O Palacio da Ventura

Sonho que sou um cavalleiro andante.

Por desertos, por sóes, por noite escura,

Paladino do amor, busco anhelante

O palacio encantado da Ventura!

Mas já desmaio, exhausto e vacillante.

Quebrada a espada já, roda a armadura...

E eis que subito o avisto, fulgurante

Na sua pompa e aerea formosura!

Com grandes golpes bato á porta e brado:

Eu sou o Vagabundo, o Desherdado...

Abri-vos, portas d'ouro, ante meus ais!

Abrem-se as portas d'ouro, com fragor...

Mas dentro encontro só, cheio de dor,

Silencio e escuridão--e nada mais!

Os sonetos completos de Anthero de Quental · 第 58 / 130 题