AMARITUDO

Só por ti, astro ainda e sempre occulto,

Sombra do Amor e sonho da Verdade,

Divago eu pelo mundo e em anciedade

Meu proprio coração em mim sepulto.

De templo em templo, em vão, levo o meu culto,

Levo as flores d'uma intima piedade.

Vejo os votos da minha mocidade

Receberem sómente escarneo e insulto.

Á beira do caminho me assentei...

Escutarei passar o agreste vento,

Exclamando: assim passe quando amei!--

Oh minh'alma, que creste na virtude!

O que será velhice e desalento,

Se isto se chama aurora e juventude?

Os sonetos completos de Anthero de Quental · 第 50 / 130 题