MEA CULPA

Não duvido que o mundo no seu eixo

Gire suspenso e volva em harmonia;

Que o homem suba e vá da noite ao dia,

E o homem vá subindo insecto o seixo.

Não chamo a Deus tyranno, nem me queixo,

Nem chamo ao céo da vida noite fria;

Não chamo á existencia hora sombria;

Acaso, á ordem; nem á lei desleixo.

A Natureza é minha mãe ainda...

É minha mãe... Ah, se eu á face linda

Não sei sorrir: se estou desesperado;

Se nada ha que me aqueça esta frieza;

Se estou cheio de fel e de tristeza...

É de crer que só eu seja o culpado!

Os sonetos completos de Anthero de Quental · 第 57 / 130 题