A J. Felix dos Santos

Sempre o futuro, sempre! e o presente

Nunca! Que seja esta hora em que se existe

De incerteza e de dor sempre a mais triste,

E só farte o desejo um bem ausente!

Ai! que importa o futuro, se inclemente

Essa hora, em que a esperança nos consiste,

Chega... é presente... e só á dor assiste?...

Assim, qual é a esperança que não mente?

Desventura ou delirio?... O que procuro,

Se me foge, é miragem enganosa,

Se me espera, peor, espectro impuro...

Assim a vida passa vagarosa:

O presente, a aspirar sempre ao futuro:

O futuro, uma sombra mentirosa.

Os sonetos completos de Anthero de Quental · 第 32 / 130 题