NOCTURNO

Espirito que passas, quando o vento

Adormece no mar e surge a lua,

Filho esquivo da noite que fluctua,

Tu só entendes bem o meu tormento...

Como um canto longinquo--triste e lento--

Que voga e sutilmente se insinua,

Sobre o meu coração, que tumultua,

Tu vertes pouco a pouco o esquecimento...

A ti confio o sonho em que me leva

Um instincto de luz, rompendo a treva,

Buscando, entre visões, o eterno Bem.

E tu entendes o meu mal sem nome,

A febre de Ideal, que me consome,

Tu só, Genio da Noite, e mais ninguem!

Os sonetos completos de Anthero de Quental · 第 48 / 130 题