XXI

Padre Antonio, horas depois, enviava um proprio com uma longa carta a

Villa Franca. Era um humilde requerimento ao coração de Alvaro.

Lembrava-lhe, com delicadeza, os seus deveres. Contava-lhe o viver

attribulado de sua sobrinha, pedia-lhe encarecidamente que viesse

vê'-la, ou consentisse que algumas pessoas da familia d'ella a

acompanhassem no ermo em que vivia.

O fidalgo recebera a carta no pospasto de um festim em que se

banqueteavam os caçadores, commemorando as façanhas venatorias do dia. O

conde de ***, chamado por Alvaro a conselho redigiu e escreveu a

resposta á carta, visto que o seu amigo, turbado de vinho, apenas tinha

entendimento para conhecer que o frade o incommodava, como parapeito dos

tiros de sua mulher. A resposta, por tanto, foi simples e peremptoria.

Alvaro agradecia muito os pios conselhos do padre, sentia muito os

incommodos de sua mulher; recusava, porém, acceder á convivencia pedida,

e approveitava a occasião para observar a sua reverendissima que a sua

pertinaz assistencia em casa d'elle Alvaro era pouco delicada,

provando-se que não havia n'essa casa meninos para educar. Terminava,

ordenando que sua mulher se recolhesse a Lisboa quanto antes, visto que

os ares campestres não conseguiam alliviar os seus padecimentos.

Esta carta foi lida a Alvaro, que deu no hombro do seu secretario uma

sonora palmada, como signal de applauso e gratidão.

Lagrimas Abençoadas · 第 87 / 115 题