SONHO

Sonhei--nem sempre o sonho é cousa vã--

Que um vento me levava arrebatado,

Atravez d'esse espaço constellado

Onde uma aurora eterna ri louçã...

As estrellas, que guardam a manhã,

Ao verem-me passar triste e calado,

Olhavam-me e dixiam com cuidado:

Onde está, pobre amigo, a nossa irmã?

Mas eu baixava os olhos, receoso

Que trahissem as grandes magoas minhas,

E passava furtivo e silencioso,

Nem ousava contar-lhes, ás estrellas,

Contar ás tuas puras irmansinhas

Quanto és falsa, meu bem, e indigna d'ellas!

Os sonetos completos de Anthero de Quental · 第 49 / 130 题