O coronel... (já não era coronel) o homem da honra e da coragem
amanheceu um dia á porta de sua mulher. Trazia nas faces aquella magreza
livida que o sopro das batalhas, e o enervamento da fome estampam no
rosto do vencedor, e do vencido. Vencido era elle. Não trazia espada,
que a pureza, não aos pés do vencedor, mas sobre a acta de uma
capitulação, deixára ao bravo a consciencia da sua intrepidez. Nem uma
lagrima lhe escapou involuntaria dos olhos, quando, exauctorado e
desvalido, se collocou entre os derradeiros thesouros que lhe restavam:
sua esposa, e seus cinco filhos. Esses, sim, eram d'elle, eram de seu
coração como a virtude, emanação de Deus, é quasi sempre o unico
patrimonio do virtuoso.
E é por isso que não houveram lagrimas, que assombrassem n'aquelles
labios o jubilo do sorriso. É por isso que paes e filhos caíram de
joelhos; e, no silencio de seus corações, Deus sabe a acção de graças,
que lhe subira aos pés de seu throno n'aquellas extaticas elevações de
alegria reconhecida.
Ao levantarem-se, abraçaram-se, uma e muitas vezes; e quando as palavras
venceram a suffocação da surpresa, uma só voz, a de todos, exclamou:
«Somos muito felizes! Bemdito seja Deus!»