第 22 / 36 题