A Alberto Telles

Só!--Ao ermita sósinho na montanha

Visita-o Deus e dá-lhe confiança:

No mar, o nauta, que o tufão balança,

Espera um sopro amigo que o céo tenha...

Só!--Mas quem se assentou em riba estranha,

Longe dos seus, lá tem inda a lembrança:

E Deus deixa-lhe ao menos a esperança

Ao que á noite soluça em erma penha...

Só!--Não o é quem na dor, quem nos cançaços,

Tem um laço que o prenda a este fadario.

Uma crença, um desejo... e inda um cuidado...

Mas cruzar, com desdem, inertes braços,

Mas passar, entre turbas, solitario,

Isto é ser só, é ser abandonado!

Os sonetos completos de Anthero de Quental · 第 31 / 130 题