Cidade rica do sancto
Corpo do seu rei primeiro,
Qu'inda vimos com espanto
Ha tão pouco tempo inteiro
Dos annos que podem tanto.[6]
Silencio... não vêdes como lhes resumbram no seu cantico uns nomes tão
feiticeiros...
_Da saudade o penedo!_ que amores
Á minh'alma, aos meus olhos não é!
Lindo cesto de graça e verdores,
Verde ramo do monte ao sopé.
_Dos suspiros a gruta_ mais longe
Recolhida se foi meditar.
Só poeta, só ave, só monge
Póde á gruta os segredos vulgar!
E aqui lhe escapa depois no fundo arrebatar do pensamento grave um nome
grave como elle--o _Penedo da Meditação!_ mas de volta para a cidade pára
diante da gradaria soberba de soberbo jardim erecto pelas mãos sagradas
d'um Bispo[7] e exclama
Salve, terra mimosa! a ti meu canto
A ti meu coração, minhas saudades!
E o echo, ou de cortez, ou de agradecido, responde-lhe de dentro do
arvoredo o derradeiro verso